Fotos: Felippo Brando

Aos 50 anos – 29 deles dedicados à Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro – o coronel Mário Sérgio de Brito Duarte chegou, ontem, ao posto mais alto da carreira e assumiu o comando da corporação, substituindo o coronel Gilson Pitta Lopes, 54, que estava no cargo desde janeiro do ano passado.
Casado com uma major da PM, o oficial já anunciou diversas mudanças que fazem parte de um projeto para modernizar a Polícia Militar. Entre elas, as trocas de comandos em cerca de 90% dos batalhões; o aumento do número de PMs nas ruas; a redução dos efetivos em setores administrativos; e a aproximação entre praças e oficiais.
Horas após assumir o comando geral da PMERJ, o coronel Mário Sérgio de Brito Duarte anunciou mudanças nos cargos de chefia e batalhões da corporação. Em apenas um dos seis comandos intermediários e em sete das 46 unidades operacionais não haverá troca de comandantes. A novidade ficou por conta da nomeação de duas mulheres para os comandos de dois batalhões. É a primeira vez na história da bicentenária corporação que oficiais femininas ficam à frente de unidades operacionais.

“Alguns estudiosos falam em reforma na Polícia. Reforma é para casa, para carro velho. Nós estamos em busca da modernização. A PM segue seu curso em direção ao futuro. Não pode ficar presa a amarras. Sim, há novos horizontes para onde se dirigem os timoneiros dessa nau, para promover tranqüilidade pública e paz social”, ressaltou o coronel Mário Sérgio, que estava como diretor-presidente do Instituto de Segurança Pública (ISP), desde 2008.

Ex-comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do 22º BPM (Benfica) e da Academia de Polícia Dom João VI, além de ex-diretor de Inteligência da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública, o coronel Mário Sérgio anunciou que as trocas de comando estarão definidas até a noite de amanhã.
“Haverá ampla movimentação de comandos de unidades e a maior parte das mudanças será imediata. As trocas serão anunciadas na sexta-feira à noite. Vamos ministrar um curso de uma ou duas semanas para ensinar os comandantes a lidar com ferramentas para gestão de monitoramento de índices. Também estamos formando uma comissão, em cada batalhão, que terá uma semana para apresentar um plano emergencial para corte de sua gordura administrativa”, revelou Mário Sérgio.
O objetivo é levar mais PMs para as ruas, enxugando os setores administrativos dos batalhões – entre eles, P-1 (Recursos Humanos), P-2 (Serviço de Inteligência), P-3 (Planejamento e Operações), P-4 (Manutenção), P-5 (Relações Públicas) e rancho.

“Os batalhões têm excesso de burocracia. A intenção é devolver à PM seu papel de “polícia visível”, aumentando o policiamento ostensivo. O verdadeiro papel da PM é fazer a prevenção, evitar que os delitos aconteçam. Há muitas estruturas de poder e muitos serviços que acabaram se perpetuando e que nós precisamos rever. Vamos extinguir serviços que não foram criados para a população e transformar a estrutura do poder em estrutura de utilidade pública”, destacou o coronel.
Outra mudança almejada pelo novo comandante geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro é a unificação da própria corporação.
“Não sei em que momento isso começou a acontecer, mas hoje temos a impressão de que existem duas polícias diferentes: a dos praças e a dos oficiais. Quem faz a PM são os cabos e soldados, os sargentos e os novos oficiais que estão nas ruas. Os postos e graduações definem as obrigações de cada um, mas todos temos a mesma responsabilidade. Vamos mudar isso, pois somos uma corporação só”, enfatizou.
Os oficiais que eram chefes e sub-chefes das Delegacias de Polícia Judiciária Militar (DJPMs) devem perder seus cargos, já que as unidades serão transformadas em departamentos sob responsabilidade da Corregedoria Interna da PMERJ.

O novo chefe de gabinete do comandante é o coronel Carlos Eduardo Milagres e a chefia do Estado Maior Geral foi dividida em dois braços: um operacional e outro administrativo. À frente do primeiro, está o coronel Álvaro Garcia, que estava no Comando das Unidades Operacionais Especiais (CmdUOpE), e, à frente do segundo, o coronel Carlos Eduardo Milan, que estava no comando da Academia de Polícia Dom João VI.
Novo comandante comenta exposição de PM acusado de agressão
O coronel Paulo César Lopes, 55 anos – 36 deles dedicados à corporação – falou sobre o pedido para ser transferido para a inatividade.

“Eu tenho valores e princípios militares que existem nos militares bem constituídos. Essa foi uma decisão de foro íntimo, pois o novo comandante geral é muito mais moderno que eu. Não tô fazendo crítica à pouca experiência e não tenho nada contra a modernidade, desde que seja aliada à experiência, mas é uma questão de precedência. Eu sequer tive contato com ele nos bancos acadêmicos. Julguei a minha saída conveniente e oportuna e saio com a consciência do dever cumprido. O importante é que emoções eu vivi”, finalizou o oficial, que criou polêmica ao perfilar policiais militares acusados de agredirem moradores da Favela Gogó da Ema durante uma incursão no local.
Reconhecido por um menor que se disse vítima de espancamento, um dos PMs recebeu voz de prisão e teve o nome e foto estampados em um jornal.
O novo comandante geral comentou o episódio, garantindo que é preciso rigor, mas também cuidado em casos semelhantes.
“O policial envolvido nesse episódio tinha perdido o colega e não poderia estar participando de uma operação lá, pois estava emocionalmente abalado. É preciso rigor, mas também é preciso que os comandantes tenham cuidado”, disse.

Em relação à quantidade de anos na corporação, o coronel Mário Sérgio afirmou que os oficiais que já tiverem cumprido o tempo de serviço devem ir para a inatividade.
“Não há um número suficiente de tenentes-coronéis para mudar todos os comandos e mandar os mais antigos para casa. Antigüidade é muito importante para a vida militar, mas antigüidade não é posto. Resultado é posto. Por um lado, respeitamos a antigüiddade, de outro, os coronéis competentes, não importa o tempo”, declarou.

De 64 cargos, apenas 8 não sofreram alterações
Chefe de Gabinete – coronel Carlos Eduardo Milagres Pereira
Chefe do EMG (Operacional) – coronel Álvaro Rodrigues Garcia
Chefe do EMG (Administrativo) – coronel Carlos Eduardo Millan
Corregedoria Interna – coronel Carlos Augusto Rodrigues dos Santos
Ajudante Geral – tenente-coronel Kátia Néri Nunes Boaventura (interino)
CCI – major Fábio da Rocha Bastos Cajueiro (interino)
DGAL – tenente-coronel Carlos Mendes Gomes de Oliveira (interino)
CMM – tenente-coronel João Silvestre de Araújo
CSM – tenente-coronel Joelson Franco Nunes
DGP/DIP/Rio – major Márcia Dias de Andrade (interino)
DEI – coronel Júlio Cesar Ramos
CPAE – Tenente-coronel José Vieira de Carvalho Júnior (interino)
DGP – coronel Luís Antônio Corso da Costa
CFAP – tenente-coronel Josiel Avanir dos Santos (interino)
BEP – major Rubens Castro Peixoto Junior (interino)
Coordenador do CAEs – tenente-coronel Alberto Pinheiro Neto
Academia D. João VI – tenente-coronel Eduardo Frederico Cabral de Oliveira (interino)
ESPM – tenente-coronel Ibis Silva Pereira (interino)
comandos intermediários
1º CPA – coronel Marcus Jardim Gonçalves (permanece)
2º CPA – coronel Erir Ribeiro Costa Filho
3º CPA – coronel Robson dos Santos Batalha
4º CPA – coronel Paulo Augusto do Couto Mouzinho
5º CPA – coronel Marco Aurélio de Moura
6º CPA – coronel Paulo César Vieira
unidades operacionais
1º BPM – Tenente-coronel Sérgio Luiz Mendes Afonso (permanece)
2º BPM – tenente-coronel Roberto Gil da Conceição Silva
3º BPM – tenente-coronel Marco Alexandre (permanece)
4º BPM – tenente-coronel Solange Helena do Nascimento Vieira
5º BPM – tenente-coronel Carlos Henrique Alves de Lima
6º BPM – tenente-coronel Fernando Príncipe Martins (permanece)
7º BPM – coronel Marcos Daflon Correa
8º BPM – coronel PM Elson Haubrichs Batista
9º BPM – tenente-coronel Edivaldo Camelo da Costa
10º BPM – tenente-coronel Hércules Ferreira Brandão (permanece)
11º BPM – tenente-coronel James de Barros
12º BPM – tenente-coronel Maurício Santos de Moraes
13º BPM – tenente-coronel Edite dos Reis Nani Bonfadini
14º BPM – coronel Pedro Paulo da Silva (permanece)
15º BPM – tenente-coronel Roberto Alves de Lima
16º BPM – tenente-coronel Rogério Seixas Cruz
17º BPM – coronel Cid Souza Sá
18º BPM – tenente-coronel Luigi Felipe Guimarães Gatto (permanece)
19º BPM – tenente-coronel Rogério Seabra Martins
20º BPM – tenente-coronel Ivanir Linhares Fernandes Filho
21º BPM – tenente-coronel Gileade Amaro de Albuquerque
23º BPM – coronel Sérgio Alexandre Rodrigues do Nascimento
24º BPM – tenente-coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira
25º BPM – tenente-coronel Célio da Cunha Pedrosa
26º BPM – tenente-coronel Antônio Henrique da Silva Oliveira
27º BPM – tenente-coronel Marcos Alves dos Santos
31º BPM – tenente-coronel Ricardo Quemento Lobasso (permanece)
32º BPM – tenente-coronel Alnyr Antônio Batista Ribeiro
34º BPM – tenente-coronel Eraldo Almeida Rodrigues
35º BPM – tenente-coronel José da Silva Macedo Júnior
36º BPM – tenente-coronel Edson de Almeida
37º BPM – tenente-coronel Henrique Lima de Castro Saraiva
38º BPM – tenente-coronel Álvaro Sérgio Alves de Moura
39º BPM – tenente-coronel José Luiz Nepomuceno Marinho
unidades operacionais especiais
BPChq – tenente-coronel Robson Rodrigues da Silva (interino)
BPChq/GEPE – major Luiz Octávio Lopes da Rocha Lima
BPFMA – tenente-coronel Mário Márcio Pereira Fernandes
BOPE – tenente-coronel Paulo Henrique Azevedo de Moraes
BPTUR – tenente-coronel Rivaldo Dantas de Carvalho
GAM – tenente-coronel Eduardo Luiz Brandão Ribeiro
BPRV – coronel Aristeu Leonardo Tavares














































