Arquivo de 15 de abril de 2009

Fotos: Vitor Silva

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Junte dez embalagens vazias e troque por uma cheia. A promoção poderia ser apenas mais uma de tantas que são feitas por empresas atualmente, não fosse o conteúdo: cocaína. A jogada de marketing está sendo feita por traficantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV) nas bocas-de-fumo do Complexo do Cantagalo, que é composto pelas favelas Pavão, Pavãozinho e Cantagalo e possui acessos pelos bairros Copacabana e Ipanema, na Zona Sul do Rio. A descoberta foi feita ontem por agentes da equipe Gladiadores do Serviço de Inteligência (P-2) do 1º BPM (Estácio), que realizavam operação em conjunto com equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) na localidade.

Além de incentivar o retorno do viciado, a promoção também representa economia para os traficantes, que dessa forma conseguem repor a embalagem – de plástico em formato de tampa de caneta – e recolocá-las no mercado. Conhecida como “tubo eppendorf”, ela tem quatro centímetros de altura e é usada em laboratórios para reações químicas e também para transporte de produtos médicos. Cada uma é vendida em média por R$ 3. Na promoção da boca do Cantagalo, elas são usadas para armazenar cocaína e são vendidas a R$ 10.

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“O viciado que vai até aquela boca com freqüência junta dez embalagens e troca por uma. Ele gasta R$ 100 e ganha um brinde de R$ 10″, revelou um dos integrantes da equipe Gladiadores que participou da ocorrência.

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O comandante do 1º BPM, tenente-coronel Sérgio Mendes, explicou que a operação foi realizada após o recebimento de uma denúncia que afirmava que o traficante conhecido como Paulinhozinho, do Morro do Fallet, em Santa Teresa, estaria escondido na região.

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“Fizemos um trabalho de inteligência e, com autorização do 1º Comando de Policiamento da Capital, montamos uma operação, com apoio da Core, para checar os dados recebidos. Infelizmente não localizamos o criminoso procurado, mas o resultado foi positivo”, ressaltou o oficial.

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A ação terminou com cinco presos: Thiago Correia Dias, 20 anos, Felipe Santos Coutinho da Silva, o Bilóia, 19, Euclides Aparecido dos Santos Estevão, o Dino, 20, Rômulo Francisco Viana da Silva, 26, e Márcio Luiz Brandão, o Tchomen, 18. Enquanto este último – que tinha duas passagens, por furto e assalto a mão armada, em 2004 e 2005 – possuía um mandado de busca e apreensão por assalto a mão armada praticado enquanto ainda era menor de idade, os outros quatro ficaram presos autuados por porte ilegal de arma, tráfico de drogas e associação para fins de tráfico.

Morador de Teresópolis, na Região Serrana do Rio, Dino cumpriu oito meses de prisão por furto e estava há cerca de três meses na casa de um primo, no Cantagalo. Já Rômulo Francisco tinha passagem por porte ilegal de arma, tendo sido autuado na 38ª DP (Brás de Pina), em 2005. Ele ficou preso durante um ano e dois meses.

Além dos cinco presos, os PMs apreenderam grande quantidade de munições de diversos calibres e drogas – entre maconha, cocaína, haxixe e crack – além de quatro armas. Entre elas, uma pistola calibre 40 da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro que era do inspetor Sandro Luiz Fernandes Marques, 35.

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Lotado na Corregedoria Interna da Polícia Civil (Coinpol) desde 2005, ele estava há três anos na instituição quando foi assassinado por criminosos da Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, em setembro de 2008.
Neto do cantor e compositor Luiz Gonzaga, o Gonzagão, o policial já havia pedido exoneração do cargo para se dedicar ao documentário sobre a vida do avô. Ele desapareceu na madrugada do dia 19 de setembro, depois de sair de um bar na Lapa, na região central do Rio. Ele deixou um amigo em casa, na Ilha do Governador, e não chegou à sua residência, no mesmo bairro. O corpo do policial foi encontrado na Rodovia Washington Luiz, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e seu veículo – um Meriva Preto – foi recuperado na Nova Holanda.

Antes de trabalhar na Coinpol, o inspetor havia passado pela 37ª DP (Ilha do Governador) e pela Assessoria de Estatística e Planejamento (Asplan). Ele teria sido abordado pelos bandidos que o confundiram com um policial militar lotado no 22º BPM (Maré), que também dirigia um Meriva preta e com quem os traficantes haviam trocado tiros três meses antes. Após descobrirem a identidade de policial civil, os criminosos decidiram matá-lo com mais de dez tiros.

Fotos: Pedro Pantoja

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A sobrinha da mulher apontada pela Polícia Federal com a tesoureira do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, 42 anos, está entre as quatro pessoas que foram presas nesta segunda-feira, dia 13, por policiais da 38ª DP (Brás de Pina) acusadas de envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho (CV) e participação no tráfico de drogas na Favela Parque das Missões, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Adilson Gomes da Hora Júnior, o Nico, 34 anos

Adilson Gomes da Hora Júnior, o Nico, 34 anos

Os policiais foram até a favela para prender Adilson Gomes da Hora Júnior, o Nico, 34, gerente do tráfico nas favelas Furquim Mendes e Dique, no Jardim América, na Zona Norte do Rio. Através de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, os agentes da 38ª DP começaram a acompanhar os passos do criminoso e descobriram que ele havia se tornado um elo entre as três favelas.

“Soubemos que ele estaria na Favela das Missões e preparamos uma operação com o intuito de prendê-lo. Não conseguimos localizá-lo, mas tínhamos outros objetivos que conseguimos cumprir. Entre eles, os endereços onde haveria drogas e armas e onde encontramos essas quatro pessoas que foram presas”, explicou o inspetor Carlos Augusto Ferreira Nogueira, chefe do Setor de Investigações da 38ª DP.

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Entre os presos, estava o casal Luiz Paulo Santos Oliveira, o LP, 21, e Gabriela Figueiredo Ângelo, 22. Ela é sobrinha de Shirley de Figueiredo Ângelo, 42, presa em 2000 pela Polícia Federal e apontada como tesoureira de Fernandinho Beira-Mar, considerado pela Polícia como o maior traficante de armas e drogas da América Latina. Em liberdade desde maio do ano passado, Shirley já havia sido presa anteriormente por receptação e associação para fins de tráfico.

Enquanto esteve na Unidade Prisional Patronato Margarinos Torres, em Benfica, ela foi visitada por Gabriela que, segundo a Polícia, é casada com o matuto da Favela Parque das Missões – região que, junto com a Favela Beira-Mar, é controlada por Fernandinho Beira-Mar. Devido ao parentesco e relação próxima entre Shirley, Gabriela e Luiz Paulo, a Polícia acredita que a quadrilha seja subordinada ao megatraficante.

“O LP é o responsável por abastecer a favela. É ele quem traz a droga e distribui”, ressaltou Ferreira.

Os outros presos na operação de ontem foram identificados como Daniel Ferreira e Marco Antônio Santos, o Play, ambos de 23 anos. Enquanto o primeiro foi autuado somente por associação para fins de tráfico, o segundo foi autuado também por tráfico de drogas, assim como Luiz Paulo. Já Gabriela foi autuada, além de tráfico de drogas e associação para fins de tráfico, por porte ilegal de armas. Na ação, os policiais apreenderam uma pistola calibre 40, um revólver 38, cerca de um quilo de crack, dois galões de cheirinho da loló e 11 quilos de maconha prensada.