Prisão de 114 integrantes da Liga da Justiça em 6 meses
Fotos: Pedro Pantoja

Em 180 dias, 219 pessoas acusadas de integrar a milícia Liga da Justiça foram presas. Somente no mês de setembro, foram 114 presos na Operação Têmis – criada com objetivo de combater o grupo paramilitar com atuação na Zona Oeste do Rio e batizada com o nome da deusa grega que era considerada guardiã dos juramentos dos homens e da lei. A estatística foi divulgada pelo secretário de Estado de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que concedeu uma entrevista coletiva no auditório do órgão, no prédio da Central do Brasil, no Centro do Rio, na manhã desta quarta-feira, dia 11.
Acompanhado pelo chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski, o secretário ressaltou que 52% das prisões são referentes às efetuadas dentro das três etapas da operação Têmis e que o número representa um aumento de 180%, se comparado à quantidade de milicianos presos no ano passado.

“Os números comprovam que o combate às milícias aumentou e o combate sistemático ao narcotráfico e à milícia vai continuar. A sociedade tem muita pressa, e com razão, mas o trabalho tem que ter qualidade para que o Ministério Público possa denunciar e o Judiciário condenar. É preciso que haja sustentação jurídica para que as pessoas sejam extirpadas do convívio com a sociedade”, ressaltou Beltrame.
Enquanto em 2006 cinco acusados de serem milicianos foram presos em todo o Estado do Rio e, no ano seguinte, 24, em 2008 foram 70 presos e, este ano, 219. Destes, 36 são policiais: 31 militares e cinco civis.
“Sabíamos que os líderes seriam substituídos, então começamos a atacar o financeiro, pois assim os substitutos teriam menos poder. A milícia é sustentada pelas taxas cobradas do transporte alternativo e dos depósitos de gás e dos valores arrecadados com centrais clandestinas de televisão e internet”, enfatizou Turnowski, destacando foram feitas diversas parcerias entre o Governo do Estado e empresas privadas.

“Não adiantava apreender o gás e deixar a dona de casa sem gás para cozinhar, nem apreender as vans e deixar os trabalhadores sem transporte. Um acordo com empresas de ônibus levou mais 438 para a frota dos coletivos que circulam na Zona Oeste. Um outro acordo levou pacotes de televisão por assinatura a preços populares”, afirmou o chefe de Polícia Civil, no dia seguinte à 3ª fase da Operação Têmis, que prendeu 18 pessoas envolvidas com a Liga da Justiça.
Para desestruturar a situação financeira da milícia, atacando as fontes de renda da quadrilha, a operação passou a contar com o apoio da Secretaria Especial da Ordem Pública (SEOP), Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), Departamento de Trânsito (Detran), Rio Ônibus, SHV Gás Brasil e Net. Segundo a Polícia, o faturamento da quadrilha — que só com transporte alternativo lucrava antes R$ 2 milhões por mês — caiu 80%.

Outro índice divulgado durante a coletiva foi a elucidação de homicídios: 58 já estariam com os autores identificados. Destes, 35 já possuem provas para condenação e outros 14 dependem apenas de provas técnicas.
“Em nove possuímos os indícios, mas ainda precisamos conseguir outros detalhes e convencer testemunhas a depor”, reconheceu Turnowski, que destacou que, após a prisão do ex-PM Ricardo da Cruz Teixeira, o Batman, 40 anos, em maio, o número de assassinatos na região das delegacias de Campo Grande (35ª DP), Santa Cruz (36ª DP) e Pedra de Guaratiba (43ª DP) diminuiu.

Também durante a coletiva foi feito o anúncio da criação, ainda no mês de dezembro, de uma superdelegacia de Homicídios. O projeto prevê a junção da DH-Oeste, localizada em Campo Grande, com a da capital. No futuro, a idéia é de que esta delegacia absorva as ocorrências dos municípios da Baixada Fluminense, além de Niterói e São Gonçalo.
A superdelegacia contará com mais de 200 agentes, entre delegados, investigadores e peritos. O objetivo inicial é que essa unidade tenha um trabalho de investigação conjunto com a 35ª DP para dar continuidade à desarticulação dos grupos de milicianos na Zona Oeste.
A nova unidade vai funcionar em um prédio que já foi ocupado pela 16ª DP (Barra da Tijuca).
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