Promessa de UPP em São Gonçalo: Jardim Catarina e Salgueiro contemplados

Publicado: 18 de outubro de 2010 em Uncategorized

O anúncio feito pelo governador Sérgio Cabral Filho de que os bairros Jardim Catarina e Salgueiro integram a lista de prioridades para a implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) levantou uma questão: quais são os caminhos para levar a paz a dois dos bairros considerados mais violentos de São Gonçalo?

Com base em informações das polícias Civil, Militar e Federal, mapeamos os pontos de vendas de drogas, identificamos as lideranças do tráfico e as principais incidências criminais nas duas comunidades. O raio-x dos bairros corresponde à primeira fase para implantação da UPP, de acordo com o relatório da Secretaria de Estado de Segurança Pública, que inclui o levantamento de dados populacionais, extensão territorial, número de escolas, hospitais, postos de saúde, além do perfil socioeconômico dos moradores.

Maior loteamento urbano da América Latina, com 12,5 km² de extensão e 250 mil moradores – o que representa aproximadamente 25% da população do município -, o Jardim Catarina registrou 153 homicídios no período de um ano, a maioria deles atribuídos à ação de traficantes de drogas e grupos de extermínio, que utilizam locais como a região da Ipuca e os dois rios que cortam o bairro para a desova dos corpos.

Maior loteamento urbano da América Latina, o Jardim Catarina possui 250 mil moradores

Os dez acessos diretos e indiretos às rodovias Niterói-Manilha (BR-101) e Amaral Peixoto (RJ-104) facilitam a fuga de criminosos, a chegada de armamentos e drogas, que são enviadas por traficantes da Favela do Mandela, no Complexo de Manguinhos, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, ligados à facção Comando Vermelho (CV) – a mesma que controla as bocas-de-fumo da comunidade gonçalense.

A extensão do bairro, que possui mais de 170 ruas e avenidas, obrigou os traficantes a dividirem seus locais de atuação. Segundo a Polícia, os pontos de venda de drogas se concentram na Rua 37 – também conhecida como Favela –, na Ipuca (divisa com o Complexo do Salgueiro) e na chamada Parte Baixa ou Baixada. Apenas nas duas primeiras regiões há a presença do tráfico armado, com pelo menos 10 homens com pistolas, revólveres e escopetas em cada boca de fumo, que juntas movimentam R$ 150 mil por semana.

Na Parte Baixa, a venda de entorpecentes fica sob a responsabilidade dos chamados “esticas”, que distribuem o material nas proximidades dos bares e da linha férrea, às margens da RJ-104. A estratégia dos criminosos, de acordo com as investigações, é facilitar o acesso dos usuários às drogas e evitar grandes prejuízos financeiros durante as operações policiais, já que os “esticas” não circulam armados e evitam transportar grandes quantidades de drogas.

As apreensões realizadas pelo 7º BPM (São Gonçalo) apontam para a característica varejista e itinerante do comércio de entorpecentes na região. Segundo dados do Setor de Planejamentos e Operações (P-3) da unidade, nos últimos três meses foram apreendidos na comunidade 1,3 quilo de cocaína, 720 gramas de maconha e 522 gramas de crack, além de duas pistolas. De acordo com a PM, o material é sempre arrecadado em pequenas quantidades em diferentes pontos do bairro.

O governador Sérgio Cabral Filho garantiu que Salgueiro e Jardim Catarina estão na lista prioritária para implantação de UPPs

A articulação dos ‘soldados’ do tráfico e as estratégias utilizadas por eles partem de uma das celas da Penitenciária Dr. Serrano Neves, antiga Bangu 3, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, onde se encontra preso um homem identificado como Neuber ou NB.

Márcio Silva de Macedo, o Márcio Gigante

Ele assumiu o controle da venda de drogas na comunidade após a morte de Márcio Silva de Macedo, o Gigante do Jacarezinho, cujo corpo foi encontrado dentro de uma lixeira, próximo à cantina da Penitenciária Vicente Piragibe, também no Complexo de Gericinó, em abril do ano passado. A determinação para a morte de Gigante – que, de dentro da cadeia, controlava o tráfico na Favela do Jacarezinho, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, e no Jardim Catarina – foi dada pela cúpula do CV após ele discordar da decisão dos criminosos de ter que passar a liderança da venda de drogas da comunidade carioca para Marcus Vinícius da Silva, o Lambari.

Marcus Vinícius da Silva, o Lambari

Desde então, Neuber recebeu a missão de articular com traficantes do Complexo de Manguinhos o envio de armamentos e drogas para o Jardim Catarina. Informações do Setor de Inteligência da Polícia Civil dão conta de que partiu de Neuber a ordem para matar o antigo gerente das bocas de fumo da comunidade, Wagner Pereira Farias, o Waguinho ou WG, 22. O responsável por executar a ordem do chefão do pó foi um traficante conhecido como VT, que repassou a determinação para dois homens identificados como Coroa e Cocão, que assassinaram WG com mais de dez tiros de pistola e o jogaram em um valão, em agosto desse ano. Atualmente, VT e um homem conhecido como Telminho dividem o controle das bocas-de-fumo do Jardim Catarina.

Idealizadas para se tornarem um novo modelo de policiamento comunitário, as UPPs têm como um dos principais objetivos promover a aproximação entre a população e os órgãos de Segurança Pública. De acordo com as polícias Civil e Militar, um dos pontos favoráveis para implantação de uma UPP no Jardim Catarina está no número de denúncias anônimas feitas pelos moradores sobre crimes praticados na região. Segundo o Disque-Denúncia, o bairro é o campeão no número de informações passadas para o órgão não-governamental em todo o Estado.

A implantação do novo modelo de Polícia comunitária no Jardim Catarina beneficiará 7.944 estudantes das sete escolas municipais e duas estaduais do bairro. O acesso aos três postos de saúde e a ação dos agentes do Programa Saúde da Família (PSF) – principalmente em áreas mais críticas como a região da Ipuca, onde moram 12 mil famílias – também deverão ser facilitados com as UPPs.

A expectativa é de que ocorra uma valorização imobiliária entre 50 e 80% na região. Uma casa com cinco cômodos no Jardim Catarina Novo, que custa em média R$ 50 mil, poderá custar até R$ 90 mil com a chegada da unidade policial.

Para o presidente da Associação de Moradores do Jardim Catarina, José Carlos Policarpo, a implantação de uma Polícia Comunitária isolada de políticas sociais em pouco tempo poderá ajudar a diminuir a violência no bairro.

“As áreas mais violentas do nosso bairro são aquelas mais abandonadas pelo poder público. A Polícia Comunitária será bem vinda desde que acompanhada de um trabalho social voltado para a saúde, educação e infra-estrutura, principalmente nas áreas às margens da rodovia. Não adianta apenas entrar com a força policial”, posicionou-se.

Considerado o QG do CV em São Gonçalo, o Complexo do Salgueiro possui 1,4 km² de extensão e 15 mil moradores

Já o Complexo do Salgueiro – considerado o quartel-general do CV em São Gonçalo – possui 1,4 km² de extensão e 15 mil moradores, ficando localizado em um terreno que facilita a ação dos traficantes que utilizam a mata e a região de mangue para fugir das ações policiais.

De acordo com agentes da 72ª DP (Mutuá), os traficantes que agem na comunidade controlam, pelo menos, 50 bocas-de-fumo em todo o Complexo, que inclui outros bairros e localidades, como Fazenda dos Mineiros, Luiz Caçador, Recanto das Acácias, Salgueiro, Palmeiras, São Lourenço, Conjuntos da PM e Marinha, Itaúna, Itaoca, Manuel da Ilhota e Lixão.

Assim como previsto no Jardim Catarina, a implantação da UPP no Salgueiro poderá ser o primeiro passo para a transformação e valorização dos imóveis, aquecimento do comércio e investimentos em turismo. Atualmente, segundo especialistas, uma casa de três cômodos no Salgueiro custa em torno de R$ 25 mil. Esse valor pode ser valorizado em até 80% após a implantação da UPP, com base em dados comparativos com outras comunidades contempladas com o projeto no Rio de janeiro.

As Unidades de Polícia Pacificadora, criadas para a execução de ações especiais concernentes à pacificação e preservação da ordem pública, destinam-se a aplicar a filosofia do policiamento comunitário nas áreas designadas para sua atuação, conforme decreto nº 41.650 de 21 de janeiro de 2009.

Constituem-se em áreas designadas para a atuação das UPPs, conforme critérios estabelecidos pela Secretaria de Estado de Segurança Pública, aquelas situadas em comunidades carentes e que se caracterizem pela existência de grupos criminosos ostensivamente armados.

De acordo com a Polícia, o tráfico de drogas no Salgueiro movimenta cerca de R$ 500 mil por mês

De acordo com a Polícia, o tráfico de drogas no Salgueiro movimenta cerca de R$ 500 mil por mês com a venda de drogas e com o controle do sinal ilegal de TV a cabo, popularmente chamado de “gatonet”. A Polícia investiga o envolvimento de empresas reciclagem de São Gonçalo e da Paraíba – diretamente ligadas a Antônio Hilário Ferreira, o Rabicó, 45, apontado como chefão do pó na comunidade – na lavagem do dinheiro do tráfico. Os agentes estimam que o poderio bélico dos criminosos seja composto por 20 fuzis, além de pistolas e metralhadoras.

Conhecido pelo terror imposto pelos criminosos, o Complexo do Salgueiro registrou centenas de homicídios nos últimos anos. Entre as vítimas estão dois policiais da 72ª DP, o detetive Antônio Cezar Fonseca Stockler, 50, e o inspetor João Carlos Gomes Coelho, 47, mortos por bandidos da favela, em janeiro deste ano.

Antônio Hilário Ferreira, o Rabicó, 45 anos

Investigações de agentes da Delegacia de Polícia Federal (PF) de Niterói apontam a comunidade como o refúgio preferido de criminosos do Rio. Três traficantes foram presos este ano fazedo transporte de armas e drogas de favelas cariocas para o Salgueiro. Um dos presos pela PF foi Vital Brasil do Nascimento, o VT, 34, apontado como o braço-direito de Rabicó e responsável pelo fornecimento de armas e drogas para as favelas do Fallet e Turano, em Santa Teresa e Rio Comprido, respectivamente, na região central e na Zona Norte do Rio.

Vital Brasil do Nascimento, o VT, 34 anos

Ao contrário do Jardim Catarina, onde há maior participação dos moradores no número de denúncias sobre casos de violência, no Salgueiro a chamada “lei do silêncio” imposta pelos traficantes parece surtir efeito, como aponta os próprios dados da Central do Disque-Denúncia, que registra uma informação a cada três dias.

Para coibir o tráfico de drogas e a ação de criminosos, as polícias Civil e Militar realizam operações periódicas na favela. Para comerciantes e líderes comunitários, a chegada da UPP pode ser a retomada da paz em um dos bairros mais violentos de São Gonçalo.

“Hoje vivemos a lei do silêncio. A UPP é a esperança de novos investimentos e de um pouco de paz”, disse um morador, que preferiu não se identificar.

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comentários
  1. PC disse:

    O que aconteceu com os posts sobre a cidade do Rio de Janeiro???
    Eu sempre admirei os posts que eram publicados sobre o Rio, sempre muito bem escritos! Não que os de SG e Niterói sejam ruins mas eu acho que deveriam postar mais notícias sobre o Rio. O tiro comendo em Madureira, Santa Cruz, na Penha, UPP nova aqui, UPP nova ali e nada de postarem aqui. O que eu mais gosto daqui são os detalhes que não têm no jornal!!

  2. Secreto disse:

    Será que o Governo do Estado do Rio de Janeiro poderia implantar nessas Comunidades Candoza, Coruja, Martins, e Menino de Deus, todas dominada pela mesma facção o Comando Vermelhor (C.V).

    Gosto muito desse planos e meda que se integra com as UPPs aqui no Estado do Rio de Janeiro sabemos que o Jardim Catarina, Salgueiro são duas comunidades com um grande número de armamento é nelas tem um grande número de pessoas.

    Uma Pacificação no Candoza e na Alma acabaria com a guerra das duas Facção Comando Vermelhor (C.V) e Amigos Dos Amigos ( A.D.A) nesta área do Coelho.

    Menino de Deus Acabaria com a Guerra Com a Chumbada, Menino de Deus Comando Vermelhor (C.V) Chumbada (A.D.A).

    É temos bastantes Comunidades aqui em São Gonçalo que não são tão perigosas, más se colocando uma UPPs no Jardim Catarina e no Salgueiro os bandidos se refugiaram para várias comunidas.

    Gostaria que Implanta-se UPPs nas seguintes Comunidade: Cerâmica, Água Mineiral, Bairro Almeirinda (B.A), Central, Vila Três, Miriambi, Laranjal, Coruja, Menino de Deus, Martins, Candoza, Alma.Pos elas vem virando refugio de traficantes lá do Complexo do Alemão e Complexo Penha.

    Sei que estou pedindo muito, mas não precisa fazer tudo de maneira rápida e sem planejar, mas sim um Trabalho de vagar e bem planejado para que não venha ter nenhum inocente ferido nesta Guerra.

    Agradeço desde já ao Governado do Estado do Rio de Janeiro Sergio Cabral, a Prefeita do Municipio de São Gonçalo Aparecida Panisset, Segretário de Segurança Mariano Beltrame é a todos polícias do Estado do Rio de Janeiro.

  3. secreto disse:

    boa tarde governador quero parabenizalo por tudo ate aqui feito o rj e dos moradores e nao da fagabundagem,essa e a hora de fazer a limpeza governador quero pedir ao senhor q nao olhe so pelo lado do jardim catarina e salgueiro olhe pelo lado de itaborai, marambaia, pq um dos chefes q estavao no complexo do alemao,ele comanda a mangueira e o marambaia que fica em sg, o gordo conhecido como robô,ele se diz segurança do pezao e mentira ele e chefe desses fagabundos,dessa raça de viboras,ele ja mandou matar muita gente ele ta preso mas continua passando ordens de dentro do presidio instala uma upp sg marambaia,itaborai,nao se esqueça daquele povo de la governador pq eles querem viver dgnamente abraços.

  4. secreto disse:

    governador e muito fagabundo o senhor tera q fazer um presidio bemm grande na amazonia deixa eles por la mesmo quero v eles fugirem de la vao ser devorados e o q essa raça de sem coraçao merece pq eles nao pensam duas vezes quando matam.

  5. salqueiro c.v r.l complexo ta dominado por noix disse:

    nao quero upp aki no salqueiro o aviso já vfoi dado se entra a bala vai come

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