Arquivo de 17 de janeiro de 2011

“Como mãe, eu tenho o direito de saber o que aconteceu com minha filha. Só preciso de uma reposta, saber se ela está viva ou morta para enterrá-la com dignidade”.

Cinco anos se passaram desde que a estudante Geise Keli Carvalho da Silva, na época com 18 anos de idade, deixou sua residência no Boaçu, em São Gonçalo, e seguiu para a Favela da Fazendinha, no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Antes de sair de casa, como habitualmente fazia, despediu-se com um beijo da mãe, a auxiliar de creche Márcia Cristiane de Oliveira Carvalho, 47, e pediu para que ela não ficasse preocupada.

A ida da jovem ao quartel-general da facção Comando Vermelho (CV) – até então considerado intransponível para os agentes de segurança do Estado – tinha um motivo: “desenrolar uma situação” com o então chefe do tráfico de drogas no Complexo do Boaçu e gerente das bocas-de-fumo da comunidade de Inhaúma.

Acusada de ser X-9 (informante da polícia), ela seguiu com dois amigos ao encontro do traficante, às 16h30 do dia 8 de julho de 2005, e nunca mais voltou para casa. O caso foi registrado na 72ª DP (Mutuá) e, em seguida, encaminhado à Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DH/Nit-SG), onde permanece sem solução.

Entretanto, as esperanças da auxiliar de creche encontrar a estudante ganharam força com a ocupação das 12 favelas que compõem o conjunto de favelas da Zona Norte do Rio, ocorrida no dia 26 de novembro do ano passado. Acompanhamos, no Complexo do Alemão, a peregrinação da mãe que, nos últimos cinco anos, fez de sua vida uma busca diária por respostas para o desaparecimento da filha.

Ao chegar à Rua Antônio Austragésimo, um dos acessos à Favela da Fazendinha, Márcia comentou que sentia a presença de Geise naquele local e se emocionou ao falar do envolvimento da filha com as drogas e com traficantes.

“Perdi as contas de quantas vezes entrei em favelas, como Menino de Deus e Querosene, para buscá-la no meio da boca de fumo. Ela, sempre muito carinhosa comigo, me abraçava, dizia que ali não era lugar para mim e aceitava voltar para casa”, contou emocionada, enquanto colava um cartaz no poste com a foto da jovem e o telefone para informações sobre sua localização.

Um funcionário do Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC) se aproxima e comenta que o rosto de Geise lhe é muito familiar.

“Ela mora aí pra cima com certeza e tem até uma filhinha”, afirmou.

Sem querer se identificar, ele se propôs a acompanhá-la até à Rua da Torre, um dos acessos ao teleférico do Complexo do Alemão, onde teria visto a jovem pela última vez. No caminho, o homem conta que histórias como a de Geise eram comuns durante o período em que a comunidade ficou sob o domínio de traficantes fortemente armados.

“Cansei de ver vans e kombis, com placas de São Gonçalo e Niterói, lotadas de meninas usando drogas e se relacionando com traficantes. É curioso ver como esse submundo as atraem”, disse.

Em cada comércio, beco ou viela onde Márcia colava o cartaz, as esperanças se renovavam com a resposta sempre muito parecida dos moradores: “Já a vi por aqui sim”. Muitos se propuseram ajudá-la nas buscas, mesmo sob o clima de tensão e incerteza sobre a permanência das forças de segurança na região.

Após três horas de procura, a frustração de não encontrar a estudante se misturou com o sentimento que Márcia afirma que só quem é mãe pode sentir: a certeza de que a filha está viva.

“Mesmo não a encontrando, meu coração de mãe diz que ela está viva. Por isso, independente de qualquer coisa que a Geise tenha passado ou sofrido, estarei sempre pronta para recebê-la de braços abertos, sem questionamento algum. Desde quando ela desapareceu, peço a Deus todos os dias que me dê uma reposta sobre o seu paradeiro. Eu não posso morrer sem saber o que aconteceu com a minha filha”, desabafou emocionada.

Quem tiver informações que auxiliem na localização de Geise, pode ligar para o Disque-Denúncia, através do telefone 2253-1177. O anonimato é garantido.

Íris de Souza Ferrari, 30 anos

A farsa armada por um dos maiores distribuidores de cocaína para turistas estrangeiros nos municípios da Região dos Lagos revelou um esquema sofisticado de emissão de carteiras de identidade, que está sendo investigado pela Polícia Civil.

Preso por agentes da 82ª (Maricá), na última segunda-feira, dia 10 de janeiro, Íris de Souza Ferrari, 30 anos, apresentou um documento original em nome de Carlos Eduardo Maia de Souza e ainda inventou um apelido: Cadu. A mentira, entretanto, durou pouco e surpreendeu os policiais, que descobriram o verdadeiro nome do traficante e sua dívida com a Justiça: quatro mandados de prisão – três por assalto e um por porte ilegal de arma.

Sua extensa ficha na Polícia também conta com oito anotações criminais por assaltos e roubos a transeuntes, a maioria deles praticados em Niterói, tráfico de drogas e duas fugas da antiga carceragem da 76ª DP (Centro). Agora, além desses crimes, ele também vai responder por falsidade ideológica e falsificação de documento público.

O passado de Íris, que é morador do bairro Maria Paula, em Niterói, inclui um roubo a um posto de combustível, em 2004, no qual ele chegou a resistir à prisão trocando tiros com PMs, e um assalto a uma lotérica no Centro do município. Em depoimento, ele contou que adquiriu a identidade através de um advogado e usava-o para que a Polícia não descobrisse suas pendências com a Justiça. O documento foi produzido no Departamento de Trânsito (Detran)) a partir de uma certidão de nascimento falsa.

De acordo com as investigações, Íris estava sendo investigado há dois meses pela venda de cocaína para “gringos” em Maricá. Ele foi flagrado pelos policiais quando comercializava o entorpecente na Rua das Pedras, principal ponto turístico de Búzios. O acusado vendia cada papelote, contendo duas gramas da droga, pelo valor de R$ 100.

O entorpecente – considerado de alta pureza – era comprado na Argentina, embalado e distribuído em locais freqüentados por pessoas de classe média alta. Na casa alugada por Írio, no Centro de Búzios, os agentes encontraram 105 gramas de cocaína pura, uma balança de precisão digital, além de R$ 700 em espécie, 50 dólares e uma espada ninja. Os agentes informaram que vão investigar a rota internacional feita pelo acusado para chegar ao fornecedor da droga.

Qualidade do produto e clientela selecionada. Estes foram os atributos que fizeram Carlos Eduardo Maia de Souza, o Cadu, 30 anos, morador do bairro Maria Paula, em Niterói, ficar conhecido no mercado das drogas e se tornar um dos principais fornecedores de cocaína para turistas estrangeiros nos municípios da Região dos Lagos. O traficante foi preso por policiais da 82ª (Maricá), em Armação de Búzios, na manhã desta terça-feira, dia 11 de janeiro, após dois meses de investigações sobre a venda do entorpecente para “gringos” em Maricá. Ele foi flagrado pelos policiais quando comercializava a cocaína na Rua das Pedras, principal ponto turístico do município.

Segundo as investigações, o acusado vendia cada papelote, contendo duas gramas da droga, pelo valor de R$ 100. O entorpecente – considerado de alta pureza – era comprado na Argentina, embalado e distribuído em locais freqüentados por pessoas de classe média alta. Na casa alugada pelo acusado, no Centro de Búzios, os policiais encontraram 105 gramas de cocaína pura, uma balança de precisão digital, além de R$ 700 em espécie, 50 dólares e uma espada ninja.

Encaminhado à 82ª DP, Cadu foi autuado por tráfico de drogas. Os agentes informaram que vão investigar a rota internacional feita pelo acusado para chegar ao fornecedor da droga.

Mototaxista do tráfico é preso na Alma

Publicado: 17 de janeiro de 2011 em Uncategorized

Rodiney Conceição Peres, 22 anos

Acusado de se utilizar dos serviços de mototaxista para distribuir drogas no Morro da Alma, no Coelho, Rodiney Conceição Peres, 22 anos, foi preso por policiais do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 7º BPM (São Gonçalo), na tarde desta quarta-feira, dia 12 de janeiro.

Os PMs contaram que realizavam uma incursão para coibir o tráfico de drogas na comunidade, quando viram o jovem sair de uma casa na Rua Pinheiro Chagas, no alto do morro. Ao avistar a viatura, Rodiney entrou novamente no imóvel e gritou: “Lombrou (sujou), são os canas”. Os policiais abordaram o jovem e viram outros três pulando o muro e conseguindo fugir.

Entre eles, ainda de acordo com os PMs, estava um dos gerentes das bocas de fumo do Morro da Alma, conhecido FB, braço-direito do traficante Levi da Cruz Rabello, o Levi da Alma, chefão do pó na comunidade e um dos criminosos mais procurados de São Gonçalo.

Com Rodiney, foi encontrada uma mochila contendo uma pistola calibre 9 mm, 98 de sacolés de cocaína, além de R$ 20 em espécie, que seriam provenientes da venda do entorpecente. Encaminhado à 74ª DP (Alcântara), ele foi autuado por tráfico de drogas e porte ilegal de arma.

Duas famílias destruídas por um crime trágico e anunciado ocorrido na localidade Santo Antônio, em Manilha, Itaboraí, na madrugada desta sexta-feira, dia 7 de janeiro. Insatisfeito com o término do relacionamento de quatro anos com a ensacadora Margarete do Nascimento, 43 anos, o aposentado João Batista Cunha, 52, pôs em prática as ameaças que fazia à ex-mulher há cerce de oito meses. Armado com um revólver calibre 38, ele a executou com dois tiros no peito e, em seguida, seguiu para a sua residência, a 100 metros do local do assassinato, onde cometeu suicídio.

De acordo com a Polícia, o crime ocorreu por volta das 4h30 na Rua 37. A vítima saiu de um bar e, como de costume, sentou em frente à sua residência quando foi surpreendida pelo ex-companheiro. A ensacadora ainda tentou correr para dentro de casa, mas foi atingida por dois dos três disparos feitos pelo acusado e morreu no local. Após assassiná-la, o aposentado foi para casa, sentou na cama e atirou contra a própria cabeça.

“Quando encontrei minha mãe caída na rua, não tive dúvidas de que o João havia feito isso. Ele a perseguia e a ameaçava desde o fim do relacionamento. Sempre falava que se minha mãe não ficasse com ele não ficaria com mais ninguém. As ameaças aumentaram depois que ela registrou o caso na delegacia. Isso não pode ser chamado de amor”, desabafou Maiara do Nascimento Maurício, 19, filha da vítima.

Familiares de Margarete acionaram policiais do 35º BPM (Itaboraí) e apontaram o aposentado como o principal suspeito do crime. Os PMs seguiram para a casa do acusado, onde o encontraram caído no quarto, ao lado da cama.

“Meu pai era uma pessoa tranqüila, mas ultimamente vinha falando que ainda ia fazer uma loucura esse ano. Chegou a comentar que a mataria e não ficaria vivo, mas jamais pensei que ele fosse capaz de fazer uma coisa dessas. Passei por um problema parecido e ele foi meu principal incentivador para dar a volta por cima e tocar a vida. É difícil compreender isso tudo”, comentou, também muito emocionado, o garçom Renato do Nascimento Cunha, 34, filho do aposentado.

O caso foi registrado na 71ª DP (Itaboraí), onde a vítima havia feito um registro por ameaça contra o ex-companheiro.

Foragido roda no Laranjal

Publicado: 17 de janeiro de 2011 em Uncategorized

Leandro Ferreira, 30 anos

Após receberem uma denúncia anônima sobre a localização de um dos criminosos envolvidos na troca de tiros com um tenente, no bairro Lagoinha, policiais do Serviço de Inteligência (P-2) do 7º BPM (São Gonçalo) prenderam Leandro Ferreira, 30 anos, no início da tarde desta terça-feira, dia 11 de janeiro.

Os PMs checavam a informação na Rua Jussara, no Laranjal, e suspeitaram de Leandro, que não apresentou documento de identificação quando foi abordado. Encaminhado à 74ª DP (Alcântara) para a averiguação de praxe, os policiais constataram que contra ele havia dois mandados de prisão pendentes, um por tráfico de drogas e outro por porte ilegal de arma, ambos de 2008.

O oficial foi à delegacia, mas não reconheceu Leandro como sendo um dos bandidos com quem ele trocou tiros no dia anterior. Na ocasião, Emanoel Baião Vargas, 22, foi morto dentro de um Fiat Uno verde, após trocar tiros com o tenente da PM. Segundo as investigações, o jovem integrava uma quadrilha responsável pelo roubo de estabelecimentos comerciais na região.

“Quando ouvi o disparo e senti a cápsula quente bater no meu rosto, achei que tinha tomado um tiro. Passei a mão e percebi que, felizmente, ele não havia me acertado”.

Após ter a moto roubada e quase ser atingido por um tiro na Rua 6, no Jardim Catarina, o vendedor X, de 24 anos, tomou uma iniciativa curiosa, que terminou na prisão de um casal, na tarde desta terça-feira, dia 11 de janeiro. Ele deixava a namorada em casa, quando foi abordado por Rafael Lessa de Oliveira, 18.

Armado com uma pistola calibre 635, ele “enquadrou” a vítima e pediu sua Titan preta. Antes de fugir, o criminoso puxou o cordão do jovem e, em seguida, colocou a arma sobre seu ombro e efetuou um disparo. Ao perceber que não havia sido atingido, o vendedor correu atrás de Rafael e viu quando uma jovem de 24 anos subiu na garupa da moto. À distância, ele acompanhou o casal até a 74ª DP (Alcântara), onde policiais do Grupo de Ações Táticas (GAT) do 7º BPM (São Gonçalo) apresentavam um preso por tráfico de drogas.

Os PMs, com apoio de colegas do Auxílio à Polícia de Trânsito (APTran), iniciaram a perseguição à dupla e conseguiram abordá-la na Rua Alberto Lima, na Trindade, a poucos metros do batalhão. No bolso de Rafael, que é morador do Complexo do Salgueiro, os policiais encontraram a arma usada no crime e recuperaram a motocicleta da vítima.

O casal foi encaminhado à 74ª DP, onde foi autuado por roubo e porte ilegal de arma. Na delegacia, a jovem, que é moradora do bairro Ampliação, em Itaboraí, alegou que apenas pegou uma carona com Rafael. Ela acabou sendo liberada.

O cabo da Polícia Militar Francisco de Souza Azevedo, 35 anos, lotado no 16º BPM (Olaria), foi morto a tiros após se envolver em um acidente de trânsito no Fonseca, na Zona Norte de Niterói, no fim da noite deste sábado, dia 8 de janeiro. Ele é o quarto PM morto no Estado do Rio nos primeiros oito dias do ano.

De acordo com agentes da 78ª DP (Fonseca), o crime ocorreu por volta das 23h na Rua Riodades, próximo à travessa de mesmo nome. O policial, que estava de folga, seguia em seu carro, acompanhado da mulher, quando um Kadett Ipanema bateu em seu retrovisor. A vítima parou para conversar com o motorista do veículo, quando foi surpreendido por ocupantes de um Peugeot prata, que o reconheceram como sendo policial e atiraram em sua direção. O PM não teve tempo de reagir e morreu no local. Os bandidos fugiram em direção ignorada.

Após a execução, policiais do Serviço de Inteligência (P-2) do 12º BPM (Niterói) realizaram uma ação conjunta com PMs do Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) para tentar localizar os criminosos. Na Rua A, um dos acessos ao Morro da Teixeira de Freitas, também no Fonseca, os policiais encontraram um Peugeot 206 prata, placa LUZ-2259 – roubado em Maria Paula momentos antes do assassinato do PM – estacionado próximo à casa de Felipe Vicente Mariano, 19.

Os PMs suspeitaram do jovem e encontraram em sua residência uma carabina calibre 9mm, mercadorias e pertences de um comerciante da Rua São Januário que havia sido assaltado por ocupantes de um Peugeot prata, além da mochila do proprietário do veículo. Encaminhado à 77ª DP (Icaraí), o suspeito negou participação na morte do policial, alegando que havia apenas guardado o material. O jovem acabou sendo autuado por receptação.

A Polícia informou que já tem os apelidos de dois suspeitos de terem executado o cabo, mas preferem não divulgar para não atrapalhar as investigações. O corpo do PM foi sepultado às 16h de ontem no Cemitério Maruí, no Barreto, Zona Norte de Niterói.

No dia 3 de janeiro desse ano, o cabo André Luiz Machado Silva, lotado no 12º BPM (Niterói), foi baleado na Rua Comandante Ari Parreiras, em frente à Casa de Saúde Modelo, no bairro Porto Velho, em São Gonçalo. Ele foi atingido pelos ocupantes de um Siena que teriam tentado assaltá-lo. Três semanas antes do crime, o cabo Antônio José de Souza Martinez, 46, também lotado no batalhão de Niterói, foi assassinado ao reagir a uma saidinha de banco no bairro Rocha, em São Gonçalo. O PM havia sacado R$ 3 mil em uma agência do Itaú e foi abordado pelos ocupantes de uma moto.

Acompanhe aqui os números completos:

Estatística de Policiais Mortos e Baleados em 2011

Um soldado da Aeronáutica e a namorada foram presos por policiais da 74ª DP (Alcântara) sob a acusação de assassinar a facadas o técnico judiciário Alfredo dos Santos do Nascimento, de 43 anos, no bairro Jardim Catarina, no último dia do ano passado.

De acordo com os agentes do Grupo de Investigação Complementar (GIC), Felipe Wallace Ferreira, 22, e Maria Eduarda Raposo dos Santos, a Duda, 20, executaram o funcionário público, no Jardim Catarina Velho, na madrugada do dia 31 de dezembro. O corpo da vítima – que trabalhava na Assessoria Direta aos Desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) – foi encontrado por moradores caído ao lado do CrossFox preto, placa KWL-1272, na Rua Adelaide Lima.

Os policiais chegaram ao casal após encontrar uma anotação na casa da vítima – que morava no bairro Maria da Graça, na Zona Norte do Rio – com o endereço onde o corpo do funcionário público foi encontrado. Além do nome da rua, no papel havia o nome “Duda” junto com anúncios de serviços sexuais de garotas de programa e travestis.

Os agentes voltaram ao Jardim Catarina, onde conseguiram localizar Maria Eduarda e o namorado, que apresentava um ferimento na mão e se preparava para se mudar do bairro. Os agentes o encaminharam para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) para saber que tipo de objeto poderia ter provocado o machucado. Em seguida, os dois foram levados para a 74ª DP para prestar depoimento.

Na delegacia, Felipe negou as acusações e contou que, no dia do crime, estava em um bar na Lapa e foi mordido por um cachorro quando voltava para casa. Os agentes desconfiaram da versão, já que o ferimento do militar era padrão de faca. Pressionado diante das contradições, ele acabou confessando o crime e contou uma versão para a motivação do assassinato que surpreendeu os próprios policiais.

De acordo com o soldado, que é considerado desertor pela Aeronáutica, o funcionário público conheceu Duda na Vila Mimosa – tradicional ponto de prostituição carioca – e tronou-se cliente assíduo de seus serviços sexuais. Entretanto, há oito meses, ela teria largado a profissão para iniciar o relacionamento amoroso com o militar.

Ainda segundo ele, o técnico judiciário não aceitava o fato e continuava a telefonar com freqüência para sua namorada. No dia 31 de dezembro, a vítima marcou um encontro com Duda e o namorado sob o pretexto de apenas ajudá-los na compra de remédios controlados que ela fazia uso. Contudo, ao entrar no CrossFox, o funcionário público teria proposto transar com a jovem na frente do militar. Os dois acabaram discutindo e entraram em luta corporal.

Durante a briga, Duda correu e se escondeu em um matagal. O acusado contou ainda que a vítima tentou esfaqueá-lo, mas ele conseguiu tomar o objeto e atingi-lo no peito. A versão foi a mesma contada por Duda, que se contradisse apenas sobre quem era o dono da faca. A jovem afirmou que o namorado andava com o objeto para protegê-la.

Diante da confissão e do reconhecimento de duas testemunhas do crime, a polícia pediu a prisão temporária por 30 dias do casal por homicídio. O mandado foi expedido pelo juiz Luiz André Bruzzi Ribeiro, do Plantão Judiciário da Capital. O militar foi encaminhado sob escolta de colegas de farda para o Presídio da Aeronáutica. A jovem foi levada para a Casa de Custódia de Magé. Os policiais aguardam o resultado da perícia complementar feita no carro, onde foram encontradas digitais e cabelos, para pedir a prisão preventiva dos acusados.

Uma ‘lista negra’ com 12 nomes possivelmente marcados para a morte – entre eles o da juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo – foi encontrada com Wanderson Silva Tavares, o Gordinho ou Tenente, 34 anos, apontando como o chefe do grupo de extermínio investigado por, pelo menos, 16 mortes em São Gonçalo nos últimos três anos. Preso por agentes da 72ª DP (Mutuá) em Guarapari, no Espírito Santo, neste domingo, dia 2 de janeiro, ele era o único integrante da quadrilha formada por civis e policiais militares que continuava foragido.

Além da magistrada, compõem a ‘lista da morte’ de Gordinho: o promotor Paulo Roberto Mello Cunha, do Tribunal do Júri do município; três policiais do Núcleo de Homicídios da 72ª DP (Mutuá); o delegado titular da distrital, Geraldo Assed; além de testemunhas dos crimes, entre elas a mãe de uma das vítimas, e até mesmo os próprios integrantes do grupo de extermínio que o apontaram como sendo líder do bando.

De acordo com os policiais, o objetivo de Gordinho era tentar neutralizar o combate ao grupo, executando primeiramente as testemunhas das ações, em seguida, os agentes responsáveis pela investigação e, por último, os membros do judiciário. Apesar da lista não possuir nenhuma ameaça direta às 12 pessoas, interceptações telefônicas, que estão sendo mantidas em sigilo pela Justiça, revelam a intenção do acusado de “eliminar” os responsáveis pela investigação e o deboche dos integrantes do grupo de extermínio ao referir-se à magistrada, chamando-a de “Patricinha”.

Uma cópia do manuscrito foi anexada a todos os inquéritos de homicídio atribuídos ao grupo, que também será investigado por coação no curso do processo. O documento será submetido a um exame grafotécnico no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) para verificar se a escrita é de Gordinho. Em depoimento, ele confessou ser o autor da carta, mas afirmou que ela serviria apenas para orientar o advogado durante sua defesa.

Wanderson Silva Tavares, o Gordinho ou Tenente, 34 anos

Na casa alugada por Wanderson, em Guarapari, os policiais também encontraram jóias avaliadas em R$ 10 mil, R$ 31 mil em espécie, celulares de duas vítimas, mais de 500 folhas de cheques e 13 cartões bancários falsos, além de contra-cheques em nome da empresa fantasma Navy Steel Reparos Navais, cujos beneficiários eram Abdias Cruz da Silva, o Buca, 38 – apontado como o financiador das atividades da quadrilha –, o próprio Wanderson e sua mulher. Todos serão investigados por fraude, estelionato e falsidade ideológica.

O inquérito que apura a ação do grupo de extermínio – batizado de Extermínio S.A – está com mais de 1 mil páginas e seis volumes. As investigações sobre a atuação do grupo formado por civis e PMs começaram a partir do seqüestro e morte de Rafael Dias de Miranda, 22, e Diego Torres da Silva, 20, cujos corpos foram encontrados dentro de um rio, na localidade conhecida como Ipuca, no Jardim Catarina no dia 13 de julho do ano passado.

As vítimas foram sequestradas dois dias antes da execução na Rua Cuiabá, na Trindade. A partir do crime, os policiais iniciaram uma busca por casos parecidos na mesma região, cujos valores dos resgates pedidos pelos criminosos variavam de R$ 15 a R$ 50 mil. No dia 10 de setembro, os agentes prenderam cinco policiais acusados de envolvimento nos crimes, além de uma mulher apontada como informante do bando, iniciando a desarticulação da quadrilha.

Em seguida, também foram presos: Abdias Cruz da Silva, o Buca; Hygor Câmara Tavares, filho de uma oficial lotada no Batalhão de Polícia Florestal e de Meio Ambiente (BPFMA); e o inspetor da Polícia Civil Jorge Roberto Quadros Morse, flagrado em interceptações telefônicas orientando Gordinho a desligar os telefones e fugir.