Arquivo de fevereiro, 2011

Em decorrência da Operação Guilhotina, o Ministério Público do Estado Rio de Janeiro, por intermédio da 23ª Promotoria de Investigação Penal da 1ª Central de Inquéritos Policiais, denunciou, nesta sexta-feiram dia 18 de fevereiro, ao Juízo da 32ª Vara Criminal da Comarca do Rio, policiais civis e militares, além de informantes, que se apropriaram de bens e pertences apreendidos em diligências e operações. Atuando em delegacias ou em posições estratégicas da Segurança Pública, esses policiais formavam quatro grupos criminosos que atuavam independentemente, utilizando-se das facilidades proporcionadas pelos cargos que exerciam.

As acusações enquadraram-se nos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e/ou ativa, peculato e violação de sigilo funcional, dentre outros, que variam de acordo com a conduta individual de cada acusado. Assinaram as denúncias os promotores de Justiça Homero das Neves Freitas Filho, Alexandre Murilo Graça, Márcio José Nobre de Almeida e Luis Otávio Figueira Lopes.

Em uma das denúncias, os promotores sustentam que as atividades ilícitas do grupo de milicianos que atuava na Favela Roquete Pinto, em Ramos, na Zona Norte do Rio, eram facilitadas pelo ex-Subchefe Operacional de Polícia Civil, delegado Carlos Antônio Luiz de Oliveira.

Segundo o MP, Oliveira “atuava controlando as autoridades policiais das delegacias nas quais os milicianos exerciam suas funções, de modo a permitir as empreitadas delituosas para a aquisição de armas e outros ‘espólios de guerra’”.

Neste caso, foram denunciados quatro policiais civis, seis PMs (um deles da reserva) e três traficantes, além de Carlos Oliveira e de mais sete pessoas que controlavam serviços como o transporte alternativo, segurança privada, “gatonet” e distribuição de gás e água na Favela Roquete Pinto.

Em um trecho da denúncia, os promotores comentaram também que, em duas operações comandadas pelo ex-Subchefe Operacional da PCERJ, em 2005 e em 2008, parte do grupo apropriou-se de armas e munições, algumas para serem revendidas e outras para o uso próprio.

Na segunda denúncia, os promotores da 1ª Central de Inquéritos acusam sete pessoas – sendo três policiais civis e dois PMs – de atuarem em uma quadrilha que “se aproveitava da confiança que lhe era depositada e do local de trabalho (no caso, a Delegacia de Combate às Drogas – DCOD) para se apropriar de bens e valores de criminosos”.

De acordo com as apurações, os denunciados faziam apreensões em territórios dominados pelo Comando Vermelho (CV) e revendiam o material apreendido para integrantes de grupos da facção Amigos dos Amigos (ADA), liderados pelos traficantes Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, 33 anos, da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, e Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36, do Morro do São Carlos, no Estácio, na região central do Rio.

Também de acordo com a denúncia, quatro policiais teriam negociado um “arrego” com os traficantes, recebendo em troca um pagamento mensal de R$ 50 mil para o repasse de informações sobre operações policiais.

A terceira denúncia apontou o envolvimento de quatro PMs na apropriação de bens de traficantes durante a ocupação do Complexo do Alemão, na Penha, na Zona Norte do Rio. A prática foi flagrada em gravações telefônicas entre os acusados, realizadas com autorização da Justiça. Os envolvidos responderão, genericamente, pelos crimes de formação de quadrilha, peculato e corrupção passiva, entre outros descritos na denúncia, como a acusação de prática de “arrego”, feita por um sargento ao traficante Roupinol e por um PM na prática de agiotagem por utilizar a conta-corrente de terceiros.

A quarta denúncia citou o envolvimento de dez PMs, dois policiais civis e mais uma pessoa na prestação de segurança privada, mediante pagamento, em estabelecimentos nos quais eram praticados crimes e contravenções. Os acusados atuariam, em grupos específicos, em casas de exploração de jogos de azar e caça-níqueis em, pelo menos, três imóveis, localizados em Botafogo, Bonsucesso e Barra de Guaratiba.

À Justiça, eles responderão por formação de quadrilha e corrupção passiva. Neste caso, o MP aguarda, entretanto, a chegada de mais documentos que visam à apuração exata das condutas, localização de casas de jogos e identificação de possíveis policiais que teriam recebido vantagens indevidas para eventuais complementos à denúncia.

Uma ação conjunta entre o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), a Secretaria Estadual de Segurança Pública e a Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira, dia 11 de fevereiro, a denominada Operação Guilhotina, com o objetivo de cumprir 45 mandados de prisão preventiva (dos quais 11 são contra policiais civis e 21 contra policiais militares) e 48 mandados de busca e apreensão. Os mandados foram requeridos pelo MP ao Juízo da 32ª Vara Criminal, por intermédio do titular da 23ª Promotoria de Investigação Penal, promotor de Justiça Homero das Neves Freitas Filho.

Em entrevista coletiva realizada na sede da Superintendência da PF, o Procurador-Geral de Justiça, Cláudio Lopes, se disse satisfeito com a integração das três instituições no combate aos crimes praticados por maus policiais, traficantes e integrantes de milícias.

Delegado da Polícia Civil Carlos Antônio Luís de Oliveira

“A integração entre o Ministério Público, a Polícia Federal e a Secretaria de Segurança permitiu uma ação coordenada visando a prender e produzir provas contra policiais civis e militares e, assim, extirpar do convívio social e do exercício de suas funções os agentes públicos que não apresentam condições de defender a sociedade”, afirmou Cláudio Lopes, que compôs a mesa com o Secretário de Segurança José Mariano Beltrame; o Superintendente da Polícia Federal, Ângelo Fernandes Gióia; e o promotor de Justiça Homero Freitas Filho.

Também estiveram presentes os promotores de Justiça Márcio José Nobre de Almeida (Coordenador da 1ª Central de Inquéritos), Alexandre Murilo da Graça e Mônica Marques.

“A decretação da prisão preventiva a pedido do MP é a primeira fase processual. Após a análise do material apreendido, os presos serão ouvidos pela Polícia Federal. O inquérito estará a cargo do delegado Alan Dias, da Polícia Federal, que tem um prazo de dez dias para remetê-lo ao Ministério Público. Em no máximo 15 dias deveremos nos pronunciar em relação à denúncia dos envolvidos”, afirmou Homero Freitas Filho.

As investigações foram iniciadas a partir de vazamento de informações na Operação Paralelo 22, conduzida pela PF em 2009, que tinha como principal objetivo prender o traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 32 anos, que atuava na Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, junto com Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, 34, apontado como o chefe do tráfico da comunidade.

Inspetor da Polícia Civil Leonardo da Silva Torres

A prisão de Magno Carmo Pereira, um ex-informante da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), revelou detalhes das ações criminosas cometidas por policiais civis e militares, com a participação do ex-subchefe da Polícia Civil, delegado Carlos Antônio Luiz de Oliveira.

Com isso, foram iniciadas novas investigações pela Corregedoria Geral Unificada da Secretaria de Segurança, com apoio do Ministério Público, e pela Superintendência da Polícia Federal, que operacionalizou o cumprimento dos mandados de prisão e apreensões. A Operação Guilhotina investiga o envolvimento de policiais com traficantes, milícias e a máfia dos caça-níqueis.

Neste domingo, dia 13 de fevereiro, a PF apresentou o material apreendido ao longo da ação: uma granada, dois fuzis 556 (um deles com luneta), duas carabinas 38, sete pistolas calibres 380 e 40, um revólver 38, 5 mil projéteis de fuzis e pistolas de diversos calibres, 50 carregadores, 12 rádios comunicadores e duas lunetas, além de R$ 60 mil e 700 euros (cerca de R$ 1,5 mil) em espécie e 16 relógios.

Lista dos que tiveram prisão decretada pela Operação Guilhotina

* Leonardo da Silva Torres (Torres Trovão) – inspetor do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ)
* Aldo Leonardo Ferrari (Leo Ferrari) – cabo da Polícia Militar
* Flávio de Brito Meister (Master) – inspetor da Polícia Civil
* Jorge do Prado Ramos, conhecido como Steve – inspetor da Polícia Civil
* André Luiz Aragão Mirandela – policial militar
* Luis Carlos Magalhães
* Floriano Jorge Evangelista de Araújo, conhecido como Xexa – policial militar
* Ivan Jorge Evangelista de Araújo – policial militar
* Wellington Pereira de Araújo – policial militar
* Carlos Eduardo Nepomuceno Santos, conhecido como Edu – policial militar
* Cristiano Gaspar Fernandes, conhecido como Cristiano – policial civil (chefe do SI da DRAE)
* Ricardo Afonso Fernandes, conhecido como Afonsinho – policial militar da reserva (pai de Cristiano)
* Carlos Antônio Luís de Oliveira, conhecido como doutor Oliveira – delegado da Polícia Civil
* Giovanni Gaspar Fernandes – policial civil
* Marcos Antônio de Carvalho, conhecido como Marcos Paraíba – policial militar
* Paulo Araújo Costa – policial militar
* Stanlei Couto Fernandes – inspetor da Polícia Civil
* Nilber Vinicius dos Santos – inspetor da Polícia Civil
* Carlos Teixeira, conhecido como Bigu – policial militar
* Roberto Luís Dias de Oliveira, conhecido como Beto Cachorro – policial militar
* Ciel Brandão Martins, conhecido como Ciel
* Roberci Teles Guilherme
* Wagner Pinto da Silva Russo
* Alex Bento da Silva Souza, conhecido como Nike
* Márcio Carlos Gomes da Silva, conhecido como Tico
* Lenilson Roque Gonçalves, conhecido como Biliu
* Paulo Roberto da Silva Souza, conhecido como Paulinho Gaiola
* Márcio Vinícius Tavares Xavier, conhecido como Marquinho Tiroteio
* Hedreas Chaves Alves de Lima
* André Luís Ferreira de Souza, conhecido como André Gari ou Raimundinho
* Dilsimar Cunha Ouro Fino
* Helenio Dias Rodrigues – policial civil
* Helenio Dias Rodrigues Junior (filho do Helenio)
* Helcio Vieira de Queiroz – policial militar do 16º BPM (Olaria)
* Marcelo Nakamura – policial civil
* Fabrício Felix da Costa – policial militar do 16º BPM (Olaria)
* Hésio Penudo Costa – cabo do 22º BPM (Benfica)
* Maurélio Pinto de Oliveira – policial militar do 22º BPM (Benfica)
* Adilson José da Silva – cabo do 13º BPM (Praça Tiradentes)
* Teylon Silva – policial militar do Batalhão de Campanha
* Ubiraci Moraes Damasceno – policial militar do Grupamento Especial de Policiamento de Estádios (Gepe)
* Tompson dos Santos – policial militar 9º BPM (Rocha Miranda)
* Roberto – policial militar
* Rodolfo – policial militar
* Diogo – policial militar

“Não vou carregar uma gravidez concebida sem minha vontade. Essa criança é fruto de uma violência sexual da qual fui vítima e carrego marcas que jamais serão apagadas. Só espero que não me julguem por isso, pois estou sofrendo muito”.

As palavras e a história da diarista X, de 35 anos, impressionaram os policiais da 82ª DP (Maricá). Mãe de cinco filhos, ela reconheceu Walter Alfredo Pagano Blanco Junior, 38 anos – preso pelos próprios agentes, na última segunda-feira, dia 7 de fevereiro, sob a acusação de estuprar uma menina de 11 anos – como o homem que a violentou no final de novembro do ano passado em um lixão, em Maricá.

Ainda muito abalada, a diarista ficou 42 minutos em frente à delegacia, na manhã desta terça-feira, dia 8, até tomar coragem para entrar e denunciá-lo, o que só foi feito após certificar-se de que ele permanecia preso. Nas mãos, um exame que indicava quase 11 semanas de gestação.

“Quando descobri que estava grávida, em janeiro, me questionei sobre o que faria da minha vida. Cometi loucuras para perder esse bebê, como me jogar na frente de um carro e pular de uma árvore. Tive deslocamento de placenta e sangramentos, mas nada disso adiantou”, contou emocionada.

Entretanto, são as lembranças do crime que mais chocam a diarista.

“Estava voltando do trabalho cheia de bolsas e ele me ofereceu uma carona, o que é comum aqui no bairro. Quando chegou em frente à minha casa, esse monstro acelerou o carro e seguiu para o lixão dizendo para eu calar a boca senão me mataria. Clamei em nome dos meus filhos e pedi para que ele não fizesse aquilo comigo. Ele ignorou, bateu com a minha cabeça em uma pedra e me estuprou”, narrou a vítima, acrescentando que Walter ainda a ameaçou de morte caso ela contasse o fato para alguém.

“Demorei a procurar ajuda por medo. Não quero essa criança, mas quero tirá-la por meios legais. Esse cara acabou com a minha vida. Só vou ficar aliviada quando não tiver mais nenhum vestígio dele no meu corpo”, disse aos prantos.

Com base no reconhecimento da vítima e no exame de gravidez, o delegado Marcello Maia, titular da 82ª DP, explicou que vai encaminhar à Justiça um pedido para autorização de um aborto legal para a diarista e o pedido de prisão preventiva de Walter por estupro.

Considerado um dos principais fornecedores de cocaína para comunidades de Maricá, na Região dos Lagos, Walter Alfredo Pagano Blanco Junior, 38 anos, foi preso por agentes da 82ª DP (Maricá), na tarde desta segunda-feira, dia 7 de fevereiro, sob acusação de estuprar uma menina de 11 anos e mantê-la em cárcere privado junto com a mãe, sob ameaças de morte.

De acordo com as investigações, o “Barão do pó de Maricá” se apresentava como desembargador do Tribunal de Justiça (TJ) para justificar a vida de luxo que ostentava no bairro Caxito, onde possuía um sítio com mais de 5 mil metros quadrados, dois chalés, piscina semi-olímpica, sauna seca e até uma moderna sala de jogos com ar condicionado. Ele comentava no município que analisava habeas corpus de presos e cobrava cerca de R$ 20 mil para soltá-los e que, por isso, costumava andar com altas quantias em dinheiro.

Os policiais chegaram ao acusado após as vítimas conseguirem fugir do sítio, localizado no Condomínio Três Reis, e denunciá-lo. Enquanto mãe e filha prestavam depoimento, os agentes receberam uma denúncia anônima informando que o veículo de Walter, a BMW placa LNX 1518, estava circulando nas imediações da delegacia.

Os agentes partiram em perseguição ao acusado pela RJ-106 (rodovia Amaral Peixoto) durante dez quilômetros e conseguiram interceptar o veículo após fecharem a via, na altura do Portal de Maricá. Ao receber voz de prisão, ele ainda ofereceu resistência para ser algemado e tentou subornar os policiais. Com ele, foram apreendidos R$ 2,2 mil em espécie, que teriam sido adquiridos com a venda de drogas na região.

O acusado foi encaminhado à 82ª DP, onde os agentes constataram que ele possuía uma extensa ficha criminal, com anotações por estelionato, falsificação de dinheiro, estupro e receptação. Ainda segundo as investigações, Walter comprava a cocaína no Morro da Mangueira, na Favela do Jacaré e no Complexo de Manguinhos, na Zona Norte do Rio – todas controladas pela facção criminosa Comando Vermelho (CV) – e distribuía o entorpecente para ser revendido nas bocas-de-fumo de Maricá, principalmente no bairro Caxito.

Ele agora responderá por mais oito crimes: seqüestro ou cárcere privado, estupro de vulnerável, desobediência, roubo, resistência à prisão, corrupção ativa, além de associação para fins de tráfico e simulação da qualidade de funcionário público.

Contudo, não foi a extensa ficha criminal do “Barão do pó” e a ousadia por se passar por desembargador que impressionaram a Polícia, mas o patrimônio construído por ele, possivelmente, com o dinheiro arrecadado com o tráfico de drogas.

Ao realizarem buscas no endereço do acusado, os agentes se depararam um condomínio de classe média alta, onde ele possui um sítio com 5 mil metros quadrados, uma piscina com 25 metros de comprimento, sauna, sala de jogos, dois chalés e um lago artificial sob uma ponte de madeira.

Na garagem do imóvel – avaliado em mais de meio milhão de reais – havia uma Mercedes prata, que também foi apreendida. Os policiais ainda investigam a informação de que Walter seria proprietário de uma pousada em Búzios, também na Região dos Lagos, e de um apartamento no Méier, na Zona Norte do Rio. Os endereços estão sendo procurados pelos agentes.

“Se for comprovado que o Wálter não tinha como adquirir todos esses bens através de meios lícitos, já que ele não possuía qualquer atividade profissional, ele também será indiciado por lavagem de dinheiro”, explicou o delegado Marcello Maia, titular da 82ª DP.

Três policiais acabaram presos e cerca de R$ 20 mil foram apreendidos durante a Operação Grades Limpas, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e pela 1ª Promotoria de Justiça de Araruama, em parceria com a Corregedoria Geral Unificada (CGU) das Polícias, nesta segunda-feira, dia 7 de fevereiro. A ação foi realizada para desarticular uma quadrilha que agia na carceragem da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), cobrando propinas em troca de benefícios para alguns presos.

Uma pequena quantidade de maconha foi apreendida na sala da administração da carceragem e no banheiro do carcereiro. Dez mandados de prisão temporária expedidos pela Vara Criminal de Araruama foram cumpridos e um dos presos foi o inspetor da Polícia Civil Luis Carlos Freitas Calixto, surpreendido no interior da carceragem.

Com ele, foram apreendidos cerca de R$ 1.100 e um cheque de R$ 4 mil. Os inspetores Carlos Eduardo de Barros e Flávio da Rosa foram presos em suas casas, localizadas, respectivamente, em Niterói e Magé.

Dentro da carceragem, onde foi cumprido o mandado de busca e apreensão, foram descobertas cinco celas – consideradas especiais – que acomodavam uma média de três presos cada, enquanto as outras chegavam a receber mais de 30 detentos. As investigações apontaram que a quadrilha cobrava R$ 3 mil de entrada e uma quantia semanal de R$ 200 de cada preso em troca da permanência nas celas especiais, onde havia regalias como aparelhos de som e de DVD, vídeo game e até ar condicionado.

Nestas celas, foram apreendidos cerca de R$ 18 mil em espécie. Também de acordo com a investigação, os presos que denunciassem o esquema seriam punidos com severas agressões.

Os promotores de Justiça Juliana Pompeu, Marcelo Maurício Barbosa Arsênio e Túlio Caiban Bruno e o Chefe de Operações da CGU, delegado Jayme Berbat, descobriram ainda, dentro da carceragem, uma sala especial para visitas íntimas com cama, frigobar e ar condicionado. Para usá-la, os envolvidos no esquema cobravam R$ 50 por um período de meia hora ou R$ 100 por uma hora.

Ao lado dela, nas salas de administração, havia cerca de 20 mil preservativos encaixotados. No pátio interno da Polinter, havia duas construções improvisadas com TV, som e fogareiro, que abrigavam um preso em cada. No local, também havia uma cantina explorada comercialmente pelos detentos, onde foram encontradas centenas de salgadinhos e mais de 600 garrafas de refrigerante.

Além dos policiais presos, a quadrilha era composta por outros oito detentos que também tiveram prisão decretada. Destes, sete foram encontrados no local, inclusive o líder Fernando Braga Maria.

“As notícias de valores cobrados em troca de visitas íntimas, ligações telefônicas e outras benesses nos chegavam desde 2007. Recentemente, reunimos elementos suficientes para deflagrar a operação. Todos os presos devem ser denunciados nos próximos dias por diversos crimes, entre eles formação de quadrilha e concussão”, disse a promotora Juliana Pompeu.

O subcoordenador do GAECO, promotor de Justiça Marcelo Maurício Arsênio, acrescentou que os valores eram cobrados até por direitos dos presos.

“O esquema de corrupção lucrava com banhos de sol e até quentinhas fornecidas pelo Estado. As investigações vão prosseguir e, se novas pessoas forem identificadas, serão denunciadas”, revelou.

Também foram expedidos mandados de prisão temporária contra Celson Mota da Silva, Ramon Luiz da Conceição, Fabiano Basílio Bernardo, Alecsandro dos Santos Ribeiro, Luciano Costa da Silva e Josué Amorim Pires. Um outro homem que esteve preso na carceragem, conhecido como Alvarenga, está foragido. A decisão judicial também afastou os policiais de suas funções.

“Os policiais com prisão temporária decretada vão responder a processo criminal a partir da denúncia do MP e a processo administrativo no âmbito da Corregedoria, podendo ser demitidos da corporação”, ressaltou Jayme.

Thiago Moreno da Silva Marins, o Bacaninha, 24 anos

Foragido da Justiça após ter sua prisão temporária decretada, Thiago Moreno da Silva Marins, o Bacaninha, 24 anos, foi preso por policiais da Delegacia de Dedicação Integral ao Cidadão (Dedic) da 77ª DP (Icaraí) durante a Operação Caçador.

Apontado pela Polícia como um dos chefes do tráfico de drogas no Morro do Zulu, em Santa Rosa, na Zona Sul de Niterói, ele foi reconhecido como autor em diversos roubos a transeuntes, além do roubo ao restaurante Ícaro, localizado na Rua Miguel de Frias, em Icaraí, também na Zona Sul.

As investigações tiveram início no ano passado e a prisão foi efetuada em uma festa que ocorria em um ginásio localizado em frente ao Morro do Bonfim, no Fonseca, na Zona Norte de Niterói. No momento da prisão, Thiago estava desarmado e não reagiu.

A Polícia solicita que pessoas que tenham sido vítimas de assalto e reconheçam o criminoso como autor do crime compareçam à 77ª DP.

Carlos Alberto José Alves, o Betinho, 49 anos

Um esquema de delivery (entrega) de drogas em domicílio – popularmente conhecido como Disque-Drogas – foi desarticulado por agentes da 72ª DP (Mutuá), na tarde desta sexta-feira, dia 28 de janeiro.

Os agentes receberam uma denúncia anônima informando que um homem realizava a entrega de cocaína em casa, mediante contato telefônico, e surpreenderam o acusado no momento em que ele atenderia mais um de seus clientes na Praça do Barreto, localizada na Avenida Dr. March, no Barreto, na Zona Norte de Niterói.

De acordo com os policiais, Carlos Alberto José Alves, o Betinho, 49 anos, ainda tentou fugir ao perceber a presença dos agentes, mas foi alcançado. Com ele, foram encontrados 163 cápsulas de cocaína, cinco trouxinhas de maconha, além de 25 cartões de visita com o nome e o telefone do traficante.

Morador do bairro Venda da Cruz, Betinho foi encaminhado à 78ª DP (Fonseca), onde foi autuado por tráfico de drogas. Na delegacia, ele contou que comprava a droga no Complexo de Manguinhos, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio. Curiosamente, na embalagem do entorpecente havia uma cruz de malta e a inscrição “A Vasco é talibã”. Segundo as investigações, o acusado faturava cerca de R$ 3 mil por semana com a venda da droga.

Josival Carlos Macedo, o Macaco Louco, 22 anos

Apontado como um dos gerentes da maconha no Complexo da Coruja, no bairro Vila Lage, em São Gonçalo, Josival Carlos Macedo, o Macaco Louco, 22 anos, foi preso por policiais do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 7º BPM (São Gonçalo), na tarde desta quinta-feira, dia 27 de janeiro.

Os PMs seguiram para a comunidade após receberem uma denúncia anônima informando que traficantes envolvidos no confronto no Morro do Martins, em Neves – que terminou com um policial baleado, na noite da última quarta-feira, dia 26 – estariam se refugiando no conjunto de favelas vizinho, dominado pela mesma facção criminosa: o Comando Vermelho (CV).

O jovem foi surpreendido com um rádio transmissor em uma viela e não resistiu à prisão. Ele levou os policiais a uma casa, no alto do morro, onde foram encontrados 116 pequenos tabletes de maconha, uma carabina calibre 22 com uma luneta acoplada, uma pistola calibre 45 e 5 mil cápsulas utilizadas como embalagem para cocaína, além de uma máscara de macaco com a inscrição CV.

O acusado, que ostentava um cordão de ouro com a inicial de seu apelido, foi encaminhado à 74ª DP (Alcântara), onde foi autuado por tráfico de drogas e associação para o tráfico.

Proprietário de três joalherias no bairro de Alcântara, em São Gonçalo, o terceiro sargento reformado da Polícia Militar César Roberto Patrício do Nascimento, 54 anos, foi assassinado a tiros durante uma tentativa de assalto, na Praia do Forte, um dos principais pontos turísticos de Cabo Frio, na Região dos Lagos.

De acordo com policiais do 25º BPM (Cabo Frio), o crime ocorreu por volta das 15h de domingo, dia 23 de janeiro. A vítima caminhava pela Rua Professora Ismar Gomes de Azevedo, no Centro, quando foi surpreendida por ocupantes de uma motocicleta modelo YBR, de cor preta. Os criminosos despertaram a atenção para o PM por causa do cordão e a pulseira de ouro que ele usava. Na ação, Patrício, que não estava armado, acabou sendo atingido por dois tiros no pescoço. Os bandidos efetuaram os disparos após identificá-lo como militar.

Ele ainda foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado para Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu aos ferimentos. Os criminosos fugiram levando as jóias da vítima. Segundo PMs, as informações repassadas por uma testemunha do crime, que conseguiu, inclusive, anotar a placa da moto usada pelos assaltantes, serão essenciais para a identificação dos suspeitos. O veículo não consta como roubado.

O delegado titular da 126ª DP, Henrique Pessoa, informou que o inquérito foi instaurado como latrocínio (roubo seguido de morte).

Além de administrar as joalherias em Alcântara – uma delas localizada no Edifício Alcântara Trade Center, um dos mais conhecidos do centro comercial –, Patrício também residia no bairro. O corpo do PM, cuja última lotação foi no 14º BPM (Bangu), foi velado no Cemitério Jardim da Saudade, em Mesquita, na Baixada Fluminense, e sepultado nesta terça-feira, dia 25 de janeiro. Ele deixou dois filhos.

Acompanhem aqui:
Estatística de Policiais Mortos e Baleados no Estado do Rio em 2011

Suspeitos de forjar um auto de resistência (quando há morte de criminosos durante confronto com a Polícia), no Complexo do Salgueiro, no bairro de mesmo nome, em São Gonçalo, em outubro do ano passado, seis policiais militares – na época lotados no Serviço de Inteligência (P-2) do 7º BPM (São Gonçalo) – tiveram a prisão preventiva decretada pela juíza Patrícia Acioli, da 4ª Vara Criminal do município. Entre os presos está um oficial, chefe do setor da unidade operacional.

Os PMs foram denunciados pelo promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior com base no laudo cadavérico da vítima, identificada como George da Conceição Silvestre, 17 anos, e nos depoimentos dos familiares do adolescente e dos próprios policiais envolvidos na ação.

Os pedidos de prisão contra o major Rodrigo Bezerra de Barros, os sargentos Cláudio Araújo Santos e Adriano de Oliveira Luz, e os cabos Wellington Antunes dos Santos, Cleutom Martins Coelho e Anderson Souza de Matos foram cumpridos entre os dias 21 e 25 de janeiro. Todos foram encaminhados ao Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica, na Zona Norte do Rio, onde aguardarão decisão judicial.

Em depoimento, os PMs alegaram que a ordem para socorrer o adolescente – o que foi proibido após um acordo firmado entre as Polícias e membros do judiciário – partiu do major. Entretanto, o oficial negou que tenha dado tal determinação. Dos seis policiais acusados, apenas dois compareceram para depor na 72ªDP (Mutuá), onde o caso foi registrado.

O comandante do 7º BPM, tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, informou que encara com bastante tristeza a participação de policiais em atos irregulares.

“Respeito a decisão do poder judiciário. Se a magistrada tomou essa decisão, cabe aos advogados desses policiais acompanharem o caso. Todos os acusados, com exceção do major, já haviam deixado a P-2. Dois deles, inclusive, já não estavam mais no batalhão. Um sargento havia sido transferido para o 5º BPM ( Praça da Harmonia) e outro para o 41º (Irajá)”, explicou o oficial.

Confronto - O suposto confronto entre os policiais militares e traficantes do Complexo do Salgueiro, que terminou na morte do adolescente, ocorreu na localidade conhecida como Recanto das Acácias, no dia 21 de outubro do ano passado. Na ação, o rapaz foi baleado e levado pelos PMs para o Pronto Socorro de São Gonçalo (PSSG), no Zé Garoto, onde teria chegado morto.

Inicialmente, o caso foi registrado na 74ª DP (Alcântara). Na delegacia, os policiais disseram que encontraram no short da vítima 35 cápsulas de cocaína, 49 trouxinhas de maconha, além de uma pistola calibre 9mm com 13 munições intactas. O adolescente possuía uma anotação criminal na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

Acordo - Em março de 2009, um acordo firmado entre representantes da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, da 2ª Central de Inquéritos, do 7º BPM, do 20º Grupamento de Bombeiros Militar (20º GBM – São Gonçalo) e da Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (CRPI-SG) determinou que os policiais solicitem a presença de uma ambulância em ações que resultem nos chamados autos de resistência no município.

Antes, os baleados eram socorridos pelos próprios policiais e encaminhados ao hospital, o que no entendimento dos agentes desfaz o local do fato e compromete o resultado do laudo pericial.

O Ministério Público solicitou, portanto, que todos os confrontos com baleados registrados a partir de janeiro de 2007 fossem desarquivados pela Polícia Civil e investigados. A decisão desagradou alguns PMs, que afirmam que a iniciativa inibe a atividade policial.

Em 2007, as delegacias de São Gonçalo registraram 53 casos de autos de resistência. No ano seguinte, esse número aumentou para 62. Já em 2009, ano em que o acordo foi assinado, foram registradas apenas 20 ocorrências desse tipo, número que se manteve até novembro de 2010.