Execução de diretor de Bangu 3 teria sido ordenada pelo CV

Publicado: 20 de outubro de 2008 em Uncategorized

O assassinato do tenente-coronel da Polícia Militar José Roberto do Amaral Lourenço, 41 anos, foi atribuído pelo presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penal do Estado do Rio de Janeiro, Francisco Rodrigues, à facção criminosa Comando Vermelho (CV). “Não tenho dúvidas de que a ação foi determinada, orquestrada e comandada pela liderança do Comando Vermelho. A ordem é nos assassinar em série”, afirmou Francisco.

 

O tenente-coronel Lourenço, que era diretor da Penitenciária Dr Serrano Neves B – mais conhecida como Bangu 3 B – no Complexo de Gericinó – foi executado a caminho do trabalho, no início da manhã de quinta-feira, dia 16 de outubro, em Deodoro, na Zona Oeste do Rio. O oficial foi surpreendido por pelo menos oito criminosos que de acordo com testemunhas estavam em dois veículos, um Peugeot e uma Blazer. Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) que estiveram no local disseram que pelo menos 60 disparos de fuzil acertaram o automóvel dirigido pelo coronel – o Palio branco oficial placa LPM 0092.

 

O envolvimento da facção criminosa na execução teria sido descoberta através de uma interceptação telefônica feita pela 22ª DP (Penha), durante investigação de rotina. “A morte do diretor foi um recado para o Governo e a ordem partiu de Catanduvas, e não do Rio. Ninguém no Rio tinha poder para ordenar essa morte”, enfatizou Francisco, ressaltando que o criminoso mais influente atualmente no CV é o traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, 32, que cumpre pena junto com o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, 41, na Penitenciária de Catanduvas, no Paraná. “Ele participou efetivamente disso. Beira-Mar é o que tem mais dinheiro, mas o mais influente é o Marcinho VP”, declarou, garantindo que a resposta ao assassinato do diretor vem nos próximos dias.

 

 

O Sindicato dos Servidores do Sistema Penal pretende suspender as visitas em unidades onde estejam presos ligados ao CV nas próximas 72 horas. “A suspensão tem como objetivo pressionar o Governo a garantir a segurança de quem trabalha no sistema carcerário. O mínimo que a gente espera é que o Governo facilite o acesso ao armamento para nossa defesa. Exijo uma arma na cintura de cada agente penitenciário para sua defesa”, declarou Francisco, explicando que dentro dos presídios os agentes não são autorizados a usar armas. Quando há necessidade de repressão são usadas bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes, choques elétricos e balas de borracha.

 

 

Oito agentes penitenciários já morreram no Estado do Rio este ano. “É muito fácil reconhecer um agente penitenciário. Eu não vou a nenhum lugar que tenha aglomeração de pessoas porque é um risco”, contou Francisco, que estima que, em média, 17 agentes penitenciários morram por ano no Rio. Segundo ele, há 3.400 agentes em exercício, que cuidam de 26 mil presos em 44 presídios no Estado. Desses 3.400, apenas mil têm armas e coletes à prova de balas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s