Homens da FNS não respeitam normas de segurança em presídios federais

Publicado: 25 de outubro de 2008 em Uncategorized

A responsabilidade pelo vazamento da ordem para executar o tenente-coronel da Polícia Militar José Roberto do Amaral Lourenço, 41 anos, foi atribuída por agentes penitenciários federais aos policiais integrantes da Força Nacional de Segurança (FNS) que estão trabalhando na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Os policiais estão na unidade prisional desde o início da greve dos agentes, que já dura 48 dias e também ocorre na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. De acordo com os agentes, as equipes da FNS não têm o treinamento para garantir a segurança e o controle das unidades de segurança máxima e não respeitam os procedimentos seguidos por todos. — Até mesmo o juiz federal corregedor passa por revista, mas os policiais da Força Nacional não. A ordem veio de Brasília — revelou um funcionário que pediu para não ter a identidade revelada, por medo de represálias. A greve atinge a todos os 446 agentes lotados nas penitenciárias federais sob coordenação e supervisão do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça. Eles reivindicam a diminuição da carga horária a 160 horas semanais. Atualmente, eles têm trabalhado 192 horas por semana. Para tentar minimizar as conseqüências da greve, 45 policiais da FNS foram deslocados para a Penitenciária de Campo Grande e 96 para Catanduvas. — Além da falta de treinamento para a atividade, o efetivo é bem inferior ao nosso — denunciou o funcionário. — Os integrantes da Força Nacional têm usado celulares e entrando em áreas de segurança máxima portando armas de fogo, sem passar pelos detectores de metal e sem que sejam submetidos à revista de praxe a que todos se submetem. A segurança e a rigidez dos procedimentos têm sido ignoradas — revelou. — Como a FNS não conhece os detalhes dos procedimentos adotados, é possível que eles durante uma visita íntima tenham, por descuido, deixado entrar com o celular, mas alguns também já acreditam na possibilidade corrupção — ressaltou. Na segunda-feira, dia 20, o presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penal do Estado do Rio de Janeiro, Francisco Rodrigues, já tinha atribuído à facção criminosa Comando Vermelho (CV) a execução do oficial, que era diretor da Penitenciária Dr Serrano Neves B – mais conhecida como Bangu 3 B – no Complexo de Gericinó. — Não tenho dúvidas de que a ação foi determinada, orquestrada e comandada pela liderança do Comando Vermelho. A ordem é nos assassinar em série — afirmou na ocasião. — A morte do diretor foi um recado para o Governo e a ordem partiu de Catanduvas, e não do Rio. Ninguém no Rio tinha poder para ordenar essa morte — enfatizou Francisco, ressaltando que o criminoso mais influente atualmente no CV é o traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, 32, que cumpre pena junto com o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira- Mar, 41, na Penitenciária de Catanduvas, no Paraná. — Ele participou efetivamente disso. Beira-Mar é o que tem mais dinheiro, mas o mais influente é o Marcinho VP — declarou.

Diretor de Bangu não dispensou escolta
Afirmação foi feita por ex-subsecretário Adjunto de Unidades Prisionais durante audiência pública na Alerj

Executado a caminho do trabalho com mais de 60 tiros, o tenente-coronel da Polícia Militar José Roberto do Amaral Lourenço, 41 anos, que era diretor da Penitenciária Doutor Serrano Neves B – mais conhecida como Bangu 3 B – no Complexo de Gericinó – não abriu mão da escolta e nem dispensou seus seguranças, como havia dito o secretário de Estado de Administração Penitenciária, tenente-coronel César Rubens Monteiro de Carvalho. A informação foi dada ontem pelo ex-subsecretário Adjunto de Unidades Prisionais, coronel Francisco Spargoli, durante audiência pública em conjunto das comissões de Segurança Pública e Assuntos de Polícia e de Direitos Humanos e Cidadania da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O ex-subsecretário contou, ainda, que o oficial dizia sentirse desprestigiado e pensava em sair do cargo para aceitar um convite para trabalhar em uma Delegacia de Polícia Judiciária Militar da PM. — Ele havia feito o curso para poder trabalhar na DPJM e me confidenciou que estava apenas aguardando a minha saída para entregar seu cargo — revelou Spargoli, dizendo, ainda, que havia emprestado um rifle calibre 22 para o coronel Lourenço. — Ele passou três meses sem viatura, pegando carona com outros diretores. O armamento, que era cedido pela PMERJ, foi pego de volta. Atualmente, ele estava apenas com uma escopeta muito velha. Por isso resolvi emprestar um rifle que eu tinha. A versão de que o diretor de Bangu 3 B teria dispensado o motorista no dia do crime também foi desmentida. — Ele tinha dois motoristas. Um saiu para fazer o curso para sargento e não voltou. O outro acabou ficando sobrecarregado, trabalhando de 15 a 17 horas por dia e não agüentou. Pediu para sair e não foi substituído. Ele já estava há três meses sem motorista. Escolta ele nunca teve — afirmou Spargoli, revelando também que a situação do coronel Lourenço não era um caso isolado. — O diretor da Casa de Custódia de Magé não tem nem viatura. Ele está há sete meses tendo que usar o próprio carro. As viaturas dos diretores também são utilizadas para transporte de presos e a dele foi apreendida pelo BPRv (Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual) porque tinha muitas multas. Outros diretores têm viaturas, mas não têm motoristas. E nenhum deles possui escolta — revelou.

Nova audiência

O presidente da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Alerj, deputado estadual Wagner Montes (PDT), agendou para dia 31, nova audiência pública. O secretário de Estado de Administração Penitenciária, tenentecoronel César Rubens Monteiro de Carvalho, e o delegado Roberto Cardoso, titular da Delegacia de Homicídios (DH) da Polícia Civil, que não compareceram ontem, serão convocados. — Recebemos denúncias importantes e agora é preciso ouvir principalmente o secretário — destacou Wagner Montes. Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, o deputado estadual Alessandro Molon (PT), afirmou que o Estado falhou ao não proteger a vida do diretor e que os deputados estão preocupados com a segurança. — Queremos ouvir o secretário a respeito da segurança que deveria estar protegendo o diretor assassinado e sobre as medidas que serão tomadas para proteger quem trabalha no sistema penitenciário.

Assembléia definirá paralisação de agentes

Os deputados estaduais Marcelo Freixo (PSol) e Paulo Ramos (PDT) também participaram da audiência, que contou com a presença do presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penal do Estado do Rio de Janeiro, Francisco Rodrigues, e de agentes penitenciários. — Se não há prestígio para um diretor de presídio, imagine para a gente — destacou Francisco. — Estamos renegados à própria sorte. Por que valemos tão pouco se fazemos tanto? Só neste ano, oito agentes já foram assassinados com requintes de crueldade. Estamos há dez anos sem aumento e sem correção salarial — denunciou, informando que haverá uma assembléia da categoria no próximo dia 3 de novembro para definir se os agentes penitenciários darão início à uma paralisação.

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comentários
  1. sol disse:

    odeio os policiais da fns pois nao faz nada do que matar e ser corruptos e mentiroso….

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