PMs apreendem armas e drogas escondidas em Ciep

Publicado: 18 de novembro de 2008 em Uncategorized

Fotos: Vitor Silva e Roberta Trindade

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Uma metralhadora Uzi, um fuzil 556 e pistolas calibre 40, 380 e 9 milímetros, além de carregadores e grande quantidade de maconha e cocaína. Tudo isso estava escondido em caixas de força e bueiros no pátio e na quadra esportiva do Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Agostinho Fincias, no encontro das ruas Átila Nunes e Agariba, em um dos acessos ao Morro do São João, no Engenho Novo, na Zona Norte do Rio.

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O material foi encontrado durante operação da Polícia Militar na região, onde, na madrugada de sábado, teve início uma guerra entre facções rivais que deixou seis pessoas mortas e seis feridas. Dominados pelo Comando Vermelho (CV), criminosos do Morro do São João tentaram invadir o Morro dos Macacos, que fica em Vila Isabel e é controlado por traficantes dos Amigos dos Amigos (ADA). As duas localidades são divididas pela Rua Vila Flor, onde a Escola Municipal Doutor Mário Augusto Teixeira de Freitas suspendeu as aulas na parte da tarde.

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Cerca de 130 homens de seis batalhões cercaram os dois morros, com auxílio dos dois helicópteros do Grupamento Aeromarítimo (GAM) e dois blindados do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Comando Tático Regional (Cotar) do 3º BPM (- Méier), logo no início da manhã de ontem. Na escadaria do Morro São João, equipes do 6º BPM (Tijuca) que davam apoio à ação prenderam Daniele Salina Celestino, a DN, 24 anos, apontada como gerente do tráfico na localidade. Com ela, os PMs apreenderam uma pistola nove milímetros com a numeração raspada e grande quantidade de maconha e cocaína.

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Já no Morro da Matriz, anexo ao São João, PMs do Bope surpreenderam o líder do tráfico no local, identificado como Alexsander da Silva Outério, o Nem. Após receberem a informação de que os traficantes haviam fugido e se escondido no Ciep Agostinho Fincias, que fica no pé do morro, dezenas de PMs, acompanhados por equipes da Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) Cães, se dirigiram para o local, onde alunos participavam de um evento em comemoração ao Dia da Consciência Negra.

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A diretora do colégio, Norma Sueli Gonçalves, impediu a entrada dos PMs e o clima ficou tenso. O comandante do 3º BPM, tenente-coronel Marcos Alexandre Santos de Almeida, tentou negociar a retirada dos alunos para que os policiais pudessem revistar o Ciep e verificar a denúncia. Cerca de meia hora depois, alguns PMs iniciaram uma revista no pátio, enquanto o oficial tentava convencer a diretora de que a suspensão do evento seria garantia de segurança para os estudantes. “A área está conturbada. Houve uma chacina. O mais seguro seria suspender o evento e permitir a entrada dos policiais. Até porque, sendo verídica a denúncia, traficantes podem estar escondidos na escola e isso representa risco”, ressaltou o coronel Marcos Alexandre.

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Enquanto o diálogo continuava, cerca de cinco policiais se dirigiram aos fundos do pátio onde, em uma caixa de força, encontraram mochilas escondidas. No interior delas, pistolas, maconha, cocaína e carregadores. Em outro esconderijo no chão, um policial achou um fuzil 556. Com a descoberta, os cachorros farejadores da CIPM Cães foram acionados e encontraram mais drogas em bueiros, a poucos metros de onde a solenidade com alunos e professores era realizada. Neste momento, o evento foi suspenso.

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Enquanto os estudantes e os funcionários do Centro Integrado de Educação Pública se esconderam no refeitório, os PMs iniciaram buscas nos andares do colégio.

“Sabemos que a diretora não é conivente. Entendemos a situação que ela passa aqui”, amenizou o comandante do 3º BPM.

O comandante do 1º Comando de Policiamento de Área (1º CPA) – antigo Comando de Policiamento da Capital (CPC), responsável pelos batalhões da PM do Centro e das zonas Sul e Norte do Rio – coronel Marcus Jardim, acompanhou pessoalmente a operação, assim como o comandante do Comando das Unidades Operacionais Especiais (UOpE), coronel Álvaro Garcia.

“A primeira resposta foi dada ainda no final de semana, quando fizemos uma ocupação técnica no entorno dos morros em guerra. Com a informação de que os criminosos se encontravam aqui, realizamos esta operação com o intuito de prendê-los”, explicou o coronel Marcus Jardim. “Vamos continuar com o policiamento reforçado em toda esta região”, ressaltou.

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Investigações
Responsáveis pelas investigações sobre a guerra entre as facções rivais, policiais da 20ª DP (Vila Isabel) afirmaram que os criminosos do CV foram liderados por Fábio Pinto dos Santos, o Fabinho do São João, na tentativa de invasão ocorrida na madrugada de sábado. Eles saíram do Morro São João e entraram no Morro dos Macacos pelo local conhecido como “lote”, de onde chegaram à localidade conhecida como “terreirão”, onde havia um baile funk na quadra do Ciep Salvador Allende.

Ainda de acordo com os policiais, a festa era realizada para comemorar o aniversário do traficante Ivanildo Valério dos Santos, o Del, da ADA. Houve tiroteio e no confronto pelo menos seis pessoas foram mortas e outras seis ficaram feridas. Entre os mortos, Daniel de Jesus Faria, conhecido como Dani da Rocinha, Zidane ou Pequeno Mestre. “Ele era o segundo homem na hierarquia do tráfico na Rocinha e segurança do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha. Não conseguimos comprovar a informação de que ele também estava presente. Entre os feridos, estava Leonardo Ferreira de Albuquerque, do Morro de São Carlos”, revelou um dos policiais responsáveis pelas investigações.

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