Operação "Negócio da China": quer sonegar quanto?

Publicado: 25 de novembro de 2008 em Uncategorized

Fotos: Bruno Gonzalez

Policia

Com o objetivo de cumprir 21 mandados de busca e apreensão e 14 de prisão contra empresários acusados de praticar fraudes na importação de mercadorias populares com o intuito de reduzir ou suprimir o pagamento de impostos e contribuições, equipes da Polícia Federal e da Receita Federal deflagraram a operação “Negócio da China”, na manhã desta terça-feira, dia 25 de novembro. Entre os presos, estão os irmãos Luigi Fernando Milone e Attílio Milone, proprietários da Casa & Vídeo. De acordo com a Polícia, a empresa sonegou R$ 100 milhões de impostos nos últimos dois anos e tem uma dívida de R$ 40 milhões com a Previdência Social. A ação, que mobilizou cerca de 500 agentes, foi realizada durante todo o dia em escritórios, lojas e depósitos de mercadorias da rede varejista, e também em residências de empresários e executivos.

Segundo a Polícia, durante as investigações eles descobriram evidências da prática dos crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, utilização de empresa interposta e descaminho (prática de fraudes na importação de mercadorias com o intuito de reduzir ou suprimir o pagamento de impostos e contribuições). Além disso, foram encontrados fortes indícios de que as empresas do grupo recebiam, direta ou indiretamente, recursos de empresas com sede em paraísos fiscais, como as Ilhas Virgens Britânicas.

O superintendente da Polícia Federal no Rio, delegado Valtinho Jacinto Caetano, explicou que os produtos importados entravam no Brasil por meio de uma rede de importadores que seriam intermediários da Casa & Vídeo. A PF estima que mais de 50 empresas estariam envolvidas no esquema, atuando como “laranjas” para a importação de produtos da China.

“A estimativa é de que a empresa sonegou aproximadamente R$ 100 milhões. A rede de lojas fazia um planejamento de compras de produtos na China. Uma outra empresa que tinha ligação com a rede comprava a mercadoria, pagando o preço acertado com os exportadores, e emitia nota fiscal subfaturada. Ou seja, a mercadoria chegava com um preço muito abaixo do que era pago lá fora. A mesma rede de empresas fornecia notas frias por trabalhos não prestados que entravam na contabilidade da Casa & Vídeo para abater imposto de renda”, afirmou o superintendente.

Policiais apreenderam produtos em diversas lojas no Rio de Janeiro e em Vitória, no Espírito Santo. A estimativa era de que a apreensão enchesse 80 carretas, que foram levadas para um depósito da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Barros Filho, onde o material ficará sob custódia. Além dos produtos importados, também foram apreendidos oito carros blindados.

O superintendente da Receita Federal do Rio, José Carlos Sabino Alves, ressaltou que os presos também cometeram crime previdenciário. “Eles conseguiram uma blindagem patrimonial e têm uma dívida de R$ 40 milhões. Esse valor é referente a contribuições previdenciárias. A União está impossibilitada de fazer a execução desse débito, que é a contribuição para os trabalhadores, porque a empresa não apresenta patrimônio. Não sabemos quem são os sócios, não tem quase nada em nome da própria empresa”, revelou.

“Na verdade há uma blindagem patrimonial em que a empresa se utiliza de outras empresas conhecidas como laranjas para fazer importações de produtos da China e que a verdadeira empresa não aparece em momento nenhum. Com um trabalho de investigação interno da Receita Federal em conjunto com a Polícia, através de um trabalho de inteligência, nós conseguimos verificar que a empresa tinha utilizado os métodos laranja para fazer importação”, enfatizou José Carlos.

Os outros presos foram identificados como: Osmar Magalhães Lacerda, Délio Valdetaro Júnior, Josemar Luiz Torres da Silva, Luiz Carlos Bedin, Vanuza Jardim Miranda, Rebeca Daylac, Maria Fernanda Moura, Marissa Gorberg, Paulo Eduardo Laurenz Buchsbaun, Armando Antônio Pires Ferreira e Samuel Gorberg. Este último é proprietário da importadora Asian Center. Todos serão indiciados por sonegação fiscal, evasão de divisas, descaminho, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Até o final da tarde de hoje, uma pessoa continuava foragida.

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