Briga de casal acaba em duplo homicídio no Parque Anchieta

Publicado: 15 de dezembro de 2008 em Uncategorized

Fotos: Bruno Gonzalez

Policia

O romance de uma estudante com um motoboy que não tinha aprovação das respectivas famílias terminou em tragédia no Parque Anchieta, na Zona Oeste do Rio, na madrugada desta segunda-feira, dia 15 de dezembro. O motoboy Luís Felipe Molulo Alves de Souza, 24 anos, e a estudante Diandra do Nascimento, 20, acabaram mortos após uma briga ocorrida na casa onde moravam há pouco mais de 48 horas, na Rua Orlando de Aquino.

A princípio, a Polícia trabalha com a hipótese de duplo homicídio, considerando que ambos se esfaquearam durante a discussão. O cunhado da jovem, o pedreiro Marcos Gomes da Silva, 29, ficou ferido ao tentar apartar o casal. Peritos do Instituto Félix Pacheco (IFP) recolheram impressões digitais encontradas no local do crime e apreenderam uma faca. Elas serão confrontadas para verificar a versão apresentada pelo pedreiro, que foi o único sobrevivente.

Inicialmente levado por policiais militares lotados no 14º BPM (Bangu) para a 22ª DP (Penha), que funcionava como Central de Flagrantes, o pedreiro contou ao delegado Luiz Henrique Guimarães, que estava de plantão na unidade, que acordou por volta das 3h30 com os gritos da cunhada. Ele morava com a irmã da estudante no mesmo imóvel em que também moravam a sogra, a estudante com o namorado e outras pessoas da família, desde sexta-feira, após ter sido expulsa da casa da sogra, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ainda segundo o depoimento dele, a estudante gritava “não, Felipe, não, Felipe”.

Policia

Ele disse ao delegado que, ao chegar na residência da cunhada, a viu ensangüentada e caída no chão da sala. Neste momento, o motoboy teria ido para cima dele, tentando atacá-lo com uma faca, e os dois se atracaram. Atingido na mão direita e na virilha, o pedreiro saiu correndo pedindo que a mulher ligasse para a Polícia. Ele assegurou para o delegado que o motoboy também aparentava ter muitas facadas pelo corpo e que caiu no chão do corredor logo após atingi-lo.

Ainda de acordo com o depoimento do pedreiro ao delegado, o casal teria cheirado cocaína durante toda a madrugada, mas não costumava discutir ou brigar. Ele recebeu atendimento médico no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, e foi liberado, já que o delegado Luiz Henrique Guimarães considerou que não havia flagrante, levando em conta a versão de que o pedreiro não chegou a desferir qualquer facada contra o agressor.

O caso então foi registrado na 39ª DP (Pavuna), onde policiais do Setor de Homicídios da unidade ouviram parentes da estudante e do motoboy. Todos contaram que os dois namoravam há cerca de três meses e estavam morando em Parque Anchieta desde o dia 12, quando o casal foi expulso da residência da mãe e do padastro do motoboy, em Nova Iguaçu. No entanto, entraram em contradição sobre os motivos da expulsão.

o motoboy Luis Felipe Molulo Alves de Souza, 24 anos

o motoboy Luís Felipe Molulo Alves de Souza, 24 anos

Enquanto familiares de Luís Felipe disseram que a estudante era viciada em drogas e por isso não tinha aprovação da sogra, parentes de Diandra acusaram o motoboy de ser traficante. A irmã da estudante, a promotora de vendas Maria Daniele do Nascimento Campuchão, 22, afirmou, em depoimento, que o cunhado ensinou a irmã a andar de moto, pois, caso ele estivesse trabalhando, ela faria a entrega das drogas.

Ela também revelou que a irmã e o cunhado foram a uma festa infantil em Nova Iguaçu, na noite de domingo, e levaram seu filho, de 3 anos. No evento, a estudante descobriu que o namorado não era o pai biológico da criança que comemorava aniversário, apesar de tê-la registrado e tratá-la como filho. No entanto, parentes dele disseram que não houve briga entre o casal, que chegou a levar o sobrinho em Anchieta e voltaram para a festa, de onde saíram por volta das 22h30.

a estudante Diandra do Nascimento, 20 anos

a estudante Diandra do Nascimento, 20 anos

Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) estiveram no local do crime e solicitaram uma perícia do IFP, para verificar as impressões digitais encontradas nas paredes e na arma do crime. Eles querem confirmar a versão do pedreiro, de que não pegou na faca. Os corpos foram removidos para o Instituto Médico Legal (IML) e, até a tarde de ontem, ainda não havia previsão de onde ou quando seriam realizados os enterros.

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