Cidade de Deus é do Bope

Publicado: 10 de janeiro de 2009 em Uncategorized

Fotos: Vitor Silva

Policia

Iniciada em novembro, a operação “Cidade de Deus é de Deus” entrou em nova fase. Após a ocupação de sete pontos da favela – composta pelas localidades AP, Pantanal, 13, 15, Novo Mundo, Jardim Manhã, Ratolândia, Mangueirinha, Caratê e Rocinha 2 – policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) instalaram uma base operacional na região, no início da manhã de sexta-feira, dia 10. No total, 104 PMs da tropa de elite permanecerão no local por tempo indeterminado.

“Este ponto era considerado estratégico, pois tem difícil acesso e os criminosos controlavam com contenções. É a nossa primeira base e não temos data para encerrar esta ocupação. Temos informações de que possíveis remanescentes do tráfico possam estar escondidos no charco e continuaremos realizando buscas”, afirmou o comandante do Bope, tenente-coronel Alberto Pinheiro Neto.

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Outros 100 policiais, de unidades subordinadas ao 2º Comando de Policiamento de Área (2º CPA), que engloba os batalhões de Bangu, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio dos Bandeirantes (respectivamente, 14º BPM, 18º BPM, 27º BPM e 31º BPM), também participaram da ação. Eles receberam apoio da Companhia Independente de Polícia Militar Cães (CIPM Cães), das Rondas Ostensivas Nazareth Cerqueira (Ronac), pertencente ao Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) e de um helicóptero do Grupamento Aeromarítimo (GAM), além de equipes da Prefeitura – que aproveitaram para realizar a ação Choque de Ordem no entorno da Cidade de Deus, que possui acessos pelos bairros Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.

Foram removidas cerca de 100 construções irregulares, carcaças de automóveis, barreiras e gaiolas onde eram armazenados botijões de gás. Um muro irregular que atrapalhava os pedestres foi derrubado pela fiscalização. Em outro ponto, uma construção que servia de ponto de moto-taxistas também foi destruída.

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Com a base do Bope instalada na localidade Rocinha 2, os PMs fizeram uma varredura nas áreas próximas. Eles chegaram até o charco – por onde os traficantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV) que controlavam a venda de drogas na região costumavam fugir – por terra e pelo ar. Enquanto uma equipe utilizou o veículo blindado da unidade, outra chegou com auxílio do helicóptero do GAM.

“A área da favela é muito grande e faz divisa com vários bairros. São poucos os acessos para veículos, mas há muitas rotas para entrada e saída a pé. Deste charco, atravessando o mangue, eles dificultam a perseguição e conseguem fugir pulando os muros e passando pelos terrenos da fábrica da Johnson, da Farmanguinhos, pelo condomínio Cidade Jardim ou pelo autódromo”, explicou um dos policiais.

A poucos metros do charco, os PMs utilizaram um trator para remover uma barricada improvisada com areia que impedia a passagem das viaturas. Já na esquina da Travessa Jessé com a Rua Débora, eles destruíram uma casamata – local normalmente utilizado por soldados em guerra para proteção durante um tiroteio.

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Composta por dois muros de concreto onde havia seteras – espaços para se apoiar o fuzil próximos a buracos para observação dos alvos – e um refletor instalado no alto do poste que tinha como objetivo dificultar a visibilidade dos policiais durante incursões na localidade.

“Este era um local estratégico para o tráfico. Os criminosos acendiam o refletor na direção dos policiais, para que eles não conseguissem enxergar, e se protegiam atrás dos muros de concreto, onde havia buracos especiais para os fuzis serem utilizados”, ressaltou o comandante do Bope, tenente-coronel Pinheiro.

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O chefe do Setor de Relações Públicas da Polícia Militar, tenente-coronel Rogério Leitão, ressaltou que a ocupação visa a área que ainda não havia sido totalmente dominada pela PM.

“Sete pontos já estão ocupados desde novembro. Agora a intenção é resgatar a cidadania desses moradores e trazer um pouco da experiência realizada no Santa Marta”, afirmou, ressaltando que ainda não há prazos. “Não temos uma idéia definida por enquanto. Tudo será definido a partir de um planejamento”, disse.

O comandante do 18º BPM (Jacarepaguá), tenente-coronel Luigi Gato, destacou o sucesso dos dois meses da operação Cidade de Deus é de Deus.

“Começamos o choque de ordem em novembro, combatendo toda e qualquer ilegalidade”, revelou, lembrando que a Polícia tem reprimido a venda ilegal de gás, os moto-taxistas irregulares, as centrais clandestinas de televisão por assinatura e a exploração de caça-níqueis.

“A ação visa reprimir o tráfico de drogas e apreender armas, mas toda e qualquer ilegalidade encontrada tem sido combatida”, afirmou.

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comentários
  1. […] à facção criminosa Comando Vermelho (CV) que controlavam a venda de … Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: […]

  2. Cleide disse:

    Sou moradora da Cidade de Deus e estou, como todos, com um misto de ansiedade e apreensão pelos dias futuros. Espero que tudo isso aconteça da melhor forma possível. Que venham as mudança, pois toda boa mudança é muito bem vinda. Quem não quer o melhor? Eu quero!
    Mas é necessário que a polícia e as autoridades, se querem verdadeiramente uma mudança, que tenham um mínimo de respeito e compreensão. Que aquele que se propôs a trazer ordem e cidadania, mostre-a através de exemplos. Ninguem sobrevive de palavras!
    Sempre houve uma relação de amor e ódio entre a polícia e moradores. Um amor e admiração que nunca puderam ser declarados (por medo de repressão) e um ódio que muitas vezes chegou ao extremo.
    Os moradores nunca puderam ter sequer o hábito de procurar uma delegacia para reclamar os seus direitos! Quantos tiveram que engolir em seco desacatos, ofensas, furtos em suas residëncias e agressöes físicas, mas não podiam procurar as autoridades. Tudo isso tem que ser levado em conta por quem se diz preparado.
    Estou torcendo para que haja respeito mútuo e cidadania. Ninguém mora na beira de uma vala porque quer.
    A culpa de toda a desordem que havia até agora, é do próprio governo e o que eu tristemente percebo é um prefeito que parece, não querer somente impor a ordem porém, punir as pessoas, não dando nem sequer oportunidade das pessoas recolherem seus objetos antes de demolí-los. E deve-se lembrar que muitas nem receberam um prévio aviso. Para onde estas pessoas estão sendo encaminhadas? Onde já passaram a noite? É humilhante uma criança ver seu pai, sua mãe agachado no meio dos entulhos de sua própria “casa” catando o que sobrou! O governo deixou depois derrubou como se estas fossem criminosas! Assim fica díficil explicar a estas o que é respeito, cidadania e dignidade.

  3. allan disse:

    porrá rala da cdd porra deixa nos tranguilo

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