Assalto termina em tragédia em Silva Jardim

Publicado: 9 de abril de 2009 em Uncategorized

Fotos: Vitor Silva

Policia

A crueldade de uma quadrilha que invadiu e assaltou uma fazenda no município de Silva Jardim, na Baixada Litorânea do Rio, chocou moradores do bairro Lucilândia e provocou comoção entre vizinhos, familiares e amigos das vítimas.

Após roubarem armas e o automóvel do fazendeiro, os criminosos mataram ele e a família de seu caseiro – incluindo uma criança de 9 anos de idade. A Polícia suspeita que o crime tenha ocorrido na noite de segunda-feira, dia 6, mas só foi descoberto na manhã desta terça-feira, dia 7, quando um dos funcionários chegou para trabalhar e encontrou os corpos.

A propriedade, que tem 40 mil metros quadrados, fica localizada no quilômetro 239 da Rodovia Governador Mário Covas – mais conhecida como BR-101, rodovia federal que liga o Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul pelo litoral, cortando 12 estados brasileiros.

O fazendeiro Odelon Heckmann, 72 anos, era aposentado da Souza Cruz e morava no local há mais de duas décadas – tempo em que saiu da empresa multinacional. Ele comprou a Fazenda São Francisco – mais conhecida como Fazenda do Coco – logo após se aposentar.

Muito conhecido na região, Odelon vendia coco e gado de corte em Silva Jardim e também nos municípios da Região dos Lagos, além de Casimiro de Abreu e Rio Bonito.

Policia

O corpo dele foi encontrado em um dos quartos da residência. Ele estava com as mãos para trás com uma algema branca de plástico – conhecida como algema americana, que é muito utilizada pelas Polícias dos Estados Unidos e é descartável. Também havia uma outra algema do mesmo modelo em seu pescoço. Em outro quarto, estava o corpo da doméstica Lucinéia Nascimento Rangel, 26. E, na sala, a estudante Luana Rangel Ramos, de apenas 9 anos, filha da doméstica com o caseiro. As duas também estavam algemadas. Todos os três foram mortos a tiros.

Já o corpo do caseiro Adílson Amorim Ramos, 43, que foi o primeiro a ser encontrado, estava caído do lado de fora, a aproximadamente 200 metros de distância da sede da fazenda. Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) que estiveram no local afirmaram que ele era o único que não apresentava marcas de tiros e que a morte foi provocada por estrangulamento. Em seu pescoço havia uma algema de plástico branco idêntica às que foram encontradas nas outras vítimas.

“Acredito que tenham entrado na casa, imobilizado todos e saído para o lado de fora com o caseiro para que ele mostrasse alguma coisa. Provavelmente estavam procurando algo que acharam que ele soubesse onde estava. O mataram por asfixia mecânica, para que não houvesse barulho, e depois assassinaram as outras pessoas para que não houvesse testemunhas. Morte de criança indica queima de arquivo. Entre os criminosos devia haver algum conhecido”, ressaltou o delegado Paulo Roberto da Silva, que está há dois meses à frente da 120ª DP (Silva Jardim).

O delegado, que registrou a ocorrência como latrocínio (roubo seguido de morte) e instaurou inquérito para chegar à autoria do crime, já intimou parentes das vítimas e funcionários da fazenda e começou a ouvir os primeiros depoimentos, ainda na manhã de ontem. Ele apura se os bandidos pretendiam roubar o valor referente à uma venda.

“Soube que o Odelon havia vendido uma propriedade recentemente e recebia as parcelas do pagamento todo dia 5, no valor de R$ 5 mil. Como o último dia 5 caiu em um domingo, pode ser que ele tenha recebido na segunda-feira e pode ser que os criminosos estivessem atrás desse dinheiro”, revelou.

De acordo com a Polícia, havia sistema de alarme na fazenda, mas o mesmo estava desligado. Os criminosos fugiram levando o carro do fazendeiro – o Gol prata placa LOH 2293 – e três armas – uma escopeta calibre 12, uma carabina calibre 22 e um revólver calibre 38. Como todo o imóvel estava revirado, não foi possível precisar se mais algum objeto havia sido levado.

“Estou aguardando que os familiares das vítimas façam um levantamento e nos informem se mais algo foi levado”, ressaltou Paulo Roberto.

silva-jardim

A cozinheira que trabalhava e morava no local, Marta dos Santos, escapou da morte porque estava de folga na segunda-feira. A mulher do fazendeiro, que foi sua secretária na época em que ele trabalhou na Souza Cruz, também não estava em casa no momento do crime. Amigos da família contaram que ela permanecia mais tempo no apartamento que o casal possui em Copacabana, na Zona Sul do Rio.

“Ela não gostava muito de ficar aqui, e ele não suportava o Rio. Eram casados há quase 20 anos, mas não tinham filhos. Ele tem um filho, de 40 anos, do primeiro casamento. Era um homem muito tranqüilo. Podia ter alguém igual, mas ninguém melhor que ele. Vai fazer muita falta para todos. Ninguém tem nada de ruim para dizer dele. Sofria de câncer de pele e já havia passado por várias cirurgias, mas nunca deixou de trabalhar”, contou o pedreiro José Brito, 67, que trabalhou com o fazendeiro durante 17 anos e foi o responsável pela construção da casa da fazenda.

“É uma casa muito bonita e grande. Tem três quartos, piscina. No mesmo terreno, há outras duas casas. Uma onde morava a família do caseiro e outra que estava vazia”, relatou.

Policiais militares lotados no 35º BPM (Itaboraí) – responsáveis pelo policiamento ostensivo nos municípios de Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito, Silva Jardim e Cachoeiras de Macacu – realizaram diversas buscas mas, até o início da noite de ontem, os assassinos não haviam sido encontrados. O veículo roubado também ainda não tinha sido localizado.

Qualquer informação que auxilie nas investigações policiais e ajude a Polícia a identificar e prender os criminosos pode ser repassada através dos telefones do Disque-Denúncia (2253-1177), da delegacia (2668-0657) ou do Serviço de Inteligência (P-2) do batalhão (3639-5815).

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comentários
  1. luis carlos disse:

    mais uma barbaridade em nossa regiao até quando vamos suportar isso , alo autoridades vamos dar um basta nisso chegaaaaaaaaaaaaaaaaa

  2. camila lima disse:

    silva jardim lugar tranquilo,bom de se viver .porem palco de muitas tristes tragedias,nas quais não podemos deixar de recordar,espero muito e acredito nas autoridades regionais para dar uma resposta aos seus abitantes,e familiares que aguardam respostas…eu conheço silvs jardim desde criança e posso dizer ‘silva jardim oh lugar bom de si viver’

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