PM comemora 200 anos: 44 PMs mortos em 2009

Publicado: 13 de maio de 2009 em Uncategorized

Fotos: Felippo Brando

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Enquanto uma solenidade acontecia na Academia de Polícia Militar Dom João VI, em Sulacap, na Zona Norte do Rio, para a entrega dos espadins de Tiradentes aos novos cadetes da corporação, mais um PM morria no Estado do Rio de Janeiro. Lotado no 18º BPM (Jacarepaguá), o soldado Gledson Ferreira Palmares, 33 anos, foi baleado na Estrada dos Bandeirantes, no Largo de Curicica, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, e morreu no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca.

Na segunda-feira, dia 11, o Rio de Paz espalhou 17 mil pedras brancas pela escadaria da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj)

Na segunda-feira, dia 11, o Rio de Paz espalhou 17 mil pedras brancas pela escadaria da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj)

A morte ocorreu em meio às comemorações pelo bicentenário da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e aumentou uma triste estatística: de janeiro até ontem, 83 policiais fluminenses já foram alvos de atentados – sendo que 72 são PMs. Destes, 44 morreram – 13 estavam de serviço, representando aproximadamente 30% dos casos.

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Um pouco antes do crime, o Movimento Rio de Paz homenageava os PMs que morreram em serviço nos últimos dois anos. Doze varais com 70 fardas estendidas foram colocadas na areia da Praia de Ipanema, no bairro de mesmo nome, na Zona Sul do Rio, logo no início da manhã. Junto, uma faixa com os dizeres: “Eles tombaram na defesa do povo do Rio de Janeiro. Homenagem da sociedade civil aos policiais mortos em serviço entre os anos de 2007 e 2009”.

Cada pedra simbolizava o número de mortes violentas no Estado do Rio nos últimos 28 meses

Cada pedra simbolizava o número de mortes violentas no Estado do Rio nos últimos 28 meses

“Nós somos contra matar quando se pode prender, mas não somos contra a repressão. Somos a favor dos policiais e a violência no Brasil e no Rio chegou a um ponto em que eles, antes vistos apenas como algozes, passaram também a vítimas”, ressaltou o coordenador geral do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa.

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A estimativa dos organizadores do movimento é de que, por ano, 120 policiais sejam mortos no Rio. Cerca de 80% deles foram vítimas em seus horários de folga.

“Muitos precisam fazer bicos, trabalhar como seguranças, porque é impossível sustentar uma família recebendo R$ 800 por mês. Investir na Polícia é uma das formas de diminuir essa estatística de policiais mortos. Eles são enviados para cumprir a frustrante missão de vencer batalhas sem a perspectiva de vencer a guerra, pois invadem sem intenção de ocupar territórios dominados pelo crime, recebendo salários que não são compatíveis com os riscos que correm no exercício da profissão”, destacou Antônio Carlos.

Mais de 2,2 mil pessoas foram assassinadas em 2009, com uma média de 500 homicídios dolosos por mês. Cerca de 2,5 mil pessoas morreram em confronto com a Polícia nos últimos 2 anos, enquanto 58 policiais foram mortos em serviço no período

Mais de 2,2 mil pessoas foram assassinadas em 2009, com uma média de 500 homicídios dolosos por mês. Cerca de 2,5 mil pessoas morreram em confronto com a Polícia nos últimos 2 anos, enquanto 58 policiais foram mortos em serviço no período

“Além disso, são submetidos a pressões que os exaurem emocionalmente. Esses homens carecem da atenção de uma sociedade que precisa compreender que uma das soluções para o problema da Segurança Pública passa pelo investimento maciço na Polícia. Investir na Polícia é uma questão tanto moral quanto prática para se encarar o problema”, enfatizou.

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Ele e outros participantes do Movimento Rio de Paz estarão nesta quinta-feira na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para recolher assinaturas de deputados estaduais. A intenção é conseguir que o governador Sérgio Cabral Filho os recebam para discutir sobre propostas para a melhoria das condições de trabalho dos policiais e para o planejamento de ações na área de Segurança Pública.
Morador de Ipanema há 20 anos, o aposentado Jorge Luiz Souza, 61, se surpreendeu com o protesto.

11 mil pedrinhas brancas foram derramadas das escadarias da Alerj para representar os casos de pessoas desaparecidas no mesmo período

11 mil pedrinhas brancas foram derramadas das escadarias da Alerj para representar os casos de pessoas desaparecidas no mesmo período

“Até que enfim alguém lembrou que existe o outro lado, porque as pessoas só falam dos direitos humanos dos bandidos”, declarou.

"Na Itália, a cada 100 mil pessoas há uma morte por ano. No Chile, a média aumenta para 1.7 morte por ano. No Brasil, o número chega a 27. Mas, no Rio de Janeiro, a cada 100 mil pessoas há pelo menos 45 mortes por ano"

"Na Itália, a cada 100 mil pessoas há uma morte por ano. No Chile, a média aumenta para 1.7 morte por ano. No Brasil, o número chega a 27. Mas, no Rio de Janeiro, a cada 100 mil pessoas há pelo menos 45 mortes por ano"

A cena chamou a atenção não só dos moradores do bairro e dos cariocas que passeavam pelo calçadão ou aproveitavam o dia de sol na praia, mas também de turistas estrangeiros que visitavam o Rio.

“No meu país, os policiais recebem um bom salário e têm o respeito da população. Acho triste saber que homens que arriscam suas vidas para defender outras vidas não sejam reconhecidos e nem valorizados aqui no Brasil”, disse o estudante Smith Chamone, 21.

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Aproveitando o aniversário de 200 anos da PM, o governador Sérgio Cabral Filho assinou uma mensagem aumentando o efetivo da corporação para 60.464 homens. Atualmente com cerca de 40 mil policiais, a corporação receberá o aumento no efetivo será de forma gradativa, nos próximos cinco anos. O governador também garantiu que pretende dar um aumento para a categoria no segundo semestre, assim como para os bombeiros. Ele não informou, no entanto, de quanto.

Acompanhem a estatística completa:
Estatística de Policiais Mortos e Baleados em 2009

LEIA MAIS AQUI:

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