De Niterói para o Rio: Tony do Souza Soares vira maior fornecedor de armas do Estado

Publicado: 9 de julho de 2009 em Uncategorized

Fotos: Pedro Pantoja

contrabandistas de armas (1)

Da gerência das bocas-de-fumo de uma favela localizada na Zona Sul de Niterói a um dos principais fornecedores de armas do Rio de Janeiro. Essa foi a trajetória de Antônio Jorge Gonçalves dos Santos, o Tony, também conhecido como Baixinho. Aos 40 anos, o traficante de drogas que se tornou um dos maiores traficantes de armas do Estado foi preso, no Mato Grosso do Sul, por agentes da Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (DRAE).

A prisão foi efetuada em um shopping na capital matogrossense, Campo Grande, no último domingo, dia 5. Contra ele havia dois mandados de prisão expedidos pela Justiça: um por homicídio, da Vara Criminal de Niterói, e um por tráfico, da Polícia Federal.

Nos anos 90, ele e o irmão, Arnaldo Gonçalves dos Santos, eram reconhecidos como a dupla “Tony e Arnaldo”, traficantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) com atuação na Zona Sul de Niterói. Eles contavam com a simpatia do traficante Marcos Antônio da Silva Tavares, o Marquinho Paraíba ou Marquinho Niterói, que era o segundo homem no escalão do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, 42.

fernandinho beira-mar

Condenado a 18 anos de prisão por tráfico de drogas, Marquinho Niterói fornecia drogas e armas para favelas cariocas e foi assassinado por asfixia, aos 40 anos, em uma cela na Penitenciária Doutor Serrano Neves (mais conhecida como Bangu 3), no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, em setembro de 2005.

Além de continuar abastecendo o complexo de favelas do bairro Santa Rosa – sobre o qual mantém o controle há mais de uma década, junto com o irmão – Tony, que já foi preso e condenado por tráfico de drogas e estava em liberdade há cerca de quatro anos, atualmente também mantém o controle sobre bocas-de-fumo nas Regiões de Pendotiba e Oceânica de Niterói. No total, são 19 favelas.

“Apesar de já não morar mais em Niterói, ele continuava controlando a venda de drogas em grande parte dos morros naquela cidade. No entanto, atualmente sua maior atuação era no tráfico de armas. Ele fornecia exclusivamente para o Comando Vermelho e principalmente para o Complexo do Alemão, na Penha, na Zona Norte”, explicou a delegada Márcia Becker, titular da DRAE, revelando que, somente em junho, ele foi o responsável pelo envio de 39 fuzis para o Rio.

Traficando, em média, 500 fuzis por ano, ele teria um faturamento de mais de R$ 2 milhões por mês, somente com este tipo de armamento.

“Ele vendia cada fuzil AK-47 por R$ 60 mil e não comercializava somente este tipo de arma. Ele também vendia pistolas e metralhadoras ponto 30, além de granadas e munição”, ressaltou a delegada.

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O sub-chefe Operacional da Polícia Civil, delegado Carlos Antônio Oliveira – que já foi titular da especializada – revelou que Tony já atuava há no mínimo dois anos e que o valor de mercado do armamento sofreu um acréscimo de cerca de 600%.

“A investigação foi iniciada em 2007 e essa prisão é de extrema importância. Devido à lei da oferta e da procura, um fuzil que em 2001 custava R$ 4.500, hoje custa R$ 60 mil. Ele criou uma rota alternativa para escapar da repressão feita tanto pela Polícia Civil como pela Federal e pela Rodoviária Federal no trajeto tradicional feito pelos traficantes e conhecido como “Rota da Morte””, afirmou Oliveira.

Enquanto os matutos trazem as armas da Bolívia passando pelo Paraguai e chegando a São Paulo pela Dutra, de onde seguem para a Avenida Brasil, o criminoso saía da cidade de Corumbá e atravessava Porto Soares, ambas no Mato Grosso do Sul, chegando a Caldas Novas, em Goiás, de onde ia para Uberlândia, em Minas Gerais, antes de chegar ao Rio pela BR-040 (Rio-Juiz de Fora).

“Ele criou uma rota alternativa, que tem características geográficas que facilitam a ação criminosa. Além de não ser tão fiscalizada, possui uma malha e uma fronteira extensas e ele também se aproveita do número muito grande de veículos que trafegam por ela”, destacou o delegado, enfatizando que as armas percorriam mais de mil quilômetros até chegar às favelas e morros controlados pelo CV no Rio.

“Ele criou dois entrepostos. Um na cidade de Caldas Novas, em Goiás, onde estava morando, e outro na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais. Ele guardava as armas em endereços nesses locais antes de negociá-las”, afirmou.

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No dia seguinte à chegada de Tony ao Rio, os policiais da DRAE prenderam os irmãos Tatiana Azevedo Maciel, 27, e Paulo Roberto Aquino Júnior, 25. Moradores do Morro do Beltrão, em Santa Rosa, eles eram os responsáveis por recolher o lucro obtido com a venda de drogas na região e enviar para o traficante.

Na localidade, os agentes apreenderam uma granada de bocal, para ser adaptada a fuzis. Capaz de derrubar um tanque, ela tem fabricação argentina que teria sido comprada no Paraguai. Em depoimento, os dois confessaram que trabalhavam para Tony e foram indiciados por associação para fins de tráfico.

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Já o homem apontado pela Polícia como um dos maiores fornecedores de armas do Rio foi indiciado por tráfico de drogas e armas, além de ter tido cumpridos os dois mandados de prisão expedidos contra ele.

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comentários
  1. jaqueline disse:

    ele merece fica muito tempo na cadeia safado isso ñ se faz

  2. […] Traficantes seqüestram ônibus para desovar comparsas […]

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