Fotos: Pedro Pantoja

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Uma guerra interna entre integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) levou pânico a moradores do Morro do Palácio, no bairro Ingá, na Zona Sul de Niterói, na noite desta quinta-feira, dia 8. O tiroteio entre os traficantes deixou cinco pessoas baleadas. Três delas morreram – duas chegaram a ser socorridas, mas não resistiram aos ferimentos. A Polícia acredita que todas tinham envolvimento com o tráfico de drogas. No entanto, um dos sobreviventes disse que trabalhava em uma pizzaria perto de sua residência e tinha ido ao local para comprar drogas, quando foi surpreendido pelo confronto.

Baleado seis vezes – no abdômen, no braço esquerdo, no tórax e duas vezes na perna direita, Éverson Rodrigo Nascimento, 21 anos, é morador do Jardim Catarina, em São Gonçalo. Ele foi levado por um taxista até a Rua Paulo Alves, onde foi encontrado por policiais militares lotados no 12º BPM (Niterói) e levado para o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, na Zona Norte de Niterói.

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Três horas antes, um casal já havia sido socorrido por outra equipe do 12º BPM. Uma mulher conhecida como Lacraia – que usava bermuda azul, camisa preta e casaco cinza – estava caída ao lado de Flávio dos Santos, 30, morador do Arsenal, em São Gonçalo. Baleados, os dois foram levados para a mesma unidade de saúde, onde a mulher veio a falecer. O Hospital Azevedo Lima recebeu, ainda, mais uma vítima da guerra no Morro do Palácio: um homem negro que aparentava ter 30 anos de idade e havia sido baleado dez vezes. Ele não resistiu aos ferimentos e também morreu na unidade. No final da manhã de sexta-feira, dia 9, Éverson foi transferido para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat) – mais conhecido como Hospital Geral de São Gonçalo – no bairro Colubandê, em São Gonçalo, enquanto Flávio permanecia, até a tarde de sexta-feira, internado no Azevedo Lima.

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O corpo da quinta vítima foi encontrado, no início da manhã de ontem, no final da Rua Getúlio Vargas, em uma boca-de-fumo existente ao lado da Padaria Pimpão. Vestindo uma bermuda vermelha e uma camisa verde, ele era conhecido como Baixinho e segurava uma caneta na mão direita. Atingido por nove tiros de pistola calibre nove milímetros, ele foi baleado nas pernas, nos braços, no peito e na barriga.

“Provavelmente ele foi pego de surpresa, pois há muitas perfurações nos braços, o que indica que ele tentou se proteger”, afirmou um perito do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) que esteve no local do crime.

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Logo nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira, dia 9, equipes do Patrulhamento Tático Motorizado (Patamo) e do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 12º BPM ocuparam o morro para evitar novos confrontos. Em uma das incursões, os PMs estouraram uma central clandestina de distribuição de sinais de canais de tevê por assinatura. O gatonet funcionava no salão de festas da associação de moradores, localizada no final da Rua Getúlio Vargas, atrás do campo de futebol existente na localidade Monte Carmelo.

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Apavorados, moradores do Morro do Palácio evitaram sair de casa, ao longo do dia de ontem. Os estabelecimentos comerciais existentes no interior da comunidade não abriram suas portas. As poucas pessoas que arriscaram sair de suas casas não paravam para conversar. As ruas estavam vazias e o trânsito era apenas de quem trabalhava fora do morro e não podia faltar ao emprego.

“O clima de insegurança começou em agosto, mas piorou no mês passado”, limitou-se a dizer um professor, que é nascido e criado na comunidade e pediu para não ter a identidade divulgada.

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A guerra entre integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) começou após a morte do traficante Verneck Marlei de Araújo, o Verneck ou VK, 40, no último dia 15 de agosto. Ele e dois de seus seguranças foram baleados durante confronto com policiais do 12ºBPM. O trio chegou a ser socorrido e levado para o Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), no Centro, mas não resistiram aos ferimentos.

Com eles, os policiais apreenderam duas pistolas – sendo uma calibre 380 e outra nove milímetros – e um revólver calibre 38, além de munições, 43 trouxinhas de maconha, 43 pedras de crack e 14 sacolés de cocaína. Na ocasião, Verneck – que cumpriu 13 anos de prisão por tráfico – estava em liberdade condicional.

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No dia 18 de junho de 2004, ele havia sido seqüestrado por PMs do 23º BPM (Leblon) e do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE), sendo mantido em cárcere durante três dias, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O valor do resgate era de R$ 200 mil e restavam R$ 4 mil para o pagamento – que incluiu um apartamento na Praia das Flechas, no Ingá (de propriedade de um pré-candidato a vereador de Niterói, na época), dois carros (um Ford KA e um Fiesta), além de jóias e dinheiro em espécie (R$ 13 mil). O cativeiro foi estourado por agentes do Serviço de Inteligência (P-2) do 15º BPM (Duque de Caxias), no dia 21 de junho daquele ano.

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Três meses depois, ele foi preso por uma equipe do Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) da Engenhoca. A prisão ocorreu no dia 11 de setembro de 2004, e ele foi flagrado com uma pistola nove milímetros com dez munições, além de 197 papelotes de cocaína e R$ 30 em espécie. Na ocasião, Paulo Roberto Muniz Bastos Júnior, o Gordo, 23, foi baleado.

Após sua morte, Verneck – que deixou uma dívida de R$ 30 mil com o CV – foi substituído pelo traficante Alcione Peçanha Júnior, o Júnior Macaco, 27. No entanto, ao negar-se a cumprir a determinação da cúpula da facção, que determinou que ele pagasse a dívida de seu antecessor, Júnior Macaco recebeu a ordem de repassar o morro para o traficante Vino do Inferninho. Ao se recusar a entregar o posto, ele acabou sendo morto por seus antigos comparsas, no último dia 12 de setembro.

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Desde então, integrantes do bando de Júnior Macaco e criminosos do grupo de Vino brigam pelo controle das bocas-de-fumo do Morro do Palácio – localizado na Zona Sul e próximo ao Centro de Niterói, sendo rodeado por faculdades da Universidade Federal Fluminense (UFF) e considerado um dos morros mais rentáveis da facção de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, 42, no município.

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