Fotos: Pedro Pantoja

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As estatísticas e os recentes casos de assaltos em prédios levantaram uma questão sobre o preparo de funcionários de prédios e condomínios. No último dia 29 de setembro, três assaltantes conseguiram entrar no Edifício Solar da Praia, localizado na Rua Francisco Otaviano, em Ipanema, na Zona Sul do Rio, depois que um deles se identificou para o porteiro como funcionário da Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro (CEG). Cinco apartamentos foram invadidos e 23 pessoas foram feitas reféns – sendo 18 moradores, dois funcionários do prédio e três empregados que realizavam obras em imóveis.

Segundo estatísticas divulgadas pelo Instituto de Segurança Pública, foram registrados 42 roubos a residências na região de Copacabana e Leblon, na Zona Sul, e Tijuca, na Zona Norte, entre janeiro e julho de 2008. No mesmo período desse ano, foram 72 casos naquela região – representando um acréscimo de 85%. O aumento maior ocorreu na Área Integrada de Segurança Pública (AISP) 6 – que engloba Tijuca, Grajaú, Andaraí, Vila Isabel, Maracanã, Praça da Bandeira e Alto da Boa Vista. Nos meses de maio, junho e julho do ano passado, foram feitos três registros – uma média de um por mês. Já esse ano, foram 17 – mais de cinco assaltos mensais, significando um aumento de mais de 200%.

ipanema assalto

Especialistas em Segurança Pública garantem que a colaboração de empregados e moradores é essencial para a segurança do prédio funcionar bem e que o preparo técnico de porteiros pode evitar que o número de vítimas aumente. A Polícia Militar ministra cursos destinados não somente a porteiros e outros funcionários de edifícios e condomínios, mas também aos síndicos.

O secretário de Estado de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, informou que esses criminosos faziam parte do tráfico em comunidades atualmente ocupadas por Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s) e passaram a assaltar como nova forma de conseguir dinheiro, a partir do momento em que deixaram de poder vender drogas. O secretário garantiu que vai manter a estratégia de combater o tráfico de drogas nas favelas e pediu mais atenção aos funcionários de prédios para evitar a entrada de assaltantes.

Policia

“Os bandidos hoje estão usando estratégias diferenciadas, como identificando-se nessas portarias como funcionários, como foi o caso em Copacabana, como funcionários dos Correios ou de outro órgão. Após essas pessoas adentrarem o prédio fica muito difícil para Polícia identificar. O batalhão vai fornecer cursos no sentido de preparar as portarias para que possam fazer essa triagem”, ressaltou Beltrame.

Diretor para assuntos trabalhistas e previdenciários do Sindicato dos Empregados em Edifícios do Município do Rio de Janeiro, José Ibiapina revelou que o órgão pretende reativar, nas próximas semanas, o curso de qualificação para porteiros.

“A violência fugiu do controle das autoridades e hoje nos atinge até mesmo dentro de nossas casas. Oferecíamos um curso com duração de um mês e aulas três vezes por semana, mas a procura era pequena. Hoje, eles estão mais interessados e procuram por essa qualificação. Estamos reativando a proposta do curso para que os funcionários possam colaborar na prevenção desses roubos em edifícios”, garantiu, aproveitando para criticar a desvalorização sofrida pela classe.

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“Às vezes, por causa de R$ 100, eles preferem contratar porteiros sem qualificação. Não adianta ter câmeras e equipamentos de segurança se o trabalhador está desestimulado ou não sabe lidar com aquela tecnologia. Os profissionais têm que ser valorizados. Sem material humano fica mais difícil”, enfatizou Ibiapina, que estima que somente na capital existam cerca de 100 mil empregados em edifícios. Aproximadamente 60 mil são sindicalizados.

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Enquanto cursos de ação preventiva para porteiros podem custar R$ 280 e o piso salarial definido por tabela do sindicato é de R$ 528, mais benefícios, os profissionais interessados em se qualificar podem participar dos cursos gratuitos oferecidos pela Polícia Militar. Um dos batalhões com maior número de procura, o 19º BPM (Copacabana) está com inscrições abertas.

Apesar de ficar sediado na Zona Sul do Rio, o curso do batalhão é procurado até mesmo por porteiros, síndicos e zeladores de Campo Grande, na Zona Oeste, e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Atualmente, há 180 inscritos. A aula é ministrada em forma de palestra e tem quatro horas de duração. Os interessados devem ligar para 2233-9250.

apartamento assaltado em laranjeiras (4)

A unidade – responsável pelo policiamento e patrulhamento ostensivo nos bairros Copacabana e Leme – abrange uma área de 5,3 quilômetros quadrados e 138.674 moradores e faz parte da AISP 19. De janeiro a julho do ano passado, as delegacias da área – 12ª DP (Copacabana) e 13ª DP (Ipanema) – registraram 14 roubos a residência. No mesmo período de 2009, foram 23.

Já a AISP 23 – que engloba os bairros São Conrado, Vidigal, Gávea, Leblon, Lagoa, Jardim Botânico e Ipanema – apresentou uma queda nos índices. Enquanto de maio a julho de 2008 houve 11 casos, de maio a julho desde ano foram 6. A queda também ocorreu em um período maior: de janeiro a julho de 2008 as delegacias da área – 14ª DP (Leblon) e 15ª DP (Gávea) – registraram 18 casos de roubo a residência, enquanto no mesmo período desse ano os registros caíram para 13.

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No início do mês de setembro, seis pessoas foram mantidas reféns por cerca de cinco horas em um prédio da Rua Assis Brasil, em Copacabana, após assalto que começou no Largo do Machado. Um dos criminosos foi baleado de raspão no braço direito, depois que uma das vítimas conseguiu se libertar e atirou contra ele.

apartamento assaltado (3)

Também em setembro, no dia 21, criminosos aproveitaram o momento em que um morador chegava em seu automóvel no Edifício Aquidauana, na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, na Zona Sul, para também entrar no prédio pela garagem. Eles renderam funcionários e todos que chegavam e mantiveram pelo menos 30 pessoas no depósito de lixo do edifício. Antes de fugir, eles colocaram lixeiras na porta do depósito e mandaram que as vítimas esperassem cinco minutos para que pudessem sair.

apartamento assaltado

Alguns dias antes, três ladrões invadiram o prédio de número 85 da Rua General Roca, na Tijuca, na Zona Norte, e também assaltaram alguns apartamentos, enquanto mantinham moradores reféns. O crime ocorreu no dia seguinte ao assalto no Edifício Golden Coast, que fica no número 232 da Avenida Delfim Moreira, no Leblon. Por cerca de duas horas, foram feitos reféns moradores de três apartamentos, além do porteiro e outros empregados do prédio. Os bandidos fugiram em um Passat vermelho, pertencente a um dos moradores, levando R$ 5,7 mil, US$ 13 mil, 4 mil euros, um laptop, jóias e celulares.

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