Traficantes invadem posto de saúde e planejam ataques a delegacias

Publicado: 28 de outubro de 2009 em Uncategorized

Fotos: Bruno Gonzalez e Pedro Pantoja

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Os comércios existentes ao longo da Rua Nossa Senhora da Penha – que é um dos principais acessos à Favela Vila Cruzeiro e faz divisa com a Favela da Chatuba – virou refúgio de moradores. Em uma padaria, tiros ricocheteavam no telhado. Muitos atingiram árvores e derrubaram folhas na via. Aproximadamente duas horas após a chegada das equipes do 16º BPM à Vila Cruzeiro, criminosos da Chatuba resolveram apoiar os comparsas da favela vizinha e começaram a atirar contra os dois veículos blindados da PM.

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Três moradores da Vila Cruzeiro foram atingidos por balas perdidas. O ex-combatente Brunie de Barros, 86 anos, Expedito José Rodrigues, 57, e o marceneiro Severino Marcelino dos Santos, 50. Todos foram socorridos e levados para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, e apenas os dois primeiros receberam alta após receberem atendimento médico.

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O marceneiro, que havia saído de casa para buscar a filha no colégio, com medo de que ela fosse vítima do tiroteio, morreu no dia seguinte. O corpo dele foi enterrado, na segunda-feira, dia 25, no Cemitério de Irajá, no bairro de mesmo nome, na Zona Norte.

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“É tiro de tudo quanto é lado. Uma hora é da Polícia, outra hora é dos bandidos. A gente fica preso sem poder voltar pra casa”, desabafou o autônomo José da Costa, 34 anos, morador do Largo do Cruzeiro.

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A auxiliar de escritório Rosana Conceição, 29, resolveu arriscar e subiu a favela mesmo debaixo de tiros.

“Resolvi vir à padaria antes de ir trabalhar e não me arrumei. Se eu tivesse vindo arrumada, iria direto. Meu patrão não quer saber se morro em área de guerra e eu preciso do meu emprego”, desabafou.

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Cerca de meia hora após a saída das equipes do 16º BPM da Favela Vila Cruzeiro, criminosos da Favela da Chatuba invadiram a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Penha. Um policial militar que trabalha na UPA avistou um grupo de homens armados descendo pelo Parque Ari Barroso, que fica nos fundos da unidade de saúde e dá acesso à Chatuba, e pediu reforço.

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“Quando eles viram as viaturas se aproximando, começaram a atirar. Eu me joguei em um formigueiro para me proteger dos tiros. Médicos e pacientes se trancaram na UPA”, contou o sargento França.

Viaturas do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) que passavam ouviram o pedido e se dirigiram ao local. Pouco depois, policiais do 16º BPM chegaram e pediram o apoio de dois veículos blindados.

“O Choque atendeu ao pedido de prioridade e depois nós chegamos. Pensava-se que seria um atentado contra o posto, mas posteriormente ficamos sabendo que os criminosos queriam um médico para prestar atendimento a um traficante que foi baleado na operação da manhã”, declarou o tenente Márcio Martins, do 16º BPM.

No final da tarde, a Polícia recebeu uma denúncia de que traficantes do Complexo do Alemão estariam planejando ataques à delegacias – principalmente 21ª DP (Bonsucesso), 22ª DP (Penha) e 27ª DP (Vicente de Carvalho). Todas as unidades foram avisadas e providenciaram reforço na segurança.

A Polícia Militar reforçou o policiamento ostensivo nos acessos ao conjunto de favelas e também nas proximidades de clínicas particulares e postos de saúde da região.

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Com aproximadamente 160 mil moradores, o Complexo do Alemão é composto pelas favelas Vila Cruzeiro, Chatuba, Nova Brasília, Pedra do Sapo, Alvorada, Areal, Matinha, Chuveirinho, Palmeiras, Fazendinha, Grota e pelos morros da Baiana, do Alemão, dos Mineiros e do Adeus. A maior operação realizada na região ocorreu no dia 27 de junho de 2007, quando 1.350 agentes – entre policiais civis e militares e soldados da Força Nacional de Segurança – realizaram incursão em todo o Complexo, que possui acessos pelos bairros Ramos, Penha, Olaria, Inhaúma e Bonsucesso, e estava ocupado pela Polícia desde o dia 2 de maio do mesmo ano.

Na época, 19 acusados de envolvimento com o tráfico de drogas morreram e 13 pessoas foram baleadas: um policial, sete moradores e cinco traficantes. Treze dos corpos foram recolhidos pela própria Polícia, enquanto outros seis foram deixados à noite dentro de uma van em frente à 22ª DP (Penha). No total, os policiais apreenderam 115 quilos de maconha, 30 quilos de cocaína, dois quilos de crack em pedra, um quilo de crack em pasta, 100 frascos de lança-perfume, 50 unidades de explosivo em pasta, um detonador, duas metralhadoras Ponto 30, um fuzil AK-47, um fuzil HK-G3, um fuzil Parafal 762, uma submetralhadora nove milímetros, cinco pistolas, uma sub-metralhadora Uzi, um revólver calibre 38, um lançador de rojão e centenas de munições para pistolas calibre 45, 40 e nove milímetros, além de munições para fuzis e metralhadoras.

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Em setembro do ano seguinte, outra grande operação ocorreu no local. Aproximadamente 800 policiais – entre policiais militares lotados no 16º BPM (Olaria) e no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e policiais civis de 15 delegacias especializadas – foram até o conjunto de favelas atrás do corpo do traficante Antônio de Souza Ferreira, o Tota, 32 anos. Baleado na região lombar, o PM Luiz Cláudio Melo, 30, que era adido à Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (DRAE), morreu. Outros dois policiais foram baleados.

Lotado na Divisão de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), Rivagner Baptista dos Santos, 44, foi atingido por um tiro no fêmur esquerdo. Já Alexandre Marchon Gomes, 37, da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), que foi baleado na cabeça, morreu três meses depois.
Além de um policial morto e dois feridos, o saldo daquela operação foi de dois supostos traficantes mortos, cinco moradores vítimas de balas perdidas e apreensão de 20 quilos de cocaína e 30 de maconha, além de duas escopetas calibre 12, um fuzil, uma metralhadora ponto 30, duas pistolas, cinco granadas e munição. Os policiais descobriram também uma central de monitoramento por câmeras e uma casa usada como oficina para o reparo e fabricação artesanal de armas.

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