Traficantes da Mangueira guardam armas e drogas em locais inusitados

Publicado: 19 de novembro de 2009 em Uncategorized

Fotos: Bruno Gonzalez

“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do onipotente descansará”. Este é o primeiro verso do salmo 91, escrito na porta de uma casa de oração localizada no Morro da Candelária, no Complexo da Mangueira, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. A frase apontava não somente um esconderijo, mas o imóvel onde traficantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV) guardavam munições, armas e drogas. A descoberta foi feita por agentes da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), na manhã desta terça-feira, dia 17.

No endereço, eles apreenderam três espingardas, uma escopeta, duas pistolas e um fuzil ponto 30 com mira. A arma é utilizada por snipers (atiradores) e utiliza calibre sete milímetros – que não cabe no fuzil 762 e é maior que o usado pela Polícia do Rio. Os policiais também encontraram sete granadas e grande quantidade de cocaína, maconha e crack, que foi batizado em homenagem a um jogador de futebol. Nas embalagens desta última droga, a inscrição: “Melhor clack (sic) do mundo Ronaldinho Gaúcho”.

A operação, conjunta com policiais da 17ª DP (São Cristóvão), contou com apoio de equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (DRAE) e mobilizou cerca de 200 homens. No total, houve um acusado de envolvimento com o tráfico morto em confronto e sete presos, além da apreensão de mais de 400 quilos de maconha, oito armas, artefatos explosivos e outras drogas.

“Nossa intenção é retirar armas e drogas das mãos dos traficantes. Encontrá-las em igrejas e escolas não é surpresa pra gente. Normalmente esses são os locais preferidos pelos bandidos”, ressaltou o delegado Marcus Vinícius de Almeida Braga, titular da DCOD.

Em uma casa em frente ao Centro Municipal de Assistência Social Integrada (CEMASI) Mestre Tinguinha, anexo à Creche Municipal Homero José dos Santos, no Morro dos Telégrafos, agentes da Core apreenderam 400 quilos de maconha prensada. Cada tablete, avaliado em R$ 800, seria misturado a outras substâncias antes da endolação para triplicar a quantidade e o lucro dos traficantes.

O Complexo da Mangueira – composto pelos morros Telégrafos, Chalé, Faria, Santo Antônio, Red Indian, Olaria, Pedreira, Pindura Saia, Buraco Quente, Tengo-Tengo, Curva da Cobra, Joaquina, Candelária e Pedra – seria controlado por Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, 43 anos, e seu sobrinho, Alexander Mendes da Silva, o Polegar, 35. Primo de Leandro Monteiro Reis, o Pitbull, morto em confronto com a Polícia Civil, no dia 28 de janeiro, Polegar está refugiado no Complexo do Alemão, na Penha, na Zona Norte do Rio, desde 14 de setembro. Ele proibiu moradores de chamá-lo pelo apelido e determinou que passasse a ser chamado de Paraibinha.

Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, 43 anos

Na ocasião, ele conquistou o benefício do regime semi-aberto e saiu da Casa Albergado Crispim Ventino, em Benfica, na parte da manhã, tendo que retornar à noite. No entanto, não voltou e passou a ser considerado foragido da Justiça. O traficante estava preso desde janeiro de 2002 e conseguiu o direito de deixar a cadeia durante o dia porque já havia cumprido quase dois terços da pena.

O criminoso foi condenado pela primeira vez em 1995. Depois, teve mais três condenações: em 1996, 2002 e 2005, sempre por tráfico de drogas. Somadas, as penas chegam a 22 anos de prisão. Esta foi a segunda vez em que Polegar conseguiu liberdade condicional. A primeira foi em 1999. Dois anos depois, ele foi acusado de ser um dos mandantes do ataque à Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), na Zona Portuária, quando 14 presos foram resgatados. No ano seguinte, ele foi preso no Ceará.

Alexander Mendes da Silva, o Polegar, 35 anos

Medindo cerca de 1,65 metro de altura – que seria, inclusive, o motivo do apelido “Polegar” –, o criminoso já foi visto várias vezes desfilando pelo Largo do Boiadeiro. Ele também circularia por becos na Vila Cruzeiro e na Nova Brasília, sempre rodeado por comparsas armados com fuzis, responsáveis pela sua segurança.

Já seu tio foi preso em fevereiro de 2008, em Aracaju. Ele havia conquistado a liberdade condicional após ficar 17 anos atrás das grades, cumprindo um terço da pena de 43 anos a que foi condenado, por tráfico e formação de quadrilha. No entanto, o benefício foi revogado em abril de 2007, depois que ele não retornou à cadeia para assinar o livro de presença. O criminoso alegou que havia sido seqüestrado por policiais, em fevereiro daquele ano, tendo que pagar R$ 1 milhão pela liberação, e que tinha medo de sofrer novo seqüestro.

Com aproximadamente 160 mil moradores, o Complexo do Alemão é composto pelas favelas Vila Cruzeiro, Chatuba, Nova Brasília, Pedra do Sapo, Alvorada, Areal, Matinha, Chuveirinho, Palmeiras, Fazendinha, Grota e pelos morros da Baiana, do Alemão, dos Mineiros e do Adeus. A região é conhecida pela Polícia como Quartel General (QG) do Comando Vermelho, por oferecer abrigo aos integrantes da facção mais procurados.

“A prisão do Polegar é questão de tempo”, garantiu Marcus Vinícius.

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