Polegar determina: “Meu nome agora é Paraibinha”

Publicado: 19 de novembro de 2009 em Uncategorized

“Tá todo mundo proibido de citar o nome Polegar”. Esta foi a ordem dada pelo traficante Alexander Mendes da Silva, o Polegar, 35 anos, que proibiu moradores do Complexo do Alemão, na Penha, na Zona Norte do Rio, de chamá-lo pelo vulgo com o qual ganhou notoriedade e respeito entre os integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Agora, ele só pode ser chamado de “Paraibinha”. A determinação do traficante seria uma maneira de despistar a Polícia.

Com aproximadamente 1,65 metro de altura – que seria, inclusive, o motivo do apelido “Polegar” –, o criminoso já foi visto várias vezes desfilando pelo Largo do Boiadeiro. Ele também circularia por becos na Vila Cruzeiro e na Nova Brasília, sempre rodeado por comparsas armados com fuzis, responsáveis pela sua segurança.

Com aproximadamente 160 mil moradores, o Complexo do Alemão é composto pelas favelas Vila Cruzeiro, Chatuba, Nova Brasília, Pedra do Sapo, Alvorada, Areal, Matinha, Chuveirinho, Palmeiras, Fazendinha, Grota e pelos morros da Baiana, do Alemão, dos Mineiros e do Adeus. A região é conhecida pela Polícia como Quartel General (QG) do Comando Vermelho, por oferecer abrigo aos integrantes da facção mais procurados.

Escondido há dois meses no Complexo do Alemão, o criminoso conquistou o benefício do regime semi-aberto por ter cumprido um sexto da pena à que foi condenado – 22 anos de prisão por tráfico de drogas e associação para fins de tráfico. Mesmo acusado por quatro homicídios dentro da Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, antiga Bangu 1, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, em 2002, Polegar teve o comportamento considerado “excelente” pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária. Foi este parecer que motivou o juiz Carlos Borges, da Vara de Execuções Penais (VEP) a conceder a progressão do regime ao traficante.

No entanto, saiu da Casa do Albergado Crispim Ventino, em Benfica, também na Zona Norte, no dia 14 de setembro e não voltou para dormir, passando a ser considerado foragido da Justiça. Esta é a segunda vez que Polegar foge após ser beneficiado pela Justiça.

Conhecido por uma das ações mais ousadas do crime organizado no Rio, ele foi preso em janeiro de 2002, em Fortaleza, no Ceará, após ficar foragido por sete meses depois de obter o livramento condicional. No ano anterior, ele foi acusado de estar entre os 40 homens armados que usaram um caminhão para derrubar um muro da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter) e libertar 14 presos.

A maior operação realizada no Complexo do Alemão ocorreu no dia 27 de junho de 2007, quando 1.350 agentes – entre policiais civis e militares e soldados da Força Nacional de Segurança – realizaram incursão em todo o Complexo, que possui acessos pelos bairros Ramos, Penha, Olaria, Inhaúma e Bonsucesso, e estava ocupado pela Polícia desde o dia 2 de maio do mesmo ano.

Na época, 19 acusados de envolvimento com o tráfico de drogas morreram e 13 pessoas foram baleadas: um policial, sete moradores e cinco traficantes. Treze dos corpos foram recolhidos pela própria Polícia, enquanto outros seis foram deixados à noite dentro de uma van em frente à 22ª DP (Penha).

No total, os policiais apreenderam 115 quilos de maconha, 30 quilos de cocaína, dois quilos de crack em pedra, um quilo de crack em pasta, 100 frascos de lança-perfume, 50 unidades de explosivo em pasta, um detonador, duas metralhadoras Ponto 30, um fuzil AK-47, um fuzil HK-G3, um fuzil Parafal 762, uma submetralhadora nove milímetros, cinco pistolas, uma sub-metralhadora Uzi, um revólver calibre 38, um lançador de rojão e centenas de munições para pistolas calibre 45, 40 e nove milímetros, além de munições para fuzis e metralhadoras.

Em setembro do ano seguinte, outra grande operação ocorreu no local. Aproximadamente 800 policiais – entre policiais militares lotados no 16º BPM (Olaria) e no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e policiais civis de 15 delegacias especializadas – foram até o conjunto de favelas atrás do corpo do traficante Antônio de Souza Ferreira, o Tota, 32 anos. Baleado na região lombar, o PM Luiz Cláudio Melo, 30, que era adido à Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (DRAE), morreu. Outros dois policiais foram baleados.

Lotado na Divisão de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), Rivagner Baptista dos Santos, 44, foi atingido por um tiro no fêmur esquerdo. Já Alexandre Marchon Gomes, 37, da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), que foi baleado na cabeça, morreu três meses depois.

Além de um policial morto e dois feridos, o saldo daquela operação foi de dois supostos traficantes mortos, cinco moradores vítimas de balas perdidas e apreensão de 20 quilos de cocaína e 30 de maconha, além de duas escopetas calibre 12, um fuzil, uma metralhadora ponto 30, duas pistolas, cinco granadas e munição. Os policiais descobriram também uma central de monitoramento por câmeras e uma casa usada como oficina para o reparo e fabricação artesanal de armas.

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comentários
  1. […] This post was mentioned on Twitter by Roberta Trindade, Renato Adauto. Renato Adauto said: RT @robertatrindade: Foragido da Justiça, Polegar muda vulgo para Paraibinha -> http://migre.me/c28P […]

  2. Pauta do Dia disse:

    […] Polegar determina: “Meu nome agora é Paraibinha” Clique aqui para cancelar a resposta. […]

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