Foi-se o tempo em que o ato de denunciar era visto como atribuição de “dedo-duro” ou o do popular X-9 (informante da Polícia). Isso, pelo menos, para os moradores de São Gonçalo. O município está entre os que mais registraram informações sobre ações criminosas ao longo do último ano, de acordo com levantamentos realizados pela Central do Disque-Denúncia.

Com uma média de 7 mil denúncias por ano – o equivalente a 21 ligações diárias –, São Gonçalo perde apenas para a capital. A maioria das informações repassadas anonimamente para a organização não governamental é referente à atuação do tráfico de drogas na cidade, com 54% do total de denúncias, seguidas pelos crimes de estelionato 7%) e informações sobre a localização de veículos abandonados (6%).

Outro dado importante do relatório é relativo às denúncias sobre autores de homicídios na região (4%). Neste contexto, o 7º BPM (São Gonçalo) encontra-se em segundo lugar no ranking estadual de difusões entre os batalhões e é o órgão policial que mais recebe denúncias no município. Entretanto, é a 72ª DP (Mutuá) que aparece no topo da lista das delegacias do Estado do Rio com o maior número de respostas dadas às informações repassadas pela Central do Disque-Denúncia, um total de 370 – 90 % a mais do que as registradas em 2008.

Os policiais da 75ª DP (Rio do Ouro), ainda segundo o relatório, foram os mais contemplados com o programa de premiação Gol. Criado em outubro de 1999, o programa tem como objetivo premiar financeiramente as instituições policiais que obtenham êxito na apuração de informações captadas pelo Disque-Denúncia. Para isso, a ação policial deve ser veiculada na mídia, ressaltando ter sido originada a partir de informações transmitidas pela organização não governamental.

“Trabalhei em outras delegacias do Estado e nunca vi um município cuja população fica tão indignada com atos de violência como ocorre com os moradores São Gonçalo. Por isso, eles acabam denunciando tais ações criminosas e auxiliando o trabalho policial. Segurança pública não é apenas uma questão policial, exige, também, a participação da sociedade”, comentou um investigador lotado na distrital.

Entre as informações repassadas pela Central do Disque-Denúncia – que acabaram na identificação de autores de crimes de repercussão na cidade – estão as prisões de Luiz Otávio Calvosa Nunes, 30, acusado de matar um comerciante em Itaúna, em novembro de 2009, e de três homens suspeitos de maltratarem idosos em um asilo em Várzea das Moças.

Contudo, o crime que registrou o maior número de cadastros de denúncias no município – aproximadamente 100 – está relacionado ao assassinato da balconista Angélica Maria de Souza, 20, morta durante um assalto à loja de conveniência de um posto de combustível, localizado na Avenida Doutor Eugênio Borges, no bairro Arsenal. A partir das informações, a Polícia identificou os autores do crime, os irmãos Jean Rodrigues da Fonseca Júnior, o “B1”, 21, e André Felipe de Andrade Fonseca, o “B2”, 19, que continuam foragidos. O Disque-Denúncia (2253-1177) oferece R$ 1 mil de recompensa para quem tiver informações que levem à prisão dos acusados.

Já no município vizinho, um levantamento realizado pela Central do Disque-Denúncia aponta que 30% das 4 mil denúncias repassadas pelos moradores de Niterói à organização não-governamental em 2009 são referentes à atuação do tráfico de drogas na região. O município aparece na quinta posição no número de informações sobre atividades criminosas em todo o Estado.

Neste sentido, a ajuda da população no combate à criminalidade acabou refletindo no aumento da atividade policial esse ano com relação ao ano passado, principalmente no número de prisões e na apreensão de armas e drogas.

De acordo com os últimos dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), de janeiro a outubro desse ano, 767 pessoas foram presas em Niterói – 258 detenções a mais do que as registradas no ano anterior –, configurando um aumento de cerca de 50% no número de prisões. As apreensões de drogas tiveram acréscimo de 34,5%, saltando de 284 para 433 registros. Já o número de armas apreendidas pulou de 263 para 308, um aumento de aproximadamente 15%.

Além do tráfico de drogas, informações sobre crimes como estelionato, jogos de azar e roubo a pedestres também aparecem como os mais denunciados pelos moradores de Niterói. Os bairros que registraram maior incidência de denúncias foram Centro, Fonseca e Icaraí, com cerca de 40% do total de informações sobre atividades ilícitas na cidade. A 78ª DP (Fonseca) foi a distrital com maior volume de denúncias encaminhadas e respondidas neste ano em comparação com as outras delegacias do município, que aparecem com 20% de respostas às informações repassadas pela Central do Disque-Denúncia.

Entre as instituições policiais, o 12º BPM (Niterói) aparece no topo da lista, com 32% de respostas às denúncias repassadas pela organização não-governamental.

Coronel Maurício Santos de Moraes

“O Disque-Denúncia é uma ferramenta essencial que a população tem em mãos para informar casos de irregularidades que só a polícia pode combater. Essa parceria com a sociedade tem sido de extrema importância para recolhermos meliantes e apreendermos drogas e, principalmente, armas nas ruas. Por isso, solicito aos policiais que todas as denúncias sejam verificadas de imediato”, comentou o coronel Maurício Santos de Moraes, comandante do 12º BPM.

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