Fotos: Fellippo Brando e Roberto Moreyra

Acusado de ter sido contratado para executar o subsecretário de Transportes de Niterói, Adhemar Reis, o sargento da Polícia Militar Adair Correia da Silva Filho, o “Daizinho”, de 40 anos, foi preso por agentes da 77ª DP (Icaraí), na manhã desta quarta-feira, dia 3 de fevereiro. O PM foi intimado a se apresentar no 35º BPM (Itaboraí) – onde era lotado – e recebeu voz de prisão por força de um mandado de prisão temporário por 30 dias, expedido pela 3ª Vara Criminal de Niterói.

De acordo com o delegado titular da distrital, Mário Luiz da Silva, o sargento foi reconhecido por uma testemunha-chave do inquérito policial como o autor dos três disparos que mataram o subsecretário, no último dia 20. A vítima investigava fraudes nas concessões de autonomias para taxistas no município, esquema que ficou conhecido como a “máfia dos táxis”.

“Tudo levar a crer que ele foi contratado para cometer esse crime, pois não havia qualquer motivo pessoal para cometê-lo. Mas a investigação não se encerra com essa prisão. O próximo passo é identificar o mandante da morte do Adhemar e o homem que estava no veículo com esse policial”, explicou o delegado.

Os policiais contaram que chegaram ao acusado a partir de uma denúncia anônima que apontava um homem conhecido como “Daizinho” como o autor do crime. Cerca de 20 agentes da 77ª DP e da Corregedoria Geral Unificada (CGU) participaram da ação que terminou com a prisão do sargento, por volta das 11 horas.

“Nos dividimos em duas equipes para tentar prendê-lo em sua residência, no Pacheco, em São Gonçalo, já que havia informação que ele não estaria de serviço. Não o encontramos em casa, portanto deixamos um mandado de prisão com familiares para que ele se apresentasse no batalhão. Antes do meio dia, o policial já estava espontaneamente na unidade militar”, afirmou o diretor operacional da Corregedoria Geral Unificada (CGU), delegado Jayme Berbat Filho.

Satisfeito por chegar ao autor dos disparos que mataram o subsecretário, mas triste pelo fato do acusado ser um policial militar. Foi dessa maneira que o delegado Mario Luiz da Silva resumiu a prisão efetuada por sua equipe e ainda revelou uma curiosa coincidência. O sargento Adair Correia da Silva Filho ingressou na PM no mesmo dia em que o hoje titular da delegacia de Icaraí entrou para a corporação como soldado, no dia 11 de setembro de 1986.

“Não fico feliz em prender um policial. É doloroso para os bons profissionais ver um agente público praticar um crime como esse. Não podemos deixar que isso manche uma instituição tão valorosa, que é a Polícia Militar”, comentou o delegado.

Da máfia das vans a máfia dos táxis – Candidato a uma vaga no Lesgislativo de São Gonçalo nas últimas duas eleições (2004-2008), “Daizinho” possui uma extensa ficha criminal, com anotações por homicídio, extorsão e formação quadrilha.

Segundo os agentes, a maioria desses crimes está associada ao envolvimento do policial na disputa pelo controle do transporte alternativo em São Gonçalo, a chamada “máfia das vans”, responsável por 50 homicídios na região nos últimos 10 anos.

Em novembro de 2008, o ele e outras 30 pessoas – a maioria delas policiais militares e civis – foram presos por agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) sob a acusação de extorquir motoristas de vans a partir da imposição de um pedágio para circular em determinadas áreas no município. Os motoristas que não se adequassem ao esquema eram mortos pelos criminosos, que passavam a assumir a cooperativa a qual a vítima era associada.

O grupo, ainda segundo as investigações, atuava sob o comando do sargento reformado da Marinha e ex-vereador do município Edson da Silva Mota, o Mota da Copasa, de 54 anos, presidente da Cooperativa de Transportes Santa Isabel. Ele e seus dois filhos, sendo um deles ex-PM, também foram presos pela polícia civil, que cumpriu 45 mandados de prisão e 70 de busca e apreensão.

Na ação, 31 pessoas acusadas de envolvimento com a Máfia das Vans na Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro foram presas. Entre elas, oito policiais militares da ativa, um PM reformado, um policial civil e cinco ex-PMs.

Execução – Adhemar Reis, 68 anos, foi morto quando saía de casa, na Rua Joaquim Távora, em Icaraí, na Zona Sul de Niterói. Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), no Centro, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na mesa de cirurgia. O subsecretário investigava um suposto esquema que consistia na venda de falsas autonomias de táxi.

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