Um PM morto a cada 24 horas

Publicado: 23 de julho de 2010 em Uncategorized

Do último domingo, dia 18 de julho, a esta quinta-feira, dia 22, cinco policiais militares morreram no Estado do Rio de Janeiro. As últimas vítimas foram o sargento Marcelo de Menezes Cantizani, 41 anos, do 15º BPM (Duque de Caxias), atropelado por um caminhão de lixo enquanto abordava um carro suspeito, e o soldado Alan de Moura Barbosa, 32, do 16º BPM (Olaria), baleado ao reagir a uma tentativa de assalto quando se dirigia para o trabalho.

O primeiro caso ocorreu na Rodovia Washington Luiz, na altura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O sargento Cantizani se preparava para fazer a abordagem de um carro suspeito que saía da Favela Beira Mar quando o motorista de um caminhão de lixo que prestava serviço para a Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) perdeu o controle da direção após ser fechado por outro veículo e acabou atropelando o PM.

O outro caso foi em Cordovil, na Zona Norte do Rio, onde o soldado Alan Moura Barbosa, 32, se tornou mais uma vítima do Bonde do Mão. (Leia mais sobre o Bonde do Mão: AQUI)

Lotado no 16º BPM (Olaria), o PM se dirigia para o batalhão quando se deparou com os criminosos, na Estrada do Porto Velho, por volta das 7h20. Ao reagir à tentativa de assalto, acabou sendo baleado pelas costas. Ele foi atingido no pescoço e nas nádegas e morreu no local.

Uma outra pessoa que passava pelo local também ficou ferida. No volante do Versailles placa LJC 1950, Antônio Dias de Araújo, 54, foi baleado nos olhos e na perna direita. Levado para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, Penha, ele passou por cirurgia durante cinco horas e permanecia internado na unidade em estado gravíssimo, até a noite.

A ação dos bandidos começou em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, quando cinco homens — armados com fuzis, encapuzados e usando coletes à prova de balas com a inscrição “Polícia” — sequestraram o empresário Alexandre Luís Videira da Silva, 40, no estacionamento do Caxias Shopping. A vítima foi obrigada a entrar no Gol preto placa KXX 2477, também roubado e onde havia três criminosos, e acompanhar os outros criminosos que fugiam em sua BMW. Pouco depois, um motociclista foi feito refém e teve a moto levada por um bandido. O grupo seguiu em direção ao Rio.

Na altura do número 874 da Estrada do Porto Velho, o assaltante que dirigia o BMW fechou o Audi A3 placa LNC 3425, dirigido pelo soldado Alan, que estava à paisana. Ele reagiu e houve intenso tiroteio. O PM acabou sendo surpreendido pelos disparos feitos pelos ocupantes do Gol, que vinha logo atrás. No confronto, o motorista do Versailles foi vítima de duas balas perdidas.

A Polícia afirmou que os bandidos fazem parte da quadrilha de Emerson Ventapane da Silva, o Mão, 37 – considerado o principal responsável por ataques a motoristas em bairros da Zona Norte e de municípios da Baixada Fluminense.

“Por meio de fotografias, as vítimas reconheceram dois dos cinco bandidos. Eles fazem parte do Bonde do Mão, desconfiaram que o motorista do Audi era um policial e queriam roubar a arma dele”, declarou um dos policiais responsáveis pelas investigações.

Na fuga, ainda na via, os criminosos roubaram um Tucson preto, de um casal que tinha acabado de sair da garagem. Policiais da Divisão de Homicídios (DH) estiveram no local e realizaram perícia por duas horas, tempo em que o trânsito na Estrada do Porto Velho ficou interditada.

Leia mais sobre o Bonde do Mão:
Policiais deram uma mãozinha pro Bonde do Mão

Também nesta quinta-feira, o corpo do sargento Isaías Alves Santana, 45, foi enterrado no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste do Rio. Lotado no 4º BPM (São Cristóvão), o sargento morreu após ser baleado pelo também sargento Alexandre de Cunha Araújo, 39, durante uma discussão ocorrida na tesouraria do batalhão. O sargento que fez os disparos saiu do batalhão e roubou um carro para fugir.

Ele dirigiu até o prédio do Departamento de Trânsito (Detran) na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, onde pretendia se entregar à Corregedoria Geral Unificada (CGU), e acabou preso por outros policiais do 4º BPM. Enquanto o enterro era realizado, o atirador era encaminhado para o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Henrique Roxo, no Centro de Niterói.

Já na segunda-feira, dia 19 de julho, o tenente Edson Oliveira Silva, 48, morreu no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, para onde foi levado após ter sido baleado diversas vezes na Rua Pinto Teles, na Praça Seca, na Zona Oeste do Rio. Lotado no 3º BPM (Méier), o PM estava no interior de seu veículo – uma caminhonete Tucson preta – acompanhado por Aglaise Juliana Nascimento Santos, 21, que também foi atingida e também não resistiu aos ferimentos. O casal voltava de uma festa. De acordo com a Polícia, havia 21 marcas de tiros na Tucson.

Lotado no Departamento Geral de Pessoal do Quartel-General da PM, o cabo Claudecir Paranhos Itaboraí, 36, morreu após ser baleado dentro do alojamento do Posto Fiscal de Nhangapi, no km 324 da Rodovia Presidente Dutra, em Itatiaia, na Região Serrana do Rio, no domingo, dia 18 de julho. O policial, que estava cedido à Secretaria de Governo de Estado para a Operação Barreira Fiscal – que visa coibir a sonegação de impostos – foi atingido pelo colega de farda, o sargento José Alberto dos Santos Rocha, 45.

Cabo da Polícia Militar Claudecir Paranhos Itaboraí, 36 anos

Natural de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, o cabo Itaboraí ainda foi socorrido e levado ao Hospital de Emergência de Itatiaia, mas não resistiu aos ferimentos. O disparo teria sido acidental. O sargento estava deitado na parte superior de um beliche e o tiro aconteceu no momento em que ele se levantou para pegar o cinto com o coldre. O revólver calibre 38 dele teria caído no chão e disparado. O cabo Itaboraí estava sentado na cama, calçando o coturno, quando foi atingido. O sargento está acautelado no Hospital Central da Polícia Militar (HCPM), no Estácio, na região central do Rio. Conforme a junta médica, ele não tem condições psicológicas para ficar preso no Batalhão Especial Prisional (Bepe), em Benfica, na Zona Norte do Rio.


Veja os números completos:
Estatística de Policiais Mortos e Baleados no Estado do Rio em 2010

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comentários
  1. Juliano Patrich disse:

    Lamento muito ,mas essas ocorrências são o reflexo de uma instituição que já tinha que ter reformulado seus regulamentos que são arcaicos, destinados ao favorecimento (como sempre) das castas que insistem em que a divisão de classes deve permanecer , ainda que às custas da honra e da lealdade.Valores esses que tem sido esquecidos,dado nosso afastamento de Deus.
    Contudo deixo uma grande certeza para os policiais militares do Rio de Janeiro.Ainda são nossos heróis.

    Abração pra Roberta Trindade!

  2. ilton iorio disse:

    A tristeza de se perder um ente familiar é grande, maior ainda é a dor ao ler uma nota da imprensa onde informações levianas passadas pela própria assessoria de imprensa da corporação denigrem a imagem daquele que teve sua vida ceifada de uma forma bruta e estúpida dentro de seu trabalho. A verdade é que meu pai foi morto por uma pessoa que também o chamava de pai, eram muito amigos, em momento algum eles discutiram ou brigaram, e que no momento em que morreu meu pai estava de olhos fechados levando a palavra de DEUS para se “filho”, pois este estaria passando por problemas na família. Só DEUS sabe o porquê de tamanha violência e somente a ELE cabe julgar a atitude deste Sargento que para mim também era meu irmão, pois o meu pai o considerava como um filho. Farei de tudo para que todos saibam que a pessoa maravilhosa que você foi pra mim. Pai te amo. Ilton Iorio

  3. Antonio Jorge Gonçalves Moreira disse:

    Em nenhum momento declarei a qualquer profissional da imprensa que os autores desta covardia pertenciam ao “bonde do mão”. Primeiramente por não ser leviano em acusar sem a conclusão da investigação e, além do mais confiar em outro profissional distante da responsabilidade de preservar sigilo seria outro erro da minha parte. É por essas e outra que caímos em descrédito: os policiais pelos desvios de conduta da MINORIA e os jornalistas pelas MENTIRAS DA MAIORIA!

  4. […] This post was mentioned on Twitter by Roberta Trindade, Roberta Trindade. Roberta Trindade said: Um PM morto a cada 24 horas: http://wp.me/p4i7R-1gd […]

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