Disque-Denúncia estreia novo canal

Publicado: 25 de agosto de 2010 em Uncategorized

Após ficar estadualmente conhecido pelo número 2253-1177, o Disque-Denúncia – que completou neste mês 15 anos – vai estrear um novo canal para quem quiser auxiliar investigações, ajudar na localização de criminosos e colaborar com a apreensão de armas e drogas: as mensagens eletrônicas. E com o mesmo sigilo dirigido a quem usa o telefone: não é preciso se identificar e o anonimato é garantido.

“Nosso próximo desafio é a internet. Estamos nos preparando para receber denúncias por e-mail a partir de setembro”, contou o coordenador do Disque-Denúncia, Zeca Borges, que revelou qual foi a maior dificuldade enfrentada pela Organização Não-Governamental (ONG) na época de sua criação, em agosto de 1995.

“A maior dúvida que tínhamos era em relação à credibilidade da população e da Polícia. Não sabíamos se a população ia acreditar no serviço e tínhamos dúvida se a Polícia ia atender as informações recebidas que repassássemos. Sabíamos que não conseguiríamos sem a participação de todos”, lembrou Zeca.

Orgulhoso por ter sido um dos responsáveis por incentivar a mobilização popular em casos de violência – hoje, o serviço Disque-Denúncia já existe em outros 14 estados – e também a criação de outros números para recebimento de denúncias de diferentes segmentos.

“O mais importante é que nós inauguramos a participação do cidadão na execução dos serviços. Hoje em dia tem Disque-Idoso, Disque-Deficiente, Disque-Tudo. As pessoas deixaram de ser observadoras para ser agentes. O cidadão foi trazido a campo”, ressaltou o coordenador do Disque-Denúncia do Rio de Janeiro.

“Nós fazemos o gerenciamento de alguns DD, como os de Pernambuco, Pará e Maranhão, e com outros nós colaboramos”, explicou.

Se há 15 anos o serviço recebia 50 denúncias por dia, a média atualmente é de 350 ligações, totalizando mais de 1 milhão e 450 mil denúncias registradas desde sua inauguração. O número de casos solucionados também impressiona: mais de 100 mil, entre prisões, recuperação de veículos e apreensões de drogas, armas, munições, balões e caça-níqueis.

O maior número de informações foram repassadas por moradores da cidade do Rio de Janeiro, seguidos por Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e São Gonçalo, na Região Metropolitana. Já os assuntos mais denunciados foram tráfico de drogas (27.19%), crimes contra o patrimônio (21,49%) e crimes contra a pessoa (9,05%), seguidos por crimes contra a administração pública (7,50%), crimes contra a criança e adolescente (5,82%) e perturbação da ordem pública (5,26%).

“O que gera as prisões é a campanha de recompensa, que faz com que o criminoso tenha que se movimentar. Essa movimentação dele facilita o trabalho da Polícia. A recompensa oferecida, na verdade, é muito pouca”, explicou Zeca Borges, destacando que a maioria das pessoas sequer aparece para receber o dinheiro.

Um dos casos mais curiosos que marcaram a história do Disque-Denúncia ocorreu em 1996. Uma das primeiras recompensas oferecidas foi recusada por um denunciante que ajudou a esclarecer um seqüestro e evitar outro.

“Seis meses depois, recebi uma ligação dele, perguntando se eu lembrava do caso e perguntando se o dinheiro ainda estava de pé. Ele explicou que estava desempregado há quatro meses e nós fizemos o pagamento”, lembrou Zeca.

“Os denunciantes de crimes ambientais, como o caso dos balões, sempre vêm buscar. Eles não têm tanto medo”, afirmou, revelando que a maior recompensa paga – R$ 10 mil – foi para um denunciante que ajudou na prisão de Daniel César dos Santos, o Neguinho Dan.

Daniel César dos Santos, o Neguinho Dan, 29 anos

Em junho de 2000, uma ligação para o Disque-Denúncia levou a Polícia a localizar o criminoso, que havia matado a estudante Ana Carolina da Costa Lino, 18, durante assalto na saída do túnel Santa Bárbara, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. O crime ocorreu em abril de 1998.

Sete anos depois, Neguinho Dan – que foi condenado a 33 anos de prisão pela participação no latrocínio (roubo seguido de morte) – conquistou o benefício a cumprir parte da pena no regime semi-aberto, no Instituto Penal Edgar Costa, no Centro de Niterói, e não voltou para a cadeia. Foragido desde junho de 2007, ele acabou morto em março do ano seguinte, aos 29 anos.

Armado com um revólver Taurus calibre 38, ele tentou roubar a bolsa de uma mulher da mesma idade, que tinha acabado de sacar R$ 4 mil da agência do Itaú na Rua das Laranjeiras. A vítima reagiu e se atracou com o bandido, que sacou a arma. Ao ver a cena, um homem que passava o imobilizou e tomou sua arma. Ao tentar fugir a pé, Neguinho Dan foi atingido por dois tiros na cabeça e acabou morrendo no mesmo bairro onde havia matado a estudante.

Um dos episódios de maior repercussão, que registrou 67 denúncias, foi a tragédia que ficou conhecida como “Caso João Hélio”, ocorrida em 2007. Na ocasião, o menino João Hélio Fernandes Vieites, então com 6 anos de idade, morreu após ficar preso ao cinto de segurança e ser arrastado, durante fuga de criminosos que roubaram o carro de sua mãe, por sete quilômetros ao longo de quatro bairros localizados na Zona Norte do Rio.

“Foi um dos nossos recordistas de denúncias. A comoção foi tanta, que tinha gente que ligava se oferecendo para contribuir. Muitas pessoas queriam doar dinheiro para aumentar a recompensa”, relembrou Zeca Borges.
No dia 7 de fevereiro daquele ano, a comerciante Rosa Cristina Fernandes, então com 41 anos, voltava para casa com os filhos Aline, 13, que viajava ao seu lado, no banco dianteiro do automóvel, e João Hélio, que estava preso na cadeirinha, sentado no banco traseiro, ao lado de uma amiga da família.

Ao parar em um sinal na Rua João Vicente, próximo à Praça do Patriarca, em Oswaldo Cruz, três homens armados a abordaram dando ordem para que eles saíssem do veículo, o Corsa Sedan placa KUN 6481. Todos conseguiram sair do carro, menos João Hélio. A mãe dele ainda avisou aos assaltantes que o menino não havia conseguido se soltar do cinto de segurança. Um dos bandidos bateu a porta e eles arrancaram com o veículo em alta velocidade. Com o menino preso pelo lado de fora do veículo, os criminosos o arrastaram por sete quilômetros, passando pelos bairros de Oswaldo Cruz, Madureira, Campinho e Cascadura.

Motoristas e um motoqueiro que passavam no momento sinalizaram com os faróis. Os ladrões ironizaram dizendo que “o que estava sendo arrastado não era uma criança, e sim um mero boneco de Judas”, e continuaram a fuga arrastando o corpo do menino pelo asfalto.

Segundo testemunhas, moradores gritavam desesperados ao ver a criança sendo arrastada pelas ruas. Os criminosos abandonaram o carro com o corpo do menino pendurado do lado de fora, com o crânio esfacelado, na Rua Caiari, uma via sem saída, em Cascadura, também na Zona Norte, e fugiram. O corpo do garoto ficou totalmente irreconhecível. Durante o trajeto, ele perdeu vários dedos e as pontas dos mesmos, além da cabeça, que não foi totalmente localizada. Cinco assaltantes, entre eles um menor, foram acusados de participação no crime. Todos foram presos.

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comentários
  1. Mauro disse:

    Denúncia: em NOva aurora municipio e belford roxo, niguém consegue apreeder ‘as maquinas caça niqueis, creio que somente a polícia federal vai conseguir. Os pais e familia perdem tudo o que ganham, vai pra casa sempre sem nada e niguém faz nada. Quero ver a polícia federal apreender todos essas porcarias, porque a polícia militar é conivente.
    Conto com voces.

  2. PAULO EDUARDO disse:

    Foi horrível o que aconteceu com o João Hélio.Meu deus,sem palavras.Um caso deste,na minha opinião tem que ter pena de morte por fuzilamento.O que me deixa fulo da vida é saber que os quatro monstros estão soltos.Brasil,francamente que país é esse onde o assassino é solto e nos cidadãos de bem temos que nos trancar em casa?

  3. Paulo Eduardo disse:

    QUE JUDIAÇÃO!ELE NÃO MERECIA MORRER DESSA FORMA!!!

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