Arquivo de 21 de setembro de 2010

Traficante baiano pode estar escondido no Rio

Publicado: 21 de setembro de 2010 em Uncategorized

Apontado pela Polícia como traficante número 1 da Bahia, Fagner Souza da Silva, o Fal, 29 anos, pode estar escondido em uma favela do Estado do Rio de Janeiro controlada pelo Comando Vermelho (CV). Líder da facção criminosa baiana Comando da Paz (CP), ele – que estaria usando o nome de “Antônio” – também tem parceria com a facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e já teria passado por São Paulo.

De acordo com investigações, Fal é responsável pela morte de vários policiais no Estado da Bahia. Contra ele – que responde a seis inquéritos e três processos – há um mandado de prisão. Segundo a Polícia, Fal começou no mundo do crime praticando saidinhas de banco – quando a pessoa é seguida e assaltada após efetuar saque em agência bancária ou caixa eletrônico.

Atualmente, ele é o principal traficante de drogas da Bahia, mantendo sociedade com o PCC, que é aliado do CV. Na última segunda-feira, dia 20, agentes da Superintendência de Inteligência do Sistema Penitenciário (Sispen), da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), prenderam um homem apontado como integrante do PCC. Identificado como Andrey de Paula Mascarenhas, ele carregava 8 kg de crack.

Os agentes afirmaram que a droga vinha de São Paulo para abastecer as favelas do Complexo do Alemão, na Penha, na Zona Norte do Rio. Natural de Ribeirão Preto, ele foi surpreendido pela equipe do Sispen quando saía da Favela Vila Kennedy, em Bangu, na Zona Oeste. A comunidade – assim como o Alemão – é controlada por traficantes do CV. A ocorrência foi registrada na 33ª DP (Realengo).

Também conhecida pelos números 15.3.3 – a letra “P” era a 15ª letra do alfabeto português e a letra “C” é a terceira – a facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) foi fundada no dia 31 de agosto de 1993 por oito presidiários, no Anexo da Casa de Custódia de Taubaté, conhecida como “Piranhão” e localizada a 130 quilômetros da cidade de São Paulo. Para escapar da punição após uma briga ocorrida durante uma partida de futebol que resultou em várias mortes, eles resolveram iniciar um pacto de confiança.

Os fundadores da facção paulista foram Misael Aparecido da Silva, o Misa, 41 anos, Wander Eduardo Ferreira, o Eduardo Gordo, Antônio Carlos Roberto da Paixão, o Paixão, Isaías Moreira do Nascimento, o Isaías, Ademar dos Santos, o Dafé, Antônio Carlos dos Santos, o Bicho Feio, César Augusto Roris da Silva, o Cesinha, e José Márcio Felício, o Geleião.

O PCC, que foi chamado no início de Partido do Crime, afirmava que pretendia “combater a opressão dentro do sistema prisional paulista” e “vingar as mortes dos 111 presos”, ocorridas no dia 2 de outubro de 1992, no que ficou conhecido como “Massacre do Carandiru”. Na ocasião, a PM matou presidiários no pavilhão 9 da extinta Casa de Detenção de São Paulo.

O grupo usava o símbolo chinês do equilíbrio yin-yang em preto e branco, considerando que era “uma maneira de equilibrar o bem e o mal com sabedoria”. Em fevereiro de 2001, Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra – também chamado de “pai” – 41, tornou-se o líder mais expressivo da organização ao coordenar, por telefone celular, rebeliões simultâneas em 29 presídios paulistas, que resultaram na morte de 16 presos.

Ele acabou espancado até a morte, cinco meses depois, por cinco comparsas em uma disputa interna pelo comando geral do PCC. A partir de então, a facção passou a ser liderada por Geleião e Cesinha, responsáveis pela aliança do grupo com o Comando Vermelho. Os dois começaram a coordenar atentados violentos contra prédios públicos, a partir do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, onde se encontravam detidos.

Considerados radicais por uma outra corrente do PCC, Geleião e Cesinha usavam atentados para intimidar as autoridades do sistema prisional e foram depostos da liderança em novembro de 2002, quando o grupo foi assumido por Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, 42. Além de depostos, foram jurados de morte sob a alegação de terem feito denúncias à Polícia e criaram o Terceiro Comando da Capital (TCC). Pouco depois, Cesinha foi assassinado em presídio de Avaré, São Paulo.

Sob a liderança de Marcola, também conhecido como Playboy, atualmente detido por assalto a bancos, o PCC teria participado do assassinato, em março de 2003, do juiz-corregedor Antônio José Machado Dias, o Machadinho, que dirigia o Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes.

Com o objetivo de conseguir dinheiro para financiar o grupo, os membros do PCC exigem que os integrantes da facção paguem uma taxa mensal de R$ 50, se estiverem detidos, e de R$ 500, se estiverem em liberdade. O dinheiro é usado para comprar armas e drogas, além de financiar ações de resgate de presos ligados ao grupo.

Diante do enfraquecimento do Comando Vermelho no Rio, que tem perdido vários pontos de venda de drogas, o PCC aproveitou para ganhar campo comercialmente e chegar à atual posição de maior facção criminosa do país, com ramificações em presídios de vários estados do Brasil como Mato Grosso do Sul, Paraná, Bahia e Minas Gerais.

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