Arquivo de 25 de setembro de 2010

Criminosos da facção Comando Vermelho (CV) que controlam a venda de drogas no Morro do Zulu, em Santa Rosa, na Zona Sul de Niterói, estão usando coletes à prova de balas. A descoberta foi feita por policiais da Delegacia de Dedicação Integral ao Cidadão (Dedic) da 77ª DP (Icaraí) durante a Operação Sufoco.

Na ação, os agentes prenderam Elso da Conceição Mendonça, o Bigú, 19 anos, e apreenderam dois menores – conhecidos como Sementinha e DN, ambos de 17 anos. Este último já possuía passagem por roubo. Todos são acusados de porte ilegal de arma de fogo de calibre restrito, tráfico de drogas e associação para fins de tráfico.

Os policiais realizavam operação para reprimir a venda de drogas quando surpreenderam o trio no interior de uma residência no Morro do Zulu. Na mesma ação, foram apreendidos 90 sacolés de cocaína, 148 pedras de crack, 130 trouxinhas de maconha, 100 trouxinhas de maconha hidropônica , 19 frascos de cheirinho da loló e uma pistola nove milímetros com cinco munições, além de dois carregadores de pistola calibre 380, um rádio transmissor, um aparelho de telefone celular, um coldre de pistola, farto material para endolação das drogas e anotações da contabilidade do tráfico no local.

Todo o material apreendido foi encaminhado ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), onde serão submetidos à perícia. Já o preso foi levado para uma carceragem da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), enquanto os menores ficaram à disposição do Juizado da Infância e Adolescência.

A expressão popular “Perdeu, Playboy” nunca fez tanto sentido como após a ação da Subsecretaria de Inteligência (SSINTE) da Secretaria de Estado de Segurança Pública, que terminou com a prisão de 16 jovens de classe média acusados de vender drogas. Batizada como Operação Consórcio, a investigação teve início há quatro meses, em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecco) do Ministério Público e contou com apoio da Polícia Militar e das polícias Civil de São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, nesta quarta-feira, dia 22 de setembro.

“As operações que visam o enfraquecimento dos traficantes e a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nos morros e favelas do Rio acabaram fazendo surgir um novo tipo de tráfico, que é esse realizado por pessoas de classe média que possuem boa formação”, destacou o chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski.

Inicialmente, o grupo comprava drogas de traficantes do Complexo de Manguinhos, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio. Posteriormente, descobriram que podiam aumentar os lucros adquirindo o material entorpecente diretamente dos fornecedores. De acordo com as investigações, Pedro Cerqueira Magdalena, o Gordo, 27 anos, resolveu se consorciar com outras pessoas.

“Eles visam, através do consórcio, não só o consumo, mas principalmente o lucro. Eles contratam uma remessa da droga pro Rio e distribuem para suas áreas de conhecimento”, ressaltou Turnowski.

Escondido em uma mansão no bairro Praia Brava, em Búzios, na Região dos Lagos, Gordo estava dormindo no momento em que agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) invadiram o imóvel – cujo aluguel era de R$ 3 mil por mês. Ele estava acompanhado por Carlos Eduardo Lopes da Silveira, 34, e Daniel de Souza Gomes, 27, que também foram presos.

Na mansão, os policiais ainda apreenderam anotações da venda de drogas, uma lancha, uma moto, um carro, nove celulares, uma agenda telefônica, um laptop, US$ 100 e R$ 843. Ainda em Búzios, foram presos Diego Pereira Ribeiro Krause, o Cara de Macaco, 24, e Daniel Navarrete Pimentel, o Beicinho, 29.

A ação mobilizou cerca de 80 policiais civis, que tiveram apoio do helicóptero do Grupamento Aeromarítimo (GAM) da Polícia Militar), com o objetivo de cumprir 17 mandados de prisão e 15 de busca e apreensão.

“Esse tipo de assédio é pior, pois podemos controlar a ida de nossos filhos ao morro, mas essas pessoas freqüentam os mesmos ambientes que eles, como boates, praias. Há o risco dos nossos filhos começarem a ver esses jovens como ídolos. É preciso prestar atenção nas amizades e desconfiar se um jovem começa a chegar em casa com dinheiro fácil. O resultado final acaba sendo a desgraça da família”, enfatizou Alan Turnowski.

O subsecretário de Inteligência, Rivaldo Barbosa, afirmou que a operação não terminou e que há outros alvos em São Paulo e Mato Grosso do Sul que já foram identificados. Ele disse, ainda, que acredita que a quadrilha agia há cerca de oito meses, não só na Região dos Lagos, mas também em Niterói, Laje do Muriaé e Macaé, no Norte Fluminense, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Guarapari, no Espírito Santo.

“A operação ainda não terminou e já solicitamos à Justiça a quebra do sigilo bancário dos presos para saber qual era o movimento financeiro da quadrilha”, disse Rivaldo Barbosa.

O delegado Carlos Abreu, da SSINTE – órgão responsável por investigações que dão suporte para as polícias em suas operações – declarou que a principal droga vendida pela quadrilha era a maconha hidropônica (cultivada à base de água e com maior concentração do princípio ativo), cujo quilo era comprado por R$ 1.300 diretamente de um fornecedor paulista.

“Eles também compravam e vendiam cocaína e crack, mas o principal era a maconha hidropônica. Já existia o envolvimento de jovens de classe média com o tráfico de drogas sintéticas, mas essa quadrilha atuava de forma diferenciada. Eles conseguiam comprar mais por um preço menor”, enfatizou Abreu.

Em Icaraí, na Zona Sul de Niterói, foram presos os irmãos Marcelo Fróes da Silva, 28, que era DJ, e André Fróes da Silva, 31. Na casa do primeiro, os policiais encontraram 10 quilos de maconha. As namoradas dos irmãos acabaram detidas porque estavam junto com eles no momento da ação. No mesmo bairro, foi preso Gabriel Petrucci Fonseca, o Bill, 26. Já em Santa Rosa, também na Zona Sul de Niterói, foi preso Leonardo Neves de Almeida, o Leão, 33, e Marcos Vinícius de Souza Veiga, 20.

Conhecido como Serginho do Turano, Sérgio Paloma Torres, 24, foi surpreendido em Macaé. Morador do Morro do Turano, no Rio Comprido, na Zona Norte do Rio, ele saiu da comunidade antes da implantação da UPP e repassava drogas para viciados de Búzios. Como era oriundo de uma favela controlada pelo Comando Vermelho (CV), não traficava em Macaé, que pertence à facção criminosa rival Amigos dos Amigos (ADA).

Em São Paulo, foi efetuada a prisão de Leandro da Lima Alcântara, o Titio. Um homem que estava com ele e foi flagrado com uma pistola 380 acabou preso em flagrante por porte ilegal de arma. Ainda na capital paulista, foram presos os homens conhecidos como “Walter Gordão” e João Paulo. No Espírito Santo, foi preso Gerson Garcia da Cerqueira Neto, o Gessinho, que é tio de Gordo. A Polícia acredita que a quadrilha vendia cerca de 150 quilos de maconha por mês.

Dos 17 mandados de prisão expedidos pela Justiça, 13 foram cumpridos. Outras três prisões foram efetuadas em flagrante. Até o final da tarde de ontem, quatro acusados continuavam foragidos.