Arquivo de outubro, 2010

Uma carta com um conteúdo “explosivo” pode ser indício de uma série de ataques planejados por criminosos da facção Comando Vermelho (CV) a locais públicos e agentes de segurança. Entre os endereços escolhidos para os atentados, está a Ponte Presidente Costa e Silva – mais conhecida como Ponte Rio-Niterói por fazer a ligação entre os dois municípios. De acordo com a concessionária Ponte S/A, cerca de 140 mil veículos atravessam diariamente a via.

A ordem teria partido do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, 33 anos. Seria ele – que está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná – o autor de uma carta apreendida em um dos presídios do Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio.

Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, 33 anos

Considerado um dos líderes do CV, ele é nascido e criado em Vila Norma, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense – onde, na última quarta-feira, dia 27 de outubro, um Posto de Policiamento Comunitário (PPC) do 21º BPM (São João de Meriti) foi atacado a tiros.

O conteúdo da mensagem também está sendo divulgado por parentes e amigos de Marcinho VP, que ainda tem familiares morando em Vila Norma. A ordem seria atacar postos da PM e colocar uma bomba na Ponte Rio-Niterói. Com extensão total de pouco mais de 13 quilômetros – sendo 8,83 sobre a água – a Ponte Rio-Niterói possui seu ponto mais alto a 72 metros de altura.

Inaugurada no dia 4 de março de 1974 – pouco mais de cinco anos após o início das obras – tinha a previsão de ter um tráfego diário de cerca de 5 mil caminhões, 2 mil ônibus e 9 mil carros. O número, hoje, é quase dez vezes maior e a construção, atualmente, é considerada a maior em concreto protendido (tipo de concreto armado no qual a armadura ativa sofre um pré-alongamento, gerando um sistema auto-equilibrado de esforços: tração no aço e compressão no concreto) do Hemisfério Sul e a sexta maior ponte do mundo.

Por ser o caminho mais utilizado por quem sai do Rio de Janeiro em direção às cidades das regiões Serrana e dos Lagos, a Ponte Presidente Costa e Silva costuma receber um volume ainda maior de veículos em época de férias, feriados e vésperas de finais-de-semana prolongados.

“A informação que recebemos é de que essa ação pode ser cometida no domingo do segundo turno das eleições, pois como na terça-feira seguinte é feriado, muita gente vai viajar depois do voto”, revelou um agente da Superintendência de Inteligência do Sistema Penitenciário (Sispen) da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

As ameaças foram encaminhadas à Subsecretaria de Inteligência (SSInte) da Secretaria de Estado de Segurança Pública, que tem coordenado ações para impedir os atos de violência ameaçados por integrantes do CV.

Em fevereiro deste ano, a Polícia já havia apreendido um bilhete escrito à mão endereçado à Vila Norma e cujo conteúdo foi atribuído ao traficante Marcinho VP. Na época, a orientação era para que comparsas queimassem ônibus e matassem autoridades caso algo fosse feito contra sua família. A determinação foi dada depois que outro cabeça do CV, Isaías da Costa Rodrigues, o Isaías do Borel, viu familiares sendo presos na operação Família S/A, realizada por equipes da 19ª DP (Tijuca).

O bilhete, com data de 1º de fevereiro, dizia: “Amigo, fica na atividade aí que é pra dar um toque na família do patrão. Aquela mulher que foi vê-lo no sofrimento falou que vão fazer igual à família do Isaías. A ordem é pra botar fogo nos ônibus e matar as autoridades. Eles querem guerra, vão ter guerra”. O recado teria sido trazido por uma mulher que foi ao Paraná visitar o traficante.

“Pela investigação acreditamos que a mensagem chegou no Complexo do Alemão e foi distribuída para as favelas da mesma facção. Na parte de trás do papel estava escrito que aquele bilhete deveria ser entregue para a Favela Vila Norma”, explicou, na época, o delegado Júlio da Silva Filho, então titular da 57ª DP (Nilópolis).

A Operação Família S.A. foi realizada no final do mês de outubro do ano passado, com o objetivo de cumprir 36 mandados de prisão – sendo 31 preventivas e cinco temporárias – 25 de busca e apreensão e um mandado de seqüestro de bens. Do total, 23 foram cumpridos – sendo que foram presas 10 pessoas, no dia 30 de outubro de 2009, e outras 13 já estavam detidas. Entre elas, Isaías do Borel e William Rodrigues Silva, o Robocop, que é seu sobrinho.

Isaías da Costa Rodrigues, o Isaías do Borel

Entre os presos, acusadas pela Polícia de levar e trazer recados dos traficantes durante as visitas, estavam Flávia dos Santos Oliveira, mulher de Robocop, e Sílvia Regina Rosário Rodrigues e Emília Costa Rodrigues, respectivamente mulher e irmã de Isaías do Borel – que está preso há 17 anos, sendo dois na Penitenciária Federal de Catanduvas, considerada de segurança máxima.

Na mesma unidade em que estão Isaías e Marcinho VP também está o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, 43 – preso em 2002 e condenado a 28 anos e meio pela morte do jornalista Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento, o Tim Lopes – assassinado aos 51 anos.

Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, 43 anos

Quase um ano após a prisão de familiares de Isaías do Borel, a mulher de Elias Maluco também está sendo investigada. Policiais da 32ª DP (Taquara) apuram se o patrimônio dela – estimado em R$ 2 milhões – é compatível com a renda que ela declarou ter como estagiária em um escritório de advocacia. De acordo com a Polícia, ela é suspeita de lavagem de direito e associação para o tráfico.

O delegado Leandro Aquino, adjunto da 32ª DP, afirmou que o inquérito foi instaurado em agosto, após o recebimento de uma denúncia anônima, e que equipes da distrital estiveram na casa da acusada, em um condomínio no Anil, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, na última quarta-feira, dia 27. Policiais apreenderam computadores, documentos, joias e cartas enviadas por Elias Maluco no imóvel, que tem três andares e uma piscina onde há a frase “Silvania ama Elias”.

Ainda segundo a Polícia, ela também teria outros dois imóveis em seu nome, sendo um em Maria da Graça, na Zona Norte, e outro ainda em construção, na Barra da Tijuca, também na Zona Oeste. Além disso, tem quatro carros e viaja constantemente para Catanduvas, onde o marido está preso há cerca de quatro anos.

Irmão de Marcinho VP, Marcelo da Paixão Nepomuceno, o Chiclete, 37, foi preso por agentes da Sispen, no último dia 15 de outubro, quando saía de casa, acompanhado pela mulher e pelo filho, em Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio.

Condenado a seis anos de prisão pela 17ª Vara Criminal do Rio por tráfico de drogas e a mais de 10 anos pela 25ª Vara Criminal, também da capital, por tráfico, associação para fins de tráfico e porte ilegal de arma, ele começou a cumprir sua pena em abril de 2004. Quatro anos e dois meses depois, ele fugiu do Instituto Penal Edgard Costa (IPEC), no Centro de Niterói.

Já seu irmão, cumpre pena de 36 anos de prisão pelas mortes de André Luís dos Santos Jorge, o Dequinha, e Rubem Ferreira de Andrade, o Rubinho. Condenado por unanimidade pelo Júri Popular, ele teve a sentença lida pelo juiz Fábio Ucho Pinto de Miranda Montenegro, do 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu na madrugada de 11 de outubro de 1996, por motivo torpe e meio cruel, uma vez que as vítimas tiveram suas cabeças e partes do tronco esquartejadas. Os corpos foram encontrados dentro de um bueiro. As vítimas tinham ligação com o traficante conhecido como Leite Ninho, de uma quadrilha rival à dos denunciados, que pretendia assumir o controle do tráfico no complexo do Alemão, na Penha, na Zona Norte do Rio.

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A ação criminosa que deixou cinco mortos e dez feridos na Bacia de Éden, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, não foi motivada por ciúmes. A afirmação foi feita por moradores da região e está sendo investigada pela Polícia. De acordo com a denúncia, o tiroteio ocorrido no último domingo, dia 23 de outubro, na Rua Cruz da Fé foi mais um episódio da guerra entre facções que está ocorrendo no local desde o início do mês, quando um jovem conhecido como Cleiton Pombo foi assassinado, na porta de uma igreja em Vila Tiradentes.

“O Bira e mais três que estavam no churrasco mataram o Pombo e isso está gerando esta guerra toda. O pessoal é da ADA, do Morro da Pedreira, e está tentando implantar uma boca na Bacia. Por isso essa guerra toda. Simplesmente ninguém é inocente. Sei que não justifica, mas todos têm envolvimento e o churrasco era pra comemorar a morte do Pombo”, afirmou um morador que pediu para não ter a identidade revelada.

Rivais das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Amigos dos Amigos (ADA) estão disputando a boca-de-fumo do Morro do Castelinho, a poucos metros do local onde ocorreu a chacina. De acordo com o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para investigar a atuação das milícias em território fluminense e concluída no final do ano passado, o Morro do Castelinho era um dos locais onde milicianos haviam feito acordo com traficantes.

Na manhã desta quarta-feira, dia 27, policiais do 21º BPM (São João de Meriti) lotados no Posto de Policiamento Comunitário (PPC) de Vila Tiradentes solicitaram reforço após serem comunicados de que cerca de 40 traficantes do CV estavam se reunindo no Morro da Caixa D’Água para atacar o imóvel e invadir a Bacia de Éden. Horas antes, dois homens armados com pistolas passaram pelo PCC de Vila Norma e efetuaram vários disparos contra os PMs que estavam de plantão na unidade.

Ninguém ficou ferido, mas o pânico se instalou na região, que já vivia um clima de insegurança desde a noite de terça-feira, quando bandidos determinaram que comerciantes fechassem as portas e pessoas abandonassem igrejas. No início da tarde de ontem, escolas públicas e particulares suspenderam as aulas e mandaram os alunos de volta para casa.

“Eram umas 20h de terça-feira quando eles passaram aqui e falaram ‘como é que é, vai fechar ou não vai? Quer que aconteça a mesma coisa de domingo?’. Na mesma hora eu respondi que estava fechando e baixei as portas”, contou uma comerciante da Rua Dona Odília, que abriu seu bar normalmente ontem, mas tomou precauções.

“Um policial passou aqui e pediu que ninguém ficasse na calçada. Estou dentro do comércio e se precisar fecho tudo rápido e me jogo aqui dentro. Liguei para a minha filha e falei para ela não levar meus netos pra escola”, revelou.

Um aposentado de 78 anos que mora há dez na Rua José de Carvalho, também na Vila Tiradentes, lamentou o clima de medo que se instalou na vizinhança.

“Eu nunca tive medo de sair de casa e agora ando pelas ruas com receio. Limparam a Zona Sul, instalando UPPs, e veio tudo pra cá. É a gente que paga. Se o crime de domingo realmente fosse passional, não estaria havendo essa guerra aqui”, desabafou.

Durante todo o dia, viaturas do 21º BPM reforçaram o policiamento na região e contaram com o apoio de equipes do 39º BPM (Belford Roxo), 24º BPM (Queimados), 34º BPM (Magé) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque). Apesar do patrulhamento ostensivo, nenhuma denúncia relativa a endereços de pontos de encontro de bandidos e locais de esconderijos de armas e drogas havia sido confirmada, até o final da tarde desta quarta-feira.

“O que está acontecendo é que bandidos do Morro do Chapadão, que são do Comando Vermelho, estão brigando com rivais do Morro da Quitanda, que são ADA, pela boca-de-fumo do Morro do Castelinho e da Bacia do Éden, pois lá eles vendem muito”, contou um policial que participou das ações de ontem, explicando que toda a região já é controlada pelo CV e que a invasão às áreas restantes facilitaria a criação de um complexo.

A versão de que a chacina do último domingo teria sido resultado de um crime passional foi divulgada pela Polícia na segunda-feira, após depoimento do taxista Ubirajara Moraes Pereira, o Bira, 32. Na 64ª DP (Vilar dos Teles), ele reconheceu, através de fotografias, Vinícius Anselmo de Araújo da Luz, o Vinicinho Jogador, 28, Renato Ramos da Fonseca, o Renatinho, 29, e Luiz Fernando Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau, 30, como sendo três dos quatro homens que chegaram à Rua Cruz da Fé em uma Hilux preta e desceram do veículo atirando contra quem assistia ao clássico entre Flamengo e Vasco e participava do churrasco que seria em comemoração ao aniversário de 36 anos da manicure Cátia Sidônia Silva Souza.

Vinícius Anselmo de Araújo da Luz, o Vinicinho Jogador, 28 anos

Ainda segundo o taxista, Vinicinho estaria tentado matá-lo pois ele casou-se com a ex-namorada do criminoso, que foi preso por assalto em 2007 e solto após três anos. Horas depois, confessou que conhecia o trio porque já havia sido traficante e feito parte da quadrilha de Nando Bacalhau – atual chefe do tráfico no Morro do Chapadão, que possui acessos pelos bairros Pavuna e Costa Barros, na Zona Norte do Rio – mas garantiu que havia abandonado o crime aos 21 anos, quando entrou para a Igreja Assembléia de Deus dos Últimos Dias e passou a visitar penitenciárias com o pastor Marcos Pereira.

Outro presente ao churrasco era um dos filhos do traficante Luís Coquinho, conhecido como Lula – que foi atingido nas pernas. O pai dele seria integrante da ADA e teria jurado vingança.

“O Vinicinho foi preso por assalto e, como tinha disposição, quando saiu da cadeia já ganhou o posto de segurança do TH, que gerenciava o tráfico do Chapadão. Andavam sempre juntos o TH, o Vinicinho e o Pombo. Quando o TH morreu, o Vinicinho assumiu o lugar dele e logo depois mataram o Pombo”, explicou um policial que acompanha a ocorrência.

Na tarde de terça-feira, em incursão para tentar localizar Vinicinho, na Favela da Índia, PMs detiveram dois menores e prenderam seis acusados de tráfico. Atingido durante a troca de tiros, Edward Costa Franco, o Pardal, 22, morreu. Os presos foram identificados como Luiz Antônio dos Santos, o Magrão, 22; Tiago Nunes Alves, o Tiaguinho, 21; Fabiano Leonício Juvenal, 19; e Ramiro Silva Lima Júnior, 23.

Na mesma ação, os policiais apreenderam uma granada, um revólver calibre 38, 33 trouxinhas de maconha, 366 papelotes de cocaína, 418 pedras de crack e 92 embalagens de cheirinho da loló, além de um colete à prova de balas camuflado, uma caderneta com anotações sobre a movimentação financeira do tráfico e R$ 52 em espécie. Os presos e o material apreendido foram levados para a central de flagrantes que funcionava na 54ª DP (Belford Roxo).

Até às 18h50 desta quarta-feira, dia 27 de outubro, o Disque-Denúncia já havia recebido 30 ligações sobre a chacina com informações sobre possíveis autores do crime e local onde estariam escondidos. As informações estão sendo passadas para 64ª DP, que está encarregada do caso. Quem tiver qualquer dado que auxilie nas investigações e ajude a Polícia a identificar, localizar e prender os criminosos pode ligar para o Disque-Denúncia através do telefone 2253-1177. O serviço funciona 24 horas e garante o anonimato.

Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça apontam que um traficante de Irajá, na Zona Norte do Rio, está entre as 50 vítimas do grupo responsável por uma série de sequestros seguidos de execuções em São Gonçalo.

O corpo do homem, ainda não identificado, foi encontrado na Rua Martins Sarazar, no bairro Jardim Bom Retiro, no último dia 6 de setembro. O carro da vítima, o Meriva placa KXO-3539, foi apreendido por agentes do Núcleo de Homicídios da 72ª DP (Mutuá), em Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, em uma das casas de Abdias Cruz da Silva, o Buca, 38, preso no dia 6 de outubro sob a acusação integrar a quadrilha formada por civis e policiais militares.

De acordo com as investigações, o traficante foi atraído para São Gonçalo por uma mulher, informante do bando, que forjou um encontro com o criminoso, no dia 3 de setembro. A vítima foi seqüestrada no bairro Laranjal pelo cabo Alexsandro Horffmam Lopes, o Negão ou Zumbi, lotado no 12º BPM (Niterói), e por Wanderson Silva Tavares, o Gordinho ou Tenente, apontado como o chefe da quadrilha.

O homem foi lavado para a casa de Gordinho, no Boaçu, onde foi torturado durante três horas. Nas gravações, o cabo Lopes ironiza o fato da vítima “estar na mão” (desarmada) e chega a comentar com a informante que foi “molinho” pegá-lo. Em seguida, a dupla entrou em contato com familiares do homem e exigiu R$ 15 mil e uma pistola para liberá-lo. O pagamento do resgate foi feito em um trecho da Avenida Brasil. Entretanto, mesmo assim, ele foi executado.

Os policiais solicitaram que quem tiver informações sobre a identificação da vítima as encaminhe para o Disque-Denúncia, através do telefone 2253-1177. O anonimato é garantido.

Inconformismo com a separação. Esta teria sido a motivação do ataque a tiros que resultou em cinco mortos e deixou dez pessoas baleadas, no Morro do Castelinho, no bairro Bacia de Éden, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O alvo do atentado, que ocorreu no início da noite do último domingo, dia 24 de outubro, era um taxista de 32 anos que casou, há três anos, com a ex-namorada do traficante Vinícius Anselmo de Araújo da Luz, o Vinicinho Jogador, 28.

Vinícius Anselmo de Araújo da Luz, o Vinicinho Jogador, 28 anos

“Ela teve outros namorados antes de mim e, quando nós começamos a namorar, o Vinicinho já estava preso. Eu o conheço desde criança, pois fomos praticamente nascidos e criados juntos, lá na Vila Tiradentes. Ele ainda era da Marinha quando conheceu minha esposa”, contou o taxista, que tem um filho de 1 ano e 9 meses com a ex-namorada de Vinicinho, que está grávida de sete meses.

Além de Vinicinho, a Polícia identificou outros três criminosos que teriam participado da ação: Renato Ramos da Fonseca, o Renatinho, 29, e Luiz Fernando Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau, 30 – apontado como chefe do tráfico no Morro do Chapadão, que possui acessos pelos bairros Costa Barros e Pavuna, na Zona Norte do Rio.

O taxista, que confessou conhecer os três da época em que também tinha envolvimento com o tráfico de drogas, garantiu que largou o crime aos 21 anos de idade, época em que teria inclusive entrado para a igreja e feito pregações para os ex-comparsas.

“Prometo voltar para os caminhos do senhor o mais rápido possível”, garantiu.

“Eles chegaram em uma Hillux preta e foram reconhecidos pela vítima. Vamos solicitar a prisão temporária por cinco homicídios consumados e dez tentativas, além de formação de quadrilha. Só falta identificarmos o motorista”, ressaltou o delegado Marcos Santana, titular da 64ª DP (Vilar dos Teles).

Luiz Fernando Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau, 30 anos

De acordo com o taxista, ele estava sentado na calçada da casa de número 57 da Rua Cruz da Fé, onde vários amigos comemoravam o aniversário de Cátia Silva Souza, que completava 32 anos, com um churrasco.

“Estávamos assistindo ao jogo entre Vasco e Flamengo e eu vi quando o carro passou, a cerca de 30 metros de distância da casa, e parou. Os caras já desceram atirando e eu só tive tempo de correr. Subi correndo pela rua ao lado e consegui escapar”, relembrou o taxista, dizendo que tudo aconteceu quando o Vasco ainda ganhava o clássico, com um gol de Cesinha.

Na igreja evangélica Casa de Oração, localizada em frente à residência, dez pessoas que participavam de um culto ficaram apavoradas com os tiros.

“Foi um pânico total. Todo mundo gritando, procurando abrigo, correndo pra fechar as portas da igreja. Depois do susto, vimos a cena de horror do lado de fora. Muita gente ensangüentada implorando por socorro. É revoltante porque eram pessoas trabalhadoras reunidas para comemorar o aniversário de uma moradora”, desabafou um fiel que pediu para não ter a identidade revelada.

A aniversariante perdeu o filho biológico, Marcos Otávio Barbosa da Silva, e o filho adotivo, Waldemir de Oliveira de Jesus, ambos de 16 anos. O corpo do primeiro foi enterrado às 14h desta terça-feira, dia 26 de outubro, no Cemitério do Éden, em São João de Meriti, enquanto o enterro de seu irmão foi realizado às 17h do dia anterior, no mesmo local.

“Eles trabalhavam como cabos eleitorais e estudavam. Nenhuma investigação vai trazer os dois de volta. Eu posso dizer que não convidei nenhum bandido para a festa e até agora não entendo o que aconteceu”, disse.

A avó dos meninos, a pensionista Guiomar Barbosa da Silva, 56 – que é mãe do pai de Marcos Otávio -, vende pizzas para complementar a renda e só ficou sabendo da tragédia após receber um telefonema, na manhã de segunda-feira, dia 25.

“Falei com ele pela última vez pouco antes. Meu neto estava usando o telefone do pai e me ligou para dizer que estava voltando do trabalho. Meu filho é lanterneiro, todo mundo conhece ele por aqui. Todos eram trabalhadores. Se eu não estivesse trabalhando, também estaria na festa”, afirmou.

Os outros mortos foram identificados como Thiago da Silva Santos, 24, Gilson Alves de Lino, 42, e Rosilene Nascimento de Oliveira, 37 – cunhada da dona da festa. A irmã dela, Rosicleide Nascimento Oliveira, também baleada, foi socorrida e levada para o Hospital Geral de Nova Iguaçu, no bairro da Posse, em Nova Iguaçu.

Para a mesma unidade e para o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, no bairro Saracuruna, em Duque de Caxias, foram levados os outros feridos: Denilson Ressureição de Paula, 25, Felipe Consentino, 19, Pedro Souza Martins, 28, Marlon Cleison da Silva Vilaboas, 21, Antônio Vieira Lacerda da Silva, Alexandre Monteiro, 24, Thiago de Jesus Rocha dos Santos, Alexandre Martins e Renato do Nascimento Dias, 26.

O segundo enterro realizado ontem foi o de Thiago da Silva dos Santos, no Cemitério Municipal de Olinda, em Nilópolis. Para hoje, além de Marcos Otávio, está programado o enterro do corpo de Rosilene, no Cemitério de Vila Rosali, em São João de Meriti.

O comandante do 21º BPM (São João de Meriti), coronel George Freitas, garantiu que uma operação será realizada para capturar os criminosos, em conjunto com outros batalhões da Baixada Fluminense e da Zona Norte do Rio.

Uma empresa cuja especialidade encontrou mercado próspero no município com um dos maiores índices de homicídios no Brasil. Com o nome fantasma de Navy Still Ltda., ela movimentou cerca de R$ 100 mil mensais – mais de R$ 2 milhões nos últimos dois anos – em São Gonçalo, prestando serviços como mortes por aluguel, seqüestros seguidos de execuções, agiotagens e segurança ilegal. Como em toda firma, cada “funcionário” desempenhava uma função para a otimização de sua principal atividade: eliminar pessoas ligadas ao tráfico após extorqui-las.

Wanderson Silva Tavares, o Gordinho ou Tenente, 34 anos

No mais alto escalão do negócio, ocupando o cargo de presidente do que se convencionou chamar de Extermínio S.A, estava Wanderson Silva Tavares, o Gordinho ou Tenente, 34 anos. Filho de uma oficial lotada no Batalhão de Polícia Florestal e de Meio Ambiente (BFMA), ele é apontado como o líder do bando e o principal articulador das ações da quadrilha, além de ser o responsável por dividir o dinheiro arrecadado com os crimes. À frente do setor financeiro aparece Abdias Cruz da Silva, o Buca, 38. Dono de uma extensa rede de segurança particular ilegal, que atende de supermercados a casas de shows do município, ele possui um patrimônio de mais de R$ 1 milhão e é apontado como o principal financiador das atividades da quadrilha.

Abdias Cruz da Silva, o Buca, 38 anos

O departamento logístico era ocupado pelo cabo Alexsandro Horffmam Lopes. Lotado no 12º BPM (Niterói), o PM recrutava colegas de farda para participarem dos seqüestros, extorsões e assassinatos. Completavam o quadro de “funcionários” da Extermínio S.A os cabos Christian Brito Guimarães e Alecsandre Nazareth Baiense, ambos lotados no 12º BPM, o soldado Rogério Acácio Ferreira, lotado no 7º BPM (São Gonçalo), além do cabo Fábio Gomes do Couto, do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPtur), e o irmão de Gordinho, Hygor Câmara Tavares. A esses cabia a função de aturar como o braço armado do grupo.

Cabo Alexsandro Horffmam Lopes, lotado no 12º BPM

Segundo policiais do Núcleo de Homicídios da 72ª DP (Mutuá), das 19 pessoas assassinadas pelo bando formado por civis e policiais militares, 15 foram seqüestradas e as outras quatro mortas durante o pagamento do resgate, feito por familiares e amigos. Entretanto, segundo as investigações, esse número pode chegar a 50, já que a polícia encontrou indícios de conexão entre essa quadrilha e um dos maiores grupos de extermínio da história de São Gonçalo, liderado por Rodrigo Soares Rangel, o Rodriguinho, 27. O elo entre os dois grupos seria o cabo Lopes, suspeito de ser um dos homens que entraram na casa do barbeiro Douglas Cabral Fidélis, 21, morto em março de 2007.

Cabo PM Alecsandre Nazareth Baiense, lotado no 12º BPM

“Tanto um grupo quanto o outro agia visando o financeiro, como uma empresa. Entretanto, o principal produto oferecido era a execução de pessoas. As investigações continuam com o objetivo de identificar outros integrantes e, consequentemente, reduzir o número de homicídios no município”, explicou o delegado Geraldo Assed, titular da 72ª DP.

Cabo Christian Brito Guimarães, lotado no 12º BPM

De todos os indiciados por envolvimento no bando, apenas Gordinho e o irmão continuam foragidos. O Disque-Denúncia, através do telefone 2253-1177, está oferecendo recompensa de R$ 2 mil para que tiver informações que auxiliem na prisão da dupla. O anonimato é garantido.

Soldado Rogério Acácio Ferreira, lotado no 7º BPM

As investigações sobre a atuação do grupo formado por policiais militares começaram a partir do seqüestro e morte de Rafael Dias de Miranda, 22, e Diego Torres da Silva, 20, cujos corpos foram encontrados dentro de um rio, na localidade conhecida como Ipuca, no Jardim Catarina no dia 13 de julho. As vítimas foram sequestradas dois dias antes da execução na Rua Cuiabá, na Trindade. A partir do crime, os policiais iniciaram uma busca por casos parecidos na mesma região, cujos valores dos resgates pedidos pelos criminosos variavam de R$ 15 a R$ 50 mil. No dia 10 de setembro, os agentes prenderam quatro policiais militares acusados de envolvimento nos crimes, além de uma mulher apontada como informante do bando.

Hygor Câmara Tavares

Vítimas

Outubro de 2009

05 – Um homem identificado como Bruno Maconha, do Complexo do Salgueiro. Morto na Estrada de Itaintidiba em Santa Isabel.

25 – Vilson dos Santos, sequestrado em Duque de Caxias e jogado no Rio Ipuca, no Jardim Catarina.
31 – Élson Souza dos Santos, retirado de casa na Trindade e encontrado morto no Jardim Bom Retiro.

Dezembro
05 – Paulo Amorim Cerqueira, morador do Salgueiro foi sequestrado e morto em Guaxindiba. A namorada dele, Juliana de Almeida Sena, também foi morta em emboscada.

Janeiro 2010
08 – Josivaldo José de Oliveira Sobrinho, o Baixinho, de 30 anos. Sequestrado no Salgueiro e morto no Coelho.

Junho
02-Daniel Santos Menezes, 20 anos,o Daniel Bafo, morador do Salgueiro. Executado e jogado em rio no Jardim Catarina, em São Gonçalo.

Julho
13 – Os corpos de Rafael Dias de Miranda, 22 anos, e Diego Torres da Silva, 20, foram encontrados dentro de um rio, na localidade conhecida como Ipuca, no Jardim Catarina.

Agosto
14 – Dyego Virtuoso, o Bodinho, de 26 anos. Sequestrado no Salgueiro e encontrado morto no Gradim.

Setembro
05 – Buchecha do Mutuapira é seqüestrado e encontrado carbonizado dentro de um Corsa na Avenida Santa Luzia, no bairro de mesmo nome.

Em 23 dias, 15 PMs foram baleados no Estado do Rio de Janeiro – sendo que 10 não resistiram. Com isso, mesmo antes de seu término, o mês de outubro aparece em terceiro lugar na estatística de policiais mortos no Estado ao longo do ano de 2010 – ficando atrás somente de janeiro, que teve 12 mortos, sendo 8 PMs e quatro policiais civis; e maio, que teve 11, sendo 10 PMs e um policial civil. Faltando uma semana para terminar, o número de assassinados em outubro é o mesmo do mês anterior: em setembro, 10 policiais foram mortos no Estado do Rio – sendo oito PMs e dois policiais civis.

De janeiro a hoje, o número de policiais atingidos por tiros chegava a 150 – a quantidade é maior que o efetivo de sete das 13 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) implantadas em morros e favelas localizadas nas zonas Norte, Sul e Oeste do Rio. Apenas nas UPPs da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na Zona Oeste; da Providência, na região central do Rio; e do Andaraí, Borel e Turano, na Tijuca, na Zona Norte, há mais de 150 PMs lotados.

O último caso ocorreu na Favela de Acari, no bairro de mesmo nome, na Zona Norte do Rio, no último sábado, dia 23. Na ocasião, o cabo Jorge Luís da Boa Morte, lotado no 6º BPM (Tijuca), morreu após ser atingido por tiros disparados por traficantes da facção crimionosa Terceiro Comando Puro (TCP). Ele estava acompanhado pelo cabo Eduardo Guimarães Monteiro, 27 anos, lotado no 15º BPM (Duque de Caxias) e por outros dois amigos: Diego Alves de Araújo, 23, e Adriano Carvalho de Araújo, 27.

Os quatro estavam no Doblô preto placa KYZ 0535 e voltavam de uma casa de shows na Baixada Fluminense quando erraram o caminho e entraram na favela, na localidade de Linha Verde. Assim que começaram os tiros, Jorge Luís teria saído do veículo tentando reagir, mas acabou atingido no peito. Mesmo baleado, o outro PM consegui conduzir o carro até a Avenida Automóvel Clube, onde pediu socorro. Os sobreviventes foram socorridos e levados para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, também na Zona Norte.

Na quarta-feira anterior, o cabo Marco Aurélio Andrade de Lima, 38, lotado no 34º BPM (Magé), morreu após ser baleado durante tentativa de assalto, no bairro Olavo Bilac, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ele chegou a reagir e trocar tiros com os criminosos, mas foi atingido nas costas. O PM ainda foi socorrido e levado para o Hospital Municipal Doutor Moacyr Rodrigues do Carmo – também conhecido como Hospital Geral de Duque de Caxias -, no bairro Vila São Luiz, mas já chegou sem vida à unidade. De acordo com testemunhas, os criminosos fugiram em um Corsa Sedan prata.

No dia 18, o cabo reformado da Polícia Militar Amaral, 46, foi baleado durante uma tentativa de assalto, em Barros Filhos, na Zona Norte do Rio. Ele passava pela Rua das Flores, quando se deparou com três homens armados que pretendiam cometer assaltos na região. O PM reagiu à ação dos criminosos, iniciando um confronto. Um dos bandidos foi baleado e morreu no local. O policial foi atingido no ombro e levado para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier.

Três dias antes, o soldado Rafael Aguilar de Oliveira, lotado no 19º BPM (Copacabana), morreu ao reagir a uma tentativa de assalto, na Rua Francisco Enes, na Penha, na Zona Norte do Rio. Ele estava no carro com a mãe quando foi abordado por dois criminosos. Ao reagir, o PM foi baleado por outros dois bandidos que davam cobertura aos comparsas. O soldado chegou a ser socorrido e levado para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, também na Penha, mas não resistiu aos ferimentos.

No dia 13, o soldado Anderson Augusto do Nascimento Barcelos, 20, lotado no 20º BPM (Mesquita), foi baleado durante uma tentativa de assalto na Estrada Rio do Pau, em Anchieta, na Zona Norte. Ele tentou impedir que bandidos levassem seu carro e acabou atingido na barriga. O PM foi levado para o Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste.

No dia anterior, o sargento reformado da Polícia Militar, Ivan Ceará Abraão, 62, morreu após ser baleado em um posto de combustíveis na Rodovia Presidente Dutra, na altura do bairro Jardim América, na Zona Norte do Rio. Testemunhas contaram que o PM foi abordado por homens armados quando abastecia seu carro, na pista sentido São Paulo. Ele chegou a trocar tiros com os criminosos, que fugiram levando apenas sua pistola.
Já no dia 10, o soldado Pinheiro, lotado no 3º BPM (Méier), foi baleado de raspão na cabeça por ocupantes de um Astra prata, no bairro Lins de Vasconcelos, na Zona Norte. Ele e um outro PM realizavam patrulhamento de rotina quando suspeitaram do veículo na Rua Verna Magalhães. Houve perseguição e os bandidos fizeram disparos contra a viatura. O policial ferido foi levado para o Hospital Municipal Salgado Filho, também no Méier. Os bandidos conseguiram fugir.

No dia anterior, o sargento Marcelo Domingos da Silva, 40, lotado no Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRv), morreu após ser baleado quatro vezes, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. O crime ocorreu na esquina da Rua Camarugi com a Avenida Paulo Afonso, na localidade de São Geraldo. Segundo a Polícia, o sargento estava de folga e teria tentando reagir a um assalto. O PM ainda foi socorrido e levado para o Hospital Estadual Rocha Faria, também em Campo Grande, mas não resistiu.

No dia 6 de outubro, o soldado Rodolfo de Souza, 31, lotado no 4º BPM (São Cristóvão), cometeu suicídio após atirar diversas vezes contra a mulher, Érica Braga, 30. O crime ocorreu na residência do casal, na Rua Jaime de Carvalho, em Realengo, na Zona Oeste. Vizinhos contaram que ouviram uma forte discussão antes do barulho dos tiros.

Na véspera, o cabo Márcio Sá Campos, lotado no Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), havia sido baleado ao reagir a uma tentativa de assalto na Estrada do Coelho, no bairro de mesmo nome, em São Gonçalo. O PM chegava em casa quando foi abordado pelos criminosos, que conseguiram fugir. O cabo foi socorrido e levado para o Hospital Estadual Alberto Torres – mais conhecido como Hospital Geral de São Gonçalo – no bairro Colubandê.

No dia 2, três PMs foram assassinados. Lotado na UPP do Morro do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, o soldado Gilberto Lima Barbosa, 30, foi morto a tiros na Rua Bela Vista, no bairro Vila Paulina, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Ao lado do corpo, um veículo estava parado, com marcas de sangue. O PM estava há um ano na corporação.

Os outros dois policiais também foram mortos na Baixada. Lotado no BPRv, o soldado Luiz Fernando da Silva Coelho, e o sargento Wilson Luiz da Silva, que era reformado, mas trabalhava no monitoramento de câmeras de segurança da Sala de Operações do 15º BPM, morreram após serem baleados na Rua 31 de Março, no bairro Parque Paulista, em Duque da Caxias. Os dois PMs estavam de moto e foram mortos por homens que estavam em um Fiat Idea que conseguiram fugir após realizar os disparos. Enquanto Coelho morreu no local, Wilson chegou a ser socorrido e levado para o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, mas não resistiu.

O primeiro caso ocorreu no primeiro dia do mês. Lotado no Quartel-General (QG) da corporação e integrante da equipe de segurança dos filhos do comandante geral da PMERJ, o soldado Rodrigo Luiz dos Santos, 28, morreu ao reagir a tentativa de assalto no bairro Mutondo, em São Gonçalo. Ele chegou a trocar tiros com os criminosos, que também morreram. Identificados como Renato carlos Lima dos Santos e Júlio César Luís Domingos Júnior, ambos de 22 anos, eles já tinham passagem pela Polícia, respectivamente por tráfico e assalto a mão armada.

A estatística de 2010 possui 78 policiais mortos – sendo 66 PMs mortos, 11 PCs mortos e um agente da Polícia Federal. Dos 72 sobreviventes, 63 eram PMs, oito eram policiais civis e um era policial federal. Dos 150 policiais, 60 estavam de serviço. Onze eram PMs reformados e um era policial civil aposentado. O ano de 2009 terminou com 187 policiais fluminenses sendo alvos de atentados. A estatística fechou com 98 PMs mortos, 12 PCs mortos, 70 PMs baleados, 6 PCs baleados e 1 PRF baleado. Dos 187 policiais, 64 estavam de serviço: 20 morreram.

Heleno Augusto Rosa, o Leo, 31 anos

Era do Morro da Souza Soares, no Complexo de Santa Rosa, na Zona Sul de Niterói, que Heleno Augusto Rosa, o Leo, 31 anos, articulava a compra de drogas e armas no atacado para revendê-las a traficantes que agem no eixo Niterói-São Gonçalo, principalmente os ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV).

Preso por agentes da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) no shopping Bay Market, no Centro de Niterói, no início desta terça-feira, ele foi flagrado em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça negociando a compra de fuzis, pistolas e submetralhadoras com Marco Antônio de Morais Gimenez Junior, o Marquinho Playboy ou Paulista, 26, considerado um dos maiores traficantes de armas do Estado, preso no dia anterior, em Guadalupe, na Zona Norte do Rio.

De acordo com as investigações, os dois montaram base na região para estreitar relações comerciais com traficantes do Complexo de Santa Rosa – formado pelos morros Zulu, Beltrão, Souza Soares e pelas favelas Vital Brasil e Seiscentos –, e com criminosos dos morros do Martins, Coruja e Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Nas gravações, os dois negociam a venda de fuzis, chamados de “vassouras”, e submetralhadoras Uzi, citadas sob o código de “mini blusas”.

As armas eram negociadas por R$ 50 mil e R$ 25 mil, respectivamente. Os criminosos chegaram a movimentar R$ 1 milhão com a venda de lotes com 20 armas. Os principais fornecedores dos entorpecentes eram traficantes da Favela do Jacarezinho e do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio.

Em um dos trechos da conversa, Playboy comenta com Leo a transação recente feita com Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 34, apontado como o chefão do pó na Favela Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, e considerado um dos criminosos mais procurados do Estado. A entrega do armamento, um Fuzil Automático Leve (FAL) e uma submetralhadora Uzi, foi feita pela irmã do criminoso, que também foi indiciada por tráfico de armas. Em outro diálogo da escuta telefônica, Leo comenta que vai pegar uma farofa (cocaína) e vai mandar um “pedacinho” para quitar uma dívida com Playboy. Articulado, ele afirma que venderia todas as dez pistolas adquiridas pelo criminoso.

Encaminhado à especializada, os agentes constataram que contra Leo havia um mandando de prisão pendente por tráfico de drogas. Ele também foi indiciado por tráfico de armas.

Em julho do ano passado, Antônio Jorge Gonçalves dos Santos, o Tony ou Senhor das Armas, 40, foi preso por agentes da Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (DRAE), em Mato Grosso do Sul. De gerente das bocas-de-fumo do Complexo de Santa Rosa, ele se tornou um dos principais fornecedores de armas do Estado. Nos anos 90, ele e o irmão, Arnaldo Gonçalves dos Santos, eram reconhecidos como a dupla “Tony e Arnaldo”, traficantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) com atuação na Zona Sul de Niterói. No dia seguinte à chegada de Tony ao Rio, os agentes prenderam os irmãos Tatiana Azevedo Maciel, 27, e Paulo Roberto Aquino Júnior, 25. Moradores do Morro do Beltrão, em Santa Rosa, eles eram os responsáveis por recolher o lucro obtido com a venda de drogas na região e enviar para o traficante. A Polícia não descarta o envolvimento de Playboy e Leo na mesma quadrilha.

Dupla mata enfermeiro por causa de R$ 4

Publicado: 24 de outubro de 2010 em Uncategorized

Ailson Silva de Oliveira, o Juninho, 23 anos, e Roberto de Souza Resende, o Russinho, 26 anos

Uma dívida de R$ 4 contraída pela compra de calcinhas. Esse foi o motivo que levou Roberto de Souza Resende, o Russinho, 26 anos, e o comparsa Ailson Silva de Oliveira, o Juninho, 23, a cometerem um crime bárbaro em Maricá, na Região dos Lagos, no último domingo, dia 17 de outubro. Os dois são acusados de executar a tiros o enfermeiro aposentado Sérgio Gonçalves França, 52, além de tentar assassinar a mulher da vítima, a dona de casa Carla de Almeida, 35. Atingida por três disparos, ela se fingiu de morta e conseguiu escapar viva do atentado.

Presos por agentes do Grupo de Investigação Complementar (GIC) da 82ª DP (Maricá) 48 horas após o crime, a dupla confessou que o motivo da discussão que terminou em morte foi o não pagamento do restante do valor de algumas calcinhas compradas pela dona de casa com a ex-mulher de Russinho. O que surpreendeu ainda mais os policiais foi o valor da dívida: R$ 4.

O crime ocorreu por volta das 17h30 do dia 17. As vítimas foram surpreendidas pela dupla na Avenida 2, próximo ao Bar da Baiana, no bairro Jardim Atlântico, em Itaipuaçu. Após breve discussão, os criminosos efetuaram vários disparos na direção do casal. O enfermeiro não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Após fingir que estava morta, Carla esperou os assassinos fugirem para pedir socorro a populares, que a encaminharam ao Hospital Conde Modesto Leal, em Maricá. Ela foi submetida a uma cirurgia e liberada no dia seguinte.

Nesta terça-feira, dia 19, a Polícia conseguiu prender Russinho em casa, no Jardim América, e surpreendeu Juninho em um canteiro de obras no mesmo bairro. Com o primeiro, foi apreendido o revólver calibre 38 utilizado no crime. No mesmo dia, após solicitação do delegado Sérgio Caldas, titular da 82ª DP (Maricá), o Plantão Judiciário expediu o mandado de prisão temporária dos acusados.

Marco Antônio de Morais Gimenez Junior, o Marquinho Playboy ou Paulista, 26 anos

Refugiado em São Gonçalo após se desentender com Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 34 anos, apontado como o chefão do pó na Favela Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, na Penha, na Zona Norte do Rio, Marco Antônio de Morais Gimenez Junior, o Marquinho Playboy ou Paulista, 26 – considerado um dos maiores traficantes de armas do Estado – foi preso por policiais da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), na noite desta terça-feira, dia 19 de outubro.

Segundo os agentes, ele é um dos principais fornecedores de fuzis, submetralhadoras e pistolas para traficantes que agem no Rio e no eixo Niterói-São Gonçalo. O acusado, que chegou a movimentar R$ 1 milhão com o envio do arsenal, foi surpreendido quando passava de carro em Guadalupe, na Zona Norte do Rio. O criminoso também é apontado como um dos elos entre as facções Primeiro Comando da Capital (PCC), que age em São Paulo, e Comando Vermelho (CV).

Os policiais chegaram a Playboy através de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. Nas gravações, ele é flagrado negociando com um traficante gonçalense a venda de fuzis, chamados de “vassouras”, e submetralhadoras Uzi, citadas sob o código de “mini blusas”. As armas eram negociadas por R$ 50 mil e R$ 25 mil, respectivamente.

De acordo com as investigações, iniciadas há seis meses, Playboy recebia lotes com até 20 fuzis e os revendia, principalmente, em comunidades cujo tráfico de drogas é controlado pelo CV. Entretanto, o delegado Pedro Medina, titular da Dcod, não descarta a hipótese de transações com criminosos ligados a outras facções.

“Não é qualquer um que movimenta um milhão de reais com a venda de armas. O acusado é um fornecedor e, portanto, não veste a camisa de nenhuma facção específica. Ele tem um contato muito forte para conseguir armamento tão novo e de boa qualidade. O próximo das investigações é saber a origem desse armamento”, explicou o delegado.

Em outro trecho da conversa interceptada pela Polícia, Playboy comenta com o homem a transação recente feita com FB, um dos traficantes mais procurados do Estado. A entrega do armamento, um Fuzil Automático Leve (FAL) e uma submetralhadora Uzi, foi feita pela irmã do criminoso, já que ele foi ameaçado de morte pelo próprio FB e expulso da favela.

Em depoimento na especializada, ele comentou que o motivo de sua busca por abrigo em São Gonçalo se deu por causa de seu envolvimento com uma das mulheres do chefão do Complexo do Alemão. Contudo, segundo policiais do Serviço de Inteligência (P-2) do 16º BPM (Olaria), o motivo seria outro: Playboy teria flagrado um segurança de FB, identificado como Emerson, com sua namorada e o matou a facadas. De acordo com a Polícia, Playboy, que era considerado foragido por tráfico de drogas, também vai responder por tráfico de armas. A irmã dele, identificada apenas como Sheila, também foi indiciada pelo crime.

Em julho do ano passado, Antônio Jorge Gonçalves dos Santos, o Tony ou Senhor das Armas, 40, foi preso por agentes da Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (DRAE), no Mato Grosso do Sul. De gerente das bocas-de-fumo do Complexo de Santa Rosa, na Zona Sul de Niterói, ele se tornou um dos principais fornecedores de armas do Estado do Rio. Nos anos 90, ele e o irmão, Arnaldo Gonçalves dos Santos, eram conhecidos como a dupla “Tony e Arnaldo”, traficantes do CV com atuação na Zona Sul de Niterói. Eles contavam com a simpatia do traficante Marcos Antônio da Silva Tavares, o Marquinho Paraíba ou Marquinho Niterói, que era o segundo homem no escalão do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, 42.

Tatiana da Conceição, 31 anos

Acusada de matar o vizinho a pauladas e pedradas por causa de um saco de lixo, Tatiana da Conceição, 31 anos, se apresentou espontaneamente na 3ª Vara Criminal de Niterói, na tarde desta segunda-feira, dia 18 de outubro. O crime ocorreu no dia 15 de dezembro do ano passado, na Rua Adelino Martins, esquina com Magnólia Brasil, no Morro do Boa Vista, no bairro São Lourenço, em Niterói.

A vítima, Paulo Roberto da Silva, 52, conhecida como Beto Maluco, que tinha problemas mentais, foi espancada por um grupo de quatro homens, além de Tatiana, por ter colocado um saco de lixo em frente à casa da mãe da acusada. O fato, entretanto, foi apenas o estopim para o assassinato, já que Tatiana havia ameaçado matar a vítima após acusá-lo, injustamente, de abusar sexualmente de uma adolescente da comunidade.

De acordo com policiais da 78ª DP (Fonseca), ela chegou a recorrer a Wagner de Oliveira Carvalho, o Hulk, 26, apontado como o chefe do tráfico de drogas no Morro do Boa Vista, para que ele tomasse uma providência com relação a Beto Maluco. O chefão das bocas-de-fumo da comunidade, contudo, se negou a se envolver na situação, alegando já estar muito “enrolado” com a Polícia. Após a recusa do criminoso, Tatiana decidiu agir por meios próprios e se juntou a quatro homens para espancar a Paulo Roberto.

Em depoimento, policiais do 12º BPM (Niterói) contaram ter encontrado a vítima agonizando com “ferimentos típicos de agressão a pauladas e pedradas”. Ele chegou a ser socorrido pelos PMs e encaminhado ao Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, mas não resistiu aos ferimentos. Após oito meses de investigações, o delegado Reginaldo Guilherme, titular da 78ª DP, pediu a prisão preventiva de Tatiana por homicídio. Ela ficou dois meses foragida, mas decidiu de apresentar à Justiça.