Desabrigados das chuvas em Niterói protestam

Publicado: 1 de outubro de 2010 em Uncategorized

Quase seis meses após as fortes chuvas que deixaram 210 vítimas – sendo 167 fatais – e milhares de desabrigados, moradores de áreas de risco localizadas em Niterói ainda pedem socorro. Para não deixar o caso cair no esquecimento, o Comitê de Mobilização e Solidariedade aos Desabrigados da Chuva em Niterói realizou um protesto silencioso, no início da Praia Jornalista Alberto Torres – mais conhecida como Praia de Icaraí, no bairro de mesmo nome, na Zona Sul de Niterói, na manhã desta sexta-feira, dia 1º de outubro.

Os manifestantes montaram barracos de papelão na areia da praia, no trecho entre as ruas Álvares de Azevedo e Miguel de Frias, recriaram uma língua negra com sacos pretos e distribuíram panfletos explicando a situação dos desabrigados a quem passava pelo calçadão da orla.

“Muitas famílias não receberam o aluguel social e tiveram que voltar para as suas casas interditadas, submetendo-se a situações de risco. As encostas não foram reformadas e muitas regiões ainda permanecem com escombros e entulhos interditando estradas e caminhos”, denunciou a voluntária Sandra Maria Guizan, 55 anos, cujo pai teve a casa interditada, no Morro da Mackenzie, no Fonseca, na Zona Norte de Niterói.

“Ninguém recebeu indenização até agora e mesmo as que receberam o aluguel social permanecem nos abrigos ou em casas de parentes, pois o valor é muito baixo e proprietários de imóveis não aceitam esse tipo de pagamento porque o valor é recebido cada mês em um dia diferente”, ressaltou.

Casados há cinco anos, a manicure Denise de Oliveira Costa e o pedreiro Luciano Rodrigues dos Santos, ambos de 33 anos, sobreviveram ao desabamento do imóvel onde moravam no Morro da Caixa D’Água, também no Fonseca, mas tiveram que retornar ao que sobrou da casa.

“Só conseguimos alugar uma casa no Pacheco, em São Gonçalo, por R$ 370. No entanto, após dois meses de atraso no pagamento, a proprietária pediu o imóvel de volta. Tivemos que deixar tudo que ganhamos lá dentro e só conseguimos retirar quando arrumamos dinheiro emprestado para pagar o que devíamos”, revelou Luciano, que tem quatro filhos que moram com ele e a mulher, que tem dois.

Depois de perderem móveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e objetos pessoais, o casal e as seis crianças – com idades que variam de 7 a 16 anos – ainda estão longe de conseguirem encontrar uma solução.

“Sem os cartões de passagem, tivemos que fazer rodízio para ver quem ia à aula em cada dia, pois não tínhamos dinheiro para todos. Tivemos que voltar para o que restou da nossa casa e estamos dormindo debaixo de compensados e telhas. Quando chove, não conseguimos fechar os olhos”, desabafou Luciano.

De acordo com integrantes do Comitê, cerca de 7 mil pessoas ainda estão sem receber o aluguel social e pelo menos 400 continuam abrigadas no 3º Batalhão de Infantaria (3º BI), na Venda da Cruz, em São Gonçalo, e no 4º Grupo de Canhões Antiaéreos (4º GCan), no Barreto, na Zona Norte de Niterói.

A Prefeitura de Niterói informou que está pagando, com recursos do Governo do Estado, aluguel social a 3.200 famílias desde maio. Segundo a administração municipal, o valor e o número de benefícios foram definidos pelo Governo do Estado. Ainda de acordo com a Prefeitura, já foi solicitado ao Governo Estadual a assinatura de outro convênio para pagamento de mais benefícios, e declarou que cerca de 4 mil famílias ainda estão sem receber o aluguel social.

Um outro protesto já havia sido realizado pelos desabrigados das chuvas em Niterói, em frente à sede da Prefeitura, no último dia 24 de agosto. Quatro dias antes, o Ministério Público Estadual entrou com uma ação de improbidade administrativa contra o prefeito, Jorge Roberto Silveira, e o presidente da Empresa Municipal de Moradia, Urbanização e Saneamento (Emusa), José Roberto Mocarzel, por descumprirem determinação judicial que obriga o município a dar assistência a quem perdeu tudo no temporal do dia 5 de abril.

A juíza da 2ª Vara Cível de Niterói, Rosana Franca, concedeu liminar que obriga a Prefeitura a continuar ajudando os desabrigados. A construção de 180 casas para os moradores dos morros do Bumba, no Cubango, e do Céu, no Caramujo, ambos na Zona Norte, teve início no dia 3 de setembro, mas a previsão é de que as moradias sejam entregues somente em março do ano que vem. O investimento, do Governo do Estado, é de R$ 11 milhões.

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