O preço da morte: quadrilha montou empresa de extermínio em SG

Publicado: 26 de outubro de 2010 em Uncategorized

Uma empresa cuja especialidade encontrou mercado próspero no município com um dos maiores índices de homicídios no Brasil. Com o nome fantasma de Navy Still Ltda., ela movimentou cerca de R$ 100 mil mensais – mais de R$ 2 milhões nos últimos dois anos – em São Gonçalo, prestando serviços como mortes por aluguel, seqüestros seguidos de execuções, agiotagens e segurança ilegal. Como em toda firma, cada “funcionário” desempenhava uma função para a otimização de sua principal atividade: eliminar pessoas ligadas ao tráfico após extorqui-las.

Wanderson Silva Tavares, o Gordinho ou Tenente, 34 anos

No mais alto escalão do negócio, ocupando o cargo de presidente do que se convencionou chamar de Extermínio S.A, estava Wanderson Silva Tavares, o Gordinho ou Tenente, 34 anos. Filho de uma oficial lotada no Batalhão de Polícia Florestal e de Meio Ambiente (BFMA), ele é apontado como o líder do bando e o principal articulador das ações da quadrilha, além de ser o responsável por dividir o dinheiro arrecadado com os crimes. À frente do setor financeiro aparece Abdias Cruz da Silva, o Buca, 38. Dono de uma extensa rede de segurança particular ilegal, que atende de supermercados a casas de shows do município, ele possui um patrimônio de mais de R$ 1 milhão e é apontado como o principal financiador das atividades da quadrilha.

Abdias Cruz da Silva, o Buca, 38 anos

O departamento logístico era ocupado pelo cabo Alexsandro Horffmam Lopes. Lotado no 12º BPM (Niterói), o PM recrutava colegas de farda para participarem dos seqüestros, extorsões e assassinatos. Completavam o quadro de “funcionários” da Extermínio S.A os cabos Christian Brito Guimarães e Alecsandre Nazareth Baiense, ambos lotados no 12º BPM, o soldado Rogério Acácio Ferreira, lotado no 7º BPM (São Gonçalo), além do cabo Fábio Gomes do Couto, do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPtur), e o irmão de Gordinho, Hygor Câmara Tavares. A esses cabia a função de aturar como o braço armado do grupo.

Cabo Alexsandro Horffmam Lopes, lotado no 12º BPM

Segundo policiais do Núcleo de Homicídios da 72ª DP (Mutuá), das 19 pessoas assassinadas pelo bando formado por civis e policiais militares, 15 foram seqüestradas e as outras quatro mortas durante o pagamento do resgate, feito por familiares e amigos. Entretanto, segundo as investigações, esse número pode chegar a 50, já que a polícia encontrou indícios de conexão entre essa quadrilha e um dos maiores grupos de extermínio da história de São Gonçalo, liderado por Rodrigo Soares Rangel, o Rodriguinho, 27. O elo entre os dois grupos seria o cabo Lopes, suspeito de ser um dos homens que entraram na casa do barbeiro Douglas Cabral Fidélis, 21, morto em março de 2007.

Cabo PM Alecsandre Nazareth Baiense, lotado no 12º BPM

“Tanto um grupo quanto o outro agia visando o financeiro, como uma empresa. Entretanto, o principal produto oferecido era a execução de pessoas. As investigações continuam com o objetivo de identificar outros integrantes e, consequentemente, reduzir o número de homicídios no município”, explicou o delegado Geraldo Assed, titular da 72ª DP.

Cabo Christian Brito Guimarães, lotado no 12º BPM

De todos os indiciados por envolvimento no bando, apenas Gordinho e o irmão continuam foragidos. O Disque-Denúncia, através do telefone 2253-1177, está oferecendo recompensa de R$ 2 mil para que tiver informações que auxiliem na prisão da dupla. O anonimato é garantido.

Soldado Rogério Acácio Ferreira, lotado no 7º BPM

As investigações sobre a atuação do grupo formado por policiais militares começaram a partir do seqüestro e morte de Rafael Dias de Miranda, 22, e Diego Torres da Silva, 20, cujos corpos foram encontrados dentro de um rio, na localidade conhecida como Ipuca, no Jardim Catarina no dia 13 de julho. As vítimas foram sequestradas dois dias antes da execução na Rua Cuiabá, na Trindade. A partir do crime, os policiais iniciaram uma busca por casos parecidos na mesma região, cujos valores dos resgates pedidos pelos criminosos variavam de R$ 15 a R$ 50 mil. No dia 10 de setembro, os agentes prenderam quatro policiais militares acusados de envolvimento nos crimes, além de uma mulher apontada como informante do bando.

Hygor Câmara Tavares

Vítimas

Outubro de 2009

05 – Um homem identificado como Bruno Maconha, do Complexo do Salgueiro. Morto na Estrada de Itaintidiba em Santa Isabel.

25 – Vilson dos Santos, sequestrado em Duque de Caxias e jogado no Rio Ipuca, no Jardim Catarina.
31 – Élson Souza dos Santos, retirado de casa na Trindade e encontrado morto no Jardim Bom Retiro.

Dezembro
05 – Paulo Amorim Cerqueira, morador do Salgueiro foi sequestrado e morto em Guaxindiba. A namorada dele, Juliana de Almeida Sena, também foi morta em emboscada.

Janeiro 2010
08 – Josivaldo José de Oliveira Sobrinho, o Baixinho, de 30 anos. Sequestrado no Salgueiro e morto no Coelho.

Junho
02-Daniel Santos Menezes, 20 anos,o Daniel Bafo, morador do Salgueiro. Executado e jogado em rio no Jardim Catarina, em São Gonçalo.

Julho
13 – Os corpos de Rafael Dias de Miranda, 22 anos, e Diego Torres da Silva, 20, foram encontrados dentro de um rio, na localidade conhecida como Ipuca, no Jardim Catarina.

Agosto
14 – Dyego Virtuoso, o Bodinho, de 26 anos. Sequestrado no Salgueiro e encontrado morto no Gradim.

Setembro
05 – Buchecha do Mutuapira é seqüestrado e encontrado carbonizado dentro de um Corsa na Avenida Santa Luzia, no bairro de mesmo nome.

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