Violência na escola: menina passa em corredor polonês

Publicado: 4 de novembro de 2010 em Uncategorized

X., de 13 anos, está há dois dias sem ir à escola. O motivo, dessa vez, não é a ausência de professores ou a distância da instituição de ensino, tampouco a falta de vontade da estudante, já que ela é considerada uma das mais aplicadas da Escola Estadual Coronel João Tarcísio Bueno, no bairro Paraíso, em São Gonçalo.

O que impede a adolescente de andar 100 metros de sua casa à instituição de ensino é um problema grave – e velado – que ultrapassou os muros das escolas e invadiu as salas de aula: a violência. Na última quarta-feira, dia 27 de outubro, X. foi agredida a socos e chutes por seis alunos, entre meninas e meninos, no banheiro da escola, após ser acusada de ter feito fofoca de uma delas. Segundo a vítima, as agressões só não foram piores porque um amigo conseguiu impedir que a violência continuasse e a retirou do chamado ‘corredor polonês’.

Revoltada com o descaso com o que o episódio foi tratado pela direção da escola – que teria dispensado os alunos sem notificar o fato aos pais – a mãe da adolescente, a dona de casa Y, 30, decidiu denunciar o crime, que está sendo investigado por policiais da 73ª DP (Neves) como lesão corporal. Com hematomas no rosto e nas costas, ela foi encaminhada ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), onde foi submetida ao exame de corpo de delito.

“Estou apavorada com isso tudo. Estou com medo de deixar minha filha ir à esquina, pois eles prometeram fazer pior. Ela está sem estudar e deve repetir por falta. Vou fazer de tudo para que isso não fique impune”, disse, indignada, a mãe da estudante.

X. também demonstra preocupação com as ameaças, contudo, sua maior preocupação é com a perda das aulas.

“Estou sentindo tanta falta da escola e queria até voltar, mas fiquei com medo depois que isso aconteceu”, comentou a adolescente.

A tristeza de X. foi amenizada com a solidariedade de quatro colegas de turma, que a visitaram após o término das aulas, na manhã da última sexta-feira, dia 29.

“Eles disseram que não esqueceram dela. Eu também estou com medo e pedi para o meu pai me buscar na escola”, comentou a amiga da vítima, de 13 anos.

O Conselho Tutelar vai acompanhar o caso. Policiais da 73ª DP irão intimar os envolvidos para prestar depoimento, inclusive a direção da instituição de ensino. A Secretaria de Estado de Educação informou que vai apurar o caso através da Coordenadoria Regional Metropolitana II (SG).

Esse não é o único caso de violência na escola investigado pela Polícia em São Gonçalo e Niterói. Outro ainda mais grave ocorreu no último dia 15. Familiares do estudante Jean Teixeira Justen, 14 anos, denunciaram que o adolescente morreu após ser espancado dentro da Escola Municipal Profª. Marlucy Salles de Almeida, na Trindade, em São Gonçalo. A mãe do estudante, a dona de casa Lucimar Teixeira Justen, 35, acredita que o motivo da agressão foi o fato de Jean ser portador de nanismo, doença genética que retarda o crescimento. A direção da instituição de ensino negou que o estudante tenha sido submetido a qualquer tipo de perseguição por parte dos outros alunos e afirmou que o ferimento na cabeça sofrido pelo adolescente, no dia 9 de setembro, ocorreu acidentalmente durante uma brincadeira de bola com uma colega de classe. A Polícia Civil aguarda o resultado do exame de corpo de delito e o laudo cadavérico para saber as causas da morte de Jean.

Há quatro dias, uma mãe acusou uma das coordenadoras de turma do Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Emiliano Di Cavalcanti, no Badu, na Região de Pendotiba, em Niterói, de ter agredido o filho dela, de 8 anos. O caso está sendo investigado por policiais da 79ª DP (Pendotiba).

“O que mais me espanta é a agressividade desses alunos e a indiferença de alguns profissionais de ensino com relação à violência nas escolas. Tenho certeza que casos como esses são comuns, mas as pessoas não têm coragem de denunciar. Não eduquei minha filha a base de pancadas e não vou deixar que façam isso no local onde ela deveria estar construindo o futuro dela. Vou até o fim para que essa brutalidade não fique impune”, ressaltou a mãe da vítima.

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