Um episódio bárbaro promete agravar ainda mais a guerra travada entre traficantes das facções Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) que disputam o controle da venda de drogas no Morro da Serrinha, em Madureira, na Zona Norte do Rio, há cerca de um ano.

Em um poste na Avenida Edgard Romero, na altura da Rua Sadoc de Sá – que dá acesso ao Morro da Serrinha e fica em frente ao Morro do Cajueiro, também em Madureira – exibida como se fosse um troféu, policiais do 41º BPM (Irajá) encontraram a cabeça do traficante Valmir Bernardo da Silva, o Parazão, apontado como homem que liderou o bonde do Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, para a tentativa de invasão à Serrinha.

Valmir Bernardo da Silva, o Parazão

Antes disso, entretanto, ela foi exibida pelas vielas da favela pelo traficante Jorge Porfírio de Sousa, o Dinho, 30 anos. As tentativas de criminosos do CV de dominar o Morro da Serrinha, controlado por rivais do TCP, teve início no final de setembro do ano passado. No mês seguinte, Parazão – que era braço direito de Dinho – fugiu da Serrinha levando armas e drogas e procurou refúgio na Favela Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, na Penha – considerado o Quartel General (QG) da facção fundada por Rogério Lengruber, o Bagulhão.

“O Dinho cumpriu a ameaça de se vingar do Parazão, que ele chamava de traíra. Ele ficou passeando pela comunidade com a cabeça dele. Foi uma cena de horror”, revelou um autônomo que é nascido e criado na Rua Doutor Joviano e pediu para não ter a identidade revelada.

Além de Dinho, seus dois irmãos, Sérgio Porfírio de Sousa, o Neco, e Adilson Porfírio de Souza, o Adilson da Serrinha, também participaram da ação. O corpo de Parazão não havia sido localizado, até o final da tarde de ontem.

“Moradores contaram que o corpo seria jogado aos porcos. Esses animais só não conseguem comer o cabelo e as unhas. Eles somem com o resto em dois dias”, afirmou um inspetor da 29ª DP (Madureira).

Enquanto peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) eram aguardados, uma equipe do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 41º BPM realizou uma incursão no Morro do Cajueiro e prendeu dois acusados de envolvimento com o tráfico de drogas no local, conhecidos como Playboy e Xuxa. O registro foi feito na 30ª DP (Marechal Hermes), que funcionava como central de flagrantes.

Jorge Porfírio de Sousa, o Dinho

De acordo com a Polícia, a autorização para o início da guerra na região foi dada pelo traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 34, que entregaria o controle do Morro da Serrinha para o comparsa Luiz Cláudio Serrat Corrêa, conhecido como Claudinho da Mineira, Claudinho Tabajara, Claudinho Dona Marta ou Claudinho CL, 38.

Segundo investigações da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), Claudinho CL tem dado apoio a diversos roubos a instituições financeiras. Ele faria o contato entre os assaltantes e traficantes do Complexo do Alemão – que estariam alugando armas para as ações em troca de parte do dinheiro arrecadado. Um dos traficantes que faria parte do esquema é Parazão.

Em maio deste ano, agentes da DRF apreenderam uma tonelada de maconha – avaliada em cerca de R$ 600 mil – na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Senador Camará, na Zona Oeste do Rio. A droga, com essência de menta, estava escondida debaixo de 26 toneladas de cebola e era transportada em uma carreta que vinha do Paraguai.

“O trabalho começou através da investigação de uma quadrilha de assaltantes a bancos. Ela se esconde no Alemão, aluga armas dos traficantes para cometer os roubos e, em troca, divide parte dos lucros com eles. É com esse dinheiro que os chefes do Alemão estão investindo na compra de mais drogas”, explicou, na ocasião, o delegado Marcelo Martins, adjunto da especializada.

Além disso, CL é apontado como um dos mandantes da execução do tenente-coronel da Polícia Militar José Roberto do Amaral Lourenço, 41. Diretor há quatro anos da Penitenciária Doutor Serrano Neves B – mais conhecida como Bangu 3B – no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, ele foi assassinado com mais de 60 tiros na Avenida Brasil, quando se dirigia ao trabalho, no dia 16 de outubro de 2008.

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