Considerado foragido da Justiça desde janeiro de 2008, o traficante Luiz Cláudio Serrat Corrêa, conhecido como Claudinho da Mineira, Claudinho Tabajara, Claudinho Dona Marta ou Claudinho CL, 38 anos, é apontado como o responsável pela guerra que tem atormentado os moradores de Madureira, na Zona Norte do Rio. Um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), é ele quem está à frente do bonde que tem travado constantes tiroteios com o rival Jorge Porfírio de Souza, o Dinho, 30, que é integrante do Terceiro Comando Puro (TCP) e lidera a venda de drogas no Morro da Serrinha.

Com reforço de comparsas dos morros da Primavera, em Cavalcante, e São José da Pedra, também em Madureira, o bonde de Claudinho CL está abrigado no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, e conta com apoio de Valmir Bernardo da Silva, o Parazão, que é ex-braço direito de Dinho. Nesta quarta-feira, dia 3 de novembro, os moradores comemoravam a primeira noite sem tiroteio das últimas duas semanas.

“Eu nem acreditei que consegui dormir”, comemorou uma aposentada que mora há 40 anos na Rua Iguaçu – um dos acessos ao Morro da Serrinha.

Jorge Porfírio de Souza, o Dinho, 30 anos

“Infelizmente estamos acostumados a momentos de guerra que interrompem períodos de paz. Não sabemos quando essa guerra realmente vai ter fim”, disse.

Ainda na manhã desta quarta-feira, policiais do 41º BPM (Irajá) – em parceria com equipes do 9º BPM (Rocha Miranda), 14º BPM (Bangu) e 27º BPM (Santa Cruz) – realizaram incursão na mata que separa os morros da Serrinha e do Juramento. Houve confronto e um dos criminosos acabou atingido. Socorrido pelos próprios PMs, ele foi levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, mas não resistiu. Com ele, os policiais apreenderam uma pistola nove milímetros. Na mesma ação, também foram apreendidos cerca de sete quilos de maconha e uma escopeta calibre 12.

“Infelizmente não podemos afirmar que a guerra acabou. É inviável ocupar a mata inteira, mas estamos ocupando a parte alta das duas comunidades e reforçando o policiamento em todo entorno. Vamos manter a ocupação enquanto for necessário”, garantiu o tenente-coronel Alexandre Fontenelle, comandante do 41º BPM.

“Na última terça-feira entramos em confronto e percebemos que havia um rastro de sangue em direção a uma trilha para o Juramento. Hoje (ontem) voltamos ao local para tentar localizar esses baleados e realizamos uma ação bem sucedida. Não há moradores ou policiais feridos”, ressaltou o oficial, informando que nos últimos 10 dias o batalhão já apreendeu 14 armas na região.

Em outubro do ano passado, três acusados de envolvimento com o tráfico foram mortos e um foi preso e houve apreensão de armas e drogas em outro capítulo da guerra entre as duas facções. A intenção, segundo investigações da 27ª DP (Vicente de Carvalho), seria encontrar refúgio para criminosos que eram de áreas onde foram instaladas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

A primeira tentativa de invasão ao Morro do Juramento ocorreu no final de agosto do ano passado, quando cerca de 100 traficantes armados e vestidos com roupas semelhantes à farda do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) chegaram à comunidade. Eles atravessaram o Morro do Juramentinho – que tem ligação, através da mata, com o Juramento, e integra o Complexo do Alemão. Os dois morros fazem parte do mesmo maciço.

Na tentativa de cercar a comunidade, parte dos criminosos do CV seguiram pela passarela da estação de metrô de Tomás Coelho. Ao avistarem os rivais, traficantes do TCP que estavam no alto do morro atiraram. Policiais militares que realizavam patrulhamento na Avenida Martin Luther King ficaram no meio do fogo cruzado. Cinco deles ficaram encurralados e acabaram sendo baleados. Eles só conseguiram ser resgatados com a ajuda de um PM morador do bairro. Lotado no 25º BPM (Cabo Frio), na Região dos Lagos, o cabo Mauro Silva Mendes, 37, passava pelo local com seu Mitsubishi Pajero blindado e usou o carro para furar o bloqueio.

Com um mandado de prisão expedido pela 29ª Vara Criminal da Capital, no dia 31 de janeiro de 2008, e outro expedido pela 1ª Vara Criminal da Capital, em 22 de janeiro do ano passado, Claudinho CL é acusado pela Polícia de ser um dos mandantes da execução do tenente-coronel da Polícia Militar José Roberto do Amaral Lourenço, 41.

Diretor há quatro anos da Penitenciária Doutor Serrano Neves B – mais conhecida como Bangu 3B – no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, ele foi assassinado com mais de 60 tiros na Avenida Brasil, quando se dirigia ao trabalho, no dia 16 de outubro de 2008.

Ele é o único envolvido no crime que ainda está em liberdade. Os outros quatro acusados já estão presos: Adair Marlon Duarte, o Aldair da Mangueira, 33, Ronaldo Pinta Lima da Silva, o Ronaldinho Tabajara, 36, e Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, 32.

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