Caseiro acusado de matar ex-patroa é preso em Friburgo

Publicado: 19 de novembro de 2010 em Uncategorized

José Luciano Macário da Silva, o Maca, 33 anos

Investigado por envolvimento com uma milícia que atua no Rio de Janeiro e procurado por um duplo homicídio ocorrido há cinco anos em Cachoeiras de Macacu, o caseiro José Luciano Macário da Silva, o Maca, 36 anos, foi preso em Nova Friburgo, na Região Serrana, de maneira inusitada: ele foi abordado por agentes da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado e Inquéritos Especiais (DRACO) que estavam disfarçados de flanelinhas e ambulantes.

A ação foi realizada nesta quinta-feira, dia 18 de novembro, no Centro de Friburgo, quando Maca saía de um prédio comercial acompanhado pela mulher e a cunhada. Sem disparar um único tiro, os policiais da especializada renderam o foragido, que possuía contra si um mandado de prisão expedido pela 4ª Câmara Criminal da capital por duplo homicídio triplamente qualificado.

O crime foi praticado por volta das 9h do dia 25 de setembro de 2005, na Fazenda Maravilhosa, localizada na Estrada do Faraó, no bairro de mesmo nome. Além de Maca, foram denunciados pelo Ministério Público: José Manoel dos Santos, o Santinho, 27; Josilvan Valdomiro da Silva, o Van, 29; Marcos João de Lima, o Júnior, 24; e Cícero Célio de Lima, o Cicinho, 28. Os cinco foram acusados de matar a alemã Alexandra Schleifer, então com 45 anos. Proprietária da fazenda, ela foi assassinada, de acordo com a denúncia do Ministério Público, por Santinho e Cicinho, a golpes de porrete.

Ainda segundo o MP, Maca, Van e Júnior foram os responsáveis pela ocultação do cadáver. Os três teriam enterrado o corpo da alemã no alto da fazenda, ao lado de uma bananeira. Também teria sido Maca que entregou um revólver calibre 38 a Cicinho, enquanto esperavam a chegada da administradora da fazenda, Edclea Lins Fulco, 37. Cerca de uma hora e meia após o primeiro assassinato, a segunda vítima foi recebida por Santinho e Cicinho e atingida por dois tiros pelas costas.

As investigações apontaram Maca como sendo o mentor intelectual do crime. Além de organizar e dividir as tarefas, teria sido ele quem determinou onde o corpo de Edclea seria enterrado: na fossa do chiqueiro de porcos.

“Em seguida, Luciano retira os veículos das vítimas e os incendeia procurando dificultar as investigações. Os crimes foram cometidos por motivo torpe, qual seja vingança pelo tratamento dispensado pela vítima Alexandra aos denunciados, cruel por ter empreendido especial sofrimento à vítima e com recurso que dificultou a defesa das vítimas, porque foram surpreendidas pelas costas”, detalha o texto em que o Ministério Público citou os denunciados para acompanhar os termos da presente ação penal e requereu a sua pronúncia. A denúncia foi recebida no dia 28 de novembro de 2005.

Todos os cinco acusados confessaram participação nos crimes em depoimento ao delegado Nilton Fabiano Lessa Gama, então titular da 159ª DP (Cachoeiras de Macacu). Na época, o caso começou a ser investigado como seqüestro, pois as duas vítimas ficaram desaparecidas por 12 dias – quando as carcaças dos veículos – o Land Rover da alemã e o Silverado da administradora – incendiados foram encontrados.

Quatro funcionários que trabalhavam há três meses na fazenda acabaram presos após um pedido de resgate ter sido feito. Eles disseram, na ocasião, que tinham raiva da patroa porque ela não pagava os salários.

“Os funcionários confessaram que foram convencidos a praticarem aquela barbárie pelo ex-caseiro José Luciano Macário da Silva, que havia sido demitido meses antes e teria raiva de sua ex-patroa”, contou um dos policiais da Divisão Anti-Sequestro (DAS) que participou da primeira prisão, efetuada em 2005.

Enquanto Cícero Célio de Lima, o Cicinho, foi condenado a 20 anos de prisão, José Manoel dos Santos, o Santinho, foi condenado a 7 – ambos por homicídio e ocultação de cadáver. Em maio de 2009, José Luciano Macário da Silva, o Maca, Josilvan Valdomiro da Silva, o Van, e Marcos João de Lima, o Júnior, chegaram a ser absolvidos. No entanto, após a análise de recursos judiciais, o Tribunal do Júri foi anulado. Novo julgamento será realizado, ainda em data não definida.

“Quanto a apuração da participação de Maca em milícias locais, não vamos divulgar maiores informações por enquanto, para não comprometer as investigações que ainda estão em andamento”, ressaltou o agente da especializada.

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