Vereador do Rio é preso acusado de chefiar milícia na Zona Oeste

Publicado: 16 de abril de 2011 em Uncategorized

Denunciado pelo Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Lopes, e pelo Subprocurador-Geral de Justiça de Atribuição Originária Institucional e Judicial, Antonio José Campos Moreira, o vereador do Rio de Janeiro e ex-cabo do Exército Luiz André Ferreira da Silva, conhecido como Deco ou O Iluminado, foi preso nesta quarta-feira, dia 13 de abril, por volta de 6h, durante a operação “Blecaute”.

A ação foi deflagrada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO/IE) em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público. Outras duas pessoas foram presas, e cinco estão foragidas. Todos responderão pelo crime de quadrilha armada. Cerca de R$ 61 mil foram apreendidos.

“Com a denúncia e a prisão do vereador, conseguimos praticamente deter o último miliciano envolvido com a política citado na CPI das Milícias, o que é uma grande vitória”, disse Cláudio Lopes.

Foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra sete outros integrantes do bando paramilitar. O vereador foi preso em sua casa, na Praça Seca, em Jacarapaguá, na Zona Oeste do Rio. Foram presos também os denunciados Arilson Barreto das Neves, o Cabeção, e Edilberto Gomes Alves, o Bequinho. Já o dinheiro foi apreendido na residência de Hélio Albino Filho, o Lica ou PM Souza, citado na denúncia como braço direito de Deco.

A operação também teve a participação de agentes da Corregedoria-Geral Unificada das Polícias e da Subsecretaria de Inteligência (SSInt) da Secretaria de Estado de Segurança Pública.

As prisões e as buscas foram requeridas pelo MP e deferidas pela Seção Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. Os mandados foram cumpridos inclusive no gabinete do Parlamentar, na Câmara Municipal.

“O trabalho em conjunto reuniu diversos setores do MP, além da DRACO e da CGU, resultando uma vez mais na desarticulação de uma perigosa milícia. O fato de a liderança do bando ser exercida por um vereador do Rio ampliava seu poder de intimidação e a sensação de impunidade dos criminosos”, afirmou o Subprocurador-Geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira.

Promotor de Justiça Claudio Varela; subprocurador-Geral de Justiça de Atribuição Originária Institucional e Judicial, Antonio José Campos Moreira; Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame; delegado Fernando Veloso e promotor de Justiça Décio Luiz Alonso Gomes (integrante do GAECO e Assistente da Subprocuradoria-Geral de Justiça de Atribuição Originária Institucional e Judicial

Em entrevista coletiva, o Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, ressaltou a importância e necessidade da parceria com o Ministério Público.

“O MP tem assumido uma postura muito proativa”, acrescentou, ao lado de Antonio José Campos Moreira; do Coordenador do GAECO, promotor de Justiça Claudio Varela; do promotor de Justiça Décio Luiz Alonso Gomes (integrante do GAECO e assistente da Subprocuradoria-Geral de Justiça de Atribuição Originária Institucional e Judicial) e dos delegados Fernando Veloso (Subchefe da Polícia Civil) e Alexandre Capote (DRACO/IE).

Funcionamento da milícia

De acordo com a denúncia, Deco é o principal dirigente da milícia que há pelo menos sete anos controlava comunidades situadas nos bairros de Praça Seca, Campinho, Tanque e Quintino, em Jacarepaguá. Para se impor, segundo a denúncia, a quadrilha recorria a meios cruéis como homicídios por meio de armas de fogo, facões e cordas para enforcamento. Além disso, praticava ocultação e destruição de cadáveres, torturas, estupros, invasões de domicílios e outros crimes.

Nas áreas controladas pelo bando, comerciantes são obrigados a pagar taxas de segurança mensais de até R$ 100. Dos moradores, cobra-se taxas por fornecimento de água (R$ 10), sinais clandestinos de TV a cabo (R$ 30) e internet (R$ 30), além da venda de imóveis (até 20% do valor negociado).

Para trabalhar, mototaxistas pagam R$ 30 a cada 15 dias. As atividades ilícitas, geralmente com o respaldo de associações de moradores, incluíam a monopolização da venda de botijões de gás, com preços fixados acima dos valores praticados no mercado e a exploração de máquinas de jogos de azar.

Deco e os outros milicianos, conforme informações encaminhadas ao Disque Denúncia em 2009, planejaram matar o deputado estadual Marcelo Freixo, presidente da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa, uma vereadora não identificada e a delegada Martha Rocha – atual chefe da Polícia Civil – quando ainda era titular da 28ª DP (Campinho).

“A quadrilha tornou rotineira a eliminação daqueles que não se submetem às regras impostas, usuários de drogas, testemunhas de seus delitos e delinquentes rivais que atuavam na região dominada, sendo certo que chegou a criar a chamada ‘lista negra da milícia’, na qual, mensalmente, são relacionados os nomes daqueles que devem morrer”, diz a denúncia.

O vereador – que foi paraquedista no Exército durante oito anos -, segundo as investigações da DRACO/IE e do GAECO, participa diretamente das decisões mais importantes do grupo, inclusive sobre homicídios. Ele fundou centros sociais e realizou tráfico de influência junto ao Poder Legislativo e à Polícia.

Seu braço direito, Lica, coordenava as atividades de associações de moradores, matadores, agentes de campo, seguranças e olheiros, tendo participado diretamente de assassinatos ocorridos na região. Apesar de não ser policial, era conhecido como PM Souza por trajar farda da Polícia Militar e circular em viaturas da corporação.

Cabeção era presidente da associação de moradores da comunidade Conjunto do IPASE, enquanto Bequinho atuava como segurança de Deco, ostentando armas de fogo e fazendo o serviço de escolta.

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