Dívida com drogas leva mais um jovem à condenação e execução no Tribunal do Tráfico

Publicado: 10 de maio de 2011 em Uncategorized

“É duro, mas agora vou conseguir enterrar meu neto. Essa dor não vai passar nunca, mas pelo menos sei que consegui encontrá-lo, mesmo que dessa forma”.

As palavras do marceneiro Daniel da Silva Daumas, 69 anos, revelam o drama de uma família que durante três anos tentou livrar um jovem do vício das drogas, além de expor as leis a que os traficantes submetem aqueles que os devem. Quinze dias após sair de casa para ir a uma festa, Daniel da Silva Daumas Neto, conhecido como Belote, 23 anos, foi encontrado morto no fundo do lago de um sítio, localizado na Avenida 22 de maio, em Itaboraí. A descoberta foi feita nesta quinta-feira, dia 5 de maio.

De acordo com a Polícia, Daniel, que morava no bairro Jardim Imperial, foi atraído para uma emboscada por traficantes do Morro do Catiço, em Nova Cidade, onde foi executado a pauladas na madrugada do dia 22 de março. Ele e outro rapaz, identificado apenas como Henrique ou Galo Cego, foram espancados até a morte e tiveram os corpos arrastados até a propriedade particular, onde foram amarrados em uma pedra e lançados no lago de aproximadamente dois metros de profundidade.

No dia seguinte ao crime, a dona de casa Danielle de Mattos Daumas, 42, mãe da vítima, recebeu um telefonema informando a morte do filho. Entretanto, os criminosos informaram que o corpo jamais seria encontrado, pois havia sido concretado. Desde então, Danielle e o pai iniciaram uma peregrinação marcada por ameaças.

“Implorei dizendo que só queria enterrar meu filho, mas eles afirmavam que eu jamais iria achá-lo. Se insistisse, seria morta da mesma forma que ele”, comentou assustada.

O desfecho da história começou no último sábado, dia 30, quando o corpo de Henrique emergiu e o proprietário do sítio o encontrou boiando no lago. Ao ser informada sobre o episódio, Danielle insistiu com a Polícia e com o Corpo de Bombeiros que o corpo do filho também poderia estar no local. Foram cinco dias de espera até Danielle e o pai conseguirem o empréstimo de três bombas de sucção para que os bombeiros esvaziassem o lago. Após três horas do início do resgate, o corpo de Daniel surgiu no meio do lago amarrado a uma pedra.

“Cansei de pagar dívidas de R$ 100 a R$ 700 que ele contraía com o tráfico. Era tanta gente cobrando que cheguei a emitir notas para confirmar o pagamento. Essa poderia ser mais uma que eu poderia ter quitado”, disse desolado o avô, que o criou desde criança.

José Ricardo Couto e Silva, o Ricardo Paiol

Investigações – Segundo as investigações, Daniel e Henrique foram convidados para uma festa promovida por traficantes do Morro do Catiço, onde eles passaram a noite bebendo e consumindo drogas. A ordem para matá-los teria partido de um homem conhecido como Anão, apontado como o gerente do tráfico na comunidade. O criminoso também teria participado da sessão de espancamento e ainda disse: “Matei dois vagabundos sem gastar uma bala”.

Ainda de acordo com a Polícia, José Ricardo Couto e Silva, o Ricardo Paiol – chefe do tráfico de drogas do Morro do Turano e de comunidades de Itaboraí – continuaria a controlar as bocas-de-fumo no Morro do Catiço de dentro da cadeia.

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