Major da PM que executou ex-mulher vai a júri três anos após o crime

Publicado: 10 de maio de 2011 em Uncategorized

Três anos e quatro meses após cometer um dos crimes mais emblemáticos e cruéis de violência contra a mulher no Estado, o major da Polícia Militar Breno Perroni Eleutério, 40 anos, vai sentar no banco dos réus. Nesta segunda-feira, dia 9 de maio, ele vai à júri popular pelo assassinato da ex-mulher, a bancária Érica de Almeida Marques, 33, prima do ator Eri Johnson, executada com 15 tiros de pistola – oito deles no rosto – ao buscar seu filho de um ano na casa do ex-marido, no Barreto, na Zona Norte de Niterói. Ela estava separada há um ano do PM e já havia sido ameaçada, agredida e sequestrada pelo ex-companheiro, que não se conformava com o fim do relacionamento.

O crime ocorreu por volta das 10h do dia 29 de dezembro de 2007. A pedido do próprio Breno, a bancária seguiu para a residência do ex-companheiro, localizada na Rua Galvão, para buscar o filho, com quem passaria o réveillon. Acompanhada da irmã, a comerciante Cláudia Marques, 40, e de seu outro filho, a vítima parou o carro na entrada da rua e seguiu para a casa do policial, onde foi recebida a tiros.

“Quando ouvi os disparos, tive a certeza de que era ele atirando na minha irmã. A esperança era de que todos aqueles tiros tivessem sido para o alto. Fiquei atônita e sem ação durante alguns minutos. Quando consegui seguir com o carro, já encontrei minha irmã morta em frente à casa dele”, recorda a comerciante.

Segundo testemunhas, ao perceber que Breno estava armado, Érica ainda tentou correr, mas foi atingida nas costas. Caída na calçada, ela teria implorado para não ser morta, mas o ex-marido efetuou outros oito disparos em seu rosto. Após cometer o crime, ele ainda acendeu um cigarro e entrou tranquilamente em casa, onde vestiu sua farda. Em menos de 10 minutos, uma viatura da PM apareceu no local do crime para conduzi-lo à 78ª DP (Fonseca). Ao recebê-lo, os colegas de farda ainda prestaram continência ao major.

“Fiquei indignada quando vi aquela cena. Minha irmã morta daquela forma bárbara e eles ainda preocupados com o ritual”, criticou.

Na delegacia, Breno alegou ter agido em legítima defesa, afirmando que Érica o teria ameaçado de morte para ficar com o bebê. O oficial foi autuado por homicídio duplamente qualificado, com dois agravantes: motivo fútil e sem chance de defesa para a vítima. De acordo com a assessoria de imprensa da PM, ele permanece no Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica, na Zona Norte do Rio, onde aguarda decisão das justiças Civil e Militar.

Relacionamento marcado pela violência – Segundo familiares, a morte de Érica foi anunciada e premeditada por Breno. Durante os três anos de relacionamento, ela era submetida a agressões físicas e psicológicas pelo companheiro. Sob ameaças de morte, o PM a obrigou a passar a guarda do filho para ele. Com medo, Érica cedeu. O estopim para a bancária denunciá-lo ocorreu após ela ficar durante seis horas sob a mira de uma arma.

“Ele chamou a Érica para conversar sobre o filho e a levou para o Parque da Cidade, onde a colocou de joelhos em uma ribanceira ameaçando matá-la, caso ela não reatasse o casamento. Após seis horas de terror psicológico, ela resolveu voltar”, lembra Cláudia.

No dia seguinte, Érica e a irmã seguiram para a 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), onde denunciaram o major. As agressões também foram registradas na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Niterói.

“Por negligência do Estado, ele não ficou preso administrativamente e não houve qualquer medida protetiva da Justiça para evitar o que ele fez. Nada vai trazer a Érica de volta, mas espero que a justiça seja feita e ele cumpra pelo crime que cometeu”, disse Cláudia.

Após a luta por uma pena rigorosa para o acusado, a irmã da vítima também pretende entrar na justiça para ter o direito de visitar o sobrinho. “Não o vejo há mais de três anos e esta será minha próxima batalha”, encerrou.

Mapa da violência contra a mulher, de acordo com Dossiê Mulher 2011 (Dados referentes ao ano de 2010), divulgado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro. (número e colocação no ranking do Estado).

SG

Homicídio – 23 (2º) Perdendo apenas para a ISP 20 (Mesquita, Nova Iguaçu e Nilópolis).

Tentativa de homicídio – 36 (2º)

Estupro – 186 (4º lugar)

Ameaça – 3112 (2º Lugar)

Lesão Corporal dolosa – 1428 (5º)

Niterói

Homicídio – 8 –

Tentativa de homicídio –19 (12º)

Estupro – 153 (9º)

Ameaça – 2058 (7º)

Lesão Corporal dolosa –1071 (10º)

RELEMBRE O CASO:
Major da PM executa ex-mulher

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