PMs acusados por morte e abusos na Favela Grota do Surucucu

Publicado: 10 de maio de 2011 em Uncategorized

Após serem acusados por moradores da Favela da Grota do Surucucu, em São Francisco, na Zona Sul de Niterói, de balear duas pessoas durante uma incursão na comunidade, no início da manhã deste sábado, dia 30 de abril, quatro policiais do 12º BPM (Niterói) – um sargento e três cabos – foram presos. Os PMs foram autuados por lesão corporal na 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) e indiciados por homicídio e tentativa de homicídio na 79ª DP (Jurujuba). Os quatro foram encaminhados ao Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica, na Zona Norte do Rio, e tiveram o pedido de prisão preventiva solicitado à Justiça.

Na ação, o pedreiro Marcus Vinicius dos Santos, 42 anos, foi morto com um tiro na cabeça e a diarista Alessandra Silva da Conceição, 35, foi atingida por dois disparos de raspão nas costas. De acordo com testemunhas, os PMs ainda obrigaram um dos moradores a socorrer as vítimas em seu veículo, agrediram três jovens e os humilharam colocando as armas nas partes íntimas dos rapazes, além de molestar mulheres.

O tiroteio começou por volta das 6h. Um grupo de amigos jogava sinuca em um bar, localizado na Rua Albino Pereira, quando cerca de 10 homens – alguns deles usando fardas da Polícia Militar – entraram na favela efetuando disparos a esmo. A diarista se jogou no chão do estabelecimento comercial, mas foi atingida nas costas. Ao perceber que a amiga havia sido baleada, Marcus abraçou-a para tentar protegê-la, mas também foi atingido por um tiro na cabeça e morreu no local.

Os supostos policiais reviraram o bar, derrubaram a mesa de sinuca e bateram nos freqüentadores. Uma das vítimas chegou a informá-los de que duas pessoas haviam sido baleadas, mas eles inicialmente ignoraram e ainda afirmaram tratar-se de bandidos. Um dos supostos PMs, entretanto, abordou o motorista de um Palio prata que passava pelo local e o obrigou a socorrer Alessandra e levar o corpo de Marcus para o hospital.

Diante da demora do condutor do veículo, um dos homens apontados como policial também o agrediu com um tapa no rosto. Ele seguiu com as vítimas para o Hospital Municipal Carlos Tortelli, no Bairro de Fátima, onde a diarista foi medicada. Já o corpo de Alessandro ficou dentro do carro durante uma hora na unidade até ser levado para a 76ª DP (Centro), onde foi submetido à perícia técnica e, em seguida, removido para o Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó. O caso foi registrado na 76ª DP como homicídio e tentativa de homicídio e será remetido à 79ª DP (Jurujuba), que será responsável pelas investigações.

Denúncia de arbitrariedades – “Eles não querem saber se é trabalhador, criança ou estudante e já chegaram atirando. Para mim, são piores que os próprios bandidos. Sei que não são todos que agem dessa forma, mas temos que denunciar os maus policiais”.

O desabafo é de uma moradora que viu os três jovens sendo agredidos pelo grupo que invadiu a comunidade, na manhã de ontem. Ela contou que os rapazes voltavam de uma festa quando foram abordados pelos mesmos homens que atiraram em direção ao bar. Os jovens foram colocados com o rosto no chão e espancados.

“Um dos meninos ficou só de cueca e um dos homens colocou o bico da arma no ânus dele. Fiquei assustada imaginando que poderia ser um filho meu, mas tenho medo de denunciar e sofrer represálias”, completou assustada, apontando para as cápsulas de calibre 380 e munições para fuzil calibre 556 abandonadas no local do crime.

A agressão sofrida pelos jovens foi registrada na 79ª DP. No final da tarde, moradores atearam fogo em pneus e pedaços de madeira e interditaram a Avenida Rui Barbosa, que liga São Francisco ao Largo da Batalha.

PM nega operação na comunidade – O comandante do 12º BPM (Niterói), tenente-coronel Paulo Henrique Moraes, informou que não havia nenhuma operação ou incursão programada para a Favela da Grota, na manhã de ontem. Entretanto, ao tomar conhecimento sobre a suposta violência policial ocorrida na comunidade, ainda pela amanhã, o oficial informou que instaurou uma sindicância para investigar o caso.

“Estamos investigando a possibilidade de policiais militares terem participado dessa ação; contudo, reitero que não havia qualquer ação do 12º BPM planejada para aquela comunidade. Já estamos ouvindo as testemunhas do fato e as encaminharemos para um possível reconhecimento dos autores através de fotografias. Caso algum policial seja identificado, ele será submetido às penas vigentes e poderá ser expulso da corporação”, afirmou.

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