Familiares de Lindinho sob ameaças de sequestradores

Publicado: 16 de maio de 2011 em Uncategorized

Sandro Luís de Paula Amorim, o Lindinho, Foca ou Peixe, 35 anos

Duas semanas após ter sido libertado pelos homens que o sequestraram, o traficante Sandro Luís de Paula Amorim, o Lindinho, Foca ou Peixe, 35 anos, ainda não escapou da morte: os homens que o soltaram após o pagamento de R$ 1 milhão e 400 mil e a promessa de que R$ 600 mil seriam pagos antes do Dia das Mães – comemorado no último dia 8 de maio – agora ameaçam matar a família dele caso a dívida não seja honrada. A informação foi dada por amigos do criminoso, que preferem não ter a identidade revelada e revelam que o clima está tenso na Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio.

“O que aconteceu foi que os caras dele mesmo deram o mapa para os sequestradores pegarem ele. Os sequestradores ameaçaram matar geral da família dele, se ele não pagar os 600 mil que ficou devendo. Não tem como eu falar mais nada, pois o clima tá tenso… um desconfiando do outro… Não falta muito para rolar um enorme banho de sangue”, enfatizou.

Localidade Laboriaux, na Favela da Rocinha

O sequestro aconteceu na manhã de uma quarta-feira, dia 27 de abril, na localidade conhecida como Laboriaux. Comparsas do traficante acusam policiais de um grupo de elite da Polícia Militar envolvidos com milícias que atuam na Zona Oeste do Rio. Parte do resgate foi pago com dinheiro levantado por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nêm, 34, um dos homens fortes da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) e, desde 2004 (após a morte de Luciano Barbosa da Silva, o Lulu), líder do tráfico de drogas na Favela da Rocinha – que possui mais de 120 mil moradores.

Em junho de 2002, Lindinho passou a controlar as bocas-de-fumo nas favelas de Macaé a mando do traficante Rogério Rios Mosqueira – também conhecido como Macaé ou Lindão (que foi morto pela Polícia em março do ano passado, aos 36 anos). Natural do Complexo das Malvinas, que é formado pelas favelas Nova Holanda, Santanna e Aroeira, localizadas em Macaé, Roupinol era acusado de ser o principal distribuidor de drogas na cidade do Norte Fluminense. Ele e Lindinho – nascido e criado no Morro da Mineira, no Complexo de São Carlos, no Estácio, na região central do Rio – se conheceram na Penitenciária Lemos Brito, no Complexo da Frei Caneca, onde os dois cumpriam pena.

Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nêm, 34 anos

O traficante Roupinol foi beneficiado com a liberdade condicional em dezembro de 2004 e passou a ser considerado foragido da Justiça em março de 2007, quando a Polícia Federal desarticulou uma quadrilha de traficantes que mantinha uma refinaria de cocaína no município de Conceição de Macabu, na região norte do Estado do Rio. O laboratório tinha capacidade para refinar de 10 a 15 quilos de pasta base de cocaína por mês – droga que era enviada para as bocas-de-fumo dos complexos das Malvinhas e de São Carlos – composto pelos morros São Carlos, Mineira, Querosene e Zinco. Após a morte de Roupinol, surpreendido por equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) em uma casa no Morro do São Carlos, Lindinho pediu abrigo a Nêm e foi se esconder na Favela da Rocinha.

A prática de sequestrar traficantes – ou parentes deles – em troca de dinheiro não é nova. Em 2007, um grupo de policiais foi acusado de exigir um resgate de R$ 2 milhões pela liberdade de Francisco Testas Monteiro, o Tuchinha, 46, que controlava o tráfico de drogas no Complexo da Mangueira, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. Após passar 17 anos preso, Tuchinha havia conquistado a liberdade condicional para cumprir o restante da pena, em julho de 2006. O benefício foi revogado em abril de 2007, depois que deixou de cumprir uma das obrigações mais simples do livramento condicional: ir à Casa do Albergado Crispim Ventino, em Benfica, também na Zona Norte, assinar o livro de presença. Com isso, o juiz Carlos Eduardo Figueiredo, da Vara de Execuções Penais (VEP), expediu um novo mandado de prisão.

Rogério Rios Mosqueira, Roupinol, Macaé ou Lindão, 36 anos

O traficante justificou seu sumiço confirmando o sequestro, ocorrido no dia 27 de fevereiro daquele ano. Ele contou que foi seqüestrado em São Cristóvão por policiais que negociaram sua libertação com comparsas dele. Do pedido de resgate de R$ 2 milhões, pelo menos R$ 1,2 milhão teria sido pago. Na ocasião, Tuchinha confirmou que havia sido levado por policiais, mas disse que não podia reconhecê-los porque eles estavam de capuz.

No final de 2008, a dona de casa Tereza da Cruz de Lima, 64, foi mais uma vítima desse tipo de extorsão. Mãe do traficante João Soares de Lima Filho, o Joãozinho da Vila Ideal (também conhecido como Joãozinho do Lixão) – morto em agosto de 2009, aos 35 anos -, ela contou, em entrevista exclusiva à repórter Roberta Trindade, que foi seqüestrada por policiais civis e permaneceu sob cárcere privado durante aproximadamente doze horas no interior da 59ª DP (Duque de Caxias).

Francisco Testas Monteiro, o Tuchinha, 46 anos

“Eles pediram R$ 50 mil e meu filho disse que não tinha. Só me soltaram no final do dia, depois que ele conseguiu juntar R$ 15 mil. Depois disso eu fiquei traumatizada. Tive depressão. Fui morar em outro lugar. Meu filho não podia viver na mesma casa que eu. Ele vivia em endereços ignorados, mas sempre foi presente e me apoiou em tudo. O maior medo dele era morrer e me deixar desamparada”, revelou Tereza.

Na última quarta-feira, dia 11 de maio, três policiais militares – dois lotados no 12º BPM (Niterói) e um no 7º BPM (São Gonçalo) – foram acusados de sequestrar e tentar extorquir um traficante do Complexo do Boaçu – composto pelas localidades Cerâmica, Buraco da Cobra, Rua 10, Valão, Campo da Dona Lurdes e Campo do Camilo -, no bairro de mesmo nome, em São Gonçalo. Enquanto um dos PMs mantinha a namorada do criminoso em cárcere privado em sua residência, no bairro Porto da Pedra, os outros dois saíram com Luiz Antônio da Conceição Júnior, o Juninho ou J, para que ele arrecadasse R$ 20 mil por sua liberdade. Os policiais foram presos e, até a tarde deste domingo, dia 15 de maio, o traficante permanecia desaparecido.

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