PMs acusados de forjar mais um auto de resistência no Salgueiro

Publicado: 7 de julho de 2011 em Uncategorized

“Esses policiais destruíram a vida do meu filho. Se eles pedissem, eu fazia o jogo deles e falava que havia sido tiro trocado, como eles tentaram mostrar para todo mundo. Mãe de verdade é capaz de tudo para salvar a vida de um filho e até a essa condição eu me submeteria, mas nem esse direito eu tive: o simples direito de socorrer meu filho”.

As palavras da dona de casa X, de 48 anos, revelam o drama de um jovem que teve o sonho de ter a carteira profissional assinada pela primeira vez interrompido com um tiro de fuzil calibre 762 no abdômen. Arma e munição pertencentes ao Estado, sob a responsabilidade de policiais militares, que impediram familiares de socorrê-lo.

Taxado como bandido, o vendedor ambulante Diego da Conceição Beliene, 18 anos – morador do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo – foi baleado durante uma incursão de policiais do 7º BPM (São Gonçalo) na comunidade, na tarde do último dia 3 de junho. Segundo denúncia do Ministério Público (MP), o jovem agonizou durante uma hora até ser “socorrido” – já cadáver – por uma ambulância do Corpo de Bombeiros.

Três PMs foram presos sob a acusação de atirar no vendedor ambulante e tentar forjar um “auto de resistência” – quando o criminoso é baleado durante troca de tiros com a Polícia. Entretanto, segundo as investigações do MP, Diego não era bandido e, tampouco, havia traficantes na Rua Reginaldo Ulisses de Oliveira, na localidade conhecida como Conjunto da PM, no bairro da Palmeira, quando os policiais chegaram efetuando disparos a esmo.

O jovem, que sofria de disritmia e fazia uso de remédios controlados, tinha ido à esquina de sua rua olhar a mãe que seguia para visitar a irmã no hospital.

“O Diego tinha o costume de me acompanhar até a entrada da rua quando eu saía de casa. Ele ficava me olhando com medo de que alguma coisa pudesse acontecer comigo. Eu já estava distante quando ouvi os tiros, mas nunca imaginei que eles acertariam meu filho”, recordou emocionada a dona-de-casa, que prefere não se identificar temendo represálias.

Ao perceber que os policiais atiravam em sua direção, o jovem entrou em uma casa abandonada, onde foi atingido por um único disparo. As investigações apontaram que outros PMs estavam dentro do imóvel para tentar surpreender criminosos em fuga.

“Meu irmão se assustou e pulou o muro dessa casa com medo de ser atingido. Eu implorei para que os policiais deixassem os moradores socorrê-lo, mas, muito nervosos, eles só sabiam afirmar que o Diego era bandido. Ainda falei: agora vocês vão ‘plantar’ uma arma nele”, contou a irmã da vítima.

Ao apresentar a ocorrência na 74ª DP (Alcântara), os PMs alegaram que faziam patrulhamento para reprimir o tráfico de drogas na comunidade quando foram surpreendidos por sete criminosos, que atiraram na direção da viatura. Eles afirmaram que apreenderam uma pistola com Diego e o socorreram ainda com vida, mas o rapaz teria morrido ao dar entrada no Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê.

Familiares negaram a versão e afirmam que durante a ação policial havia apenas moradores na rua.

“Eles já entram atirando sem saber quem é quem. Isso não é de hoje. São sempre os mesmos. Infelizmente, Diego não é o primeiro e provavelmente não será o último”, disse, indignada, uma moradora, que também preferiu não se identificar.

Após receber a denúncia do MP, a juíza Patrícia Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, determinou a prisão temporária por homicídio qualificado dos cabos Sammy dos Santos Quintanilha, Carlos Adilho Maciel dos Santos, o Carlão ou Jesus, e outro conhecido apenas como Flávio “Fita”.

Eles foram presos pelo Serviço de Inteligência (P-2) do próprio batalhão onde são lotados, durante ação conjunta com oficiais de Justiça da 4ª Vara Criminal, na tarde desta sexta-feira, dia 17 de junho. Na operação, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na casa dos suspeitos e no armário do 7º BPM e apreenderam uma pistola, quatro carregadores e cinco celulares.

Além de responder por homicídio, os policiais serão indiciados por fraude processual pela tentativa de forjar o auto de resistência e por alegarem que atenderam a determinação do MP de não socorrer supostas vítimas de confronto. O documento não impede que familiares de feridos sejam impedidos de prestar socorro a vítimas ainda com vida. Os bombeiros responsáveis pelo resgate de Diego também devem ser investigados.

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