Caso Alexandre Ivo: acusados terão data do julgamento marcada

Publicado: 17 de julho de 2011 em Uncategorized

“Temos uma Justiça que, infelizmente, não é igual para todos. Quando encontraram o corpo do meu filho num terreno baldio, freqüentado por usuários de drogas, ninguém acreditou que o Alexandre tinha família, amigos. Há 12 meses minha vida é em função de provar o contrário e de que nós temos, sim, direito à justiça”.

A morte do estudante Alexandre Thomé Ivo Rajão, 14 anos – espancado até a morte por um grupo skinhead, em São Gonçalo – se tornou símbolo da luta contra a homofobia no país, mas parece estar distante de ser o divisor de águas de um pensamento ainda predominante, marcado pelo preconceito e pela intolerância.

Na segunda-feira, dia 20 de junho, às 19h30, uma missa em memória à morte do jovem foi celebrada na Igreja São Gonçalo do Amarante, no Zé Garoto. Amigos e parentes de Alê, como era carinhosamente chamado, estenderam faixas e cartazes na escadaria da igreja para lembrar o episódio.

Exatamente um ano após o crime, o depoimento da auxiliar administrativa Angélica Vidal, 40 anos – mãe de Alê e ícone do combate contra a homofobia – representa o de outras 261 mães que tiveram seus filhos e filhas assassinados no Brasil, somente no ano passado. A triste estatística é do Grupo Gay da Bahia, que divulga o Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais. Mas Angélica vai além dos números e aponta como a impunidade e a omissão de entidades que deveriam tratar da temática preferem ignorá-la.

“Minha maior dificuldade foi encontrar ajuda na própria cidade onde moro e criei meus filhos. Não teve um conselho tutelar ou comissão de direitos humanos que abrisse as portas para eu falar do caso. Tudo o que conquistamos de mobilização foi distante de São Gonçalo”, contou decepcionada.

Os três jovens acusados de matar Alexandre – o açougueiro André Luiz Marcoge da Cruz Souza, 23, o brigadista Eric Boa Hora De Bruim e o eletricista Allan Siqueira de Freitas, ambos de 22 anos – foram presos um dia após o crime, mas respondem ao processo em liberdade. A mãe da vítima acredita que a falta de preparo da Polícia em investigar crimes cujo contexto é homofóbico acabam favorecendo os autores.

“Eu tive que aprender a ter forças com esses três jovens querendo desqualificar meu filho. Até exame toxicológico foi solicitado pela defesa. Além de ter o filho morto, eu tenho que provar diariamente que ele não merecia o que fizeram com ele. Isso tudo é muito doloroso para a família”, emocionou-se.

A próxima audiência do “Caso Alexandre Ivo” está marcada para esta terça-feira, dia 19 de julho, quando a juíza Patrícia Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, deverá marcar a data do julgamento dos três acusados de envolvimento no assassinato do estudante.

“Eu não vou descansar enquanto eles não forem punidos pelo que fizeram”, finalizou.

Crime – Alexandre Rajão foi encontrado morto ao lado de um valão na Rua Leopoldo Marins, no bairro Califórnia, em São Gonçalo, no dia 21 de junho de 2010. Ele saía de um churrasco na casa de uma amiga, quando foi sequestrado, torturado e estrangulado até a morte por um grupo de skinheads. Dois dias após o crime, os agentes identificaram e prenderan três jovens acusados de envolvimento no assassinato do adolescente. Eles chegaram a ser presos, mas negam participação no crime e respondem ao processo em liberdade.

RELEMBRE:

Caso Alexandre Ivo: sangue no carro de acusado é compatível com o da mãe da vítima

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