Tribunal do Tráfico faz mais duas vítimas em São Gonçalo

Publicado: 7 de agosto de 2011 em Uncategorized

O drama das famílias de dois jovens submetidos à sentença mais cruel e covarde do ‘tribunal do tráfico’ da Favela da Linha, no Rio do Ouro, em São Gonçalo pode ter chegado ao fim, na tarde desta sexta-feira, dia 5 de agosto, após meses de buscas frustradas pelos corpos das vítimas.

Policiais da 75ª DP (Rio do Ouro) encontraram três ossadas em um cemitério clandestino localizado na mata atrás da comunidade. Os agentes acreditam que os restos mortais são da estudante Kethelyn Moura da Mota, 15 anos – desaparecida desde maio do ano passado – e do dançarino e compositor de funk David Nunes dos Santos, 19, que sumiu após participar de um baile funk na mesma comunidade, em março desse ano. Os dois teriam sido julgados e executados por traficantes ligados à facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), que controlam a venda de drogas na região.

Os policiais chegaram ao ‘cemitério do tráfico’ após receberem uma denúncia de que havia, pelo menos, duas ossadas em um matagal na encosta da favela, que dá acesso a um condomínio na Estrada das Piabas, no bairro Rio do Ouro. Os agentes realizaram uma operação no local, com o auxílio do Corpo de Bombeiros e de peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE).

Após cinco minutos de caminhada pela mata fechada, os policiais encontraram o local de difícil acesso utilizado pelos criminosos para torturar e executar suas vítimas. Próximo aos dois crânios – um deles possivelmente de uma mulher, por ser um pouco menor –, os agentes localizaram indícios de que os restos mortais são dos dois jovens desaparecidos. Objetos pessoais como uma pulseira do Flamengo e um aparelho dentário fixo, ambos utilizados por Kethelyn, além de uma camisa amarela, uma bermuda preta e um par de sandálias, usadas por David no dia do seu desaparecimento, foram encontrados junto às ossadas.

“O material encontrado foi reconhecido pelos familiares, mas, mesmo assim, vamos solicitar à perícia técnica o exame de DNA para confirmar se os restos mortais são desses dois jovens desaparecidos. Além disso, vamos nos concentrar para a identificação dessa possível terceira vítima, que também pode ter sido executada por ordem do tráfico”, explicou o delegado Júlio César Mulatinho, titular da 75ª DP.

O delegado ainda afirmou que deve realizar novas buscas na região, com o apoio da Companhia de Cães da PM, pois não descarta a possibilidade de encontrar outras ossadas no local.

Família – Emocionada ao ver o que sobrou das roupas que deu para o filho de presente, a atendente Célia Regina da Conceição Santos, 37, comentou que agora entedia o porquê sonhava com um local com muito mato desde o dia em que David desapareceu.

“Foram longos dias de angústia e sofrimento, que agora podem ser amenizados com o encontro dos restos mortais do David. Finalmente, ele poderá ter um enterro digno. É muito doloroso para qualquer mãe não saber o que fizeram com o seu filho e o porquê de tanta covardia. O apelo que eu faço é para que outras famílias não percam a esperança e não deixem de lutar”, disse, ainda abalada.

Apaixonado por bailes funk e dedicado às composições de seu preferido gênero musical, David se mostrava preocupado com o envolvimento dos jovens com as drogas e retratou a temática em uma de suas canções, feita em parceria com o padrasto, o músico Luciano Oliveira, 27. O título da letra, segundo os amigos, não poderia ser outro: “Mãe”, uma homenagem àquelas que jamais desistem dos seus filhos.


Música

Mãe, me perdoa por tudo que eu te fiz passar

Eu não sabia que a droga eu iria usar

Mas quando percebi já estava envolvido

Levando a vida louca de bandido

Eu não imaginava e por ela eu caí

Foi tanto sofrimento naquele dia ali

Era uma covardia e fui para pagar

E lá de cima eu vi minha mãe chorar

Sei que, às vezes, a gente brigava

Mas isso não diz, mãe, que eu não te amava

Eu tive uma escolha e foi a errada

E lá de cima eu vi suas lágrimas

Foi uma dor forte demais: perdi você, minha irmã e meu pai

Oh, mãe, me perdoa por tudo que te fiz passar…

Recordando – A estudante Kethelyn Moura da Mota, moradora de Inoã, em Maricá, desapareceu no dia 17 de maio do ano passado após sair de casa para visitar parentes na Favela da Linha. A Polícia investiga duas hipóteses para a execução da jovem: a primeira de que traficantes do local teriam associado a visita de Kethelyn à uma incursão da PM ocorrida no mesmo dia na comunidade, já que ela namorava um policial; a segunda aponta que a estudante teria discutido com um traficante da comunidade.

Já David foi visto pela última vez na madrugada do dia 12 de março desse ano. Ele teria participado de um baile funk na Favela da Linha, onde foi executado por criminosos possivelmente porque morava em um bairro cujas bocas de fumo são controladas por uma facção rival, mesmo não tendo qualquer envolvimento com o tráfico. A polícia investiga a participação de traficantes do Morro da Serrinha, em Madureira, na morte do jovem.

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