Documentos apresentados contra delegado da Draco eram falsos

Publicado: 22 de setembro de 2011 em Uncategorized

Os documentos apresentados pelo ex-chefe de Polícia Civil, delegado Allan Turnowski, como prova do envolvimento de agentes da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Draco-IE) em esquemas de corrupção, são falsos. A conclusão consta no laudo da perícia realizada pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) no material apreendido, em fevereiro deste ano. A autoria da falsificação está sendo apurada pela Corregedoria Interna da Polícia Civil (Coinpol).

O resultado ficou pronto 15 dias após a instauração do inquérito, mas os policiais só tiveram acesso a ele agora, depois que a Justiça trancou o procedimento.

“Somente agora, depois de contratarmos um advogado e com a divulgação da decisão judicial, finalmente nos foi permitido ter acesso ao conteúdo dos laudos periciais”, revelou o comissário Jorge Gerhard, que era o chefe do Serviço de Inteligência da Draco e atualmente está lotado na Divisão Anti-Sequestro (DAS).

“Sofremos um ataque dentro da delegacia. O crime organizado nos atacou em um ato tão ousado que a Corregedoria foi usada pra cometer um crime. Todos nós fomos desmoralizados”, desabafou Gerhard, enfatizando que os agentes que eram lotados na Draco foram vítimas do crime organizado.

“O crime organizado tem muitas facetas. Ele (o ex-chefe de Polícia) resolveu fazer uma covardia dessas e depois sumiu, provando que não tinha condições de ser síndico nem do prédio dele”, ressaltou o comissário.

No dia 14 de fevereiro, o ex-chefe de Polícia Civil entregou documentos à Coinpol afirmando que estavam assinados pelo então titular da Draco-IE, delegado Cláudio Ferraz, e reforçavam denúncias de favorecimento a empresas e prefeituras com suspeitas de fraudes em licitações em todo o Estado do Rio. Na ocasião, Allan Turnowski chegou a determinar que a sede da especializada fosse lacrada.

Além dos documentos, máquinas de escrever pertencentes à unidade foram apreendidas. Todo o material foi encaminhado pela delegada Adriana Pereira Mendes, da Coinpol, à perícia, que produziu um laudo de 50 páginas assinadas pelos peritos criminais Eloah Mizrahy Bluvol e Luiz Gustavo Faria Briote.

Os dois determinaram, em exames mecanográfico, grafotécnico comparativo e do documento em questão, que as datas atribuídas ao registro e ao aditamento – embora distintas -, foram datilografadas de uma vez só (sem retirada do papel da máquina), que a máquina usada para essa datilografia não era nenhuma das apreendidas na Draco, que o formulário do aditamento que suspendia o inquérito era de um lote diferente ao que pertencia à especializada e que as rubricas e assinaturas foram falsificadas.

“Abrimos mão do sigilo bancário e telefônico, pois tínhamos a consciência tranquila. Desde o primeiro momento houve dúvidas quanto à forma como esse inquérito foi instaurado”, afirmou o delegado Cláudio Ferraz.

“Além da assinatura falsificada, foi constatado que aquele formulário nunca foi usado pela Draco e não houve confirmação de uso das máquinas que eram da delegacia. O ex-chefe de Polícia disse ter recebido aqueles documentos cheio de contradições, com pressa em divulgar”, declarou, enfatizando que não houve a mesma pressa em divulgar o resultado dos laudos.

“O laudo chegou 15 dias depois da instauração do inquérito, mas não houve divulgação e só tivemos acesso agora”, disse Ferraz, que atualmente está de férias.

A Coinpol confirmou que os laudos deram negativos e que o juiz trancou o inquérito.

“As investigações correm em dois aspectos distintos, o penal e o administrativo. Após a constatação da falsificação, o juiz entendeu que, como a delação era apócrifa, o inquérito devia ser arquivado. No âmbito da Corregedoria, foi gerado um procedimento para apurar o aspecto disciplinar de quem produziu esse documento falsificado”, explicou o sub-corregedor, Paulo Henrique da Silva Ribeiro.

Procurada, a assessoria de imprensa da Polícia Civil disse que não irá se pronunciar sobre o assunto por enquanto.

Já a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública respondeu que o órgão não vai comentar sobre o laudo do ICCE.

O delegado Allan Turnowski, que deixou a chefia da PCERJ três dias após fazer as denúncias contra a Draco, encontra-se em licença e não foi localizado para comentar o caso. A assessoria da instituição informou que não poderia passar o contato atual do delegado.

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