Polícia Civil sem espaço para treinar tiro e testar armamento

Publicado: 31 de outubro de 2011 em Uncategorized

Um mês após o ataque a um ônibus da Academia Estadual de Polícia Sílvio Terra (Acadepol) que seguia para o Centro de Instrução Prática (CIP) da Polícia Civil, no Caju, na Zona Portuária do Rio, a delegada Martha Rocha mandou transferir os policiais que eram lotados no local sob alegação de que é perigoso.

Com isso, a área – utilizada para a prática de tiros e testes de armas e coletes à prova de balas, além de simulação de progressão em favelas e outras modalidades de exercícios práticos – está fechada. Em nota, a assessoria de Comunicação da Polícia Civil alegou que houve apenas uma reorganização no CIP e que uma das mudanças foi a transferência do plantão, que era feito no local sem a estrutura e nem segurança adequadas aos policiais. Ainda segundo o órgão, os interessados tem que ir à Acadepol para agendar dia e horário para treinamento.

Agentes de delegacias especializadas – que são os que mais costumavam frequentar o estande de tiro do Centro de Instrução – afirmaram que não houve qualquer tipo de comunicação sobre as mudanças e reclamam que estão sem treinamento.

“Sem podermos ajustar a pontaria do armamento, o tiro sai impreciso, principalmente armas de grosso calibre, como fuzis. Para cada distância tem um ajuste específico. A arma tem que estar bem ajustada”, declarou um policial, explicando como é feito o procedimento – conhecido como “tiro de clicagem”.

“Se a arma tem luneta ou mira à laser, a gente olha o alvo, atira de uma certa distância e vê onde a bala perfurou. Depois volta, atira de novo e regula a ação de mira ou mira à laser. O tiro tem que ser o mais próximo do centro possível. A alça de mira, luneta ou mira à laser são acessórios que tem que ser ajustados, caso contrário, você perde a precisão nos tiros. Toda arma tem uma tendência, o tiro sair mais pro lado esquerdo, ou direito, ou pra cima ou pra baixo. Você vai atirando e acertando a alça de mira, procurando centralizar o máximo”, revelou.

A diretoria da Acadepol, órgão da Polícia Civil responsável pela administração do local, informou que uma agenda foi estabelecida para ordenar o treinamento dos policiais e das equipes que utilizam aquelas instalações. O objetivo seria evitar que haja marcações de treinamento no mesmo dia e horário para equipes diferentes, visando melhor aproveitamento do centro por parte dos policiais. Ainda de acordo com o órgão, para usar as instalações é preciso que o policial interessado vá a Acadepol para agendar o dia e horário que deseja treinar.

“O local está completamente abandonado. Tem mato na altura do peito. Não estão sendo realizados testes nos coletes balísticos, nem aferição nos fuzis de precisão. A gente chegava, o policial de plantão anotava nome, matrícula, lotação. Agora que não fica mais ninguém lá, tornou-se ainda mais perigoso. Não tem segurança e nem rádio para que possamos pedir prioridade em caso de um ataque. Podem ver que estamos sem cobertura, roubar o armamento, nos matar e ninguém vai ficar sabendo”, desabafou um policial.

O diretor jurídico do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (Sindpol-RJ), Francisco Chao, criticou a localização do Centro de Instrução Prática e a burocracia para agendar um treinamento.

“O delegado tem que pedir por ofício, mas ninguém tem tempo para fazer isso. Fora isso, o policial tem que ir por sua conta e risco. A Polícia Civil do Rio oferece um treinamento real para seus policiais, que têm que cortar a favela para conseguir chegar ao estande de tiro. A instituição parte do princípio que não precisamos treinar, como se já tivéssemos nascidos prontos”, declarou Chao.

O Centro de Instrução Prática da Polícia Civil fica rodeado pelas favelas do Complexo do Caju – Parque São Sebastião, Ladeira dos Funcionários, Quinta do Caju, Clemente Ferreira, Parque Nossa Senhora da Penha, Parque Boa Esperança, Parque Alegria, Parque Vitória e Parque Conquista -, onde o tráfico de drogas é controlado por criminosos da facção Amigos dos Amigos (ADA).

No dia 5 de setembro, um veículo da Acadepol que seguia para o estande de tiros com alunos e professores foi atacado por bandidos na altura da Favela Parque Alegria. Houve revide e no confronto um policial civil foi baleado. O tiroteio terminou com uma menina de 6 anos e um aposentado atingidos por balas perdidas. Ferida no tórax, Juliane Rodrigues, 6 anos, teve o pulmão e o estômago perfurados quando estava a caminho da escola. Ela ainda foi socorrida e levada para o Hospital Federal de Bonsucesso, mas não resistiu.

Responsável pela limpeza do terreno há dez anos, o auxiliar de serviços gerais Luiz Francisco da Silva, 47 anos, criou três filhos com o salário mínimo que recebe para trabalhar no local. Acompanhado pela vira-lata Pretinha ele contou que policiais civis vão até o local para tentar utilizar o estande de tiros e é ele quem avisa que não existem mais inspetores de plantão no CIP.

“Eu não tenho autorização para deixar ninguém entrar”, disse.

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