Delegado e oito policiais civis cobravam aluguel de presos na Polinter de Nova Friburgo

Publicado: 8 de novembro de 2011 em Uncategorized

Um delegado, oito policiais civis, seis detentos e uma servidora foram presos em ação realizada pela Corregedoria Geral Unificada (CGU), ao longo da manhã desta terça-feira, dia 8 de novembro. Todos foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ao Juízo da 2ª Vara Criminal de Nova Friburgo.

Eles são acusados de diversos crimes, entre eles o de quadrilha armada, concussão, prevaricação, usurpação de função pública e facilitação de acesso a aparelho telefônico a presos da carceragem da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter) – Base Nova Friburgo. O GAECO requereu a prisão preventiva dos denunciados, e os mandados de prisão começaram a ser cumpridos hoje nas cidades de Teresópolis e Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, e em Niterói e no Rio de Janeiro. O requerimento foi deferido pelo Juiz Leonardo Telles, no último dia 27 de outubro.

Batizada como “Operação Faraó”, a ação teve por base investigações iniciadas pela Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Nova Friburgo e, posteriormente, conduzidas pela CGU. A ação contou com o apoio da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Draco-IE) e da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública.

Segundo a denúncia, o grupo criminoso é liderado pelo delegado Renato Soares Vieira, pelo oficial de cartório Luiz Cláudio Pereira – que era assessor do delegado -, pelo inspetor Ernani de Souza Gomes, ex-chefe da Base Polinter de Nova Friburgo, e pelo também inspetor e ex-chefe da Polinter de Friburgo Antônio Carlos Ferreira.

O grupo detinha o controle sobre as transferências dos presos da Polinter – Base Nova Friburgo para outras unidades prisionais. Eles são acusados de montar um esquema de arrecadação de vantagens ilícitas ao exigir dinheiro dos presos ou de seus familiares para impedir essas transferências, como também para a realização de visitas comuns e íntimas. Eles pagariam R$ 2 mil para não serem transferidos para presídios e garantir permanência de 15 dias em carceragens da Polinter.

Foram identificados crimes a partir do início de 2010, quando Ernani assumiu a chefia da carceragem. Nesse período ele se associou ao denunciado Lúcio Paulo Nunes Ribeiro, preso de confiança responsável por administrar os lucros da atividade criminosa, e a Renato Soares Vieira, que na condição de Coordenador do NUCOP, administrava os recursos materiais e humanos relativos às unidades carcerárias.

Integrando o grupo desde fevereiro deste ano, Renato – que já havia respondido por acusações semelhantes quando esteve na carceragem de Nova Iguaçu – alertava aos membros da quadrilha sobre inspeções a serem realizadas pelo órgão correcional da Polícia Civil. O delegado também era responsável por escolher pessoas de confiança para ocupar a chefia de custódia da Base Nova Friburgo. Posteriormente, Renato, Luiz Claudio e Ernani escolheram Antônio Carlos Ferreira para chefiar a carceragem no lugar deste último, mantendo a prática dos crimes.

O preso Lúcio Paulo Nunes Ribeiro ficava ainda responsável por comandar e coordenar o trabalho dos demais presos integrantes da quadrilha, os também denunciados Zuelandres Batista dos Santos Filho, Francisco Guilherme Araújo de Azevedo, Claudemir de Souza Ferreira, Igor Filipek e Luiz Flávio Júnior. Eles também arrecadavam dinheiro de presos e familiares na ausência de Lúcio, além de cuidarem do cotidiano administrativo da unidade prisional, o que lhes garantia, inclusive, gozar de regalias na prisão como o acesso a telefones e liberdade para sair nos finais de semana, sem justificativa plausível.

Outros quatro policiais civis denunciados são Argemiro Garcia Correa, Geraldo Gontijo de Faria, Marcelo de Nazareth e Eli Carneiro Machado. Eles foram escalados para trabalhar na carceragem da Polinter quando Antônio Carlos Ferreira substituiu Ernani, em meados de setembro deste ano. De acordo com a denúncia, os quatro tinham pleno conhecimento das ações da quadrilha, mas, de forma dolosa, omitiam-se e nada fizeram para impedir a prática criminosa.

Do mesmo modo, o policial civil Antonio Carlos de Jesus Fernandes, lotado na 151ª DP (Nova Friburgo), mantinha a mesma conduta ao prestar serviços e auxílio àquela unidade da Polinter, entre eles, o transporte de presos, desviando-se de sua função original.

A servidora Tamiris Santiago da Silva, também denunciada, lidava diretamente com os policiais e os presos, compactuando com alguns delitos e repassando informações.

A investigação teve por base prova testemunhal e conversas telefônicas captadas com autorização da Justiça, que flagraram diálogos entre os membros da quadrilha, descrevendo as práticas criminosas em curso até outubro deste ano.

O subchefe administrativo da Polícia Civil, delegado Sérgio Caldas, e o corregedor interno Gilson Emiliano foram arrolados como testemunhas pelo Ministério Público em inquérito que apura o vazamento de uma inspeção feita pela Corregedoria Interna (Coinpol) na carceragem de Friburgo, em setembro.

O corregedor terá que explicar de quem partiu a ordem para que a Coinpol realizasse a vistoria na unidade. Segundo denúncia do MP, através de ofício, a CGU já havia perguntado a Gilson os objetivos da fiscalização. No entanto, o corregedor alegou que teria recebido a ordem por e-mail e que “seus superiores” pediram que o assunto fosse tratado em sigilo, não revelando a origem da ordem.

Segundo as investigações, a vistoria teria atrapalhado a obtenção de provas da operação desencadeada ontem. O resultado da inspeção feita pela Coinpol também não foi satisfatório, já que, de acordo com o inquérito, o diretor da carceragem, delegado Renato Soares Vieira (preso ontem), fora avisado da fiscalização.

O corregedor Gilson Emiliano disse que não foi perguntado de quem partiu a ordem para a inspeção. Segundo ele, o ofício da CGU questionava o resultado da ação.

“Me restingi a responder o que me foi perguntado. Se tivessem questionado a origem da ordem, eu teria dito”, disse Emiliano.

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