PCERJ: o último a sair apague a luz…

Publicado: 9 de abril de 2012 em Uncategorized

O Estado do Rio de Janeiro deveria ter mais de 23 mil policiais civis. No entanto, atualmente, há pouco mais de 9 mil – o que representa uma defasagem de quase 14 mil homens. Os números acabam refletindo no trabalho policial e no combate à violência, na medida em que dificulta a investigação imprescindível para conclusão de muitos inquéritos e também interfere no atendimento. (Relembre um caso aqui: Prisão em flagrante leva sete horas para ser registrada na Baixada)

E o quadro deve piorar, levando-se em conta que, em menos de um ano, 432 policiais deixaram a instituição – seja pela aposentadoria ou exoneração a pedido. Os números constam no Diário Oficial do Estado e levam em conta o período entre maio de 2011 e março de 2012. O Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (Sindpol RJ) acredita que a tendência é piorar, tendo em vista que no atual concurso da Polícia Rodoviária Federal (PRF) existem mais de 50 policiais civis aprovados e realizando os testes finais para tomarem posse e mudar de instituição.

“Além disso, a Polícia Federal e o Tribunal de Justiça do Rio abriram seus concursos recentemente e tradicionalmente levam juntos em média 30 policiais civis do Rio de Janeiro, número esse tirado dos últimos concursos desses órgãos”, relata, em nota oficial, o Sindpol, ressaltando que a novidade fica por conta do atual concurso de Inspetor Penitenciário da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP).

“Tradicionalmente a Polícia Civil do Rio de Janeiro atrai servidores da SEAP, porém este ano a coisa inverteu. É grande o número de policiais civis que dizem estar realizando inscrições para fazer o concurso da SEAP, algo inédito. Isso tem explicação no atual salário de Inspetor Penitenciário, que apesar de exigir nível médio, é bem maior do que o salário de Inspetor da Polícia Civil do Rio, de nível superior”, enfatiza a nota.

Enquanto o salário inicial para inspetor penitenciário é de R$ 3.201,41, o de inspetor da Polícia Civil é R$ 2.087,70.

“Neste atual cenário, ao somarmos os policiais civis que já estão no tempo para pedir aposentadoria e os policiais civis que podem pedir exoneração por passarem em outros concursos, colocando neste número os concursos que ainda vão ser realizados, como para o TRT e TRE, o cálculo chega a 500 policiais civis que podem sair da atividade até o fim deste ano”, destaca a nota do Sindpol.

Somando-se a essa estimativa do Sindicato dos Policiais Civis os 432 que já saíram, a previsão é de que, até o final deste ano, 932 policiais deixem a instituição.

“Vai gerar um colapso na Polícia Civil do Rio de Janeiro”, prevê o Sindpol.

Apesar dos cargos ocupados totalizarem 9.437, apenas 7.759 correspondem a agentes de investigação em atividade (6 pilotos, 5.428 inspetores, 1.358 oficiais de cartório e 967 investigadores) e o número total de cargos existentes por lei é de 20.024 agentes – uma defasagem de 12.265 policiais civis.

Mesmo com o atual concurso para inspetor aberto, com oferta de 600 vagas, o Sindpol-RJ acredita que essa defasagem tende a aumentar por conta da grande fuga de servidores da instituição policial.

“O grande número de policiais civis que deixam a Polícia Civil do Rio ou pedem aposentadoria tem basicamente um único motivo: o salário. Quando comparado a outros cargos estaduais de mesmo nível escolar (superior), os policiais civis recebem o pior salário do Estado. Quando comparado a nível nacional, os policiais civis do Rio de Janeiro recebem o segundo pior salário do Brasil”, explica a nota.

“A sobrecarga de serviços aos policiais civis que ficam já aumenta a cada dia, prejudicando as investigações e a qualidade dos trabalhos. Caso não haja uma política urgente de valorização dos policiais civis no Rio, um colapso institucional será questão de tempo, o que vai gerar conseqüências inimagináveis para a população carioca. Os bons agentes policiais que abandonaram a instituição são perdas irreparáveis e o atual quadro funcional pode não aguentar ainda mais perdas”, continua a nota.

“O Sindpol-RJ denuncia e luta pela mudança deste cenário. A probabilidade de uma crise estrutural na Polícia Civil do Rio é grande. Esperamos uma política de valorização urgente dos agentes policiais dessa instituição milenar, que é o alicerce do Poder Judiciário Estadual e está com sua base jogada a própria sorte”, finaliza.

Leia também:
Estado abandona policial à própria sorte

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comentários
  1. wagner disse:

    saúde , educação e segurança de qualidade fornecida pelo Estado prejudica a saúde , educação e a segurança privada.

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