Policiais recebiam mesada de até R$ 15 mil para não combater o jogo do bicho

Publicado: 30 de agosto de 2012 em Denúncia contra Policiais, Jogo do Bicho, Operação Policial, polícia civil, prisão, Rio de Janeiro, segurança pública
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Três policiais militares – sendo um oficial – e um inspetor da Polícia Civil foram denunciados pela 1ª Central de Inquéritos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro por exploração ilegal de jogo de azar, formação de quadrilha, corrupção passiva e ativa e violação de sigilo funcional. Além deles, outras 31 pessoas são suspeitas de integrar um grupo que explora o jogo do bicho na região central da cidade do Rio.

Em operação batizada como “Catedral”, policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) foram às ruas para cumprir 24 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão, nesta quarta-feira, dia 29 de agosto. A denúncia, distribuída à 33ª Vara Criminal da Comarca do Rio de Janeiro, é subscrita pelos promotores de Justiça Homero das Neves Freitas Filho, Alexandre Murilo Graça e Márcio Jose Nobre de Almeida.

Evandro Machado dos Santos, o Bedeu

Entre os denunciados estão Evandro Machado dos Santos, o Bedeu, apontado como líder da quadrilha; seu filho, Alessandro Ferreira dos Santos; o capitão da Polícia Militar Anderson Luiz de Souza – chefe do Serviço de Inteligência (P-2) do 5º BPM (Praça da Harmonia); e os sargentos da PM Marcos Aurélio das Chagas e Marcos André dos Santos – lotados na Supervisão de Graduados da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro da Providência; além do inspetor Weber Santos de Oliveira – chefe do Setor de Investigações da 4ª DP (Central do Brasil).

“Estes denunciados formaram uma organização voltada para a exploração ilegal de jogo de azar não autorizado conhecido como ‘jogo do bicho’, atuando nas áreas dos bairros da Central do Brasil, da Gamboa, da Saúde e parte de São Cristovão. Para a realização da atividade ilegal do jogo, a organização atua corrompendo agentes públicos, em especial policiais civis e militares, para que estes não realizem seu dever de ofício, ou seja, a repressão ao ‘jogo do bicho’. Além disso, a organização conta com diversos integrantes, que, sem autorização legal ou regulamentar, usam armas de fogo para exercer a segurança dos chefes e dos ‘pontos do jogo do bicho’, bem como dar proteção ao transporte dos valores arrecadados com o jogo e que se destinam ao pagamento da corrupção”, narra trecho da denúncia.

O grupo, de acordo com as investigações da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria Estadual de Segurança Pública e do monitoramento dos terminais telefônicos narrados na denúncia, efetuava pagamentos mensais e em dinheiro para a 4ª DP, para a 17ª DP (São Cristóvão) e para o 5º BPM.

Enquanto o policial civil é acusado de receber R$ 15 mil por mês, o capitão receberia R$ 9 mil. Já os praças da PM recebiam menos: enquanto o sargento Chagas recebia R$ 600, o valor pago para que o sargento André também fizesse “vista grossa” era de R$ 300. Ainda segundo as investigações – iniciadas há sete meses – o faturamento mensal da quadrilha seria de R$ 170 mil e R$ 30 mil seriam destinados ao pagamento de propinas a policiais civis e militares.

“Apurou-se, ainda, que os pontos situados na área da Unidade de Polícia Pacificadora do Morro da Providência recebiam um pagamento semanal, para que a atividade ilegal não fosse reprimida. Durante a interceptação telefônica efetuada, os denunciados foram flagrados na realização da logística não só do jogo de azar, bem como em ações que visavam arregimentar e corromper funcionários públicos (policiais civis e militares) de forma a não existir repressão a atividade contravencional. Inclusive, em quatro oportunidades, com as informações do monitoramento telefônico, seguiram a cadeia de comando da organização criminosa, conseguindo flagrar o momento em que o dinheiro da propina era entregue ao agente público”, relata a denúncia.

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