Onze meses após ameaçar processar o Pauta do Dia por divulgação do jingle eleitoral inspirado em funk proibidão usado na campanha pela presidência da União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha (UPMMR), o agora candidato a vereador do Rio de Janeiro, Leonardo Rodrigues Lima, o Léo Comunidade, será investigado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).

O órgão, por intermédio da 205ª Promotoria Eleitoral, ajuizou ação de investigação eleitoral por abuso de poder econômico, abuso de poder político e captação ilícita de sufrágio em face de Léo Comunidade.

Com base em depoimentos de testemunhas, diligências e relatórios da Coordenadoria de Polícia Pacificadora da Polícia Militar, a ação relata que Léo coage e alicia moradores da Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, em troca de votos, com uma série de estratégias ilícitas, entre elas distribuição de cestas básicas, de botijões de gás e cobrança ilegais de taxas de mototaxistas.

O candidato, ex-presidente da União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha, segundo investigações do MPE, também associou sua campanha política ao tráfico de drogas local.

A Promotoria requereu à Justiça Eleitoral a cassação do registro ou do diploma, se eleito for, de Léo Comunidade, a aplicação da multa prevista na Lei 9.504/97, além de declaração de inelegibilidade para as eleições dos próximos 8 anos.

De acordo com o MPE, a distribuição de cestas básicas ocorre na sede da associação de moradores mediante um cadastramento, sendo obrigatória a apresentação do título de eleitor. Além do cadastro, os beneficiários têm que cumprir outras etapas para conseguir a cesta, como, por exemplo, comparecer às reuniões organizadas em prol da campanha eleitoral de Léo Comunidade.

Em um dos encontros, no Clube Emoções, um policial da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha gravou áudio em que o representado afirma que, se for eleito, ampliará a entrega das cestas básicas: “Se eu ganhar, eu vou é aumentar a cesta (sic)”.

As investigações apontam que os cabos eleitorais do candidato, que também trabalham na associação de moradores, são os responsáveis pela entrega das cestas básicas. Policiais da UPP Rocinha também constataram que Léo Comunidade distribui botijões de gás em uma tenda na Rua do Valão, uma das principais da favela, onde uma pessoa faz anotações cadastrais dos moradores.

“Os benefícios, quais sejam, cestas básicas, botijões de gás, são oferecidos aos moradores da região em troca de voto; assim, a natureza desta estratégia denota inegável abuso de poder econômico, além de evidente captação ilícita de sufrágio, ilícitos a serem coibidos pela Justiça Eleitoral, à vista da inegável aptidão para macular o processo eleitoral e desequilibrar o pleito”, narra trecho da ação.

O MPE cita que a ligação de Léo Comunidade com o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, 36 anos, pode ser comprovada com a música de campanha eleitoral. Carros de som do candidato circulam pela Rocinha tocando o jingle “Galo da Favela e seu elenco fabuloso”, em nítida associação ao funk “Bonde do mestre e seu elenco fabuloso” que era usado por Nem (preso em novembro de 2011) e seu bando em suas incursões pela favela e em pagodes e bailes realizados na comunidade.

A música do candidato a Vereador fala: “(…) Mas o Rio é o Léo! Tá tudo monitorado, deixa eles vim! Tá tudo dominado, e na hora de votar não tem nenhum mistério! É dezenove, zero, zero, zero…Vota no Léo… É um cara sério… É dezenove, zero, zero, zero… É o mano Léo que fortalece é o nosso povo. Sou o Galo da favela do elenco fabuloso”.

Segundo investigações, as pessoas que integravam a quadrilha de Nem eram chamadas de “elenco fabuloso”. O MP também requereu a retirada dos vídeos de Léo Comunidade e de Nem que estão disponíveis no Youtube.

“A aptidão para desequilibrar o pleito é evidente, pois a população local, seja por medo de retaliações de traficantes que, ainda presos, atemorizam a comunidade, seja por gratidão pelo assistencialismo político, acaba votando no candidato escolhido pelo poder paralelo”, narra a ação.

Diligências da equipe de fiscalização da Justiça Eleitoral na Rocinha constataram ainda que Léo Comunidade mantinha um esquema de cobrança de diária para mototaxistas e motofretes que trabalham na favela. Testemunhas contaram que o candidato ou representantes da associação de moradores cobravam R$ 13 de cada um dos motoqueiros, com a ameaça de que se não pagassem seriam expulsos do ponto e proibidos de trabalhar. Uma das testemunhas denunciou que um dos mototaxistas inadimplentes chegou a ser espancado.

A ação do MPE relata, ainda, que o major Edson Raimundo dos Santos, comandante da UPP Rocinha, foi vítima de tentativa de aliciamento pelo candidato a vereador. Acompanhado de dois homens, tentou induzir o PM a intervir na cobrança ilegal da taxa de mototaxistas, alegando que a destinação dos recursos seria para regularizar o exercício da atividade de transporte alternativo de pessoas e para a compra de cestas básicas para mil pessoas da comunidade.

Denúncia feita com exclusividade pelo Pauta do Dia, em novembro de 2011
Relembre aqui:
PF prende policiais civis e militares que faziam escolta de “Elenco Fabuloso”


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