Alimentos comprados pela PM não chegam para os policiais nos ranchos

Publicado: 21 de setembro de 2016 em Uncategorized

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Três tipos diferentes de queijo: minas, prato e muçarela, além de requeijão, manteiga com sal, manteiga sem sal, leite, geléia, doce de leite e gelatina de framboesa, morango e cereja. Quem vê a aquisição de gêneros alimentícios da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro não entende por que na maioria dos batalhões o café da manhã é composto no máximo por pão com margarina e café. Também é difícil compreender por que em algumas unidades os PMs ficam obrigados a comer somente arroz, feijão e salsicha durante semanas.

A lista de compras foi publicada nas páginas 35 e 36 do Boletim da Polícia Militar n 173, de 19 de setembro de 2016, e sequer traz a salsicha entre os produtos encomendados – apenas filé de peito e coxa e sobrecoxa de frango. Do primeiro, 426.062 peças a R$ 9,54, totalizando pouco mais de R$ 4 milhões e, do segundo, 271.896 peças a R$ 6,10, totalizando pouco mais de R$ 1 milhão e meio.

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Pela aquisição de 42 itens, o gasto é de mais de R$ 17 milhões em um contrato assinado no último dia 17 de agosto e com validade de um ano para abastecer 48 batalhões – sendo 41 operacionais ordinários e 7 unidades operacionais especiais -, além de três unidades de saúde – como o Hospital Central da Polícia Militar (HCPM) e o Hospital da Polícia Militar em Niterói (HCPM-Nit) -, do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap) e do Quartel General (QG) da corporação. 

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Nem todo efetivo do batalhão come no rancho. Quem é lotado em um Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) ou cabine, por exemplo, recebe um valor no contracheque para custear a alimentação na rua.

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“Enquanto eles gastam mais de R$ 17 milhões comprando itens que nunca comemos e nem vemos no batalhão, quem é desaranchado recebe R$ 162 por mês para trabalhar uma média de dez serviços. Como tomar café, almoçar e lanchar com esse valor durante todos esses plantões? Acabar com o rancho e fornecer vale refeição para os policiais com certeza nos deixaria mais satisfeitos e significaria um gasto muito menor”, destacou um soldado.

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Alguns produtos despertam a atenção pela quantidade e valor. No total, foram compradas 2.371 caixas de ovos (cada uma com 30 dúzias, totalizando 360 ovos por caixa). Ou seja: 853.560 ovos – cerca de 16 mil ovos por batalhão, ou mais de mil ovos por mês. Se o alimento estiver presente no cardápio de segunda-feira a domingo, serão 33 ovos por dia.

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O valor da caixa com 30 dúzias é de R$ 201,70 – sendo que qualquer consumidor consegue comprar a dúzia de ovos no varejo por R$ 5 em média – o que daria R$ 150. O sachê de 15g de geléia foi comprado a R$ 0,71 – enquanto o preço em um estabelecimento comercial aberto ao público comum é R$ 0,20. Além do valor acima do preço médio praticado no mercado, a quantidade causa espanto. No total, o contrato estipula a compra de 194.838 sachês de geléia: mais de 35 mil por batalhão, ou 3 mil por mês.

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“Eu tenho 15 anos de PM e jamais comi geléia no batalhão”, denuncia um sargento que também questiona outros produtos da lista de compras.

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“Gelatina, polenguinho, requeijão, queijo, doce de leite, goiabada. Quero saber para onde vai, porque nos batalhões onde já fui lotado, nunca vi”, disse.

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comentários
  1. Andre disse:

    Roberta, sou policial e admiro sua dedicação em prol da corporação. Mas nesse contexto tem alguns aproveitadores q acabam desvirtuando a seriedade do seu trabalho.
    Eu mesmo recebo desarranchamento e não como no quartel, mas dizer q nunca viu goiabada é demais. Tenho enjoo de ver esse doce pq é a única sobremesa q existe na PM (alem de uma ou outra fruta de baixa qualidade).
    Concordo q o conceito de rancho não pode ser aplicado à PM da mesma forma q nas forças armadas, q por serem aquarteladas, conseguem parar td q estão fazendo no horário de avançar. Mas perguntar ao policial civil q recebe o vale refeição (ou vale coxinha como chamam) vai mostrar e essa opção pode ser ainda pior, principalmente em tempos de incerteza de pagamento em dia.
    Por fim, a publicação fala de um registro de preços. Isso não significa q a compra foi feita nesse montante, mas no período estabelecido (q eu não sei qual é), pode ser comprado até essa quantidade (ou menos, fica a critério da corporação), mas essa obrigação de licitar não se limita a PM, mas a q órgão municipal, estadual ou federal.
    A resposta longa mostra q meu objetivo, assim como o seu, é esclarecer (sem esconder) as mazelas q enfrentamos… Elas são muitas, então não precisamos inventar, basta expor as q são verídicas e debater/apresentar soluções e cobrar a implementação delas de nossos “representantes”, contando sempre com seu apoio e espaço pra isso.
    Abraço e parabéns pelo trabalho

    • Boa noite, Andre!
      Obrigada pela colaboração.
      Entre 53 policiais que ouvi, todos me deram a mesma informação. Não somente em relação à goiabada, mas aos outros itens citados no texto.
      Parece que você é o único sortudo que já viu os alimentos que a maioria sequer sentiu o cheiro. Mas acredito que possa ser também por causa da unidade. Talvez em alguns batalhões haja mais seriedade que em outros.

  2. Ja peguei tempo nesta Pmerj que praças comia carcaça de frango e oficiais sempre os melhores cardapios.

  3. Eliel disse:

    Ocorre em muitos setores públicos. Desvio de verbas que não atingem sua finalidade.

  4. Infelizmente tenho 18 anos na Pmerj e infelizmente sempre foi deficiente, nunca cumprem o cardápio estabelecido e ultimamente Ta constrangedor.

  5. Bernardete lima disse:

    Seria possível investigar o por que de não recebermos vale transportes?

  6. Bernardete lima disse:

    Tenho 18 anos na casa e realmente o cardápio não é cumprido como manda a publicação. É , e de uns meses pra cá Ta pior…. agora aproveitando o pacote vcs sabem por que recebemos só 100 reais para passagem, não temos nem esse direito. Tudo é movido pela porta da palavra “gratificação,” é dose

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