Arquivo da categoria ‘Auto de resistência’

Suspeitos de forjar um auto de resistência (quando há morte de criminosos durante confronto com a Polícia), no Complexo do Salgueiro, no bairro de mesmo nome, em São Gonçalo, em outubro do ano passado, seis policiais militares – na época lotados no Serviço de Inteligência (P-2) do 7º BPM (São Gonçalo) – tiveram a prisão preventiva decretada pela juíza Patrícia Acioli, da 4ª Vara Criminal do município. Entre os presos está um oficial, chefe do setor da unidade operacional.

Os PMs foram denunciados pelo promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior com base no laudo cadavérico da vítima, identificada como George da Conceição Silvestre, 17 anos, e nos depoimentos dos familiares do adolescente e dos próprios policiais envolvidos na ação.

Os pedidos de prisão contra o major Rodrigo Bezerra de Barros, os sargentos Cláudio Araújo Santos e Adriano de Oliveira Luz, e os cabos Wellington Antunes dos Santos, Cleutom Martins Coelho e Anderson Souza de Matos foram cumpridos entre os dias 21 e 25 de janeiro. Todos foram encaminhados ao Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica, na Zona Norte do Rio, onde aguardarão decisão judicial.

Em depoimento, os PMs alegaram que a ordem para socorrer o adolescente – o que foi proibido após um acordo firmado entre as Polícias e membros do judiciário – partiu do major. Entretanto, o oficial negou que tenha dado tal determinação. Dos seis policiais acusados, apenas dois compareceram para depor na 72ªDP (Mutuá), onde o caso foi registrado.

O comandante do 7º BPM, tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, informou que encara com bastante tristeza a participação de policiais em atos irregulares.

“Respeito a decisão do poder judiciário. Se a magistrada tomou essa decisão, cabe aos advogados desses policiais acompanharem o caso. Todos os acusados, com exceção do major, já haviam deixado a P-2. Dois deles, inclusive, já não estavam mais no batalhão. Um sargento havia sido transferido para o 5º BPM ( Praça da Harmonia) e outro para o 41º (Irajá)”, explicou o oficial.

Confronto – O suposto confronto entre os policiais militares e traficantes do Complexo do Salgueiro, que terminou na morte do adolescente, ocorreu na localidade conhecida como Recanto das Acácias, no dia 21 de outubro do ano passado. Na ação, o rapaz foi baleado e levado pelos PMs para o Pronto Socorro de São Gonçalo (PSSG), no Zé Garoto, onde teria chegado morto.

Inicialmente, o caso foi registrado na 74ª DP (Alcântara). Na delegacia, os policiais disseram que encontraram no short da vítima 35 cápsulas de cocaína, 49 trouxinhas de maconha, além de uma pistola calibre 9mm com 13 munições intactas. O adolescente possuía uma anotação criminal na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

Acordo – Em março de 2009, um acordo firmado entre representantes da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, da 2ª Central de Inquéritos, do 7º BPM, do 20º Grupamento de Bombeiros Militar (20º GBM – São Gonçalo) e da Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (CRPI-SG) determinou que os policiais solicitem a presença de uma ambulância em ações que resultem nos chamados autos de resistência no município.

Antes, os baleados eram socorridos pelos próprios policiais e encaminhados ao hospital, o que no entendimento dos agentes desfaz o local do fato e compromete o resultado do laudo pericial.

O Ministério Público solicitou, portanto, que todos os confrontos com baleados registrados a partir de janeiro de 2007 fossem desarquivados pela Polícia Civil e investigados. A decisão desagradou alguns PMs, que afirmam que a iniciativa inibe a atividade policial.

Em 2007, as delegacias de São Gonçalo registraram 53 casos de autos de resistência. No ano seguinte, esse número aumentou para 62. Já em 2009, ano em que o acordo foi assinado, foram registradas apenas 20 ocorrências desse tipo, número que se manteve até novembro de 2010.

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Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos

A dois dias do primeiro mês de morte do traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos, a mudança de identidade – tática comum a criminosos da facção Amigos dos Amigos (ADA), a qual ele era ligado – foi descartada com a divulgação das fotos do bandido morto. A suspeita chegou a surgir, entre comparsas de Roupinol – também conhecido como Lindão e Macaé – depois do velório realizado a portas fechadas e da proibição a pessoas que não fossem familiares de acompanhar o enterro.

Considerado um dos traficantes mais procurados do Rio, Roupinol era natural do Complexo das Malvinas, que é formado pelas favelas Nova Holanda, Santanna e Aroeira, localizadas em Macaé. Acusado de ser o principal distribuidor de drogas na cidade do Norte Fluminense, ele cumpriu parte da pena a que foi condenado na Penitenciária Lemos Brito, no Complexo da Frei Caneca, onde conheceu Sandro Luís de Paula Amorim, o Lindinho, Peixe ou Foca, 33 – nascido e criado no Morro da Mineira, no Complexo de São Carlos, no Estácio. Os dois criaram um forte vínculo de amizade na cadeia e, quando Lindinho deixou a prisão, em junho de 2002, Roupinol lhe atribuiu a responsabilidade de controlar as bocas-de-fumo nas favelas de Macaé.

Beneficiado com a liberdade condicional dois anos depois – em dezembro de 2004 -, Lindão passou a ser considerado foragido da Justiça em março de 2007, quando a Polícia Federal desarticulou uma quadrilha de traficantes que mantinha uma refinaria de cocaína no município de Conceição de Macabu, na região norte do Estado do Rio. O laboratório tinha capacidade para refinar de 10 a 15 quilos de pasta base de cocaína por mês – droga que era enviada para as bocas-de-fumo dos complexos das Malvinhas e de São Carlos – composto pelos morros São Carlos, Mineira, Querosene e Zinco.

Batizada como “Morpheu”, a operação envolveu 230 agentes federais e 70 viaturas e ocorreu simultaneamente em vários estados. Foram presas 11 pessoas em Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Rio de Janeiro. Ao todo, a Polícia cumpriu 40 mandados de prisão e alguns deles eram contra Lindinho e Lindão. Com a operação da PF, Roupinol deixou sua cidade natal e encontrou abrigo oferecido por Lindinho no Complexo do São Carlos. Ele ganhou prestígio no Morro da Mineira após pagar o resgate do traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho ou Lindomar, 31. Sobrinho do traficante Irapuan David Lopes, o Gangan, morto aos 35 anos, em 2004, durante confronto com a Polícia Civil, ele teria sido seqüestrado por policiais, que exigiram dinheiro em troca da liberdade do criminoso.

A partir daí, Roupinol passou a controlar todo o Complexo de São Carlos e se transformou na principal liderança, em liberdade, da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) – cujo líder, Edmílson Ferreira dos Santos, o Sassá, Coroa ou Samuca, 38, está preso. Além de ser apontado como maior fornecedor de cocaína para as bocas-de-fumo controladas pela ADA, Roupinol é apontado como o mandante do assassinato de três moradores do Morro da Providência, no Centro do Rio, em junho de 2008. Os jovens Marcos Paulo Rodrigues Campos, 17, Wellington Gonzaga da Costa Ferreira, 19, e David Wilson Florêncio da Silva, 24, foram seqüestrados por soldados do Exército e entregues ao traficante, que autorizou a execução para que não restassem testemunhas. O traficante também é acusado de envolvimento em outros seis homicídios. Um deles, é o do secretário Transportes de Macaé, Fernando Magalhães – morto aos 56 anos, em agosto de 2006.

Procurado pelas polícias Federal e Civil, tendo mais de 28 mandados de prisão expedidos contra si, Roupinol foi surpreendido no interior de uma casa no Morro do São Carlos, no dia 23 de março. A operação que terminou com a morte do principal fornecedor de drogas do Rio foi resultado de uma investigação minuciosa que durou pouco mais de dois anos e revelou o talento extraordinário que o traficante tinha para transformar cocaína em dinheiro.

Para dissecar as finanças do bando, os agentes usaram uma estratégia engenhosa. Identificaram um a um e monitoraram os compradores dos insumos utilizados no refino da pasta base oriunda de países como a Bolívia e a Colômbia que chegava até as mãos da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), que domina o tráfico no Complexo do São Carlos e também na Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio.

Só no mês de janeiro deste ano, de acordo com as investigações, a venda de cocaína no Morro da Mineira, favela “arrendada” por Roupinol, garantiu um faturalmento de mais de R$ 3 milhões. A fortuna financiava a compra de armas, subornos a policiais, guerras com facções rivais e até campanhas políticas.

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Core sobe Mineira e põe fim ao império de Lindão

Fotos: Bruno Gonzalez e Vitor Silva

A proibição da entrada de pessoas que não fossem parentes no enterro e o velório a portas fechadas do corpo do traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos, levantou uma suspeita: será que o criminoso seria mais um integrante da facção Amigos dos Amigos (ADA) a se fingir de morto para conseguir identidade diferente e recomeçar vida nova desfrutando do dinheiro ganho com a venda de drogas?

Em janeiro deste ano, policiais da Divisão de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) descobriram que Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nêm, 33, líder do tráfico na Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, pagou ao médico Dalton Jorge por um atestado de óbito. Por assinar o documento, afirmando que o traficante havia morrido por insuficiência renal e diabetes – diagnóstico que garantiria que o corpo não passasse pelo Instituto Médico Legal (IML) para necropsia -, Dalton acabou sendo preso por falsidade ideológica e associação ao tráfico.

Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nêm, 33 anos

Também no atestado, ele havia registrado que o criminoso morreu em um imóvel no número 170 da Rua Major Rubens Vaz, na Gávea, na Zona Sul. No endereço fica localizada a 15ª DP (Gávea), delegacia responsável pelas investigações relativas ao tráfico de drogas na Favela da Rocinha. O enterro chegou a ser marcado: às 16h15 do dia 29 de janeiro no Cemitério do Catumbi, no bairro de mesmo nome – próximo ao Complexo do São Carlos, onde Roupinol teria morrido – e não haveria velório.

Quem assinou o pedido de sepultamento à Funerária Rio Pax de Copacabana foi Antônio Carlos Santana Rosa, cunhado de Nêm. No documento, ele declarava que o traficante havia morrido em casa, às 9h40m – menos de sete horas após o horário previsto para o enterro.

Preparado para uma nova vida, Nêm chegou a encomendar uma nova identidade, sem muitas alterações: mudou a data de nascimento de 25 para 24 de janeiro de 1976 e o nome de Antônio Francisco Bonfim Lopes para Antônio Francisco. O número pertence ao documento de uma outra pessoa – João Paulo Romildo dos Santos -, que não possui antecedentes criminais.

O delegado Márcio Mendonça, titular da DRFA, iniciou investigação para apurar a participação de funerárias, médicos e cemitérios na falsificação de atestados de óbito e realização de falsos enterros. Segundo o delegado, em casos como o de Nêm, cujo sepultamento seria feito sem velório, nenhum funcionário do cemitério observa se há cadáver no caixão.

Paulo César Silva dos Santos, o Linho, 38 anos

Parceiro de Roupinol, Nêm queria seguir os passos de outro líder da ADA: Paulo César Silva dos Santos, o Linho. Em 2003, aos 31 anos, ele teria sido morto em São Paulo. No entanto, o Disque-Denúncia continuou recebendo informações sobre possíveis esconderijos do traficante. De 2003 a 2008, foram 673 denúncias. O corpo nunca foi encontrado e até hoje ninguém conseguiu comprovar a morte, que teria sido anunciada pelo irmão dele, Wagner da Silva Santos.

Preso em janeiro de 2004, aos 29 anos, por agentes da extinta Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e da 40ª DP (Rocha Miranda), ele era acusado de participação na lavagem de dinheiro para a quadrilha do irmão e teria afirmado aos policiais que Linho havia sido morto em janeiro do ano anterior. De acordo com a Polícia, ele contou que o irmão desapareceu no dia 23 de janeiro de 2003.

Na ocasião, ele teria saído de casa, em um condomínio luxuoso no bairro Pinheiros, na Zona Sul de São Paulo, por volta do meio-dia, e seu último contato teria sido por telefone com a mulher, Michele Lucena Fernandes, 24, duas horas depois. Ainda de acordo com Wagner, no mesmo dia um dos comparsas do irmão, o traficante Ubiratan da Silva, o Bira, teria ligado para Michele dizendo que Linho havia sido seqüestrado por policiais que pediam R$ 2 milhões para o resgate. No dia 13 de fevereiro do mesmo ano, um corpo que seria de Bira foi encontrado sem a cabeça e as pernas.

Investigações policiais comprovaram que Linho morava em São Paulo desde 1997, tendo passado por 18 municípios. Em 2003, Linho – que usava documentos com pelo menos sete nomes falsos – teve residências em seis cidades. Ele também possuía, em nomes de terceiros, um posto de combustível e uma farmácia na capital paulista. Ainda segundo a Polícia, o irmão era o responsável por um lava a jato em Santo André. Ele vendeu o estabelecimento – sete meses após a suposta morte do irmão – e voltou para o Rio de Janeiro, onde acabou sendo preso em uma casa em Marechal Hermes, na Zona Norte, por força de um mandado de prisão expedido pela 2ª Vara Criminal da Ilha do Governador.

Enquanto a tentativa de Nêm foi frustrada, o sumiço de Linho é considerado uma fuga bem-sucedida entre integrantes da facção Amigos dos Amigos, hoje representada pelo traficante Edmilson Ferreira dos Santos, o Sassá, 39. Também conhecido como Samuca ou Coroa, ele foi preso em novembro de 2005 por policiais da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) que o encontraram em um buraco aberto no chão do depósito de um supermercado na Favela Salsa e Merengue, no Complexo da Maré, em Bonsucesso, na Zona Norte.

Ao perceber a chegada dos agentes, o criminoso gritou “perdi, perdi”. Depois, ofereceu R$ 1 milhão em troca da liberdade. No momento da prisão ele foi flagrado com duas pistolas, uma granada, cinco rojões de fabricação argentina e um lança rojão, além de quatro bombas caseiras e centenas de munições de diversos calibres. Ao ser questionado sobre a morte de Linho, respondeu: “ouvi dizer” e se limitou a falar que nunca mais havia mantido contato com ele.

Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos

A morte de Roupinol foi divulgada na manhã da terça-feira, dia 23 de março, em ação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil. Mesmo tendo sido atingido por um tiro de fuzil no rosto, o corpo do traficante foi liberado do Instituto Médico Legal (IML) no mesmo dia e um velório em uma quadra no alto do Morro da Mineira foi anunciado através de cartazes espalhados pela comunidade.

Apesar do convite, ninguém conseguiu ver o corpo no caixão e o enterro, realizado no Cemitério Memorial da Igualdade, no bairro Santa Virgem, em Macaé, foi acompanhado somente por quem comprovou parentesco com o criminoso. Nenhum incidente – como ordens para fechamento do comércio ou ações de represália à morte do traficante – foi registrado nas proximidades do Complexo de São Carlos, composto pelos morros São Carlos, Mineira, Zinco, Querosene e Coroa – que corta os bairros Estácio, Rio Comprido e Catumbi, na Zona Central do Rio.

Ausência de luto forçado levanta suspeitas

A falta de luto em homenagem a Roupinol não é comum nos casos de morte de traficantes que ocupam cargos de liderança em morros e favelas do Rio de Janeiro. Um exemplo ocorreu no dia 28 de janeiro do ano passado, quando a morte do traficante Leandro Monteiro Reis, o Pitbull, levou tensão aos arredores do Complexo da Mangueira, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio.

Pertencente à família que domina o tráfico de drogas na favela desde a década de 80, ele morreu sete horas após ter sido baleado em confronto com policiais civis. Sobrinho de Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, 43, e primo de Alexander Mendes da Silva, o Polegar, ele trocou tiros com equipes da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), da Core e da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), na localidade conhecida como Buraco Quente, por volta das 9 horas.

Atingido na barriga, ele ainda conseguiu descer por uma ribanceira e correu em direção à localidade conhecida como Elvis, onde teria se escondido na casa de moradores. Policiais revistaram diversos imóveis, mas não conseguiram encontrá-lo.

No início da tarde, equipes da 17ª DP (São Cristóvão), DRFC e DRFA também foram para a favela e policiais do 4º BPM (São Cristóvão) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) ocuparam os acessos ao complexo. Às 16h30, o traficante deu entrada no Hospital Municipal Souza Aguiar, já sem vida.

Mesmo antes da confirmação da morte do traficante, o clima ficou tenso no entorno do Complexo da Mangueira – composto pelos morros Telégrafos, Chalé, Faria, Santo Antônio, Red Indian, Olaria, Pedreira, Pindura Saia, Buraco Quente, Tengo-Tengo, Curva da Cobra, Joaquina, Candelária e Pedra. As primeiras equipes de policiais chegaram ao local pouco depois das 8 horas. Houve intenso confronto e duas pessoas ficaram feridas: um gari comunitário, baleado na perna, e um policial civil atingido por um tiro de raspão na barriga.

Cerca de uma hora depois, houve novo tiroteio. Desta vez, a troca de tiros ocorreu na Travessa Mangará, onde dois homens morreram e grande quantidade de drogas e armas foi apreendida. Foi em um imóvel na mesma via que os policiais apreenderam uma metralhadora ponto 30, dois fuzis e duas pistolas, além de 200 quilos de maconha.

Aproximadamente três horas após o início da ação, criminosos atearam fogo ao ônibus que fazia a linha 474 (Jardim de Alah-Jacarezinho) e trafegava pela Rua Ana Néri, no trecho entre as ruas Fausto Barreto e Abdon Milanez, em Benfica. Os passageiros contaram que seis homens armados e em três motos pararam o trânsito e expulsaram todos, avisando que iam tacar fogo no ônibus. Logo depois, jogaram vários coquetéis molotov no interior do veículo, que explodiu, atingindo a rede elétrica da rua. O óleo diesel do ônibus começou a vazar dando início a um rastro de chamas, que atingiu um outro carro da linha 312, que passava pela rua. Os passageiros e o motorista desse segundo coletivo conseguiram conter as chamas.

Por volta do meio-dia, o terceiro ônibus foi incendiado a poucos metros do primeiro, no Largo do Pedregulho. Duas horas depois, bandidos atearam fogo a um coletivo que fazia a linha 239 (Castelo-Água Santa) na Rua Presidente Castelo Branco, antiga Radial Oeste, em frente à Favela do Metrô.

O enterro aconteceu 24 horas após o previsto, devido a um contratempo no IML para liberação do corpo. Na época, o advogado do traficante, Ésio Lopes, afirmou que o atraso ocorreu porque não havia ficha papiloscópica de seu cliente no Instituto Félix Pacheco (IFP).

“Eles teriam o direito de permanecer com o corpo por 72 horas, mas o diretor do IML entendeu que isso não era necessário, tendo em vista que a autópsia já havia sido feita e meu cliente foi reconhecido pela família”, explicou, na ocasião.

Mesmo tendo o corpo – intacto, já que foi encontrada apenas uma perfuração na altura do peito – reconhecido por familiares acompanhados por toda documentação, Pitbull, que era integrante da facção criminosa Comando Vermelho (CV), não conseguiu ser enterrado com tanta rapidez como o rival da ADA.

Fotos: Bruno Gonzalez

Um dos traficantes mais procurados do Rio, Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos, foi morto após trocar tiros com policiais civis, durante uma operação no Morro do São Carlos, no Estácio, na região central do Rio, no início da manhã desta terça-feira, dia 23 de março. Apontado como principal distribuidor de drogas do Estado do Rio, Roupinol era procurado pelas polícias Federal e Civil, tendo mais de 28 mandados de prisão expedidos contra si.

A operação que terminou com a morte do principal fornecedor de drogas do Rio foi resultado de uma nvestigação minuciosa que durou pouco mais de dois anos e revelou o talento extraordinário Roupinol – também conhecido como Macaé e Lindão – tinha para transformar cocaína em dinheiro.

Para dissecar as finanças do bando, os agentes usaram uma estratégia engenhosa. Identificaram um a um e monitoraram os compradores dos insumos utilizados no refino da pasta base oriunda de países como a Bolívia e a Colômbia que chegava até as mãos da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), que domina o tráfico no Complexo do São Carlos e também na Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio.

Com base no volume de insumos adquiridos nos últimos dois anos, os agentes calcularam a quantidade de cocaína pura produzida e colocada no mercado e concluíram que a facção faturou o equivalente a R$ 96 milhões. Os contatos de Roupinol no exterior para a compra da pasta-base e o domínio que possuía do processo de refino da cocaína eram fundamentais no esquema que garantia o lucro milionário.

“O grande diferencial do Roupinol foi conseguir trazer o refino da cocaína para dentro das favelas, algo que nunca antes tinha sido feito, e com isso multiplicar os lucros da venda da droga”, disse o sub-chefe operacional da Polícia Civil, delegado Carlos Oliveira.

A fórmula da ADA era simples. Em quase três anos, a quadrilha investiu R$ 42 milhões na compra de seis toneladas de pasta-base (adquirida em média a R$ 7 mil o quilo) e outros R$ 75 mil na compra dos insumos. Aos cuidados do “químico”, como também era chamado, os insumos adicionados à pasta-base se transformavam em seis toneladas de cocaína com 100% de pureza, avaliada no mercado a R$ 16 mil, o quilo – um lucro de mais de 60%.

A droga era revendida a outras favelas da facção, garantindo ao grupo de Roupinol um faturamento bruto final de impressionantes R$ 96 milhões. A cocaína pura que chegava às mãos das outras favelas da ADA, por sua vez, era submetida a outros processos de mistura que chegam a multiplicá-la por 10 e aumentava o faturamento do bando em números que até os policiais consideram incalculáveis.

Só no mês de janeiro deste ano, de acordo com as investigações, a venda de cocaína no Morro da Mineira, favela “arrendada” por Roupinol, garantiu um faturalmento de mais de R$ 3 milhões. A fortuna financiava a compra de armas, subornos a policiais, guerras com facções rivais e até campanhas políticas.

Só em armas, segundo levantamento feito pelos agentes, o Morro da Mineira teria 27 fuzis, 20 pistolas, oito metralhadoras, duas metralhadoras anti-aéreas calibre ponto 30, capazes de derrubar helicópteros, duas sub-metralhadoras e três espingardas calibre 12.

Os policiais descobriram que durante o período os traficantes pagaram a 200 moradores das comunidades da Rocinha e do Complexo de São Carlos para adquirir os produtos químicos usados no refino da droga (éter, ácido clorídrico e ácido sulfúrico).

Para driblar a fiscalização do Ministério da Justiça, que limita a quantidade de produtos que podem ser usados na fabricação de entorpecentes, cada morador recebia em torno de R$ 40 para se cadastrar como comprador em uma das poucas empresas do Rio que trabalha com vendas no varejo.

“Como cada morador só podia adquirir o equivalente a dois litros em um intervalo de 30 dias, eles usavam uma tática formiguinha”, revelou o delegado Rodrigo Oliveira, chefe do Departamento de Polícia Especializada (DPE).

A Polícia Civil já pediu a prisão de 270 pessoas identificadas como compradores dos insumos químicos.

Horas após o confronto que resultou na morte do traficante, o corpo de Roupinol foi velado em uma quadra no alto do Morro de São Carlos, no Estácio, antes de seguir para o Cemitério Memorial da Igualdade, no bairro Santa Virgem, em Macaé. Após a denúncia de que traficantes armados estavam entre os presentes, equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram até o local, no começo da manhã de quarta-feira, dia 24, e houve troca de tiros. Um PM foi ferido por estilhaços e pelo menos dois criminosos teriam sido baleados, mas ninguém foi preso.

Em uma casa no interior da favela, foram encontradas uma pistola Glock calibre 9 mm, adaptada para disparo em rajada, além de munições para fuzil e 1600 papelotes de cocaína. Na quadra, os policiais apreenderam um cartaz convocando os moradores para o funeral do traficante.

O chefe de Polícia Civil, Alan Turnowski, declarou que novas investigações estão sendo feitas para descobrir o destino do dinheiro gerado pela venda da droga.

“O Núcleo de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (NuCC LD), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), está trabalhando para descobrir o destino que este dinheiro está tendo. Esperamos poder divulgar resultados em breve sobre essas investigações”, afirmou, ressaltando a importância dos viciados terem noção do valor em dinheiro que os traficantes arrecadam com a venda de drogas.

“Não temos que tratar o usuário como responsável pelo crime organizado, mas é necessário que eles tenham idéia da quantidade de dinheiro que é gerada para esses traficantes com o consumo de droga”, ressaltou Turnowski.

Rogério Rios Mosqueira, o Macaé ou Lindão, 36 anos

Viciado no tranqüilizante que lhe rendeu o apelido de Roupinol, o traficante Rogério Rios Mosqueira – também conhecido como Macaé ou Lindão – 36 anos, era um dos traficantes mais procurados do Rio. Natural do Complexo das Malvinas, que é formado pelas favelas Nova Holanda, Santanna e Aroeira, localizadas em Macaé, ele era acusado de ser o principal distribuidor de drogas na cidade do Norte Fluminense.

Sandro Luís de Paula Amorim, o Lindinho, Peixe ou Foca, 33 anos

O criminoso cumpriu parte da pena à que foi condenado na Penitenciária Lemos Brito, no Complexo da Frei Caneca, onde conheceu Sandro Luís de Paula Amorim, o Lindinho, Peixe ou Foca, 33 – nascido e criado no Morro da Mineira, no Complexo de São Carlos, no Estácio. Os dois criaram um forte vínculo de amizade na cadeia e, quando Lindinho deixou a prisão, em junho de 2002, Roupinol lhe atribuiu a responsabilidade de controlar as bocas-de-fumo nas favelas de Macaé.

Beneficiado com a liberdade condicional dois anos depois – em dezembro de 2004 -, Lindão passou a ser considerado foragido da Justiça em março de 2007, quando a Polícia Federal desarticulou uma quadrilha de traficantes que mantinha uma refinaria de cocaína no município de Conceição de Macabu, na região norte do Estado do Rio. O laboratório tinha capacidade para refinar de 10 a 15 quilos de pasta base de cocaína por mês – droga que era enviada para as bocas-de-fumo dos complexos das Malvinhas e de São Carlos – composto pelos morros São Carlos, Mineira, Querosene e Zinco.

Anderson Rosa Mendonça, o Coelho ou Lindomar, 31 anos

Batizada como “Morpheu”, a operação envolveu 230 agentes federais e 70 viaturas e ocorreu simultaneamente em vários Estados. Foram presas 11 pessoas em Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Rio de Janeiro. Ao todo, a Polícia cumpriu 40 mandados de prisão e alguns deles eram contra Lindinho e Lindão. Com a operação da PF, Roupinol deixou sua cidade natal e encontrou abrigo oferecido por Lindinho no Complexo do São Carlos. Ele ganhou prestígio no Morro da Mineira após pagar o resgate do traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho ou Lindomar, 31. Sobrinho do traficante Irapuan David Lopes, o Gangan, morto aos 35 anos, em 2004, durante confronto com a Polícia Civil, ele teria sido seqüestrado por policiais, que exigiram dinheiro em troca da liberdade do criminoso.

A partir daí, Roupinol passou a controlar todo o Complexo de São Carlos e se transformou na principal liderança, em liberdade, da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) – cujo líder, Edmílson Ferreira dos Santos, o Sassá, Coroa ou Samuca, 38, está preso. Além de ser apontado como maior fornecedor de cocaína para as bocas-de-fumo controladas pela ADA, Roupinol foi apontado como o mandante do assassinato de três moradores do Morro da Providência, no Centro do Rio, em junho de 2008. Os jovens Marcos Paulo Rodrigues Campos, 17, Wellington Gonzaga da Costa Ferreira, 19, e David Wilson Florêncio da Silva, 24, foram seqüestrados por soldados do Exército e entregues ao traficante, que autorizou a execução para que não restassem testemunhas.

O traficante também foi acusado de envolvimento em outros seis homicídios. Um deles, o do secretário Transportes de Macaé, Fernando Magalhães – morto aos 56 anos, em agosto de 2006.

Relembre:
Polícia não encontra esconderijo de Roupinol na Rocinha

Anderson Eduardo Timóteo, o Skol ou Derson, 34 anos

Um dos gerentes do tráfico de drogas no Complexo de São Carlos, no Estácio, na região central do Rio, Anderson Eduardo Timóteo, o Skol ou Derson, 34 anos, morreu durante confronto com equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), na manhã desta sexta-feira, dia 15 de janeiro. Um policial militar também ficou ferido na troca de tiros. Atingido no pé, perna, braço e duas vezes de raspão no pescoço, o capitão Leandro Maia foi socorrido e levado para o Hospital Central da Polícia Militar (HCPM), localizado a poucos metros da favela.

Apontado pela Polícia como um dos homens de confiança dos traficantes Rogério Rios Mosqueira, Anderson Rosa Mendonça e Sandro Luís de Paula Amorim, que controlam as bocas-de-fumo do Complexo de São Carlos, Skol possuía um mandado de prisão expedido pela 40ª Vara Criminal do Rio. Com informações de que o bandido estava em uma casa no morro, as equipes do Bope subiram a favela.

Ao perceber a presença dos policiais, o criminoso, do alto de uma laje, efetuou diversos disparos de fuzis na direção dos policiais. Em resposta ao traficante, os PMs reagiram e acabaram baleando o procurado.
O tiroteio na área foi intenso e chegou a causar uma interdição do trânsito do Túnel Martins Sá, mais conhecido como Frei Caneca. Pessoas que estavam dentro dos ônibus se atiraram no chão dos veículos, enquanto quem passava pela rua buscava lugares para escapar dos tiros.

Os PMs detiveram a namorada do traficante, Priscila da Silva Vieira, 21, que foi autuada pelo delegado Fernando Reis, titular da 6ª DP (Cidade Nova), por associação para fins de tráfico. Prima do traficante Leandro Nunes Botelho, o Scooby, chefe do tráfico no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, a mulher – grávida de seis meses – foi flagrada em fotos empunhando o fuzil AK-47 usado pelo namorado e apreendido durante a ação do Bope. Se condenada, ela pode pegar de três a dez anos de cadeia.

Priscila da Silva Vieira, 21 anos

O tráfico de drogas no Complexo de São Carlos composto pelos morros São Carlos, Mineira, Querosene e Zinco é controlado pelo traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos. Viciado no tranqüilizante que lhe rendeu o apelido, o criminoso – também conhecido como Macaé ou Lindão – é natural do Complexo das Malvinas, que é formado pelas favelas Nova Holanda, Santanna e Aroeira, localizadas em Macaé.

Acusado de ser o principal distribuidor de drogas na cidade do Norte Fluminense, ele cumpriu parte da pena à que foi condenado na Penitenciária Lemos Brito, no Complexo da Frei Caneca, onde conheceu Sandro Luís de Paula Amorim, o Lindinho, Peixe ou Foca, 33 – nascido e criado no Morro da Mineira. Os dois criaram um forte vínculo de amizade na cadeia e, quando Lindinho deixou a prisão, em junho de 2002, Roupinol lhe atribuiu a responsabilidade de controlar as bocas-de-fumo nas favelas de Macaé.

Beneficiado com a liberdade condicional dois anos depois – em dezembro de 2004 -, Lindão passou a ser considerado foragido da Justiça em março de 2007, quando a Polícia Federal desarticulou uma quadrilha de traficantes que mantinha uma refinaria de cocaína no município de Conceição de Macabu, na região norte do Estado do Rio. O laboratório tinha capacidade para refinar de 10 a 15 quilos de pasta base de cocaína por mês – droga que era enviada para as bocas-de-fumo dos complexos das Malvinhas e de São Carlos.

Batizada como “Morpheu”, a operação envolveu 230 agentes federais e 70 viaturas e ocorreu simultaneamente em vários estados. Foram presas 11 pessoas em Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Rio de Janeiro. Ao todo, a Polícia cumpriu 40 mandados de prisão e alguns deles eram contra Lindinho e Lindão. Com a operação da PF, Roupinol deixou sua cidade natal e encontrou abrigo oferecido por Lindinho no Complexo do São Carlos. Ele ganhou prestígio no Morro da Mineira após pagar o resgate do traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho ou Lindomar, 31. Sobrinho do traficante Irapuan David Lopes, o Gangan, morto aos 35 anos, em 2004, durante confronto com a Polícia Civil, ele teria sido seqüestrado por policiais, que exigiram dinheiro em troca da liberdade do criminoso.

A partir daí, Roupinol passou a controlar todo o Complexo de São Carlos e se transformou na principal liderança, em liberdade, da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) – cujo líder, Edmílson Ferreira dos Santos, o Sassá, Coroa ou Samuca, 38, está preso. Além de ser apontado como maior fornecedor de cocaína para as bocas-de-fumo controladas pela ADA, Roupinol é apontado como o mandante do assassinato de três moradores do Morro da Providência, no Centro do Rio, em junho de 2008. Os jovens Marcos Paulo Rodrigues Campos, 17, Wellington Gonzaga da Costa Ferreira, 19, e David Wilson Florêncio da Silva, 24, foram seqüestrados por soldados do Exército e entregues ao traficante, que autorizou a execução para que não restassem testemunhas.

O traficante também é acusado de envolvimento em outros seis homicídios. Um deles, é o do secretário Transportes de Macaé, Fernando Magalhães – morto aos 56 anos, em agosto de 2006.

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Com 12 mandados de prisão por roubo, Átila Barcelos Rodrigues, 21 anos, morreu após trocar tiros com policiais, na manhã desta terça-feira, dia 8 de dezembro. Equipes da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), com apoio de policiais do 22º BPM (Benfica) realizaram incursão na Favela Parque União, no Complexo da Maré, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio.

A ação tinha como objetivo prender integrantes de uma quadrilha especializada em seqüestrar funcionários de agências bancárias e manter seus familiares reféns para facilitar o roubo a bancos.

Morador da Rua Luiz Pinheiro, Átila foi surpreendido pelos policiais, por volta das 10h, e disparou contra os agentes, tentando fugir. Atingido no confronto, ele ainda foi socorrido e levado para o Hospital Geral de Bonsucesso, no mesmo bairro, mas não resistiu aos ferimentos. Com ele, foram apreendidos uma pistola Glock 40, quatro relógios, um canivete e um tablete de 80 gramas de skank, além de um mapa de uma agência bancária, também localizada em Bonsucesso.

A Polícia desconfia que ela seria o próximo alvo da quadrilha, que foi identificada após investigações iniciadas há cerca de seis meses pela DRF. No dia 25 de novembro, a especializada realizou uma operação na Favela Vila Kennedy, no bairro de mesmo nome, na Zona Oeste do Rio, para tentar cumprir os mandados de prisão temporária expedidos contra os integrantes do grupo. A ação mobilizou cerca de 50 agentes, que prenderam um foragido da Justiça e um homem responsável por uma central clandestina de distribuição de sinal de internet.

Composta por 10 criminosos, a quadrilha começou a ser desarticulada em agosto, com a prisão de Rodrigo dos Santos Euclides, o Turuna, 26. Ele participou do assalto à agência do banco Bradesco localizado na Estrada Vicente de Carvalho, na Praça do Carmo, na Vila da Penha, na Zona Norte do Rio, no dia 8 de julho. O crime vitimou a estudante Letícia Carvalho Botelho, que completava 13 anos na data. Na ocasião, outras quatro pessoas ficaram feridas – três delas atingidas por balas perdidas e uma atropelada enquanto corria para tentar se proteger.

Além dele e de Átila, outro criminoso – Anderson Pereira de Souza, o Twist, 27 – foi reconhecido pelas vítimas através de fotos e apontado como sendo o bandidos mais violento do grupo. De acordo com a Polícia, eles são dissidentes da quadrilha de Alan Vieira dos Santos, o Piolho, 26.

A prisão de Turuna foi efetuada no dia 14 de agosto, em um lava-jato também na Favela Parque União. Segundo a Polícia, ele teria adquirido o estabelecimento com dinheiro de crimes. Dois meses depois, no dia 6 de outubro, equipes da DRF prenderam Murilo Antônio da Silva Júnior, 28, que estava em liberdade condicional há dois anos e foi surpreendido pelos policiais civis em sua casa, na Vila Kennedy.

Os agentes chegaram até ele depois que uma vítima o reconheceu através de fotografia. Tesoureiro em uma agência do banco Itaú localizada em Campo Grande, a vítima foi abordada no momento em que chegava em casa, no Jardim Sulacap, também na Zona Oeste do Rio, no início da noite da quinta-feira anterior.

Três dias depois, foi a vez de Jardel Martins de Oliveira, o Jardel, ser preso, também em sua residência, na Vila Kennedy. Ele possuía mandados de prisão expedidos pelos crimes de extorsão mediante seqüestro, roubo qualificado, tortura e formação de quadrilha.

Com a morte de Átila e as prisões de Turuna, Jardel e Marco Antônio, quatro integrantes da quadrilha continuam foragidos da Justiça, assim como Twist: Luiz Carlos de Oliveira, o Chiqueirinho, Fernando Lafon e Anderson Ribeiro Pimentel, o Carobinha. De acordo com a Polícia, a casa deste último, na Rua Lousal Teles de Menezes, na Favela Vila Kosmos, no bairro de mesmo nome, na Zona Norte do Rio, seria usada como cativeiro para familiares de tesoureiros e gerentes de bancos seqüestrados.

“Vamos relatar o inquérito para extinguir a punibilidade dele, que está morto, e continuar realizando operações para tentar cumprir os outros mandados de prisão”, ressaltou o delegado Roberto Gomes Nunes, titular da DRF.

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Fotos: Pedro Pantoja

comercio fechado no rio comprido

Cumprindo determinação de traficantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV), comerciantes não abriram as portas na Rua Barão de Petrópolis, no bairro Rio Comprido, na Zona Norte do Rio, ao longo desta quinta-feira, dia 22. A ordem seria em luto pelo traficante Leonílson Alves Espírito Santo, o Leozinho dos Prazeres, 20 anos, que morreu após ser baleado em confronto com policiais do 1º BPM (Estácio), na tarde de quarta-feira, dia 21.

leozinho-01

Leonílson Alves Espírito Santo, o Leozinho dos Prazeres, 20 anos

Apontado pela Polícia como líder do tráfico de drogas no Morro dos Prazeres – que possui acessos pelos bairros Rio Comprido, Catumbi e Santa Teresa – e fica de frente para o Morro do Fogueteiro, Leozinho estava armado com uma pistola nove milímetros de fabricação israelense e trafegava pela favela em uma moto Twister amarela quando foi surpreendido pelos PMs.

Leozinho dos Prazeres tinha duas anotações por associação para fins de tráfico e assalto à mão armada

Ele resistiu à prisão e atirou contra os policiais, que revidaram. No confronto, ele foi baleado. Socorrido pelos próprios PMs, ele morreu no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. O registro foi feito na 6ª DP (Cidade Nova).

comercio fechado no rio comprido (1)

“Vieram dois em uma moto e mais outros atrás. Todos estavam armados. Mandaram a gente fechar. Meu patrão ainda foi lá no morro tentar negociar, mas o gerente do Prazeres é um, e o do Fogueteiro é outro. Eles não entraram em um acordo”, revelou o funcionário de um dos estabelecimentos, contando que a ordem foi dada às 15h30 de quarta-feira.

“Os comerciantes acabaram ficando chateados e resolveram não abrir na quinta-feira também. Todos são conhecidos aqui na região, mas os bandidos não tiveram consideração. Tomara que amanhã (hoje) o comércio volte a funcionar. Até porque eu preciso trabalhar”, desabafou.

comercio fechado no rio comprido (2)

O policiamento no entorno das duas favelas foi reforçado e diversas viaturas do 1º BPM realizaram patrulhamento ostensivo durante toda esta quinta-feira, dia 22, para evitar manifestações em represália à morte do traficante. Até o início da tarde de ontem, o corpo dele permanecia, sem identificação, no Instituto Médico Legal (IML).

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Em São Gonçalo, oito escolas municipais suspenderam as atividades, na tarde desta quinta-feira, dia 22: duas no Jardim Catarina, duas em Vista Alegre e outras nos bairros Monjolos, Santa Luzia, Marambaia e Laranjal. Alunos do Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) municipalizado Anita Garibaldi e da Escola Municipal Oscarina da Costa Teixeira, no Jardim Catarina, e das Escolas Municipais Prefeito Jayme Campos, em Monjolos); Santa Luzia, no bairro de mesmo nome; Filadélfia, em Marambaia; Darcy Ribeiro e João Cabral, ambas em Vista Alegre, e do Colégio Municipal Estephânia de Carvalho, no Laranjal, voltaram para casa mais cedo.

A secretaria Municipal de Educação de São Gonçalo informou que as atividades foram suspensas para segurança dos alunos e profissionais e que calendários específicos para cada unidade estão sendo elaborados para a reposição das aulas.

Na noite de quarta-feira, o Colégio Estadual Coronel Serrado, em Monjolos, interrompeu as aulas no turno da noite de ontem, mandando 325 alunos da turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA) para casa. Ontem, os 348 alunos do turno da manhã e os 361 do turno da tarde tiveram aulas normais.

A Secretaria de Estado de Educação informou que a decisão foi tomada devido ao clima tenso nas imediações do bairro e que a direção da escola tem autonomia para tomar as providências necessárias no sentido de garantir a integridade física e moral de seus alunos e funcionários. O órgão também revelou que os conteúdos perdidos das aulas serão repostos.

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menino de deus-02

Quatro anos após perder o controle das bocas-de-fumo do Morro da Chumbada, em São Gonçalo, o traficante Luís Paulo Gomes Jardim, o Luiz Queimado, 47 anos – um dos principais líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no município – iniciou guerra pela retomada dos pontos de venda de drogas no local.

Luís Paulo Gomes Jardim, o Luiz Queimado, 47 anos

Luís Paulo Gomes Jardim, o Luiz Queimado, 47 anos

Preso há 18 anos, o criminoso – irmão de Paulo César Gomes Jardim, o Paulinho Madureira, 43, que também cumpre pena por tráfico de drogas, e filho de Maria Helena Gomes, a Vovó do Pó, 73, que está em liberdade condicional desde julho de 2003, após ficar presa por mais de uma década – controla o Morro Menino de Deus, juntamente com a família, desde os anos 70.

Paulo César Gomes Jardim, o Paulinho Madureira, 43 anos

Paulo César Gomes Jardim, o Paulinho Madureira, 43 anos

Ele teria dado a ordem para que um dos integrantes de sua quadrilha, identificado pela Polícia como Nenequinha, invadisse a Chumbada, controlada desde 2005 pela facção rival Amigos dos Amigos (ADA).
Segundo levantamentos da Polícia, a guerra na região teve início quando o traficante Reginaldo Alex da Conceição Simão, o Reginaldo Bocão, 35, foi morto por antigos aliados, dentro da cadeia.

Maria Helena Gomes, a Vovó do Pó, 73 anos

Maria Helena Gomes, a Vovó do Pó, 73 anos

Ele era um dos homens de confiança dos irmãos Luiz Queimado e Paulinho Madureira. Ainda segundo a polícia, revoltado com a traição, o irmão de Reginaldo Bocão – conhecido como Nei – se aliou à ADA e tomou o lugar dele, na Chumbada. Meses depois, ele foi morto em confronto com a PM. Quem assumiu o compromisso de vingança foi outro irmão – conhecido como Dodô – atualmente preso.

menino de deus-03

Os dois morros fazem divisa e possuem acessos pelos bairros Centro, Rocha, Galo Branco, Estrela do Norte e Mutondo, na região central de São Gonçalo. Na madrugada de sábado, cerca de 80 homens saíram do Menino de Deus e iniciaram a guerra, que deixou mais de 11 criminosos mortos, três presos e moradores feridos. Os traficantes do CV teriam recebido apoio de comparsas de morros e favelas localizadas em outros bairros, como o Martins, em Neves, e o Complexo da Coruja, em Vila Laje; e em outros municípios, como o Juca Branco, no Cubango, em Niterói; e Jacarezinho e Mangueira, no Rio.

chumbada (1)

Além de Nenequinha, Pindoba e Dudu – os três expulsos da Chumbada pela família de Reginaldo Bocão-, Mário Sérgio Rocha Martins, o Gugui, 31 (em liberdade condicional desde o mês de junho), Maicon dos Santos Douglas, o Gaguinho, TH, Leandro Caveira e Tuiú estariam à frente do bonde que invadiu a comunidade vizinha armados com fuzis e pistolas e usando coletes à prova de balas.

Mario Sergio Rocha Martins, Gugui

Mário Sérgio Rocha Martins, o Gugui, 31 anos

Na manhã desta segunda-feira, dia 5, policiais da 72ª DP (Mutuá) e da Coordenadoria de Polícia Regional do Interior (CRPI-SG) realizaram uma incursão no local para tentar localizar corpos e recuperaram a Hiunday Tucson placa KPP 1172, roubada na área da 79ª DP (Jurujuba). Havia vestígios de sangue no interior do veículo, mas os mortos não foram encontrados.

chumbada

Denúncias apontam o Cemitério São Miguel, localizado no bairro de mesmo nome e que dá fundos para o Morro da Chumbada, como uma das áreas escolhidas pelos traficantes para enterrar os corpos dos rivais.

chumbada (2)

No sábado, dia 3, o tiroteio durou cerca de três horas e assustou os moradores, que ficaram impedidos de sair de suas residências por ordem dos traficantes. Dois moradores, identificados como Rogério Augusto da Silva, 29, e Tailane dos Santos Mendonça, 13, foram baleados de raspão quando chegavam em suas residências. Os dois foram encaminhados ao Pronto Socorro de São Gonçalo (PSSG), no Zé Garoto, e liberados após receberem atendimento médico.

Outro ferido durante o confronto foi o garçom Carlos Henrique Freitas Brandão, 27. Morador da Chumbada, ele voltava do trabalho quando teve o carro cercado pelos bandidos. Levado para o alto do morro, ele foi torturado e esfaqueado no peito, mas conseguiu fugir. O garçom foi socorrido por médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e lavado para o PSSG, onde permanece internado.

menino de deus-01

Policiais do 7º BPM (São Gonçalo) ocuparam a comunidade e apreenderam duas metralhadoras, uma pistola e uma granada. Em confronto com a PM, um criminoso conhecido como Contexto foi atingido e não resistiu aos ferimentos. A apreensão foi registrada na 74ª (Alcântara). Para tentar retomar as bocas-de-fumo da Chumbada e assumir também as do Menino de Deus, traficantes da Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, enviaram reforços para o município gonçalense.

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Quatro anos após perder o controle das bocas-de-fumo do Morro da Chumbada, em São Gonçalo, o traficante Luís Paulo Gomes Jardim, o Luiz Queimado, 47 anos – um dos principais líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no município – iniciou guerra pela retomada dos pontos de venda de drogas no local.

Luís Paulo Gomes Jardim, o Luiz Queimado, 47 anos

Luís Paulo Gomes Jardim, o Luiz Queimado, 47 anos

Preso há 18 anos, o criminoso – irmão de Paulo César Gomes Jardim, o Paulinho Madureira, 43, que também cumpre pena por tráfico de drogas, e filho de Maria Helena Gomes, a Vovó do Pó, 73, que está em liberdade condicional desde julho de 2003, após ficar presa por mais de uma década – controla o Morro Menino de Deus, juntamente com a família, desde os anos 70.

Paulo César Gomes Jardim, o Paulinho Madureira, 43 anos

Paulo César Gomes Jardim, o Paulinho Madureira, 43 anos

Ele teria dado a ordem para que um dos integrantes de sua quadrilha, identificado pela Polícia como Nenequinha, invadisse a Chumbada, controlada desde 2005 pela facção rival Amigos dos Amigos (ADA).
Segundo levantamentos da Polícia, a guerra na região teve início quando o traficante Reginaldo Alex da Conceição Simão, o Reginaldo Bocão, 35, foi morto por antigos aliados, dentro da cadeia.

Maria Helena Gomes, a Vovó do Pó, 73 anos

Maria Helena Gomes, a Vovó do Pó, 73 anos

Ele era um dos homens de confiança dos irmãos Luiz Queimado e Paulinho Madureira. Ainda segundo a polícia, revoltado com a traição, o irmão de Reginaldo Bocão – conhecido como Nei – se aliou à ADA e tomou o lugar dele, na Chumbada. Meses depois, ele foi morto em confronto com a PM. Quem assumiu o compromisso de vingança foi outro irmão – conhecido como Dodô – atualmente preso.

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Os dois morros fazem divisa e possuem acessos pelos bairros Centro, Rocha, Galo Branco, Estrela do Norte e Mutondo, na região central de São Gonçalo. Na madrugada de sábado, cerca de 80 homens saíram do Menino de Deus e iniciaram a guerra, que deixou mais de 11 criminosos mortos, três presos e moradores feridos. Os traficantes do CV teriam recebido apoio de comparsas de morros e favelas localizadas em outros bairros, como o Martins, em Neves, e o Complexo da Coruja, em Vila Laje; e em outros municípios, como o Juca Branco, no Cubango, em Niterói; e Jacarezinho e Mangueira, no Rio.

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Além de Nenequinha, Pindoba e Dudu – os três expulsos da Chumbada pela família de Reginaldo Bocão-, Mário Sérgio Rocha Martins, o Gugui, 31 (em liberdade condicional desde o mês de junho), Maicon dos Santos Douglas, o Gaguinho, TH, Leandro Caveira e Tuiú estariam à frente do bonde que invadiu a comunidade vizinha armados com fuzis e pistolas e usando coletes à prova de balas.

Mario Sergio Rocha Martins, Gugui

Mário Sérgio Rocha Martins, o Gugui, 31 anos

Na manhã desta segunda-feira, dia 5, policiais da 72ª DP (Mutuá) e da Coordenadoria de Polícia Regional do Interior (CRPI-SG) realizaram uma incursão no local para tentar localizar corpos e recuperaram a Hiunday Tucson placa KPP 1172, roubada na área da 79ª DP (Jurujuba). Havia vestígios de sangue no interior do veículo, mas os mortos não foram encontrados.

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Denúncias apontam o Cemitério São Miguel, localizado no bairro de mesmo nome e que dá fundos para o Morro da Chumbada, como uma das áreas escolhidas pelos traficantes para enterrar os corpos dos rivais.

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No sábado, dia 3, o tiroteio durou cerca de três horas e assustou os moradores, que ficaram impedidos de sair de suas residências por ordem dos traficantes. Dois moradores, identificados como Rogério Augusto da Silva, 29, e Tailane dos Santos Mendonça, 13, foram baleados de raspão quando chegavam em suas residências. Os dois foram encaminhados ao Pronto Socorro de São Gonçalo (PSSG), no Zé Garoto, e liberados após receberem atendimento médico.

Outro ferido durante o confronto foi o garçom Carlos Henrique Freitas Brandão, 27. Morador da Chumbada, ele voltava do trabalho quando teve o carro cercado pelos bandidos. Levado para o alto do morro, ele foi torturado e esfaqueado no peito, mas conseguiu fugir. O garçom foi socorrido por médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e lavado para o PSSG, onde permanece internado.

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Policiais do 7º BPM (São Gonçalo) ocuparam a comunidade e apreenderam duas metralhadoras, uma pistola e uma granada. Em confronto com a PM, um criminoso conhecido como Contexto foi atingido e não resistiu aos ferimentos. A apreensão foi registrada na 74ª (Alcântara). Para tentar retomar as bocas-de-fumo da Chumbada e assumir também as do Menino de Deus, traficantes da Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, enviaram reforços para o município gonçalense.

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recompensa

Em sete dias consecutivos, 10 policiais militares foram baleados no Rio. Os casos aconteceram do último dia 14 até o dia 20, nas zonas Norte e Oeste; e em Itaboraí, na Região Metropolitana. Dos PMs feridos – dois estavam de serviço – sete morreram. Na segunda-feira, dia 21, não houve policiais feridos, mas, ontem, o Rio de Janeiro registrou mais um caso. Com este, o número de policiais baleados no Estado chega a 146 – sendo que 84 morreram. Dos 62 sobreviventes, 56 eram policiais militares, cinco eram policiais civis e um era policial rodoviário federal. Dos assassinados, 74 eram PMs e 10 eram policiais civis. Do total de 146 policiais, 49 estavam de serviço: 16 morreram.

A última vítima foi o sargento reformado Alexandre José Evangelista dos Santos, 44 anos. Ele estava em seu carro – um Kia Subaru – e trafegava no sentido Centro pela pista lateral da Avenida Brasil, em frente ao Conjunto Habitacional Amarelinho, em Irajá, na Zona Norte. Os criminosos, que ocupavam um Ford EcoSport, emparelharam com o PM e efetuaram disparos. Eles fugiram sem levar o automóvel do sargento, que ainda foi socorrido e levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes. No entanto, o PM não resistiu aos ferimentos.

jorge lobao

A estatística fez com que o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Jorge Lobão, reativasse um antigo serviço: o Disque-Denúncia da entidade, que oferece recompensa de R$ 2 mil a quem auxiliar na identificação e prisão de matadores de policiais. Quem tiver informações pode passar através do número 8181-7304.

Últimos Casos
No domingo, o cabo Alexandre Pires, 38 anos, foi assassinado dentro de um condomínio fechado localizado na Rua João Adil de Oliveira, também em Irajá. Segundo testemunhas, cinco bandidos com fuzis e pistolas abordaram o policial e fizeram pelo menos 20 disparos. O condomínio, onde moram muitos policiais civis e militares, tem uma única rua de acesso, com cancela. Moradores contaram que os criminosos estavam em dois carros — um Fox preto e um Punto prata.

Lotado no 14º BPM (Bangu), o PM – que estava afastado dos serviços de rua – respondia à Conselho de Disciplina por participar da ação que resultou na morte de uma oficial da Aeronáutica, em 2007. Donos de um carro que havia sido roubado, Larissa e Douglas Gorchinsky recuperaram o próprio veículo, após o assalto, e seguiam para a delegacia quando passaram por uma blitz. A vítima acabou morrendo ao ser baleada por policiais que atiraram contra o automóvel depois que os ocupantes não obedeceram à ordem de parar.

No dia anterior, o cabo René Sátiro de Oliveira, 40, que era lotado no 20º BPM (Mesquita), foi encontrado morto dentro de um Fiesta na Rua Lauro Camargo, próximo ao Morro do Chapadão, na Pavuna, na Zona Norte do Rio. Na sexta-feira, o cabo Sérgio da Cruz, 39, foi surpreendido por dois homens armados, no interior um bar localizado na esquina das ruas Paraná e Joaquim Martins, em Água Santa, também na Zona Norte. Lotado no 3º BPM (Méier), ele havia acabado de sair do serviço e tinha se encontrado com o filho, de 16 anos. O PM ainda conseguiu reagir e, mesmo baleado, saiu do bar e foi até o seu carro. Socorrido e levado para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, ele não resistiu aos ferimentos.

pm baleado

No dia 17, o sargento João Carlos dos Santos Moraes, 40, lotado no 22º BPM (Benfica), foi baleado na barriga durante confronto com traficantes que controlam a venda de drogas na Favela de Manguinhos, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio. Na véspera, o soldado Guilherme Lourenço Caminha, 32 anos, lotado no mesmo batalhão, foi assassinado em tentativa de assalto sofrida na esquina das ruas Barão de Cotegipe e Emília Sampaio, em Vila Isabel, também na Zona Norte. Quatro criminosos – sendo três em um carro e um em uma moto – cercaram o Astra em que o PM estava, acompanhado pela mulher, e o obrigaram a sair do veículo. Ele foi reconhecido por estar usando a parte de baixo da farda.

Mulher de PM morto

Os bandidos, então, fizeram onze disparos em direção ao policial, que foi atingido por seis tiros. Ele ainda chegou a reagir e, na troca de tiros, um dos criminosos também foi baleado. O PM morreu ao dar entrada no Hospital Geral do Andaraí, no bairro de mesmo nome. Um suspeito de participar da tentantiva de assalto, identificado como Moisés Camilo Lucena, 22, foi preso na sala de emergência do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio. Há seis anos na corporação, o PM havia sido aprovado em um concurso da Petrobras e deixaria a farda no próximo mês. No mesmo dia, o cabo José Paulo dos Santos da Silva, 26, lotado no 9º BPM (Rocha Miranda), foi baleado de raspão na perna durante confronto com traficantes no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, também na Zona Norte do Rio. O PM foi socorrido e levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, sendo liberado após receber atendimento médico.

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Na terça-feira, dia 15, os policiais militares José Roberto Santos de Oliveira, 52, e João Rodrigues Russo Neto, 55, foram assassinados, no Engenho de Dentro, na Zona Norte. Eles eram responsáveis pela segurança do presidente da Companhia de Água e Esgoto do Rio (Cedae), Wagner Victer. Os PMs, que estavam em um Toyota Corolla preto, haviam acabado de deixar o presidente da Cedae na casa dele, na Ilha do Governador. Segundo testemunhas, os criminosos – que estavam em um Gol prata – impediram a passagem dos policiais, desceram do carro e efetuaram os disparos.

Horas antes, o sargento Celso Luiz Moreira, 40, lotado no 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes), foi morto ao tentar evitar uma saidinha de banco – quando a pessoa é seguida e assaltada após efetuar saque em agência bancária ou caixa eletrônico – em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. O PM estava de folga e percebeu quando um cliente que saía da agência do banco Itaú localizada na Estrada dos Bandeirantes foi abordado por dois homens em uma moto. Ao tentar impedir o assalto, o PM foi baleado – na cabeça, nas costas e no olho.

No dia 14 de setembro, o soldado Alessandro Fonseca Dias, 36 anos, lotado no 12º BPM (Niterói), estava de folga quando foi baleado pelo soldado Elias Medeiros Coelho, do 35º BPM (Itaboraí), que estava de serviço. O crime ocorreu no bairro Santo Expedito, em Itaboraí, quando o soldado do 12º BPM saía de um clube. O carro do PM, que era dirigido por sua mulher, Nívea Dias, colidiu com o do também soldado da PM Fredson Nascimento Pereira, lotado no Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE). Os três iniciaram uma discussão e uma viatura do 35º BPM que passava pelo local tentou intervir, mas um dos integrantes da equipe acabou atingindo Fonseca. Ele alegou ter agido em legítima defesa, mas foi autuado por tentativa de homicídio e encaminhado para o Batalhão Prisional Especial (Bep), em Benfica.

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