Arquivo da categoria ‘Confronto’

Seis meses após a ação que resultou na morte do traficante Marcelo da Silva Leandro, o Marcelinho Niterói, 34 anos, o helicóptero do Serviço Aeropolicial da Polícia Civil (Saer) retirou de circulação um dos criminosos que estava na lista dos mais procurados atualmente pela Polícia do Estado do Rio: Márcio José Sabino Pereira, o Matemático ou Batgol, 36.

Parceiro do traficante Nei da Conceição Cruz, o Facão, 41 – preso desde outubro de 2009 – e um dos líderes da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), Matemático estava no interior da Favela Vila Aliança, em Senador Camará, na Zona Oeste do Rio, quando foi surpreendido por vôos rasantes da aeronave blindada da Polícia Civil, na madrugada deste sábado, dia 12 de maio.

Nei da Conceição Cruz, o Facão, 41 anos

Acompanhado por comparsas que integram a quadrilha responsável pela venda de drogas no Complexo da Coréia – composto pelas favelas Coréia, Vila Aliança, Rebu, Taquaral e Jabour, que cortam os bairros Senador Camará, Realengo e Bangu -, eles chegaram a trocar tiros com os policiais, que conseguiram atingir Matemático, que ainda foi socorrido pelos cúmplices.

A tentativa de sair da favela em busca de atendimento médico foi frustrada ao descobrir que veículos blindados e equipes do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do 14º BPM (Bangu) e da Polícia Federal davam refoço à ação aérea por terra se posicionando nos principais acessos ao conjunto de favelas.

Já no início da manhã o corpo de Matemático foi encontrado no interior do Gol preto placa LQX 8687 na Estrada do Engenho, na Favela Vila Aliança, em Senador Camará. Foi neste mesmo endereço que dois policiais militares foram assassinados, em maio do ano passado. Os soldados Lyra e Xavier, lotados respectivamente no 21º BPM (São João de Meriti) e no 1º BPM (Estácio), estavam no interior do Golf preto placa ABO 9777, que era blindado, mas não resistiram aos diversos disparos de armas de grosso calibre.

Márcio José Sabino Pereira, o Matemático ou Batgol, 36 anos

Investigado em 26 inquéritos e com 15 mandados de prisão contra si por tráfico, associação para o tráfico e formação de quadrilha, Matemático era um dos criminosos pelos quais o Disque-Denúncia pagava R$ 10 mil por informações que levassem à sua prisão.

As incursões policiais na região tornaram-se frequentes nas últimas semanas. No primeiro domingo de abril, dia 1º, a namorada do traficante, identificada como Natália Rodrigues Marques, 19, chegou a ser baleada na perna. Ela estava acompanhada por Matemática e seus seguranças quando agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil desceram de rapel do helicóptero da instituição e trocaram tiros com os bandidos.

Apoiado pela comunidade, Matemático controlava sozinho o Complexo da Coréia desde a prisão de Facão – efetuada no dia 9 de outubro de 2009, no Guarujá, no litoral de São Paulo, por agentes da Superintendência de Inteligência do Sistema Penitenciário (Sispen), subordinada à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária.

Monitorado durante um mês – através de escutas telefônicas autorizadas pela promotora Valéria Videira Costa, titular da 21ª Promotoria de Investigação Penal (PIP) e chefe do Núcleo de Monitoramento do Sistema Penitenciário no Ministério Público -, Facão estava evadido do Sistema Penal desde o 13 de abril daquele ano. No dia 25 de outubro do mesmo ano Facão foi transferido para a Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Márcio da Silva Lima, o Tola, 37 anos

Seis meses antes, o traficante Márcio da Silva Lima, o Tola, 37, havia sido preso por equipes da 38ª DP (Brás de Pina) em uma fazenda de café na cidade de Durandé, no interior de Minas Gerais. A prisão foi efetuada no dia 24 de abril de 2009, meses após Tola ter perdido dois de seus homens de confiança: Leonardo Fragoso da Silva, o Léo Vascão, 26, morto em fevereiro, e Juarez Mendes da Silva, o Aranha, morto em março. Os dois trocaram tiros com policiais do 14º BPM.

Depois das mortes de seus comparsas, ele passou a dividir o Complexo da Coréia com Luiz Cláudio Cândido, o Claudinho Nonô. Rejeitado pelos moradores, Tola acabou perdendo poder dez dias antes de sua prisão, quando Matemático e Facão ganharam o benefício de trabalho extra-muros e não voltaram ao Instituto Penal Cândido Mendes, no Centro do Rio. Eles orderam o afastamento de Tola que, com medo de morrer, acabou fugindo.

Em fevereiro deste ano, Tola foi absolvido pela juíza Alessandra de Araújo Bilac Moreira Pinto, da 40ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, no processo em que era acusado de associação para o tráfico, porte ilegal de arma e comércio ilegal de arma. Na decisão, a magistrada determinou a expedição de alvará de soltura e seu encaminhamento à Justiça Federal do Paraná, já que o traficante atualmente está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas.

A facção
O Terceiro Comando Puro (TCP) surgiu há dez anos, quando houve um racha entre as facções Terceiro Comando (TC) e Amigos dos Amigos (ADA). A briga ocorreu após a rebelião ocorrida no dia 11 de setembro de 2002 na Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino – mais conhecida como Bangu 1 – no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio.

Na ocasião – primeiro aniversário dos atentados terroristas nos Estados Unidos -, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, então com 34 anos, liderou a ação que durou 23 horas e provocou a morte dos maiores líderes do TC: Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, então com 33 anos, e seus cunhados, Wanderley Soares, o Orelha – casado com a irmã de Uê, Evanilda Pinto Medeiros; e Carlos Roberto Cabral da Silva, o Robertinho do Adeus – casado com a outra irmã, Enivalda Pinto de Medeiros; além de Elpídio Rodrigues Sabino, o Robô.

Integrante da ADA, Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, então com 41 anos, se aliou a Beira-Mar para conseguir sair vivo. Em troca, facilitou a entrada dos rivais na cela onde estava Uê, que era seu amigo pessoal. Após a ação, TC e ADA desfizeram a união e surgiu o Terceiro Comando Puro – sob comando de Matemático e Facão.

RELEMBRE AQUI:
Em ação de helicóptero do Saer da Polícia Civil, Marcelinho Niterói é morto na Maré

ARQUIVO COMPLEXO DA CORÉIA:
Facções rivais TCP e ADA se unem para comprar e revender “o melhor pó do Rio”

Matemático soma várias baixas na Coréia

Tráfico invade Posto de Policiamento Comunitário

Atoladinho na cadeia: Polícia tira Tola de circulação

Facão é preso no Guarujá

MORTES DE OUTROS INTEGRANTES DA QUADRILHA (imagens fortes):
14º BPM rebaixa Léo Vascão para o inferno

14º BPM corta a teia de Aranha

PM impõe mais uma baixa à Coréia: chegou a vez de Claudinho Nonô

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Uma denúncia grave pode pôr em suspeita a participação de policiais militares no episódio macabro que marcou a guerra entre traficantes rivais das facções Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) pela disputa das bocas-de-fumo do Morro da Serrinha, em Madureira, na Zona Norte do Rio. Familiares do traficante Valmir Bernardo da Silva, o Parazão, que foi decapitado e teve a cabeça exibida como troféu, na última quinta-feira, dia 4 de novembro, denunciaram que ele foi vendido aos rivais por policiais do 41º BPM (Irajá). A viúva do criminoso prestou depoimento à Divisão de Homicídios (DH), no dia seguinte, e o conteúdo está sendo mantido sob sigilo.

Valmir Bernardo da Silva, o Parazão

O responsável pelo pagamento teria sido Marcelo Silva Batista, o Lerdinho, braço-direito do traficante Jorge Porfírio de Souza, o Dinho, 30 anos, líder do TCP que controla a venda de drogas na Serrinha. A mulher dele levou R$ 30 mil para completar o valor inicial exigido pelos PMs, que surpreenderam Parazão em uma casa no Morro do Juramento. A comunidade de Vicente de Carvalho foi escolhida pelo CV como base por fazer divisa pela mata com o Morro da Serrinha. É de lá que têm saído os bondes para as tentativas de invasão que já duram um ano e contam com apoio de comparsas do Morro do Cajueiro – localizado em frente à Serrinha.

Marcelo Silva Batista, o Lerdinho

“Ela levou R$ 30 mil para inteirar na compra do corpo por ordem do Lerdinho, mas não sabe o valor exato porque uma quantia já havia sido entregue antes”, revelou um dos parentes de Parazão.

Agora, a comunidade vive sob a tensão de novas investidas de traficantes do Comando Vermelho, já que um dos chefes do tráfico no Complexo do Alemão, Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 34, mandou recado prometendo vingar a morte do aliado.

“Já passaram aqui avisando que no próximo final-de-semana não é pra morador sair de casa. Eles vão invadir pra pegar a família do Lerdinho e esquartejar todos como vingança. Estão esperando esfriar pra aterrorizar”, desabafou uma dona de casa de 62 anos que mora na Rua Sadoc de Sá – via que dá acesso ao Morro da Serrinha e fica em frente ao Cajueiro.

“As duas comunidades são controladas por facções rivais e é a gente que fica no meio do fogo cruzado”, lamentou a idosa, que pediu para não ter a identidade revelada.

O comandante do 41º BPM, tenente-coronel Alexandre Fontenelle, afirmou que Parazão foi morto em confronto ocorrido na mata que separa as duas comunidades entre policiais e traficantes. Ainda de acordo com ele, o corpo foi encontrado pelos rivais, que fizeram questão de cortar a cabeça e exibi-la como demonstração de força para os moradores e exemplo do que acontece com traidores.

Jorge Porfírio de Souza, o Dinho, 30 anos

Foi a poucos metros da casa dela que a cabeça de Parazão foi jogada: em um poste na Avenida Edgard Romero, na altura da Rua Sadoc de Sá, exibida como se fosse um troféu. Antes disso, entretanto, ela foi exibida pelas vielas da favela por Dinho. As tentativas de criminosos do CV de dominar o Morro da Serrinha, controlado por rivais do TCP, teve início no final de setembro do ano passado. No mês seguinte, Parazão – que era braço direito de Dinho – fugiu da Serrinha levando armas e drogas e procurou refúgio na Favela Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, na Penha – considerado o Quartel General (QG) da facção fundada por Rogério Lengruber, o Bagulhão.

Paulo Orlando dos Santos, o Paulinho ou PH, 22 anos

Enquanto criminosos do Alemão estão dando apoio aos bondes formados por traficantes dos morros do Juramento e Cajueiro, rivais da Serrinha têm apoio de comparsas do Morro São José da Pedra, também em Madureira, e das favelas de Acari, no bairro de mesmo nome, ainda na Zona Norte, e de Senador Camará, em Bangu, na Zona Oeste do Rio.

Sérgio Porfírio de Souza, o Neco

Entre os feridos, estaria Paulo Orlando dos Santos, o Paulinho ou PH, 22, gerente do Cajueiro. Socorrido pelos próprios comparsas, ele estaria recebendo atendimento médico em uma unidade de saúde improvisada na Vila Cruzeiro.

Adilson Porfírio de Sousa, o Adilson da Serrinha

Além de Lerdinho, Dinho teria apoio dos irmãos, Sérgio Porfírio de Souza, o Neco, e Adilson Porfírio de Sousa, o Adilson da Serrinha, e de Nilson de Oliveira Augusto, o Chuchu, que chefia a venda de drogas no Morro São José da Pedra.

Do outro lado, com carta branca de FB, está o traficante Luiz Cláudio Serrat Corrêa, conhecido como Claudinho da Mineira, Claudinho Tabajara, Claudinho Dona Marta ou Claudinho CL, 38. Além de ser apontado pela Polícia como um dos mandantes da execução do tenente-coronel da Polícia Militar José Roberto do Amaral Lourenço, 41, em outubro de 2008, ele é investigado por dar apoio a diversos roubos a instituições financeiras. De acordo com a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), ele faria o contato entre os assaltantes e traficantes do Complexo do Alemão – que estariam alugando armas para as ações em troca de parte do dinheiro arrecadado. Um dos traficantes que fazia parte do esquema era Parazão.

Relembrem:
Cabeça do traficante Parazão é exibida como troféu pelo rival

Uma denúncia grave pode pôr em suspeita a participação de policiais militares no episódio macabro que marcou a guerra entre traficantes rivais das facções Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) pela disputa das bocas-de-fumo do Morro da Serrinha, em Madureira, na Zona Norte do Rio. Familiares do traficante Valmir Bernardo da Silva, o Parazão, que foi decapitado e teve a cabeça exibida como troféu, na última quinta-feira, dia 4 de novembro, denunciaram que ele foi vendido aos rivais por policiais do 41º BPM (Irajá). A viúva do criminoso prestou depoimento à Divisão de Homicídios (DH), no dia seguinte, e o conteúdo está sendo mantido sob sigilo.

Valmir Bernardo da Silva, o Parazão

O responsável pelo pagamento teria sido Marcelo Silva Batista, o Lerdinho, braço-direito do traficante Jorge Porfírio de Souza, o Dinho, 30 anos, líder do TCP que controla a venda de drogas na Serrinha. A mulher dele levou R$ 30 mil para completar o valor inicial exigido pelos PMs, que surpreenderam Parazão em uma casa no Morro do Juramento. A comunidade de Vicente de Carvalho foi escolhida pelo CV como base por fazer divisa pela mata com o Morro da Serrinha. É de lá que têm saído os bondes para as tentativas de invasão que já duram um ano e contam com apoio de comparsas do Morro do Cajueiro – localizado em frente à Serrinha.

Marcelo Silva Batista, o Lerdinho

“Ela levou R$ 30 mil para inteirar na compra do corpo por ordem do Lerdinho, mas não sabe o valor exato porque uma quantia já havia sido entregue antes”, revelou um dos parentes de Parazão.

Agora, a comunidade vive sob a tensão de novas investidas de traficantes do Comando Vermelho, já que um dos chefes do tráfico no Complexo do Alemão, Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 34, mandou recado prometendo vingar a morte do aliado.

“Já passaram aqui avisando que no próximo final-de-semana não é pra morador sair de casa. Eles vão invadir pra pegar a família do Lerdinho e esquartejar todos como vingança. Estão esperando esfriar pra aterrorizar”, desabafou uma dona de casa de 62 anos que mora na Rua Sadoc de Sá – via que dá acesso ao Morro da Serrinha e fica em frente ao Cajueiro.

“As duas comunidades são controladas por facções rivais e é a gente que fica no meio do fogo cruzado”, lamentou a idosa, que pediu para não ter a identidade revelada.

O comandante do 41º BPM, tenente-coronel Alexandre Fontenelle, afirmou que Parazão foi morto em confronto ocorrido na mata que separa as duas comunidades entre policiais e traficantes. Ainda de acordo com ele, o corpo foi encontrado pelos rivais, que fizeram questão de cortar a cabeça e exibi-la como demonstração de força para os moradores e exemplo do que acontece com traidores.

Jorge Porfírio de Souza, o Dinho, 30 anos

Foi a poucos metros da casa dela que a cabeça de Parazão foi jogada: em um poste na Avenida Edgard Romero, na altura da Rua Sadoc de Sá, exibida como se fosse um troféu. Antes disso, entretanto, ela foi exibida pelas vielas da favela por Dinho. As tentativas de criminosos do CV de dominar o Morro da Serrinha, controlado por rivais do TCP, teve início no final de setembro do ano passado. No mês seguinte, Parazão – que era braço direito de Dinho – fugiu da Serrinha levando armas e drogas e procurou refúgio na Favela Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, na Penha – considerado o Quartel General (QG) da facção fundada por Rogério Lengruber, o Bagulhão.

Paulo Orlando dos Santos, o Paulinho ou PH, 22 anos

Enquanto criminosos do Alemão estão dando apoio aos bondes formados por traficantes dos morros do Juramento e Cajueiro, rivais da Serrinha têm apoio de comparsas do Morro São José da Pedra, também em Madureira, e das favelas de Acari, no bairro de mesmo nome, ainda na Zona Norte, e de Senador Camará, em Bangu, na Zona Oeste do Rio.

Sérgio Porfírio de Souza, o Neco

Entre os feridos, estaria Paulo Orlando dos Santos, o Paulinho ou PH, 22, gerente do Cajueiro. Socorrido pelos próprios comparsas, ele estaria recebendo atendimento médico em uma unidade de saúde improvisada na Vila Cruzeiro.

Adilson Porfírio de Sousa, o Adilson da Serrinha

Além de Lerdinho, Dinho teria apoio dos irmãos, Sérgio Porfírio de Souza, o Neco, e Adilson Porfírio de Sousa, o Adilson da Serrinha, e de Nilson de Oliveira Augusto, o Chuchu, que chefia a venda de drogas no Morro São José da Pedra.

Do outro lado, com carta branca de FB, está o traficante Luiz Cláudio Serrat Corrêa, conhecido como Claudinho da Mineira, Claudinho Tabajara, Claudinho Dona Marta ou Claudinho CL, 38. Além de ser apontado pela Polícia como um dos mandantes da execução do tenente-coronel da Polícia Militar José Roberto do Amaral Lourenço, 41, em outubro de 2008, ele é investigado por dar apoio a diversos roubos a instituições financeiras. De acordo com a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), ele faria o contato entre os assaltantes e traficantes do Complexo do Alemão – que estariam alugando armas para as ações em troca de parte do dinheiro arrecadado. Um dos traficantes que fazia parte do esquema era Parazão.

Relembrem:
Cabeça do traficante Parazão é exibida como troféu pelo rival

Um episódio bárbaro promete agravar ainda mais a guerra travada entre traficantes das facções Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) que disputam o controle da venda de drogas no Morro da Serrinha, em Madureira, na Zona Norte do Rio, há cerca de um ano.

Em um poste na Avenida Edgard Romero, na altura da Rua Sadoc de Sá – que dá acesso ao Morro da Serrinha e fica em frente ao Morro do Cajueiro, também em Madureira – exibida como se fosse um troféu, policiais do 41º BPM (Irajá) encontraram a cabeça do traficante Valmir Bernardo da Silva, o Parazão, apontado como homem que liderou o bonde do Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, para a tentativa de invasão à Serrinha.

Valmir Bernardo da Silva, o Parazão

Antes disso, entretanto, ela foi exibida pelas vielas da favela pelo traficante Jorge Porfírio de Sousa, o Dinho, 30 anos. As tentativas de criminosos do CV de dominar o Morro da Serrinha, controlado por rivais do TCP, teve início no final de setembro do ano passado. No mês seguinte, Parazão – que era braço direito de Dinho – fugiu da Serrinha levando armas e drogas e procurou refúgio na Favela Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, na Penha – considerado o Quartel General (QG) da facção fundada por Rogério Lengruber, o Bagulhão.

“O Dinho cumpriu a ameaça de se vingar do Parazão, que ele chamava de traíra. Ele ficou passeando pela comunidade com a cabeça dele. Foi uma cena de horror”, revelou um autônomo que é nascido e criado na Rua Doutor Joviano e pediu para não ter a identidade revelada.

Além de Dinho, seus dois irmãos, Sérgio Porfírio de Sousa, o Neco, e Adilson Porfírio de Souza, o Adilson da Serrinha, também participaram da ação. O corpo de Parazão não havia sido localizado, até o final da tarde de ontem.

“Moradores contaram que o corpo seria jogado aos porcos. Esses animais só não conseguem comer o cabelo e as unhas. Eles somem com o resto em dois dias”, afirmou um inspetor da 29ª DP (Madureira).

Enquanto peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) eram aguardados, uma equipe do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 41º BPM realizou uma incursão no Morro do Cajueiro e prendeu dois acusados de envolvimento com o tráfico de drogas no local, conhecidos como Playboy e Xuxa. O registro foi feito na 30ª DP (Marechal Hermes), que funcionava como central de flagrantes.

Jorge Porfírio de Sousa, o Dinho

De acordo com a Polícia, a autorização para o início da guerra na região foi dada pelo traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 34, que entregaria o controle do Morro da Serrinha para o comparsa Luiz Cláudio Serrat Corrêa, conhecido como Claudinho da Mineira, Claudinho Tabajara, Claudinho Dona Marta ou Claudinho CL, 38.

Segundo investigações da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), Claudinho CL tem dado apoio a diversos roubos a instituições financeiras. Ele faria o contato entre os assaltantes e traficantes do Complexo do Alemão – que estariam alugando armas para as ações em troca de parte do dinheiro arrecadado. Um dos traficantes que faria parte do esquema é Parazão.

Em maio deste ano, agentes da DRF apreenderam uma tonelada de maconha – avaliada em cerca de R$ 600 mil – na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Senador Camará, na Zona Oeste do Rio. A droga, com essência de menta, estava escondida debaixo de 26 toneladas de cebola e era transportada em uma carreta que vinha do Paraguai.

“O trabalho começou através da investigação de uma quadrilha de assaltantes a bancos. Ela se esconde no Alemão, aluga armas dos traficantes para cometer os roubos e, em troca, divide parte dos lucros com eles. É com esse dinheiro que os chefes do Alemão estão investindo na compra de mais drogas”, explicou, na ocasião, o delegado Marcelo Martins, adjunto da especializada.

Além disso, CL é apontado como um dos mandantes da execução do tenente-coronel da Polícia Militar José Roberto do Amaral Lourenço, 41. Diretor há quatro anos da Penitenciária Doutor Serrano Neves B – mais conhecida como Bangu 3B – no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, ele foi assassinado com mais de 60 tiros na Avenida Brasil, quando se dirigia ao trabalho, no dia 16 de outubro de 2008.

Um episódio bárbaro promete agravar ainda mais a guerra travada entre traficantes das facções Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) que disputam o controle da venda de drogas no Morro da Serrinha, em Madureira, na Zona Norte do Rio, há cerca de um ano.

Em um poste na Avenida Edgard Romero, na altura da Rua Sadoc de Sá – que dá acesso ao Morro da Serrinha e fica em frente ao Morro do Cajueiro, também em Madureira – exibida como se fosse um troféu, policiais do 41º BPM (Irajá) encontraram a cabeça do traficante Valmir Bernardo da Silva, o Parazão, apontado como homem que liderou o bonde do Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, para a tentativa de invasão à Serrinha.

Valmir Bernardo da Silva, o Parazão

Antes disso, entretanto, ela foi exibida pelas vielas da favela pelo traficante Jorge Porfírio de Sousa, o Dinho, 30 anos. As tentativas de criminosos do CV de dominar o Morro da Serrinha, controlado por rivais do TCP, teve início no final de setembro do ano passado. No mês seguinte, Parazão – que era braço direito de Dinho – fugiu da Serrinha levando armas e drogas e procurou refúgio na Favela Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, na Penha – considerado o Quartel General (QG) da facção fundada por Rogério Lengruber, o Bagulhão.

“O Dinho cumpriu a ameaça de se vingar do Parazão, que ele chamava de traíra. Ele ficou passeando pela comunidade com a cabeça dele. Foi uma cena de horror”, revelou um autônomo que é nascido e criado na Rua Doutor Joviano e pediu para não ter a identidade revelada.

Além de Dinho, seus dois irmãos, Sérgio Porfírio de Sousa, o Neco, e Adilson Porfírio de Souza, o Adilson da Serrinha, também participaram da ação. O corpo de Parazão não havia sido localizado, até o final da tarde de ontem.

“Moradores contaram que o corpo seria jogado aos porcos. Esses animais só não conseguem comer o cabelo e as unhas. Eles somem com o resto em dois dias”, afirmou um inspetor da 29ª DP (Madureira).

Enquanto peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) eram aguardados, uma equipe do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 41º BPM realizou uma incursão no Morro do Cajueiro e prendeu dois acusados de envolvimento com o tráfico de drogas no local, conhecidos como Playboy e Xuxa. O registro foi feito na 30ª DP (Marechal Hermes), que funcionava como central de flagrantes.

Jorge Porfírio de Sousa, o Dinho

De acordo com a Polícia, a autorização para o início da guerra na região foi dada pelo traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 34, que entregaria o controle do Morro da Serrinha para o comparsa Luiz Cláudio Serrat Corrêa, conhecido como Claudinho da Mineira, Claudinho Tabajara, Claudinho Dona Marta ou Claudinho CL, 38.

Segundo investigações da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), Claudinho CL tem dado apoio a diversos roubos a instituições financeiras. Ele faria o contato entre os assaltantes e traficantes do Complexo do Alemão – que estariam alugando armas para as ações em troca de parte do dinheiro arrecadado. Um dos traficantes que faria parte do esquema é Parazão.

Em maio deste ano, agentes da DRF apreenderam uma tonelada de maconha – avaliada em cerca de R$ 600 mil – na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Senador Camará, na Zona Oeste do Rio. A droga, com essência de menta, estava escondida debaixo de 26 toneladas de cebola e era transportada em uma carreta que vinha do Paraguai.

“O trabalho começou através da investigação de uma quadrilha de assaltantes a bancos. Ela se esconde no Alemão, aluga armas dos traficantes para cometer os roubos e, em troca, divide parte dos lucros com eles. É com esse dinheiro que os chefes do Alemão estão investindo na compra de mais drogas”, explicou, na ocasião, o delegado Marcelo Martins, adjunto da especializada.

Além disso, CL é apontado como um dos mandantes da execução do tenente-coronel da Polícia Militar José Roberto do Amaral Lourenço, 41. Diretor há quatro anos da Penitenciária Doutor Serrano Neves B – mais conhecida como Bangu 3B – no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, ele foi assassinado com mais de 60 tiros na Avenida Brasil, quando se dirigia ao trabalho, no dia 16 de outubro de 2008.

Considerado foragido da Justiça desde janeiro de 2008, o traficante Luiz Cláudio Serrat Corrêa, conhecido como Claudinho da Mineira, Claudinho Tabajara, Claudinho Dona Marta ou Claudinho CL, 38 anos, é apontado como o responsável pela guerra que tem atormentado os moradores de Madureira, na Zona Norte do Rio. Um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), é ele quem está à frente do bonde que tem travado constantes tiroteios com o rival Jorge Porfírio de Souza, o Dinho, 30, que é integrante do Terceiro Comando Puro (TCP) e lidera a venda de drogas no Morro da Serrinha.

Com reforço de comparsas dos morros da Primavera, em Cavalcante, e São José da Pedra, também em Madureira, o bonde de Claudinho CL está abrigado no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, e conta com apoio de Valmir Bernardo da Silva, o Parazão, que é ex-braço direito de Dinho. Nesta quarta-feira, dia 3 de novembro, os moradores comemoravam a primeira noite sem tiroteio das últimas duas semanas.

“Eu nem acreditei que consegui dormir”, comemorou uma aposentada que mora há 40 anos na Rua Iguaçu – um dos acessos ao Morro da Serrinha.

Jorge Porfírio de Souza, o Dinho, 30 anos

“Infelizmente estamos acostumados a momentos de guerra que interrompem períodos de paz. Não sabemos quando essa guerra realmente vai ter fim”, disse.

Ainda na manhã desta quarta-feira, policiais do 41º BPM (Irajá) – em parceria com equipes do 9º BPM (Rocha Miranda), 14º BPM (Bangu) e 27º BPM (Santa Cruz) – realizaram incursão na mata que separa os morros da Serrinha e do Juramento. Houve confronto e um dos criminosos acabou atingido. Socorrido pelos próprios PMs, ele foi levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, mas não resistiu. Com ele, os policiais apreenderam uma pistola nove milímetros. Na mesma ação, também foram apreendidos cerca de sete quilos de maconha e uma escopeta calibre 12.

“Infelizmente não podemos afirmar que a guerra acabou. É inviável ocupar a mata inteira, mas estamos ocupando a parte alta das duas comunidades e reforçando o policiamento em todo entorno. Vamos manter a ocupação enquanto for necessário”, garantiu o tenente-coronel Alexandre Fontenelle, comandante do 41º BPM.

“Na última terça-feira entramos em confronto e percebemos que havia um rastro de sangue em direção a uma trilha para o Juramento. Hoje (ontem) voltamos ao local para tentar localizar esses baleados e realizamos uma ação bem sucedida. Não há moradores ou policiais feridos”, ressaltou o oficial, informando que nos últimos 10 dias o batalhão já apreendeu 14 armas na região.

Em outubro do ano passado, três acusados de envolvimento com o tráfico foram mortos e um foi preso e houve apreensão de armas e drogas em outro capítulo da guerra entre as duas facções. A intenção, segundo investigações da 27ª DP (Vicente de Carvalho), seria encontrar refúgio para criminosos que eram de áreas onde foram instaladas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

A primeira tentativa de invasão ao Morro do Juramento ocorreu no final de agosto do ano passado, quando cerca de 100 traficantes armados e vestidos com roupas semelhantes à farda do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) chegaram à comunidade. Eles atravessaram o Morro do Juramentinho – que tem ligação, através da mata, com o Juramento, e integra o Complexo do Alemão. Os dois morros fazem parte do mesmo maciço.

Na tentativa de cercar a comunidade, parte dos criminosos do CV seguiram pela passarela da estação de metrô de Tomás Coelho. Ao avistarem os rivais, traficantes do TCP que estavam no alto do morro atiraram. Policiais militares que realizavam patrulhamento na Avenida Martin Luther King ficaram no meio do fogo cruzado. Cinco deles ficaram encurralados e acabaram sendo baleados. Eles só conseguiram ser resgatados com a ajuda de um PM morador do bairro. Lotado no 25º BPM (Cabo Frio), na Região dos Lagos, o cabo Mauro Silva Mendes, 37, passava pelo local com seu Mitsubishi Pajero blindado e usou o carro para furar o bloqueio.

Com um mandado de prisão expedido pela 29ª Vara Criminal da Capital, no dia 31 de janeiro de 2008, e outro expedido pela 1ª Vara Criminal da Capital, em 22 de janeiro do ano passado, Claudinho CL é acusado pela Polícia de ser um dos mandantes da execução do tenente-coronel da Polícia Militar José Roberto do Amaral Lourenço, 41.

Diretor há quatro anos da Penitenciária Doutor Serrano Neves B – mais conhecida como Bangu 3B – no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, ele foi assassinado com mais de 60 tiros na Avenida Brasil, quando se dirigia ao trabalho, no dia 16 de outubro de 2008.

Ele é o único envolvido no crime que ainda está em liberdade. Os outros quatro acusados já estão presos: Adair Marlon Duarte, o Aldair da Mangueira, 33, Ronaldo Pinta Lima da Silva, o Ronaldinho Tabajara, 36, e Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, 32.

Considerado foragido da Justiça desde janeiro de 2008, o traficante Luiz Cláudio Serrat Corrêa, conhecido como Claudinho da Mineira, Claudinho Tabajara, Claudinho Dona Marta ou Claudinho CL, 38 anos, é apontado como o responsável pela guerra que tem atormentado os moradores de Madureira, na Zona Norte do Rio. Um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), é ele quem está à frente do bonde que tem travado constantes tiroteios com o rival Jorge Porfírio de Souza, o Dinho, 30, que é integrante do Terceiro Comando Puro (TCP) e lidera a venda de drogas no Morro da Serrinha.

Com reforço de comparsas dos morros da Primavera, em Cavalcante, e São José da Pedra, também em Madureira, o bonde de Claudinho CL está abrigado no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, e conta com apoio de Valmir Bernardo da Silva, o Parazão, que é ex-braço direito de Dinho. Nesta quarta-feira, dia 3 de novembro, os moradores comemoravam a primeira noite sem tiroteio das últimas duas semanas.

“Eu nem acreditei que consegui dormir”, comemorou uma aposentada que mora há 40 anos na Rua Iguaçu – um dos acessos ao Morro da Serrinha.

Jorge Porfírio de Souza, o Dinho, 30 anos

“Infelizmente estamos acostumados a momentos de guerra que interrompem períodos de paz. Não sabemos quando essa guerra realmente vai ter fim”, disse.

Ainda na manhã desta quarta-feira, policiais do 41º BPM (Irajá) – em parceria com equipes do 9º BPM (Rocha Miranda), 14º BPM (Bangu) e 27º BPM (Santa Cruz) – realizaram incursão na mata que separa os morros da Serrinha e do Juramento. Houve confronto e um dos criminosos acabou atingido. Socorrido pelos próprios PMs, ele foi levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, mas não resistiu. Com ele, os policiais apreenderam uma pistola nove milímetros. Na mesma ação, também foram apreendidos cerca de sete quilos de maconha e uma escopeta calibre 12.

“Infelizmente não podemos afirmar que a guerra acabou. É inviável ocupar a mata inteira, mas estamos ocupando a parte alta das duas comunidades e reforçando o policiamento em todo entorno. Vamos manter a ocupação enquanto for necessário”, garantiu o tenente-coronel Alexandre Fontenelle, comandante do 41º BPM.

“Na última terça-feira entramos em confronto e percebemos que havia um rastro de sangue em direção a uma trilha para o Juramento. Hoje (ontem) voltamos ao local para tentar localizar esses baleados e realizamos uma ação bem sucedida. Não há moradores ou policiais feridos”, ressaltou o oficial, informando que nos últimos 10 dias o batalhão já apreendeu 14 armas na região.

Em outubro do ano passado, três acusados de envolvimento com o tráfico foram mortos e um foi preso e houve apreensão de armas e drogas em outro capítulo da guerra entre as duas facções. A intenção, segundo investigações da 27ª DP (Vicente de Carvalho), seria encontrar refúgio para criminosos que eram de áreas onde foram instaladas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

A primeira tentativa de invasão ao Morro do Juramento ocorreu no final de agosto do ano passado, quando cerca de 100 traficantes armados e vestidos com roupas semelhantes à farda do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) chegaram à comunidade. Eles atravessaram o Morro do Juramentinho – que tem ligação, através da mata, com o Juramento, e integra o Complexo do Alemão. Os dois morros fazem parte do mesmo maciço.

Na tentativa de cercar a comunidade, parte dos criminosos do CV seguiram pela passarela da estação de metrô de Tomás Coelho. Ao avistarem os rivais, traficantes do TCP que estavam no alto do morro atiraram. Policiais militares que realizavam patrulhamento na Avenida Martin Luther King ficaram no meio do fogo cruzado. Cinco deles ficaram encurralados e acabaram sendo baleados. Eles só conseguiram ser resgatados com a ajuda de um PM morador do bairro. Lotado no 25º BPM (Cabo Frio), na Região dos Lagos, o cabo Mauro Silva Mendes, 37, passava pelo local com seu Mitsubishi Pajero blindado e usou o carro para furar o bloqueio.

Com um mandado de prisão expedido pela 29ª Vara Criminal da Capital, no dia 31 de janeiro de 2008, e outro expedido pela 1ª Vara Criminal da Capital, em 22 de janeiro do ano passado, Claudinho CL é acusado pela Polícia de ser um dos mandantes da execução do tenente-coronel da Polícia Militar José Roberto do Amaral Lourenço, 41.

Diretor há quatro anos da Penitenciária Doutor Serrano Neves B – mais conhecida como Bangu 3B – no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, ele foi assassinado com mais de 60 tiros na Avenida Brasil, quando se dirigia ao trabalho, no dia 16 de outubro de 2008.

Ele é o único envolvido no crime que ainda está em liberdade. Os outros quatro acusados já estão presos: Adair Marlon Duarte, o Aldair da Mangueira, 33, Ronaldo Pinta Lima da Silva, o Ronaldinho Tabajara, 36, e Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, 32.

Fotos: Pedro Teixeira e Pedro Pantoja

Policiais costumam arriscar a vida todos os dias pelo bem da sociedade, mas no momento em que mais precisam são esquecidos pelos representantes dela. O inspetor Eduardo Pinto de Medeiros Baptista, 44 anos, foi baleado quando estava de serviço, em 2006, ficou tetraplégico e só no ano seguinte conseguiu se aposentar por invalidez.

No entanto, perdeu gratificações a que tinha direito e hoje ganha pouco menos de R$ 4 mil. O valor é insuficiente, pois seus gastos semanais, devido à sua tetraplegia, são sempre superiores.
Em novembro de 2006, Eduardo saía da 22ª DP (Penha), onde era lotado, para almoçar quando foi interceptado por três bandidos que queriam roubar o carro em que ele estava.

“Estava saindo da delegacia para ir comer alguma coisa e três homens me abordaram, em uma tentativa de roubo. Eu estava armado e tentei reagir. Ainda corri para tentar me proteger e trocar tiro com os marginais, mas fui baleado nas costas. Eu fui socorrido por colegas”, relembrou o policial.

Após ser baleado, Eduardo ficou muito tempo em coma e depois que acordou se deu conta de que estava tetraplégico e impossibilitado de voltar a trabalhar. A partir daí, começou sua luta para conseguir a aposentadoria.

“Consegui a minha aposentadoria por invalidez, mas automaticamente perdi algumas gratificações que eu tinha, e isso é uma pena porque na hora em que você mais precisa, você fica desamparado. Por conta da minha condição, tenho muitos gastos. Tive que comprar cadeira de rodas, cama especial, além disso, pago uma enfermeira, preciso de fraldas, remédios, o custo é muito alto. Ainda tive que me mudar e atualmente moro de aluguel. Gasto tudo que eu ganho, mas na maioria das vezes esses gastos ultrapassam e muito”, relatou Eduardo.

De acordo com a Polícia Civil, a gratificação decorre de uma regulamentação feita pela Secretaria de Estado de Segurança Pública, com base no decreto do Governo do Estado que instituiu a gratificação para policiais que trabalham nas unidades de Delegacia Legal. De acordo com a resolução, a gratificação deixa de ser paga aos policiais que entrarem em licença médica, licença maternidade, férias ou afastamento por motivo de doença, mas o policial aposentado questionou essa medida da corporação.

“Todos sabem as condições para receber essa gratificação, mas ela é injusta, pois justamente nos momentos em que a pessoa mais precisa dela, ela é cortada. As autoridades deveriam ver isso. Quando a pessoa se aposenta, ou porque já está idosa, ou, como no meu caso, não pode mais trabalhar, precisaria de uma ajuda do Governo e não pode contar com isso”, reclamou.

O policial deixou claro sua paixão pela profissão e contou que já havia sido baleado anteriormente e não obteve ajuda do Governo.

“Essa profissão é linda. Sou bacharel em Direito e resolvi ser policial civil. Nós arriscamos a vida o tempo todo. Subimos favelas, ficamos cara a cara com bandidos. Às vezes passamos mais de 24 horas na cola de um marginal, mas amo muito essa vida, sempre amei. É uma pena que o Governo e a própria instituição não dêem o merecido valor que os policiais merecem. Já tomei tiro na perna, no braço, já fiquei de licença e não recebi muito apoio. Esta é uma profissão de risco. Os policiais estão mais propícios a tomar um tiro do que qualquer outro cidadão e a corporação não vê isso. Deveria haver uma proteção maior aos agentes, até mesmo financeira, porque, assim como eu, sei que existem muitos policiais que foram baleados em serviço, que hoje não podem mais trabalhar e foram totalmente esquecidos”, desabafou.

A Polícia Civil foi procurada para explicar como funciona o recebimento de gratificações, quais as condições para recebê-la e a falta de apoio que os agentes inativos recebem, mas até o fechamento desta edição não obtivemos resposta.

O caso de Eduardo não é algo isolado na Polícia Civil. Um dos policiais que participou da Operação Família S.A. também viveu um drama parecido. Lotado na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) desde 2003, o agente Theophilo Augusto de Azambuja Neto, 47, foi até o Morro do Borel, na Tijuca, na Zona Norte do Rio, no dia 30 de novembro do ano passado executar a etapa operacional da ação que terminou com a prisão de 23 pessoas ligadas ao traficante Isaías Costa Rodrigues, o Isaías do Borel.

Na ocasião, Theophilo avistou no interior da favela uma casa usada como local de endolação de drogas, de onde dois suspeitos fugiam. Na perseguição à dupla, o agente escorregou no terreno cheio de lama e rompeu o ligamento do joelho esquerdo, provocando uma gravíssima lesão no menisco.

O agente foi socorrido pelos colegas e levado para o Hospital Geral do Andaraí, no bairro de mesmo nome, também na Zona Norte, onde foi constatada a gravidade da lesão. O policial entrou de licença no mesmo dia por acidente de trabalho.

O que ele não sabia era que, depois de quase 25 anos de Polícia, a instituição a quem dedicou a vida lhe negaria o direito à gratificação de cerca de R$ 1 mil que recebia mensalmente.

“Já tentamos dialogar com o secretário de Segurança no sentido de derrubar essa resolução, que acaba punindo aqueles policiais que se acidentam no cumprimento do dever, mas não há indicação alguma de que a Secretaria irá fazer qualquer coisa para modificar isso”, disse Francisco Chao, diretor jurídico do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (Sindpol).

Duas semanas após a publicação da matéria, na edição do dia 12 de fevereiro do Jornal POVO do Rio, o inspetor Theophilo voltou a receber sua gratificação.

“Neste caso, a Justiça foi feita e foi restabelecido o pagamento da gratificação.Acho que para compensar, me pagaram ainda as férias. Após dias sem conseguir dormir direito, acho que agora vou conseguir. Vou deitar e dormir uma noite inteira sem ficar pensando em como solucionar meus problemas, minhas dívidas”, declarou, na época, ao comemorar a decisão da Polícia Civil.

Enquanto Eduardo não tem a mesma sorte, amigos iniciaram uma campanha para arrecadar doações que possam ajudar o policial. Qualquer valor pode ser depositado no banco Itaú, agência 5658, conta corrente 04206-3.

“Nosso querido colega e guerreiro está precisando de ajuda, pois o nosso Estado não arca com todas as despesas e como é de conhecimento da grande maioria, perdeu gratificações e hoje não recebe o suficiente para sua assistência especial de 24h, além de medicamentos de uso contínuo. A luta por dignidade e respeito ao policial deve ser contínua, para evitar tal constrangimento”, ressaltou um dos apoiadores da campanha.

Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos

A dois dias do primeiro mês de morte do traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos, a mudança de identidade – tática comum a criminosos da facção Amigos dos Amigos (ADA), a qual ele era ligado – foi descartada com a divulgação das fotos do bandido morto. A suspeita chegou a surgir, entre comparsas de Roupinol – também conhecido como Lindão e Macaé – depois do velório realizado a portas fechadas e da proibição a pessoas que não fossem familiares de acompanhar o enterro.

Considerado um dos traficantes mais procurados do Rio, Roupinol era natural do Complexo das Malvinas, que é formado pelas favelas Nova Holanda, Santanna e Aroeira, localizadas em Macaé. Acusado de ser o principal distribuidor de drogas na cidade do Norte Fluminense, ele cumpriu parte da pena a que foi condenado na Penitenciária Lemos Brito, no Complexo da Frei Caneca, onde conheceu Sandro Luís de Paula Amorim, o Lindinho, Peixe ou Foca, 33 – nascido e criado no Morro da Mineira, no Complexo de São Carlos, no Estácio. Os dois criaram um forte vínculo de amizade na cadeia e, quando Lindinho deixou a prisão, em junho de 2002, Roupinol lhe atribuiu a responsabilidade de controlar as bocas-de-fumo nas favelas de Macaé.

Beneficiado com a liberdade condicional dois anos depois – em dezembro de 2004 -, Lindão passou a ser considerado foragido da Justiça em março de 2007, quando a Polícia Federal desarticulou uma quadrilha de traficantes que mantinha uma refinaria de cocaína no município de Conceição de Macabu, na região norte do Estado do Rio. O laboratório tinha capacidade para refinar de 10 a 15 quilos de pasta base de cocaína por mês – droga que era enviada para as bocas-de-fumo dos complexos das Malvinhas e de São Carlos – composto pelos morros São Carlos, Mineira, Querosene e Zinco.

Batizada como “Morpheu”, a operação envolveu 230 agentes federais e 70 viaturas e ocorreu simultaneamente em vários estados. Foram presas 11 pessoas em Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Rio de Janeiro. Ao todo, a Polícia cumpriu 40 mandados de prisão e alguns deles eram contra Lindinho e Lindão. Com a operação da PF, Roupinol deixou sua cidade natal e encontrou abrigo oferecido por Lindinho no Complexo do São Carlos. Ele ganhou prestígio no Morro da Mineira após pagar o resgate do traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho ou Lindomar, 31. Sobrinho do traficante Irapuan David Lopes, o Gangan, morto aos 35 anos, em 2004, durante confronto com a Polícia Civil, ele teria sido seqüestrado por policiais, que exigiram dinheiro em troca da liberdade do criminoso.

A partir daí, Roupinol passou a controlar todo o Complexo de São Carlos e se transformou na principal liderança, em liberdade, da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) – cujo líder, Edmílson Ferreira dos Santos, o Sassá, Coroa ou Samuca, 38, está preso. Além de ser apontado como maior fornecedor de cocaína para as bocas-de-fumo controladas pela ADA, Roupinol é apontado como o mandante do assassinato de três moradores do Morro da Providência, no Centro do Rio, em junho de 2008. Os jovens Marcos Paulo Rodrigues Campos, 17, Wellington Gonzaga da Costa Ferreira, 19, e David Wilson Florêncio da Silva, 24, foram seqüestrados por soldados do Exército e entregues ao traficante, que autorizou a execução para que não restassem testemunhas. O traficante também é acusado de envolvimento em outros seis homicídios. Um deles, é o do secretário Transportes de Macaé, Fernando Magalhães – morto aos 56 anos, em agosto de 2006.

Procurado pelas polícias Federal e Civil, tendo mais de 28 mandados de prisão expedidos contra si, Roupinol foi surpreendido no interior de uma casa no Morro do São Carlos, no dia 23 de março. A operação que terminou com a morte do principal fornecedor de drogas do Rio foi resultado de uma investigação minuciosa que durou pouco mais de dois anos e revelou o talento extraordinário que o traficante tinha para transformar cocaína em dinheiro.

Para dissecar as finanças do bando, os agentes usaram uma estratégia engenhosa. Identificaram um a um e monitoraram os compradores dos insumos utilizados no refino da pasta base oriunda de países como a Bolívia e a Colômbia que chegava até as mãos da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), que domina o tráfico no Complexo do São Carlos e também na Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio.

Só no mês de janeiro deste ano, de acordo com as investigações, a venda de cocaína no Morro da Mineira, favela “arrendada” por Roupinol, garantiu um faturalmento de mais de R$ 3 milhões. A fortuna financiava a compra de armas, subornos a policiais, guerras com facções rivais e até campanhas políticas.

Relembre Aqui:
Core sobe Mineira e põe fim ao império de Lindão

Fotos: Bruno Gonzalez e Vitor Silva

A proibição da entrada de pessoas que não fossem parentes no enterro e o velório a portas fechadas do corpo do traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos, levantou uma suspeita: será que o criminoso seria mais um integrante da facção Amigos dos Amigos (ADA) a se fingir de morto para conseguir identidade diferente e recomeçar vida nova desfrutando do dinheiro ganho com a venda de drogas?

Em janeiro deste ano, policiais da Divisão de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) descobriram que Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nêm, 33, líder do tráfico na Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, pagou ao médico Dalton Jorge por um atestado de óbito. Por assinar o documento, afirmando que o traficante havia morrido por insuficiência renal e diabetes – diagnóstico que garantiria que o corpo não passasse pelo Instituto Médico Legal (IML) para necropsia -, Dalton acabou sendo preso por falsidade ideológica e associação ao tráfico.

Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nêm, 33 anos

Também no atestado, ele havia registrado que o criminoso morreu em um imóvel no número 170 da Rua Major Rubens Vaz, na Gávea, na Zona Sul. No endereço fica localizada a 15ª DP (Gávea), delegacia responsável pelas investigações relativas ao tráfico de drogas na Favela da Rocinha. O enterro chegou a ser marcado: às 16h15 do dia 29 de janeiro no Cemitério do Catumbi, no bairro de mesmo nome – próximo ao Complexo do São Carlos, onde Roupinol teria morrido – e não haveria velório.

Quem assinou o pedido de sepultamento à Funerária Rio Pax de Copacabana foi Antônio Carlos Santana Rosa, cunhado de Nêm. No documento, ele declarava que o traficante havia morrido em casa, às 9h40m – menos de sete horas após o horário previsto para o enterro.

Preparado para uma nova vida, Nêm chegou a encomendar uma nova identidade, sem muitas alterações: mudou a data de nascimento de 25 para 24 de janeiro de 1976 e o nome de Antônio Francisco Bonfim Lopes para Antônio Francisco. O número pertence ao documento de uma outra pessoa – João Paulo Romildo dos Santos -, que não possui antecedentes criminais.

O delegado Márcio Mendonça, titular da DRFA, iniciou investigação para apurar a participação de funerárias, médicos e cemitérios na falsificação de atestados de óbito e realização de falsos enterros. Segundo o delegado, em casos como o de Nêm, cujo sepultamento seria feito sem velório, nenhum funcionário do cemitério observa se há cadáver no caixão.

Paulo César Silva dos Santos, o Linho, 38 anos

Parceiro de Roupinol, Nêm queria seguir os passos de outro líder da ADA: Paulo César Silva dos Santos, o Linho. Em 2003, aos 31 anos, ele teria sido morto em São Paulo. No entanto, o Disque-Denúncia continuou recebendo informações sobre possíveis esconderijos do traficante. De 2003 a 2008, foram 673 denúncias. O corpo nunca foi encontrado e até hoje ninguém conseguiu comprovar a morte, que teria sido anunciada pelo irmão dele, Wagner da Silva Santos.

Preso em janeiro de 2004, aos 29 anos, por agentes da extinta Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e da 40ª DP (Rocha Miranda), ele era acusado de participação na lavagem de dinheiro para a quadrilha do irmão e teria afirmado aos policiais que Linho havia sido morto em janeiro do ano anterior. De acordo com a Polícia, ele contou que o irmão desapareceu no dia 23 de janeiro de 2003.

Na ocasião, ele teria saído de casa, em um condomínio luxuoso no bairro Pinheiros, na Zona Sul de São Paulo, por volta do meio-dia, e seu último contato teria sido por telefone com a mulher, Michele Lucena Fernandes, 24, duas horas depois. Ainda de acordo com Wagner, no mesmo dia um dos comparsas do irmão, o traficante Ubiratan da Silva, o Bira, teria ligado para Michele dizendo que Linho havia sido seqüestrado por policiais que pediam R$ 2 milhões para o resgate. No dia 13 de fevereiro do mesmo ano, um corpo que seria de Bira foi encontrado sem a cabeça e as pernas.

Investigações policiais comprovaram que Linho morava em São Paulo desde 1997, tendo passado por 18 municípios. Em 2003, Linho – que usava documentos com pelo menos sete nomes falsos – teve residências em seis cidades. Ele também possuía, em nomes de terceiros, um posto de combustível e uma farmácia na capital paulista. Ainda segundo a Polícia, o irmão era o responsável por um lava a jato em Santo André. Ele vendeu o estabelecimento – sete meses após a suposta morte do irmão – e voltou para o Rio de Janeiro, onde acabou sendo preso em uma casa em Marechal Hermes, na Zona Norte, por força de um mandado de prisão expedido pela 2ª Vara Criminal da Ilha do Governador.

Enquanto a tentativa de Nêm foi frustrada, o sumiço de Linho é considerado uma fuga bem-sucedida entre integrantes da facção Amigos dos Amigos, hoje representada pelo traficante Edmilson Ferreira dos Santos, o Sassá, 39. Também conhecido como Samuca ou Coroa, ele foi preso em novembro de 2005 por policiais da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) que o encontraram em um buraco aberto no chão do depósito de um supermercado na Favela Salsa e Merengue, no Complexo da Maré, em Bonsucesso, na Zona Norte.

Ao perceber a chegada dos agentes, o criminoso gritou “perdi, perdi”. Depois, ofereceu R$ 1 milhão em troca da liberdade. No momento da prisão ele foi flagrado com duas pistolas, uma granada, cinco rojões de fabricação argentina e um lança rojão, além de quatro bombas caseiras e centenas de munições de diversos calibres. Ao ser questionado sobre a morte de Linho, respondeu: “ouvi dizer” e se limitou a falar que nunca mais havia mantido contato com ele.

Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos

A morte de Roupinol foi divulgada na manhã da terça-feira, dia 23 de março, em ação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil. Mesmo tendo sido atingido por um tiro de fuzil no rosto, o corpo do traficante foi liberado do Instituto Médico Legal (IML) no mesmo dia e um velório em uma quadra no alto do Morro da Mineira foi anunciado através de cartazes espalhados pela comunidade.

Apesar do convite, ninguém conseguiu ver o corpo no caixão e o enterro, realizado no Cemitério Memorial da Igualdade, no bairro Santa Virgem, em Macaé, foi acompanhado somente por quem comprovou parentesco com o criminoso. Nenhum incidente – como ordens para fechamento do comércio ou ações de represália à morte do traficante – foi registrado nas proximidades do Complexo de São Carlos, composto pelos morros São Carlos, Mineira, Zinco, Querosene e Coroa – que corta os bairros Estácio, Rio Comprido e Catumbi, na Zona Central do Rio.

Ausência de luto forçado levanta suspeitas

A falta de luto em homenagem a Roupinol não é comum nos casos de morte de traficantes que ocupam cargos de liderança em morros e favelas do Rio de Janeiro. Um exemplo ocorreu no dia 28 de janeiro do ano passado, quando a morte do traficante Leandro Monteiro Reis, o Pitbull, levou tensão aos arredores do Complexo da Mangueira, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio.

Pertencente à família que domina o tráfico de drogas na favela desde a década de 80, ele morreu sete horas após ter sido baleado em confronto com policiais civis. Sobrinho de Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, 43, e primo de Alexander Mendes da Silva, o Polegar, ele trocou tiros com equipes da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), da Core e da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), na localidade conhecida como Buraco Quente, por volta das 9 horas.

Atingido na barriga, ele ainda conseguiu descer por uma ribanceira e correu em direção à localidade conhecida como Elvis, onde teria se escondido na casa de moradores. Policiais revistaram diversos imóveis, mas não conseguiram encontrá-lo.

No início da tarde, equipes da 17ª DP (São Cristóvão), DRFC e DRFA também foram para a favela e policiais do 4º BPM (São Cristóvão) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) ocuparam os acessos ao complexo. Às 16h30, o traficante deu entrada no Hospital Municipal Souza Aguiar, já sem vida.

Mesmo antes da confirmação da morte do traficante, o clima ficou tenso no entorno do Complexo da Mangueira – composto pelos morros Telégrafos, Chalé, Faria, Santo Antônio, Red Indian, Olaria, Pedreira, Pindura Saia, Buraco Quente, Tengo-Tengo, Curva da Cobra, Joaquina, Candelária e Pedra. As primeiras equipes de policiais chegaram ao local pouco depois das 8 horas. Houve intenso confronto e duas pessoas ficaram feridas: um gari comunitário, baleado na perna, e um policial civil atingido por um tiro de raspão na barriga.

Cerca de uma hora depois, houve novo tiroteio. Desta vez, a troca de tiros ocorreu na Travessa Mangará, onde dois homens morreram e grande quantidade de drogas e armas foi apreendida. Foi em um imóvel na mesma via que os policiais apreenderam uma metralhadora ponto 30, dois fuzis e duas pistolas, além de 200 quilos de maconha.

Aproximadamente três horas após o início da ação, criminosos atearam fogo ao ônibus que fazia a linha 474 (Jardim de Alah-Jacarezinho) e trafegava pela Rua Ana Néri, no trecho entre as ruas Fausto Barreto e Abdon Milanez, em Benfica. Os passageiros contaram que seis homens armados e em três motos pararam o trânsito e expulsaram todos, avisando que iam tacar fogo no ônibus. Logo depois, jogaram vários coquetéis molotov no interior do veículo, que explodiu, atingindo a rede elétrica da rua. O óleo diesel do ônibus começou a vazar dando início a um rastro de chamas, que atingiu um outro carro da linha 312, que passava pela rua. Os passageiros e o motorista desse segundo coletivo conseguiram conter as chamas.

Por volta do meio-dia, o terceiro ônibus foi incendiado a poucos metros do primeiro, no Largo do Pedregulho. Duas horas depois, bandidos atearam fogo a um coletivo que fazia a linha 239 (Castelo-Água Santa) na Rua Presidente Castelo Branco, antiga Radial Oeste, em frente à Favela do Metrô.

O enterro aconteceu 24 horas após o previsto, devido a um contratempo no IML para liberação do corpo. Na época, o advogado do traficante, Ésio Lopes, afirmou que o atraso ocorreu porque não havia ficha papiloscópica de seu cliente no Instituto Félix Pacheco (IFP).

“Eles teriam o direito de permanecer com o corpo por 72 horas, mas o diretor do IML entendeu que isso não era necessário, tendo em vista que a autópsia já havia sido feita e meu cliente foi reconhecido pela família”, explicou, na ocasião.

Mesmo tendo o corpo – intacto, já que foi encontrada apenas uma perfuração na altura do peito – reconhecido por familiares acompanhados por toda documentação, Pitbull, que era integrante da facção criminosa Comando Vermelho (CV), não conseguiu ser enterrado com tanta rapidez como o rival da ADA.